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Gl 2, 11

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Matos Soares

11Mas, tendo vindo Cefas a Antioquia, eu lhe resisti na cara, porque merecia repreensão,

Matos Soares · domínio público

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Citações internas

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Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1:** Parece que nenhum homem está obrigado a corrigir o seu prelado. Pois está escrito (Êx 19,12): «O animal que tocar o monte será apedrejado» [*Vulg.: «Todo aquele que tocar o monte, morrendo morrerá»] e (2 Rs 6,7) narra-se que o Senhor feriu Oza por haver tocado a arca. Ora, o monte e a arca significam os nossos prelados. Logo, os prelados não devem ser corrigidos pelos seus súditos. **Objeção 2:** Demais, uma glosa sobre Gl 2,11, «Resisti-lhe na cara», acrescenta: «como a um igual». Portanto, visto que o súdito não é igual ao seu prelado, não deve corrigi-lo. **Objeção 3:** Demais, Gregório diz (Moral. XXIII, 8) que «não se deve presumir repreender a conduta dos homens santos, a menos que se julgue melhor de si mesmo». Ora, não se deve julgar melhor de si do que do seu prelado. Logo, não se deve corrigir o seu prelado. **Pelo contrário,** Agostinho diz na sua Regra: «Fazei misericórdia não somente a vós mesmos, mas também àquele que, estando na posição mais elevada entre vós, por isso está em maior perigo». Ora, a correção fraternal é obra de misericórdia. Portanto, também os prelados devem ser corrigidos. **Respondo que** o súdito não é competente para administrar ao seu prelado aquela correção que é ato de justiça pela natureza coercitiva da pena; mas a correção fraternal, que é ato de caridade, está na competência de todos para com qualquer pessoa para com a qual esteja obrigado pela caridade, contanto que haja nessa pessoa algo que necessite de correção. Ora, o ato que procede de um hábito ou potência estende-se a tudo o que está contido sob o objeto dessa potência ou hábito: assim a visão se estende a todas as coisas compreendidas no objeto da vista. Visto, porém, que o ato virtuoso precisa ser moderado pelas devidas circunstâncias, segue-se que, quando um súdito corrige o seu prelado, deve fazê-lo de maneira conveniente, não com impudência e aspereza, mas com brandura e respeito. Donde o Apóstolo diz (1 Tm 5,1): «Não repreendas ao ancião, mas roga-lhe como a pai». Por isso Dionísio censura o monge Demófilo (Ep. VIII), por repreender um sacerdote com insolência, golpeando-o e expulsando-o da igreja. **Resposta à objeção 1:** Parece que o súdito toca desordenadamente no seu prelado quando o increpa com insolência, como também quando fala mal dele; e isso é significado pela condenação de Deus àqueles que tocaram o monte e a arca. **Resposta à objeção 2:** Resistir a alguém em público excede o modo da correção fraternal; por isso Paulo não teria resistido a Pedro então, a menos que fosse de certo modo seu igual quanto à defesa da fé. Mas quem não é igual pode repreender em particular e respeitosamente. Donde o Apóstolo, escrevendo aos Colossenses (4,17), manda que admoestem o seu prelado: «Dizei a Arquipo: Cumpre o teu ministério [*Vulg.: «Atenta para o ministério que recebeste no Senhor, para que o cumpras. Cf. 2 Tm 4,5]». Deve-se observar, contudo, que se a fé estivesse em perigo, o súdito deveria repreender o seu prelado até publicamente. Por isso Paulo, que era súdito de Pedro, o repreendeu em público, por causa do perigo iminente de escândalo acerca da fé; e, como diz a glosa de Agostinho sobre Gl 2,11, «Pedro deu exemplo aos superiores de que, se alguma vez porventura se desviassem do caminho reto, não desdenhassem ser repreendidos pelos seus súditos». **Resposta à objeção 3:** Presumir-se simplesmente melhor do que o seu prelado pareceria cheirar a orgulho presunçoso; mas não há presunção em julgar-se melhor em algum aspecto, porque nesta vida ninguém é sem algum defeito. Devemos também lembrar que, quando um homem repreende caritativamente o seu prelado, não se segue que se julgue melhor, mas apenas que oferece o seu auxílio àquele que, «estando na posição mais elevada entre vós, por isso está em maior perigo», como observa Agostinho na sua Regra acima citada.

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 4 - Whether a mann is bound to correct his prelate? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1:** Pareceria que, depois da Paixão de Cristo, se podem observar as cerimônias legais sem cometer pecado mortal. Pois não devemos crer que os Apóstolos tenham cometido pecado mortal depois de receber o Espírito Santo, visto que, por Sua plenitude, foram "revestidos de poder do alto" (Lc 24,49). Ora, os Apóstolos observaram as cerimônias legais depois da vinda do Espírito Santo, pois está escrito (At 16,3) que Paulo circuncidou a Timóteo; e (At 21,26) que Paulo, por conselho de Tiago, "tomou consigo aqueles homens e, purificando-se com eles, entrou no templo, anunciando o cumprimento dos dias da purificação, até que se oferecesse uma oblação por cada um deles". Logo, as cerimônias legais podem ser observadas depois da Paixão de Cristo sem pecado mortal. **Objeção 2:** Além disso, uma das cerimônias legais consistia em evitar a companhia dos gentios. Ora, o primeiro Pastor da Igreja observou este preceito; pois está escrito (Gl 2,12) que, "quando" alguns "chegaram" a Antioquia, Pedro "se retirou e se separou" dos gentios. Logo, as cerimônias legais podem ser observadas depois da Paixão de Cristo sem cometer pecado mortal. **Objeção 3:** Além disso, os mandamentos dos Apóstolos não induzem os homens ao pecado. Ora, foi ordenado por decreto apostólico que os gentios observassem certas cerimônias da Lei; pois está escrito (At 15,28-29): "Pareceu bem ao Espírito Santo e a nós não vos impor mais encargo além destas coisas necessárias: que vos abstenhais das coisas sacrificadas aos ídolos, e do sangue, e das coisas sufocadas, e da fornicação." Logo, as cerimônias legais podem ser observadas depois da Paixão de Cristo sem cometer pecado mortal. **Em contrário,** diz o Apóstolo (Gl 5,2): "Se vos circuncidardes, Cristo de nada vos aproveitará." Ora, nada, senão o pecado mortal, impede que recebamos o fruto de Cristo. Logo, depois da Paixão de Cristo, é pecado mortal circuncidar-se ou observar as outras cerimônias legais. **Respondo** que todas as cerimônias são profissões de fé, nas quais consiste o culto interior de Deus. Ora, o homem pode fazer profissão de sua fé interior tanto por obras como por palavras; e, em qualquer dessas profissões, se ele fizer uma declaração falsa, peca mortalmente. Embora a nossa fé em Cristo seja a mesma que a dos antigos pais, todavia, como eles vieram antes de Cristo, e nós depois d'Ele, a mesma fé é expressa em palavras diferentes por nós e por eles. Pois por eles foi dito: "Eis que uma virgem conceberá e dará à luz um filho", onde os verbos estão no tempo futuro; enquanto nós expressamos o mesmo por meio de verbos no tempo passado, e dizemos que ela "concebeu e deu à luz". De modo semelhante, as cerimônias da Lei Velha significavam Cristo como ainda por nascer e por padecer; ao passo que os nossos sacramentos O significam como já nascido e já padecido. Consequentemente, assim como seria pecado mortal agora, para alguém, ao fazer profissão de fé, dizer que Cristo ainda há de nascer — o que os antigos pais diziam devota e verdadeiramente —, assim também seria pecado mortal agora observar aquelas cerimônias que os antigos pais cumpriam com devoção e fidelidade. Tal é o ensinamento de Agostinho (Contra Fausto, XIX, 16), que diz: "Já não se promete que Ele nascerá, padecerá e ressuscitará, verdades das quais os seus sacramentos eram como que uma imagem; mas declara-se que Ele já nasceu, já padeceu e já ressuscitou; do que os nossos sacramentos, de que os cristãos participam, são a representação real." **Resposta à Objeção 1:** Sobre este ponto parece ter havido divergência de opinião entre Jerônimo e Agostinho. Jerônimo (Super Galatas, II, 11 e segs.) distinguiu dois períodos de tempo. Um foi o tempo anterior à Paixão de Cristo, durante o qual as cerimônias legais não eram mortas, pois eram obrigatórias e expiavam à sua maneira; nem mortíferas, porque não era pecaminoso observá-las. Mas imediatamente após a Paixão de Cristo começaram a ser não só mortas, de modo a não terem mais efeito nem obrigatoriedade, mas também mortíferas, de modo que quem as observasse fosse réu de pecado mortal. Por isso ele sustentou que, depois da Paixão, os Apóstolos nunca observaram as cerimônias legais a sério, mas apenas por uma espécie de piedosa dissimulação, a fim de não escandalizarem os judeus e não impedirem a sua conversão. Esta dissimulação, porém, deve ser entendida não como se eles não realizassem realmente aquelas ações, mas no sentido de que as realizavam sem a intenção de observar as cerimônias da Lei; assim como um homem poderia cortar o seu prepúcio por motivo de saúde, não com a intenção de observar a circuncisão legal. Mas, porque parece inconveniente que os Apóstolos, para evitar escândalo, tenham ocultado coisas pertencentes à verdade da vida e da doutrina, e que tenham usado de dissimulação em coisas pertinentes à salvação dos fiéis, por isso Agostinho (Epístola LXXXII) distinguiu mais adequadamente três períodos de tempo. Um foi o tempo que precedeu a Paixão de Cristo, durante o qual as cerimônias legais não eram nem mortíferas nem mortas; outro período foi depois da publicação do Evangelho, durante o qual as cerimônias legais são tanto mortas como mortíferas. O terceiro é um período intermédio, isto é, desde a Paixão de Cristo até a publicação do Evangelho, durante o qual as cerimônias legais eram mortas, de facto, porque não tinham efeito nem força obrigatória, mas não eram mortíferas, porque era lícito aos judeus convertidos ao Cristianismo observá-las, contanto que não pusessem nelas a sua confiança, a ponto de as considerarem necessárias para a salvação, como se a fé em Cristo não pudesse justificar sem as observâncias legais. Por outro lado, não havia razão para que aqueles que se convertiam do paganismo ao Cristianismo as observassem. Por isso Paulo circuncidou Timóteo, que era filho de mãe judia; mas não quis circuncidar Tito, que era de nacionalidade gentia. A razão por que o Espírito Santo não quis que os judeus convertidos fossem imediatamente impedidos de observar as cerimônias legais, enquanto os gentios convertidos eram proibidos de observar os ritos do paganismo, foi para mostrar que há diferença entre estes ritos. Pois a cerimônia pagã foi rejeitada como absolutamente ilícita e como proibida por Deus para sempre; ao passo que a cerimônia legal cessou por ter sido cumprida pela Paixão de Cristo, tendo sido instituída por Deus como figura de Cristo. **Resposta à Objeção 2:** Segundo Jerônimo, Pedro retirou-se dos gentios por dissimulação, a fim de evitar escandalizar os judeus, de quem era Apóstolo. Portanto, não pecou absolutamente ao agir assim. Por outro lado, Paulo, de igual modo, fingiu repreendê-lo, a fim de evitar escandalizar os gentios, de quem era Apóstolo. Agostinho, porém, desaprova esta solução, porque na Escritura canônica (a saber, Gl 2,11), na qual não se deve ter nada por falso, Paulo diz que Pedro "era repreensível". Consequentemente, é verdade que Pedro estava em falta; e Paulo o repreendeu realmente e não com fingimento. Contudo, Pedro não pecou ao observar a cerimônia legal naquele tempo, porque isto lhe era lícito, sendo ele um judeu convertido. Mas pecou pela excessiva minúcia na observância dos ritos legais, para não escandalizar os judeus, resultando daí que escandalizou os gentios. **Resposta à Objeção 3:** Alguns opinaram que esta proibição dos Apóstolos não deve ser entendida literalmente, mas espiritualmente; a saber, que a proibição do sangue significa a proibição do homicídio; a proibição das coisas sufocadas, a da violência e rapina; a proibição das coisas oferecidas aos ídolos, a da idolatria; e a fornicação é proibida como sendo má em si mesma. Esta opinião colheram de certas glosas que expõem estas proibições em sentido místico. Visto, porém, que o homicídio e a rapina eram considerados ilícitos mesmo pelos gentios, não haveria necessidade de dar este mandamento especial àqueles que se convertiam a Cristo vindos do paganismo. Por isso outros sustentam que esses alimentos foram proibidos literalmente, não para impedir a observância das cerimônias legais, mas para evitar a gula. Assim Jerônimo diz sobre Ezequiel 44,31 ("O sacerdote não comerá nada do que estiver morto"): "Condena aqueles sacerdotes que, por gula, não guardavam estes preceitos." Mas, visto que certos alimentos são mais delicados que estes e mais conducentes à gula, não parece haver razão por que estes tenham sido proibidos mais do que outros. Devemos, portanto, seguir a terceira opinião e sustentar que estes alimentos foram proibidos literalmente, não com o propósito de impor a observância das cerimônias legais, mas para promover a união dos gentios e judeus que viviam lado a lado. Porque o sangue e as coisas sufocadas eram abomináveis para os judeus por costume antigo; e os judeus poderiam suspeitar que os gentios reincidiam na idolatria se estes participassem das coisas oferecidas aos ídolos. Por isso estas coisas foram proibidas naquele tempo, durante o qual os gentios e os judeus haviam de unir-se. Mas, com o passar do tempo, cessada a causa, cessou também o efeito, quando a verdade da doutrina evangélica foi divulgada, na qual Nosso Senhor ensinou que "não é o que entra pela boca que contamina o homem" (Mt 15,11); e que "nada deve ser rejeitado do que se recebe com ação de graças" (1 Tm 4,4). Quanto à fornicação, foi feita uma proibição especial, porque os gentios não a consideravam pecado.

Summa Theologiae — First Part of the Second Part · Article. 4 - Whether since Christ's Passion the legal ceremonies can be observed without committing mortal sin? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1:** Parece que nem toda dissimulação é pecado. Pois está escrito (Lc 24,28) que o Senhor "fingiu [como quem queria] ir mais adiante"; e Ambrósio, no seu livro sobre os Patriarcas (De Abraham i), diz de Abraão que "falou astuciosamente aos seus servos, quando disse" (Gn 22,5): "Eu e o menino iremos com presteza até ali; e, depois de havermos adorado, tornaremos a vós." Ora, fingir e falar astuciosamente cheiram a dissimulação: e, todavia, não se pode dizer que houve pecado em Cristo ou em Abraão. Logo, nem toda dissimulação é pecado. **Objeção 2:** Ademais, nenhum pecado é proveitoso. Mas, segundo Jerônimo, no seu comentário sobre Gl 2,11, "Quando Pedro [Vulg.: 'Cefas'] veio a Antioquia: — O exemplo de Jeú, rei de Israel, que matou o sacerdote de Baal, fingindo que desejava adorar os ídolos, deve ensinar-nos que a dissimulação é útil e às vezes deve ser empregada"; e Davi "mudou o seu semblante perante Aquis, rei de Gate" (1 Rs 21,13). Logo, nem toda dissimulação é pecado. **Objeção 3:** Ademais, o bem é contrário ao mal. Portanto, se é mau simular o bem, é bom simular o mal. **Objeção 4:** Ademais, está escrito em condenação de certas pessoas (Is 3,9): "Publicaram o seu pecado como Sodoma, e não o encobriram." Ora, é próprio da dissimulação ocultar o próprio pecado. Logo, é repreensível às vezes não dissimular. Mas nunca é repreensível evitar o pecado. Logo, a dissimulação não é pecado. **Em sentido contrário,** uma glosa sobre Is 16,14, "Dentro de três anos", etc., diz: "Dos dois males, é menor pecar abertamente do que simular santidade." Ora, pecar abertamente é sempre pecado. Logo, a dissimulação é sempre pecado. **Respondo que,** como foi dito acima (Q. 109, Art. 3; Q. 110, Art. 1), pertence à virtude da verdade mostrar-se exteriormente por sinais exteriores tal como se é. Ora, os sinais exteriores não são apenas as palavras, mas também os atos. Por conseguinte, assim como é contrário à verdade significar por palavras algo diverso do que está na mente, assim também é contrário à verdade empregar sinais de atos ou de coisas para significar o contrário do que está em si mesmo, e é isto que propriamente se denomina dissimulação. Consequentemente, a dissimulação é propriamente uma mentira contada por meio de sinais de atos exteriores. Ora, não importa se se mente por palavra ou de qualquer outro modo, como foi dito acima (Q. 110, Art. 1, Obj. 2). Pelo que, visto que toda mentira é pecado, como foi dito acima (Q. 110, Art. 3), segue-se que também toda dissimulação é pecado. **Resposta à objeção 1:** Como diz Agostinho (Das Questões sobre os Evangelhos, ii), "Fingir nem sempre é mentira: mas somente quando o fingimento não tem nenhuma significação, então é mentira. Quando, porém, o nosso fingimento se refere a alguma significação, não há mentira, mas uma representação da verdade." E ele cita as figuras de linguagem como exemplo, onde uma coisa é "fingida", pois não queremos que seja tomada ao pé da letra, mas como figura de outra coisa que desejamos dizer. Deste modo o Senhor "fingiu que queria ir mais adiante", porque agiu como se quisesse ir mais adiante; para significar algo figuradamente, quer porque estava longe da fé deles, segundo Gregório (Hom. xxiii sobre os Evangelhos); quer, como diz Agostinho (Das Questões sobre os Evangelhos, ii), porque, "como estava para se afastar deles subindo ao céu, foi, por assim dizer, retido na terra pela hospitalidade deles." Abraão também falou figuradamente. Pelo que Ambrósio (De Abraham i) diz que Abraão "predisse o que não sabia": pois ele pretendia voltar sozinho depois de sacrificar o filho; mas pela sua boca o Senhor exprimiu o que estava para fazer. É evidente, portanto, que nenhum deles dissimulou. **Resposta à objeção 2:** Jerônimo emprega o termo "simulação" em sentido amplo para qualquer tipo de fingimento. A mudança de semblante de Davi foi um fingimento figurativo, como observa uma glosa ao comentar o título do Salmo 33, "Em todo o tempo bendirei ao Senhor". Não é necessário escusar a dissimulação de Jeú de pecado ou mentira, porque ele era um homem ímpio, visto que não se apartou da idolatria de Jeroboão (4 Rs 10,29.31). E, todavia, ele é louvado com tudo isso e recebeu de Deus uma recompensa terrena, não pela sua dissimulação, mas pelo seu zelo em destruir o culto de Baal. **Resposta à objeção 3:** Alguns dizem que ninguém pode fingir-se mau, porque ninguém se finge mau praticando boas obras, e, se pratica más obras, é mau. Mas este argumento nada prova. Porque um homem pode fingir-se mau, praticando o que não é mau em si mesmo, mas tem alguma aparência de mal; e, contudo, esta dissimulação é má, tanto porque é mentira, como porque causa escândalo; e, embora seja ímpio por isso, contudo a sua impiedade não é a impiedade que ele simula. E porque a dissimulação é má em si mesma, a sua pecaminosidade não deriva da coisa simulada, quer esta seja boa ou má. **Resposta à objeção 4:** Assim como um homem mente quando significa por palavra o que não é, mas não mente quando se abstém de dizer o que é, porque isto é às vezes lícito; assim também um homem dissimula, quando por sinais exteriores de atos ou coisas significa o que não é, mas não dissimula se omite significar o que é. Logo, pode-se ocultar o próprio pecado sem ser réu de dissimulação. É assim que se deve entender o dito de Jerônimo sobre as palavras de Isaías 3,9, de que o "segundo remédio depois do naufrágio é ocultar o pecado", a saber, para que outros não sejam escandalizados com isso.

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 1 - Whether all dissimulation is a sin? · séc. XIII

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