Referência

Gl 2, 20

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Matos Soares

20vivo, mas já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim. A vida (sobrenatural) com que vivo agora na carne, vivo-a da fé no Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim.

Matos Soares · domínio público

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Citações internas

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Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1:** Pareceria que Deus se encarnou como remédio para os pecados atuais, antes que para o pecado original. Porque, quanto mais grave é o pecado, tanto mais se opõe à salvação do homem, para a qual Deus se encarnou. Ora, o pecado atual é mais grave que o original; pois ao pecado original se deve a pena mais leve, como diz Agostinho (Contra Juliano, V, 11). Logo, a Encarnação de Cristo visa principalmente a tirar os pecados atuais. **Objeção 2:** Ademais, a pena de sentido não é devida ao pecado original, mas somente a pena de dano, como se demonstrou (I-II, q. 87, a. 5). Ora, Cristo veio sofrer a pena de sentido na Cruz em satisfação pelos pecados — e não a pena de dano, pois não teve defeito nem da visão beatífica nem da fruição. Logo, veio para tirar o pecado atual, antes que o original. **Objeção 3:** Ademais, como diz Crisóstomo (Da Compunção do Coração, II, 3): "Esta deve ser a mente do servo fiel: considerar os benefícios de seu Senhor, que foram concedidos a todos igualmente, como se fossem concedidos só a ele. Pois, como se falasse de si só, Paulo escreve aos Gálatas 2,20: 'Cristo... me amou e se entregou por mim.'" Ora, nossos pecados individuais são os atuais; pois o pecado original é o pecado comum. Portanto, devemos ter esta convicção, de crer que Ele veio principalmente pelos pecados atuais. **Em contrário,** está escrito (Jo 1,29): "Eis o Cordeiro de Deus, eis Aquele que tira o pecado [Vulg.: 'pecado'] do mundo." **Respondo:** É certo que Cristo veio a este mundo não só para tirar aquele pecado que se transmite originalmente à posteridade, mas também para tirar todos os pecados que depois se lhe acrescentam; não que todos sejam tirados (e isto por culpa dos homens, porquanto não aderem a Cristo, conforme Jo 3,19: "A luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz"), mas porque ofereceu o que era suficiente para apagar todos os pecados. Por isso está escrito (Rm 5,15-16): "Mas não é assim a dádiva como a ofensa... Pois o juízo veio de uma só ofensa para condenação; mas a graça veio de muitas ofensas para justificação." Além disso, quanto mais grave é o pecado, tanto mais particularmente Cristo veio para o apagar. Mas "maior" se diz de dois modos: de um modo, "intensivamente", como se diz maior uma brancura mais intensa; e assim o pecado atual é maior que o original, pois tem mais da natureza do voluntário, como se mostrou (I-II, q. 81, a. 1). De outro modo, diz-se uma coisa maior "extensivamente", como se diz maior a brancura numa superfície mais vasta; e deste modo o pecado original, pelo qual todo o gênero humano está infectado, é maior que qualquer pecado atual, que é próprio de uma só pessoa. E, sob este aspecto, Cristo veio principalmente para tirar o pecado original, porquanto "o bem da raça é algo mais divino do que o bem de um indivíduo", como se diz na Ética, I, 2. **Resposta à objeção 1:** Esta razão atende à grandeza intensiva do pecado. **Resposta à objeção 2:** Na retribuição futura, a pena de sentido não será aplicada ao pecado original. Contudo, as penalidades, tais como a fome, a sede, a morte e outras do género, que sofremos sensivelmente nesta vida, provêm do pecado original. E, portanto, Cristo, para satisfazer plenamente pelo pecado original, quis sofrer a pena sensível, a fim de consumir em Si mesmo a morte e os males semelhantes. **Resposta à objeção 3:** Crisóstomo diz (Da Compunção do Coração, II, 6): "O Apóstolo usou estas palavras, não como que querendo diminuir os dons de Cristo, amplos como são e que se difundem por todo o mundo, mas para se considerar a si mesmo como a única ocasião deles. Pois que importa que sejam dados a outros, se o que vos é dado é tão completo e perfeito como se nenhum deles fosse dado a outro senão a vós?" E, portanto, embora o homem deva considerar os dons de Cristo como dados a si mesmo, não deve, contudo, considerá-los como não dados a outros. E assim não excluímos que Ele veio para apagar o pecado de toda a natureza, antes que o pecado de uma só pessoa. Mas o pecado da natureza é curado perfeitamente em cada um como se fosse curado só nele. Por isso, em razão da união da caridade, cada um deve considerar como seu o que é concedido a todos.

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 4 - Whether God became incarnate in order to take away actual sin, rather than to take away original sin? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que Cristo não morreu por obediência. Porque a obediência se refere a um mandamento. Ora, não lemos que Cristo tenha sido mandado padecer. Logo, não padeceu por obediência. Objeção 2: Além disso, diz-se que um homem faz por obediência aquilo que faz por necessidade de preceito. Mas Cristo não padeceu necessariamente, senão voluntariamente. Logo, não padeceu por obediência. Objeção 3: Além disso, a caridade é virtude mais excelente que a obediência. Ora, lemos que Cristo padeceu por caridade, conforme Efésios 5,2: «Andai em caridade, como também Cristo nos amou, e se entregou a si mesmo por nós.» Logo, a Paixão de Cristo deve ser atribuída antes à caridade do que à obediência. Ao contrário, está escrito (Filipenses 2,8): «Fez-se obediente» ao Pai «até a morte.» Respondo que convinha que Cristo padecesse por obediência. Primeiramente, porque estava de acordo com a justificação humana, que «assim como pela desobediência de um só homem muitos foram feitos pecadores, assim também pela obediência de um só muitos serão feitos justos», como está escrito em Romanos 5,19. Em segundo lugar, era conveniente para reconciliar o homem com Deus: donde está escrito (Romanos 5,10): «Fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho», enquanto a morte de Cristo foi um sacrifício mui aceitável a Deus, conforme Efésios 5,2: «Entregou-se a si mesmo por nós como oferta e sacrifício a Deus em odor de suavidade.» Ora, a obediência é preferida a todos os sacrifícios, segundo 1 Reis 15,22: «Melhor é a obediência do que os sacrifícios.» Portanto, convinha que o sacrifício da Paixão e morte de Cristo procedesse da obediência. Em terceiro lugar, estava de acordo com a sua vitória, pela qual triunfou sobre a morte e seu autor; porque o soldado não pode vencer senão obedecendo ao seu capitão. E assim o Homem-Cristo alcançou a vitória por ser obediente a Deus, conforme Provérbios 21,28: «O homem obediente falará de vitória.» Resposta à Objeção 1: Cristo recebeu do Pai um mandamento para padecer. Pois está escrito (João 10,18): «Tenho poder para dar a minha vida, e tenho poder para retomá-la; (e) este mandamento recebi de meu Pai»—isto é, de dar a vida e de retomá-la. «Do qual,» como diz Crisóstomo (Hom. lix in Joan.), não se deve entender «que primeiro esperou o mandamento, e que teve necessidade de ser informado, mas mostrou que o procedimento era voluntário, e destruiu a suspeita de oposição» ao Pai. Contudo, porque a Lei Antiga foi abolida pela morte de Cristo, segundo suas palavras derradeiras, «Está consumado» (João 19,30), pode-se entender que, pelo seu padecimento, cumpriu todos os preceitos da Lei Antiga. Cumpriu os da ordem moral, que se fundam nos preceitos da caridade, na medida em que padeceu tanto por amor do Pai, conforme João 14,31: «Para que o mundo saiba que amo o Pai, e como o Pai me deu mandamento, assim faço: levantai-vos, vamo-nos daqui»—isto é, para o lugar da sua Paixão: e por amor do próximo, segundo Gálatas 2,20: «Amou-me e entregou-se a si mesmo por mim.» Cristo igualmente pela sua Paixão cumpriu os preceitos cerimoniais da Lei, que são principalmente ordenados para sacrifícios e oblações, na medida em que todos os antigos sacrifícios eram figuras daquele verdadeiro sacrifício que Cristo moribundo ofereceu por nós. Donde está escrito (Colossenses 2,16-17): «Ninguém vos julgue por causa do comer ou do beber, ou por respeito a um dia de festa, ou de lua nova, ou de sábados, que são sombra das coisas futuras, mas o corpo é de Cristo,» pela razão de que Cristo é comparado a eles como o corpo à sombra. Cristo também pela sua Paixão cumpriu os preceitos judiciais da Lei, que são principalmente ordenados para fazer compensação àqueles que sofreram injustiça, pois, como está escrito no Salmo 68,5: Ele «pagou o que não tomou,» permitindo-se ser fixado a uma árvore por causa do fruto que o homem colhera da árvore contra o mandamento de Deus. Resposta à Objeção 2: Embora a obediência implique necessidade quanto à coisa mandada, contudo implica livre-arbítrio quanto ao cumprimento do preceito. E, de fato, tal foi a obediência de Cristo, pois, embora a sua Paixão e morte, consideradas em si mesmas, fossem repugnantes à vontade natural, Cristo resolveu cumprir a vontade de Deus a respeito delas, conforme o Salmo 39,9: «Que eu faça a tua vontade: ó meu Deus, eu a desejei.» Por isso disse (Mateus 26,42): «Se este cálice não pode passar, mas é preciso que eu o beba, faça-se a tua vontade.» Resposta à Objeção 3: Pela mesma razão, Cristo padeceu por caridade e por obediência; porque cumpriu até os preceitos da caridade somente por obediência; e foi obediente, por amor, ao mandamento do Pai.

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 2 - Whether Christ died out of obedience? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que certos atos das virtudes são inadequadamente propostos como efeitos do Batismo, a saber: — a incorporação em Cristo, a iluminação e a fecundidade. Porque o Batismo não se dá a um adulto, senão quando ele crê; conforme Marcos 16,16: «Quem crer e for batizado será salvo.» Ora, é pela fé que o homem é incorporado em Cristo, segundo Efésios 3,17: «Que Cristo habite pela fé em vossos corações.» Logo, ninguém é batizado senão quando já está incorporado em Cristo. Portanto, a incorporação com Cristo não é efeito do Batismo. Objeção 2: Ademais, a iluminação é causada pelo ensino, segundo Efésios 3,8-9: «A mim, o menor de todos os santos, foi dada esta graça… de iluminar a todos os homens,» etc. Ora, o ensino pelo catecismo precede o Batismo. Logo, não é efeito do Batismo. Objeção 3: Ademais, a fecundidade pertence à geração ativa. Ora, o homem é regenerado espiritualmente pelo Batismo. Logo, a fecundidade não é efeito do Batismo. Ao contrário, Agostinho diz no livro sobre o Batismo das Crianças (De Pecc. Merit. et Remiss. i) que «o efeito do Batismo é que os batizados sejam incorporados em Cristo.» E Dionísio (Eccl. Hier. ii) atribui a iluminação ao Batismo. E sobre o Salmo 22,2: «Ele me conduziu sobre as águas de refrigério,» uma glosa diz que «a alma do pecador, esterilizada pela secura, é tornada fecunda pelo Batismo.» Respondo que pelo Batismo o homem renasce para a vida espiritual, própria dos fiéis de Cristo, como diz o Apóstolo (Gálatas 2,20): «E que agora vivo na carne; vivo na fé do Filho de Deus.» Ora, a vida só existe nos membros que estão unidos à cabeça, da qual recebem sentido e movimento. E portanto segue-se necessariamente que pelo Batismo o homem é incorporado em Cristo, como um de seus membros. Ademais, assim como os membros recebem sentido e movimento da cabeça material, assim também de sua Cabeça espiritual, isto é, Cristo, recebem os seus membros o sentido espiritual, que consiste no conhecimento da verdade, e o movimento espiritual, que resulta do instinto da graça. Donde está escrito (João 1,14.16): «Vimo-Lo… cheio de graça e de verdade; e de sua plenitude todos nós recebemos.» E disso segue-se que os batizados são iluminados por Cristo quanto ao conhecimento da verdade, e tornados fecundos por Ele com a fecundidade das boas obras pela infusão da graça. Resposta à primeira objeção: Os adultos que já creem em Cristo estão incorporados n'Ele mentalmente. Mas depois, quando são batizados, são incorporados n'Ele, por assim dizer, corporalmente, isto é, pelo sacramento visível, sem cujo desejo não poderiam ter sido incorporados n'Ele nem mesmo mentalmente. Resposta à segunda objeção: O mestre ilumina exterior e ministerialmente catequizando; mas Deus ilumina interiormente os batizados, preparando seus corações para a recepção das doutrinas da verdade, conforme João 6,45: «Está escrito nos profetas… Todos serão ensinados por Deus.» Resposta à terceira objeção: A fecundidade que se atribui como efeito do Batismo é aquela pela qual o homem produz boas obras; não aquela pela qual ele gera outros em Cristo, como diz o Apóstolo (1 Coríntios 4,15): «Em Cristo Jesus pelo Evangelho eu vos gerei.»

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 5 - Whether certain acts of the virtues are fittingly set down as effects of Baptism, to wit---incorporation in Christ, enlightenment, and fruitfulness? · séc. XIII

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Gl 2, 20 nos Padres da Igreja | Aurea