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Gl 2, 21

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Matos Soares

21Eu não menosprezo a graça de Deus. Com efeito, se a justiça se obtém pela (observância da) lei, segue-se que Cristo morreu em vão.

Matos Soares · domínio público

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Citações internas

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que os sacramentos da Lei Antiga causavam graça. Pois, como foi dito acima (A[5], ad 2), os sacramentos da Lei Nova derivam a sua eficácia da fé na Paixão de Cristo. Ora, havia fé na Paixão de Cristo sob a Lei Antiga, assim como sob a Nova, visto que temos «o mesmo espírito de fé» (2 Cor 4,13). Logo, assim como os sacramentos da Lei Nova conferem graça, também os da Lei Antiga a conferiam. Objeção 2: Ademais, não há santificação senão pela graça. Ora, os homens eram santificados pelos sacramentos da Lei Antiga; pois está escrito (Lev 8,31): «E quando ele», isto é, Moisés, «os santificou», a saber, Aarão e seus filhos, «em suas vestes», etc. Portanto, parece que os sacramentos da Lei Antiga conferiam graça. Objeção 3: Além disso, Beda, numa homília sobre a Circuncisão, diz: «Sob a Lei, a circuncisão ministrava o mesmo bálsamo salutífero contra a chaga do pecado original que o batismo no tempo da graça revelada.» Ora, o batismo confere graça agora. Logo, a circuncisão conferia graça; e, de igual modo, os outros sacramentos da Lei; pois, assim como o batismo é a porta dos sacramentos da Lei Nova, assim a circuncisão era a porta dos sacramentos da Lei Antiga; donde o Apóstolo diz (Gl 5,3): «Testifico a todo homem que se circuncida, que ele é devedor de toda a lei.» Ao contrário, está escrito (Gl 4,9): «Voltai-vos de novo aos elementos fracos e pobres?» Isto é, «à Lei», diz a glosa, «que é chamada fraca, porque não justifica perfeitamente.» Ora, a graça justifica perfeitamente. Logo, os sacramentos da Lei Antiga não conferiam graça. Respondo que: Não se pode dizer que os sacramentos da Lei Antiga conferissem por si mesmos, isto é, pelo seu próprio poder, a graça santificante; pois assim a Paixão de Cristo não teria sido necessária, segundo Gl 2,21: «Se a justiça é pela Lei, então Cristo morreu em vão.» Mas também não se pode dizer que eles derivassem da Paixão de Cristo o poder de conferir a graça santificante. Pois, como foi dito acima (A[5]), o poder da Paixão de Cristo nos é unido pela fé e pelos sacramentos, mas de modos diversos; porque o vínculo que provém da fé produz-se por um ato da alma; ao passo que o vínculo que provém dos sacramentos produz-se pelo uso de coisas exteriores. Ora, nada impede que aquilo que é posterior no tempo cause movimento, antes mesmo de existir em realidade, na medida em que preexiste num ato da alma; assim, o fim, que é posterior no tempo, move o agente na medida em que é por ele apreendido e desejado. Por outro lado, o que ainda não existe em ato não causa movimento, se considerarmos o uso das coisas exteriores. Consequentemente, a causa eficiente não pode vir à existência no tempo depois de ter causado movimento, como faz a causa final. É, portanto, claro que os sacramentos da Lei Nova derivam razoavelmente o poder de justificar da Paixão de Cristo, que é a causa da justiça do homem; ao passo que os sacramentos da Lei Antiga não o faziam. Contudo, os Padres antigos eram justificados pela fé na Paixão de Cristo, assim como nós. E os sacramentos da Lei Antiga eram uma espécie de protestação daquela fé, enquanto significavam a Paixão de Cristo e seus efeitos. É, pois, manifesto que os sacramentos da Lei Antiga não eram dotados de nenhum poder pelo qual concorressem para a concessão da graça justificante; e apenas significavam a fé pela qual os homens eram justificados. Resposta à Objeção 1: Os Padres antigos tinham fé na futura Paixão de Cristo, a qual, enquanto apreendida pela mente, podia justificá-los. Mas nós temos fé na Paixão passada de Cristo, a qual pode justificar também pelo uso real das coisas sacramentais, como foi dito acima. Resposta à Objeção 2: Aquela santificação era apenas figurada; pois diziam-se santificados enquanto se entregavam ao culto divino segundo o rito da Lei Antiga, a qual era toda ordenada para prefigurar a Paixão de Cristo. Resposta à Objeção 3: Houve muitas opiniões acerca da Circuncisão. Pois, segundo alguns, a Circuncisão não conferia graça, mas somente remitia o pecado. Mas isto é impossível; porque o homem não é justificado do pecado senão pela graça, segundo Rm 3,24: «Sendo justificados gratuitamente por Sua graça.» Por isso, outros disseram que pela Circuncisão se confere graça, quanto aos efeitos privativos do pecado, mas não quanto aos seus efeitos positivos. Mas isto também parece falso, porque pela Circuncisão as crianças recebiam a faculdade de obter a glória, que é o efeito positivo último da graça. Além disso, quanto à ordem da causa formal, os efeitos positivos são naturalmente anteriores aos efeitos privativos, embora segundo a ordem da causa material se dê o contrário; pois uma forma não exclui a privação senão informando o sujeito. Por conseguinte, outros dizem que a Circuncisão conferia graça também quanto a um certo efeito positivo, isto é, tornando o homem digno da vida eterna, mas não de modo a reprimir a concupiscência que torna o homem propenso ao pecado. E assim me pareceu outrora. Mas, se a matéria for considerada com cuidado, isso também se afigura falso; porque a menor graça é suficiente para resistir a qualquer grau de concupiscência e para merecer a vida eterna. E, portanto, parece melhor dizer que a Circuncisão era um sinal da fé justificante; donde o Apóstolo diz (Rm 4,11) que Abraão «recebeu o sinal da Circuncisão, selo da justiça da fé». Consequentemente, a graça era conferida na Circuncisão na medida em que era um sinal da futura Paixão de Cristo, como se tornará claro mais adiante (Q[70], A[4]).

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 6 - Whether the sacraments of the Old Law caused grace? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1:** Parece que a circuncisão não conferia a graça santificante. Pois diz o Apóstolo (Gl 2,21): «Se a justiça vem pela Lei, então Cristo morreu em vão», i.e., sem causa. Mas a circuncisão era uma obrigação imposta pela Lei, segundo Gl 5,3: «Testifico… a todo homem que se circuncida, que é devedor de cumprir toda a Lei.» Logo, se a justiça vem pela circuncisão, «Cristo morreu em vão», i.e., sem causa. Ora, isso não pode ser admitido. Portanto, a circuncisão não conferia a graça pela qual o pecador é justificado. **Objeção 2:** Ademais, antes da instituição da circuncisão, a fé só bastava para a justificação; donde diz Gregório (Moral. iv): «A fé só fazia antigamente em favor dos infantes aquilo que a água do Batismo faz entre nós.» Mas a fé não perdeu nada de sua força pelo mandamento da circuncisão. Logo, a fé só justificava os pequeninos, e não a circuncisão. **Objeção 3:** Ademais, lemos (Js 5,5-6) que «o povo que nasceu no deserto, durante os quarenta anos… era incircunciso.» Se, portanto, o pecado original era removido pela circuncisão, parece que todos os que morreram no deserto, tanto crianças quanto adultos, se perderam. E o mesmo argumento vale quanto àqueles que morreram antes do oitavo dia, que era o dia da circuncisão, o qual não podia ser antecipado, como foi dito acima (A[3], ad 3). **Objeção 4:** Ademais, nada fecha a entrada do reino dos céus senão o pecado. Ora, antes da Paixão, a entrada do reino dos céus estava fechada para os circuncidados. Logo, os homens não eram justificados do pecado pela circuncisão. **Objeção 5:** Ademais, o pecado original não é remido sem que também o pecado atual seja remido: porque «é ímpio esperar de Deus o meio perdão», como diz Agostinho (De Vera et Falsa Poenit. ix). Ora, em parte alguma lemos que a circuncisão remisse o pecado atual. Logo, também não remia o pecado original. **Ao contrário,** diz Agostinho, escrevendo a Valério em resposta a Juliano (De Nup. et Concup. ii): «Desde o tempo em que a circuncisão foi instituída entre o povo de Deus, como “selo da justiça da fé”, ela aproveitava aos pequeninos para a santificação, purificando-os do pecado original e passado; assim como também o Batismo, desde o tempo de sua instituição, começou a aproveitar para a renovação do homem.» **Respondo:** Todos concordam em dizer que o pecado original era remido na circuncisão. Mas alguns disseram que nenhuma graça era conferida, e que o único efeito era remir o pecado. O Mestre sustenta esta opinião (Sent. iv, D, 1), e uma glosa sobre Rm 4,11. Ora, isto é impossível, pois a culpa não é remida senão pela graça, segundo Rm 3,24: «Sendo justificados gratuitamente por Sua graça», etc. Por isso outros disseram que a graça era conferida pela circuncisão, quanto àquele efeito que é a remissão da culpa, mas não quanto aos seus efeitos positivos; para que não fossem compelidos a dizer que a graça conferida na circuncisão bastava para o cumprimento dos preceitos da Lei, e que, consequentemente, a vinda de Cristo era desnecessária. Mas nem esta opinião pode subsistir. Primeiro, porque pela circuncisão as crianças recebiam o poder de obter a glória no tempo determinado, que é o último efeito positivo da graça. Segundo, porque, na ordem da causa formal, os efeitos positivos precedem naturalmente aqueles que denotam privação, embora seja o contrário na ordem da causa material: pois uma forma não remove uma privação senão informando o sujeito. Consequentemente, outros disseram que a graça era conferida na circuncisão, também como um efeito positivo particular consistente em ser feito digno da vida eterna; mas não quanto a todos os seus efeitos, pois não bastava para reprimir a concupiscência do fomes, nem tampouco para o cumprimento dos preceitos da Lei. E esta foi minha opinião em um tempo (Sent. iv, D, 1; Q[2], A[4]). Mas se alguém considerar a matéria cuidadosamente, é claro que isto não é verdade. Porque a menor graça pode resistir a qualquer grau de concupiscência, e evitar todo pecado mortal, que é cometido ao transgredir os preceitos da Lei; pois o menor grau de caridade ama a Deus mais do que a cobiça ama «milhares de ouro e prata» (Sl 118,72). Devemos dizer, portanto, que a graça era conferida na circuncisão quanto a todos os efeitos da graça, mas não como no Batismo. Porque no Batismo a graça é conferida pelo próprio poder do Batismo, poder que o Batismo tem como instrumento da Paixão de Cristo já consumada. Ao passo que a circuncisão conferia graça, enquanto era sinal da fé na futura Paixão de Cristo; de modo que o homem que era circuncidado professava abraçar aquela fé; quer, sendo adulto, fizesse profissão por si mesmo, quer, sendo criança, outrem fizesse profissão por ele. Por isso também o Apóstolo diz (Rm 4,11) que Abraão «recebeu o sinal da circuncisão, selo da justiça da fé»: porque, a saber, a justiça era da fé significada, não da circuncisão significante. E visto que o Batismo opera instrumentalmente pelo poder da Paixão de Cristo, ao passo que a circuncisão não opera assim, por isso o Batismo imprime um caráter que incorpora o homem em Cristo, e confere graça mais copiosamente do que a circuncisão; porque maior é o efeito de uma coisa já presente do que da esperança dela. **Resposta à primeira objeção:** Este argumento provaria se a justiça fosse da circuncisão de outro modo que não pela fé na Paixão de Cristo. **Resposta à segunda objeção:** Assim como antes da instituição da circuncisão, a fé em Cristo que havia de vir justificava tanto crianças quanto adultos, assim também depois de sua instituição. Mas antes, não havia necessidade de um sinal expressivo desta fé; porque ainda não tinham começado os crentes a unir-se separados dos incrédulos para o culto de um só Deus. É provável, contudo, que os pais que eram crentes ofereciam algumas orações a Deus por seus filhos, especialmente se estivessem em algum perigo. Ou lhes conferiam alguma bênção, como um «selo da fé»; assim como os adultos ofereciam orações e sacrifícios por si mesmos. **Resposta à terceira objeção:** Havia escusa para o povo no deserto por não cumprir o preceito da circuncisão, tanto porque não sabiam quando o arraial se mudava, e porque, como diz Damasceno (De Fide Orth. iv), não necessitavam de sinal distintivo enquanto habitavam separados das outras nações. Contudo, como diz Agostinho (QQ. in Josue vi), aqueles eram culpados de desobediência que deixavam de obedecer por desprezo. Parece, contudo, que nenhum dos incircuncisos morreu no deserto, porque está escrito (Sl 104,37): «Não houve entre suas tribos um só que fosse enfermo»; e que só morreram no deserto aqueles que haviam sido circuncidados no Egito. Se, porém, alguns dos incircuncisos morreram ali, o mesmo se aplica a eles como àqueles que morreram antes da instituição da circuncisão. E isto se aplica também àquelas crianças que, no tempo da Lei, morreram antes do oitavo dia. **Resposta à quarta objeção:** O pecado original era removido na circuncisão, quanto à pessoa; mas por parte de toda a natureza, permanecia o obstáculo à entrada no reino dos céus, obstáculo que foi removido pela Paixão de Cristo. Consequentemente, antes da Paixão de Cristo nem mesmo o Batismo dava entrada no reino. Mas se a circuncisão aproveitasse depois da Paixão de Cristo, daria entrada no reino. **Resposta à quinta objeção:** Quando os adultos eram circuncidados, recebiam remissão não só do pecado original, mas também do pecado atual; porém não de modo a serem livres de toda dívida de pena, como no Batismo, no qual a graça é conferida mais copiosamente.

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 4 - Whether circumcision bestowed sanctifying grace? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1:** Parece que o homem pode erguer-se do pecado sem o auxílio da graça. Com efeito, o que é pressuposto à graça realiza-se sem graça. Ora, erguer-se do pecado é pressuposto à iluminação da graça, pois está escrito (Ef 5,14): «Levanta-te dentre os mortos, e Cristo te alumiará». Logo, o homem pode erguer-se do pecado sem graça. **Objeção 2:** Além disso, o pecado opõe-se à virtude como a doença à saúde, como foi dito acima (q.71, a.1, ad 3). Ora, o homem, pela força da sua natureza, pode erguer-se da doença para a saúde sem o auxílio externo da medicina, porque ainda permanece nele o princípio da vida, de onde procede a operação natural. Logo, parece que, por igual razão, o homem pode ser restaurado por si mesmo e voltar do estado de pecado ao estado de justiça sem o auxílio da graça externa. **Objeção 3:** Além disso, toda coisa natural pode retornar por si mesma ao ato condizente com a sua natureza, assim como a água quente retorna por si mesma à sua frialdade natural, e uma pedra lançada para cima retorna por si mesma ao seu movimento natural. Ora, o pecado é um ato contra a natureza, como é claro por Damasceno (De Fide Orth. ii, 30). Logo, parece que o homem pode por si mesmo retornar do pecado ao estado de justiça. **Em contrário,** diz o Apóstolo (Gl 2,21; cf. Gl 3,21): «Se houvesse sido dada uma lei que pudesse dar vida, então Cristo teria morrido em vão», isto é, sem propósito. Logo, por igual razão, se o homem possui uma natureza pela qual pode ser justificado, «Cristo teria morrido em vão», isto é, sem propósito. Mas isto não pode dizer-se convenientemente. Portanto, por si mesmo ele não pode ser justificado, isto é, não pode retornar do estado de pecado ao estado de justiça. **Respondo** que o homem por si mesmo de nenhum modo pode erguer-se do pecado sem o auxílio da graça. Pois, como o pecado é transitório quanto ao ato e permanece quanto à culpa, conforme foi dito acima (q.87, a.6), erguer-se do pecado não é o mesmo que cessar o ato do pecado; antes, erguer-se do pecado significa que ao homem é restituído o que perdeu pecando. Ora, o homem incorre em tríplice perda pecando, como claramente foi mostrado acima (q.85, a.1; q.86, a.1; q.87, a.1), a saber: mácula, corrupção do bem natural e débito de pena. Incorre em mácula, na medida em que perde o esplendor da graça pela deformidade do pecado. O bem natural é corrompido, na medida em que a natureza do homem é desordenada por não estar a sua vontade sujeita a Deus; e, derrubada esta ordem, segue-se que toda a natureza do homem pecador permanece desordenada. Finalmente, há o débito de pena, na medida em que, pecando, o homem merece a danação eterna. Ora, é manifesto que nenhuma destas três coisas pode ser restaurada senão por Deus. Pois, como o esplendor da graça provém do derramamento da luz divina, este esplendor não pode ser reconduzido senão quando Deus derrama de novo a sua luz; por isso é necessário um dom habitual, e este é a luz da graça. Do mesmo modo, a ordem da natureza só pode ser restaurada, isto é, a vontade do homem só pode estar sujeita a Deus quando Deus atrai a vontade do homem a Si, como foi dito acima (a.6). Também a culpa da pena eterna só pode ser remitida por Deus, contra quem foi cometida a ofensa e que é o Juiz do homem. E assim, para que o homem se erga do pecado, requer-se o auxílio da graça, tanto quanto a um dom habitual, como quanto ao movimento interno de Deus. **Resposta à objeção 1:** Ao homem é mandado aquilo que pertence ao ato do livre-arbítrio, enquanto este ato é requerido para que o homem se erga do pecado. Por isso, quando se diz: «Levanta-te, e Cristo te alumiará», não se deve pensar que o completo erguer-se do pecado precede a iluminação da graça; mas que, quando o homem pelo seu livre-arbítrio, movido por Deus, se esforça por erguer-se do pecado, recebe a luz da graça justificante. **Resposta à objeção 2:** A razão natural não é o princípio suficiente da saúde que está no homem pela graça justificante. Este princípio é a graça, que é tirada pelo pecado. Logo, o homem não pode ser restaurado por si mesmo; mas necessita que a luz da graça seja derramada sobre ele de novo, como se a alma fosse infundida num corpo morto para a sua ressurreição. **Resposta à objeção 3:** Quando a natureza é perfeita, pode ser restaurada por si mesma ao seu estado condizente e proporcionado; mas sem auxílio exterior não pode ser restaurada ao que excede a sua medida. E assim a natureza humana, desfeita por causa do ato do pecado, não permanece já perfeita, mas corrompida, como foi dito acima (q.85); nem pode ser restaurada, por si mesma, ao seu bem connatural, e muito menos ao bem sobrenatural da justiça.

Summa Theologiae — First Part of the Second Part · Article. 7 - Whether man can rise from sin without the help of grace? · séc. XIII

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Gl 2, 21 nos Padres da Igreja | Aurea