Referência

Gl 3, 27

Veja onde esta passagem aparece no corpus patrístico disponível.

Trechos nesta página

5

Comentários diretos

0

Autores distintos

1

Matos Soares

27pois todos os que fostes batizados em Cristo, revestistes-vos de Cristo.

Matos Soares · domínio público

Levar para o chatEntre na conta para conversar com os Padres a partir deste versículo.
Dossiês doutrinaisQuando um versículo abre um tema maior, o próximo passo é seguir por um dossiê temático.

Comentário direto

0

Trechos em que os Padres comentam diretamente esta passagem ou o seu contexto imediato.

Nenhum comentário direto traduzido para este versículo. A Catena Aurea comenta diretamente os quatro Evangelhos; em outros livros, procure principalmente em citações internas.

Citações internas

5

Trechos em que este versículo aparece citado dentro de outro argumento patrístico.

Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que Cristo não pôde merecer por outros. Porque está escrito (Ezequiel 18,4): "A alma que pecar, essa morrerá." Logo, por igual razão, a alma que merecer, essa será recompensada. Portanto, não é possível que Cristo tenha merecido por outros. Objeção 2: Ademais, da plenitude da graça de Cristo todos nós recebemos, como está escrito (João 1,16). Ora, outros homens, possuindo a graça de Cristo, não podem merecer por outros. Porque está escrito (Ezequiel 14,20) que, se "Noé, Daniel e Job estivessem no meio dela [a cidade], eles não livrariam nem filho nem filha; mas só livrariam as suas almas pela sua justiça." Logo, Cristo não pôde merecer nada por nós. Objeção 3: Ademais, o "salário" que merecemos é devido "segundo a justiça [dívida] e não segundo a graça", como é claro em Romanos 4,4. Portanto, se Cristo mereceu a nossa salvação, segue-se que a nossa salvação não é pela graça de Deus, mas pela justiça, e que Ele age injustamente para com aqueles que não salva, visto que o mérito de Cristo se estende a todos. Ao contrário, está escrito (Romanos 5,18): "Pois, como pela ofensa de um veio a condenação sobre todos os homens, assim também pela justiça de um veio a justificação de vida sobre todos os homens." Mas os deméritos de Adão chegaram à condenação de outros. Muito mais, portanto, o mérito de Cristo alcança outros. Respondo que, como foi dito acima (Q. 8, A. 1 e 5), a graça estava em Cristo não apenas como em um indivíduo, mas também como na Cabeça de toda a Igreja, à qual todos estão unidos, como membros à cabeça, e que constituem uma só pessoa mística. E daí vem que o mérito de Cristo se estende a outros na medida em que são seus membros; assim como no homem a ação da cabeça de certo modo atinge todos os seus membros, visto que ela não provê apenas para si mesma, mas para todos os membros. Resposta à Objeção 1: O pecado de um indivíduo prejudica apenas a si mesmo; mas o pecado de Adão, que foi estabelecido por Deus como princípio de toda a natureza, é transmitido a outros pela propagação carnal. Assim também o mérito de Cristo, que foi estabelecido por Deus como cabeça de todos os homens no que diz respeito à graça, estende-se a todos os seus membros. Resposta à Objeção 2: Os outros recebem da plenitude de Cristo não a fonte da graça, mas alguma graça particular. E por isso não é necessário que os homens mereçam por outros, como Cristo fez. Resposta à Objeção 3: Assim como o pecado de Adão atinge outros apenas pela geração carnal, assim também o mérito de Cristo atinge outros apenas pela regeneração espiritual, que se realiza no batismo; no qual somos incorporados a Cristo, segundo Gálatas 3,27: "Porque todos quantos fostes batizados em Cristo, vos revestistes de Cristo"; e é pela graça que se concede ao homem ser incorporado a Cristo. E, assim, a salvação do homem vem da graça.

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 4 - Whether Christ could merit for others? · séc. XIII

tradução automática

Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que os sacramentos não são a causa da graça. Pois parece que a mesma coisa não é sinal e causa ao mesmo tempo, já que a natureza de sinal parece ser mais compatível com um efeito. Ora, o sacramento é sinal da graça. Logo, não é sua causa. Objeção 2: Além disso, nada corpóreo pode agir sobre uma coisa espiritual, pois «o agente é mais excelente que o paciente», como diz Agostinho (Gen. ad lit. xii). Ora, o sujeito da graça é a mente humana, que é algo espiritual. Portanto, os sacramentos não podem causar a graça. Objeção 3: Ademais, o que é próprio de Deus não deve ser atribuído a uma criatura. Ora, é próprio de Deus causar a graça, segundo o Sl 83,12: «O Senhor dará graça e glória». Visto, portanto, que os sacramentos consistem em certas palavras e coisas criadas, parece que não podem causar a graça. Ao contrário, Agostinho diz (Tract. lxxx in Joan.) que a água batismal «toca o corpo e purifica o coração». Ora, o coração não se purifica senão pela graça. Logo, ela causa a graça; e pela mesma razão, também os outros sacramentos da Igreja. Respondo que é necessário dizer que, de algum modo, os sacramentos da Lei Nova causam a graça. Pois é evidente que pelos sacramentos da Lei Nova o homem é incorporado a Cristo: assim o Apóstolo diz do Batismo (Gl 3,27): «Todos quantos fostes batizados em Cristo vos revestistes de Cristo». E o homem é feito membro de Cristo somente pela graça. Alguns, porém, dizem que são causa da graça não por sua própria operação, mas enquanto Deus causa a graça na alma quando os sacramentos são empregados. E dão como exemplo um homem que, ao apresentar uma moeda de chumbo, recebe, por ordem do rei, cem libras: não como se a moeda de chumbo, por qualquer operação própria, lhe fizesse receber aquela quantia; sendo este o efeito da mera vontade do rei. Por isso Bernardo diz, num sermão sobre a Ceia do Senhor: «Assim como um cônego é investido por meio de um livro, um abade por meio de um báculo, um bispo por meio de um anel, assim pelos vários sacramentos são conferidas várias espécies de graça». Mas se examinarmos a questão devidamente, veremos que, segundo o modo acima, os sacramentos são meros sinais. Pois a moeda de chumbo nada mais é do que um sinal da ordem do rei de que este homem deve receber dinheiro. De igual modo, o livro é um sinal da colação de um canonicato. Portanto, segundo esta opinião, os sacramentos da Lei Nova seriam meros sinais da graça; ao passo que temos, pela autoridade de muitos santos, que os sacramentos da Lei Nova não apenas significam, mas também causam a graça. Devemos, portanto, dizer de outro modo: a causa eficiente é dupla, principal e instrumental. A causa principal obra pela potência de sua forma, à qual o efeito se assimila; assim como o fogo, por seu próprio calor, aquece algo. Deste modo, ninguém senão Deus pode causar a graça, pois a graça nada mais é do que uma semelhança participada da Natureza Divina, segundo 2Pd 1,4: «Ele nos deu grandíssimas e preciosas promessas, para que sejais feitos participantes da Natureza Divina» (Vulg.: «sejais feitos»). Mas a causa instrumental obra não pela potência de sua forma, mas somente pelo movimento pelo qual é movida pelo agente principal; de modo que o efeito não se assimila ao instrumento, mas ao agente principal: por exemplo, o leito não se assemelha ao machado, mas à arte que está na mente do artífice. E é assim que os sacramentos da Lei Nova causam a graça: pois foram instituídos por Deus para serem empregados com o fim de conferir a graça. Por isso Agostinho diz (Contra Faust. xix): «Todas estas coisas», a saber, as pertencentes aos sacramentos, «são feitas e passam, mas o poder», a saber, de Deus, «que obra por elas, permanece sempre». Ora, isso é, propriamente falando, um instrumento pelo qual alguém obra; por isso está escrito (Tt 3,5): «Salvou-nos pelo lavacro da regeneração». Resposta à Objeção 1: A causa principal não pode propriamente ser chamada sinal de seu efeito, ainda que este seja oculto e a causa mesma seja sensível e manifesta. Mas uma causa instrumental, se manifesta, pode ser chamada sinal de um efeito oculto, por esta razão: porque não é apenas causa, mas também, em certa medida, efeito, enquanto é movida pelo agente principal. E neste sentido os sacramentos da Lei Nova são ao mesmo tempo causa e sinais. Daí também que, para usar a expressão comum, «eles efetuam o que significam». Disto fica claro que cumprem perfeitamente as condições de um sacramento, sendo ordenados a algo sagrado, não apenas como sinal, mas também como causa. Resposta à Objeção 2: O instrumento tem uma dupla ação: uma é instrumental, pela qual obra não por seu próprio poder, mas pelo poder do agente principal; a outra é sua ação própria, que lhe pertence em razão de sua forma própria: assim, pertence ao machado cortar por causa de sua agudeza, mas fazer um leito, enquanto é instrumento de uma arte. Contudo, não realiza a ação instrumental senão exercendo sua ação própria: pois é cortando que faz o leito. De igual modo, os sacramentos corpóreos, por sua operação que exercem sobre o corpo que tocam, realizam, pela instituição divina, uma operação instrumental sobre a alma; por exemplo, a água do batismo, em razão de seu poder próprio, purifica o corpo, e por isso, enquanto é instrumento do poder divino, purifica a alma, já que da alma e do corpo se faz uma só coisa. E assim é que Agostinho diz (Gen. ad lit. xii) que ela «toca o corpo e purifica o coração». Resposta à Objeção 3: Este argumento considera aquilo que causa a graça como agente principal; pois isso pertence somente a Deus, como foi dito acima.

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 1 - Whether the sacraments are the cause of grace? · séc. XIII

tradução automática

Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que nem todos são obrigados a receber o Batismo. Porque Cristo não estreitou a estrada da salvação para os homens. Ora, antes da vinda de Cristo, os homens podiam salvar-se sem o Batismo; logo, também depois da vinda de Cristo. Objeção 2: Além disso, o Batismo parece ter sido instituído principalmente como remédio para o pecado original. Ora, como o homem batizado está sem pecado original, parece que não o pode transmitir a seus filhos. Por conseguinte, parece que os filhos dos que foram batizados não deviam ser batizados. Objeção 3: Além disso, o Batismo é dado para que o homem, pela graça, seja purificado do pecado. Ora, os que são santificados no ventre alcançam isso sem o Batismo. Portanto, não são obrigados a receber o Batismo. Em sentido contrário, está escrito (Jo 3,5): "Se alguém não renascer da água e do Espírito Santo, não pode entrar no Reino de Deus." E também se afirma no De Ecclesiasticis Dogmatibus, cap. 41, que "cremos estar aberta a via da salvação somente para os que são batizados." Respondo que os homens estão obrigados àquilo sem que não podem obter a salvação. Ora, é manifesto que ninguém pode obter a salvação senão por Cristo; donde o Apóstolo dizer (Rm 5,18): "Assim como por um delito veio a condenação sobre todos os homens, assim também por uma justiça veio a justificação de vida sobre todos os homens." Ora, com este fim é conferido o Batismo ao homem, para que, regenerado por ele, seja incorporado em Cristo, tornando-se seu membro; por isso está escrito (Gl 3,27): "Todos quantos fostes batizados em Cristo, vos vestistes de Cristo." Consequentemente, é manifesto que todos são obrigados a ser batizados; e que sem o Batismo não há salvação para os homens. Resposta à objeção 1: Em nenhum tempo, nem mesmo antes da vinda de Cristo, os homens podiam salvar-se a menos que se tornassem membros de Cristo; porque, como está escrito (At 4,12), "não há outro nome debaixo do céu dado aos homens, pelo qual devamos ser salvos." Mas antes da vinda de Cristo, os homens incorporavam-se em Cristo pela fé na sua futura vinda; fé da qual a circuncisão era o "selo", como lhe chama o Apóstolo (Rm 4,11); ao passo que, antes de instituída a circuncisão, os homens incorporavam-se em Cristo pela "fé somente", como diz Gregório (Moral., IV), juntamente com a oblação de sacrifícios, mediante a qual os antigos Padres faziam profissão de sua fé. Igualmente, desde a vinda de Cristo, os homens incorporam-se em Cristo pela fé; segundo Ef 3,17: "Que Cristo habite pela fé em vossos corações." Ora, a fé em uma coisa já presente manifesta-se por um sinal diferente daquele pelo qual se manifestava quando essa coisa ainda era futura; assim como usamos outras partes do verbo para significar o presente, o passado e o futuro. Por conseguinte, embora o próprio sacramento do Batismo nem sempre fosse necessário para a salvação, sempre foi necessária a fé, da qual o Batismo é o sacramento. Resposta à objeção 2: Como dissemos na Primeira da Segunda Parte, Q. 81, A. 3, ad 2, os que são batizados renovam-se no espírito pelo Batismo, enquanto o seu corpo permanece sujeito à velhice do pecado, segundo Rm 8,10: "O corpo, na verdade, está morto por causa do pecado, mas o espírito vive por causa da justificação." Por isso, Agostinho (Contra Juliano, VI) prova que "nem tudo o que está no homem é batizado." Ora, é manifesto que na geração carnal o homem não gera segundo a alma, mas segundo o corpo. Consequentemente, os filhos dos que são batizados nascem com pecado original; pelo que necessitam ser batizados. Resposta à objeção 3: Os que são santificados no ventre recebem, na verdade, a graça que os purifica do pecado original, mas por isso não recebem o caráter, pelo qual são conformados a Cristo. Por isso, se alguém fosse agora santificado no ventre, necessitaria ser batizado para ser conformado aos outros membros de Cristo, recebendo o caráter.

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 1 - Whether all are bound to receive Baptism? · séc. XIII

tradução automática

Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que os pecadores devem ser batizados. Porque está escrito (Zac. 13,1): “Naquele dia haverá uma fonte aberta para a casa de Davi e para os habitantes de Jerusalém, para a lavagem do pecador e da mulher imunda”; e isto se entende da fonte do Batismo. Logo, parece que o sacramento do Batismo deve ser oferecido até mesmo aos pecadores. Objeção 2: Ademais, o Senhor disse (Mat. 9,12): “Os sãos não necessitam de médico, mas os que estão enfermos.” Ora, os enfermos são os pecadores. Portanto, visto que o Batismo é o remédio de Cristo, médico de nossas almas, parece que este sacramento deve ser oferecido aos pecadores. Objeção 3: Ademais, nenhum auxílio deve ser retirado dos pecadores. Ora, os pecadores que foram batizados recebem auxílio espiritual do próprio caráter do Batismo, pois ele é uma disposição para a graça. Logo, parece que o sacramento do Batismo deve ser oferecido aos pecadores. Ao contrário, Agostinho diz (Serm. clxix): “Aquele que te criou sem ti não te justificará sem ti.” Ora, como a vontade do pecador está mal disposta, ele não coopera com Deus. Portanto, é inútil empregar o Batismo como meio de justificação. Respondo que: Pode-se dizer que um homem é pecador de dois modos. Primeiro, por causa da mácula e da dívida da pena contraída no passado; e aos pecadores neste sentido deve-se conferir o sacramento do Batismo, pois foi instituído especialmente para isso, a fim de que por ele seja lavada a imundície do pecado, conforme Efés. 5,26: “Purificando-a com o lavacro da água na palavra da vida.” Segundo, pode-se chamar um homem de pecador porque ele quer pecar e se propõe a permanecer no pecado; e aos pecadores neste sentido não deve ser conferido o sacramento do Batismo. Primeiro, porque pelo Batismo os homens são incorporados a Cristo, conforme Gál. 3,27: “Todos quantos fostes batizados em Cristo, vos revestistes de Cristo.” Ora, enquanto o homem quiser pecar, não pode ser unido a Cristo, conforme 2 Cor. 6,14: “Que participação tem a justiça com a injustiça?” Donde Agostinho em seu livro sobre a Penitência (Serm. cccli) diz que “nenhum homem que tem o uso do livre-arbítrio pode começar a vida nova, senão se arrepender da vida anterior.” Segundo, porque não deve haver nada inútil nas obras de Cristo e da Igreja. Ora, é inútil aquilo que não atinge o fim para o qual foi ordenado; e, por outro lado, ninguém que tenha vontade de pecar pode, ao mesmo tempo, ser purificado do pecado, que é o propósito do Batismo; pois isso seria combinar duas coisas contraditórias. Terceiro, porque não deve haver falsidade nos sinais sacramentais. Ora, um sinal é falso se não corresponde à coisa significada. Ora, o próprio fato de um homem se apresentar para ser purificado pelo Batismo significa que ele se prepara para a purificação interior; o que não pode ocorrer com aquele que se propõe a permanecer no pecado. Portanto, é manifesto que a tal homem não se deve conferir o sacramento do Batismo. Resposta à objeção 1: As palavras citadas devem ser entendidas daqueles pecadores cuja vontade está disposta a renunciar ao pecado. Resposta à objeção 2: O médico das almas, isto é, Cristo, opera de dois modos. Primeiro, interiormente, por Si mesmo; e assim prepara a vontade do homem para que queira o bem e odeie o mal. Segundo, opera através dos ministros, pela aplicação externa dos sacramentos; e deste modo a sua obra consiste em aperfeiçoar o que foi exteriormente iniciado. Portanto, o sacramento do Batismo não deve ser conferido senão àqueles em quem aparece algum sinal de sua conversão interior; assim como também não se dá remédio corporal a um enfermo, a menos que ele mostre algum sinal de vida. Resposta à objeção 3: O Batismo é o sacramento da fé. Ora, a fé morta não basta para a salvação, nem é fundamento, mas só a fé viva, “que obra pela caridade” (Gál. 5,6), como diz Agostinho (De Fide et oper.). Nem, portanto, pode o sacramento do Batismo dar salvação a um homem cuja vontade está disposta a pecar, e que por isso expulsa a forma da fé. Ademais, a impressão do caráter batismal não pode dispor um homem para a graça enquanto ele retém a vontade de pecar; pois “Deus não obriga nenhum homem a ser virtuoso”, como diz Damasceno (De Fide Orth. ii).

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 4 - Whether sinners should be baptized? · séc. XIII

tradução automática

Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1:** Parece que a insinceridade não impede o efeito do Batismo. Pois diz o Apóstolo (Gl 3,27): «Todos quantos fostes baptizados em Cristo Jesus, vos revestistes de Cristo.» Ora, todos os que recebem o Batismo de Cristo são baptizados em Cristo. Logo, todos se revestem de Cristo; e isto é receber o efeito do Batismo. Portanto, a insinceridade não impede o efeito do Batismo. **Objeção 2:** Além disso, a potência divina, que pode mudar a vontade do homem para o melhor, opera no Batismo. Ora, o efeito da causa eficiente não pode ser impedido por aquilo que pode ser removido por essa causa. Logo, a insinceridade não pode impedir o efeito do Batismo. **Objeção 3:** Além disso, o efeito do Batismo é a graça, à qual se opõe o pecado. Mas muitos outros pecados são mais graves que a insinceridade, e não se diz que impedem o efeito do Batismo. Logo, tampouco a insinceridade o impede. **Em contrário,** está escrito (Sb 1,5): «O Espírito Santo de disciplina fugirá do fingido.» Ora, o efeito do Batismo procede do Espírito Santo. Logo, a insinceridade impede o efeito do Batismo. **Respondo:** Como diz Damasceno (Da Fé Ortodoxa, II), «Deus não obriga o homem a ser justo». Por conseguinte, para que o homem seja justificado pelo Batismo, é necessário que a sua vontade abrace tanto o Batismo como o efeito batismal. Ora, diz-se que um homem é insincero por causa da sua vontade estar em contradição com o Batismo ou com o seu efeito. Pois, segundo Agostinho (Do Batismo contra os Donatistas, VII), diz-se que um homem é insincero de quatro modos: primeiro, porque não crê, sendo o Batismo o sacramento da Fé; segundo, por menosprezar o próprio sacramento; terceiro, por observar um rito diferente do prescrito pela Igreja na administração do sacramento; quarto, por aproximar-se do sacramento sem devoção. Por onde é manifesto que a insinceridade impede o efeito do Batismo. **Resposta à objeção 1:** «Ser baptizado em Cristo» pode-se tomar de dois modos. Primeiro, «em Cristo», isto é, «em conformidade com Cristo». E assim, todo aquele que é baptizado em Cristo de modo a conformar-se a Ele pela Fé e pela Caridade, reveste-se de Cristo pela graça. Segundo, diz-se que um homem é baptizado em Cristo enquanto recebe o sacramento de Cristo. E assim, todos se revestem de Cristo por serem configurados a Ele pelo caráter, mas não por serem conformados a Ele pela graça. **Resposta à objeção 2:** Quando Deus muda a vontade do homem do mal para o bem, o homem não se aproxima com insinceridade. Mas Deus nem sempre o faz. Nem é este o propósito do sacramento, que o homem insincero se torne sincero; mas que aquele que vem com sinceridade seja justificado. **Resposta à objeção 3:** Diz-se insincero aquele que aparenta querer o que não quer. Ora, quem quer que se aproxime do Batismo, por isso mesmo aparenta ter reta fé em Cristo, veneração por este sacramento, desejo de conformar-se à Igreja e de renunciar ao pecado. Portanto, a qualquer pecado que o homem queira apegar-se, se se aproxima do Batismo, aproxima-se insinceramente, o que é o mesmo que aproximar-se sem devoção. Mas isto se deve entender do pecado mortal, que se opõe à graça; não, porém, do pecado venial. Por conseguinte, aqui a insinceridade inclui, de certo modo, todo o pecado.

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 9 - Whether insincerity hinders the effect of Baptism? · séc. XIII

tradução automática
Gl 3, 27 nos Padres da Igreja | Aurea