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Gl 4, 9

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Matos Soares

9Porém, agora, tendo vós conhecido a Deus, ou antes, sendo conhecidos dele, como voltais novamente aos rudimentos fracos e pobres (da lei), aos quais quereis de novo servir?

Matos Soares · domínio público

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Citações internas

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Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1:** Parece que não houve necessidade de sacramentos depois da vinda de Cristo. Pois a figura deve cessar com a chegada da verdade. Ora, «a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo» (Jo 1,17). Portanto, visto que os sacramentos são sinais ou figuras da verdade, parece que não houve necessidade de sacramentos depois da Paixão de Cristo. **Objeção 2:** Demais. Os sacramentos consistem em certos elementos, como se disse acima (Q. 60, A. 4). Ora, o Apóstolo diz (Gl 4,3-4) que «quando éramos meninos, estávamos servindo debaixo dos elementos do mundo»; mas que agora, «chegada a plenitude dos tempos», já não somos meninos. Logo, parece que não devemos servir a Deus debaixo dos elementos deste mundo, usando de sacramentos corporais. **Objeção 3:** Demais. Segundo Tiago 1,17, em Deus «não há mudança, nem sombra de variação». Ora, parece argumentar alguma mudança na vontade divina que Deus dê ao homem certos sacramentos para a sua santificação agora, no tempo da graça, e outros sacramentos antes da vinda de Cristo. Logo, parece que não deveriam ser instituídos outros sacramentos depois de Cristo. **Em contrário,** diz Agostinho (Contra Faust. XIX) que os sacramentos da Lei Antiga «foram abolidos porque foram cumpridos; e foram instituídos outros, em menor número, porém mais eficazes, mais proveitosos e de mais fácil realização». **Respondo.** Assim como os antigos Padres se salvaram pela fé na vinda futura de Cristo, assim nós nos salvamos pela fé no nascimento e Paixão passada de Cristo. Ora, os sacramentos são sinais que professam a fé pela qual o homem é justificado; e os sinais devem variar conforme significam o futuro, o passado ou o presente; porque, como diz Agostinho (Contra Faust. XIX), «a mesma coisa é pronunciada de modo diverso como para ser feita e como já feita: por exemplo, a palavra "passurus" (que há de padecer) difere de "passus" (que padeceu)». Portanto, os sacramentos da Lei Nova, que significam Cristo em relação ao passado, devem necessariamente diferir dos da Lei Antiga, que prefiguravam o futuro. **Resposta à primeira objeção.** Como diz Dionísio (Hier. Ecl. V), o estado da Lei Nova está entre o estado da Lei Antiga, cujas figuras se cumprem na Nova, e o estado da glória, no qual toda a verdade será aberta e perfeitamente revelada. Por isso, então não haverá sacramentos. Mas agora, enquanto conhecemos «por um espelho, em enigma» (1 Cor 13,12), necessitamos de sinais sensíveis para alcançar as coisas espirituais; e esta é a função dos sacramentos. **Resposta à segunda objeção.** O Apóstolo chama os sacramentos da Lei Antiga de «elementos fracos e pobres» (Gl 4,9), porque nem continham nem causavam a graça. Por isso diz o Apóstolo que aqueles que usavam destes sacramentos serviam a Deus «debaixo dos elementos do mundo», pela mesma razão que esses sacramentos não eram mais que os elementos deste mundo. Mas os nossos sacramentos contêm e causam a graça; portanto, a comparação não procede. **Resposta à terceira objeção.** Assim como não se prova que o pai de família tenha ânimo volúvel por dar diversas ordens à sua casa em diversas estações, dispondo as coisas diferentemente no inverno e no verão; assim também não se segue que haja alguma mudança em Deus, por ter instituído sacramentos de um modo depois da vinda de Cristo, e de outro modo no tempo da Lei, porque estes eram adequados por prefigurarem a graça; aqueles, por significarem a presença da graça.

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 4 - Whether there was need for any sacraments after Christ came? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que os sacramentos da Lei Antiga causavam graça. Pois, como foi dito acima (A[5], ad 2), os sacramentos da Lei Nova derivam a sua eficácia da fé na Paixão de Cristo. Ora, havia fé na Paixão de Cristo sob a Lei Antiga, assim como sob a Nova, visto que temos «o mesmo espírito de fé» (2 Cor 4,13). Logo, assim como os sacramentos da Lei Nova conferem graça, também os da Lei Antiga a conferiam. Objeção 2: Ademais, não há santificação senão pela graça. Ora, os homens eram santificados pelos sacramentos da Lei Antiga; pois está escrito (Lev 8,31): «E quando ele», isto é, Moisés, «os santificou», a saber, Aarão e seus filhos, «em suas vestes», etc. Portanto, parece que os sacramentos da Lei Antiga conferiam graça. Objeção 3: Além disso, Beda, numa homília sobre a Circuncisão, diz: «Sob a Lei, a circuncisão ministrava o mesmo bálsamo salutífero contra a chaga do pecado original que o batismo no tempo da graça revelada.» Ora, o batismo confere graça agora. Logo, a circuncisão conferia graça; e, de igual modo, os outros sacramentos da Lei; pois, assim como o batismo é a porta dos sacramentos da Lei Nova, assim a circuncisão era a porta dos sacramentos da Lei Antiga; donde o Apóstolo diz (Gl 5,3): «Testifico a todo homem que se circuncida, que ele é devedor de toda a lei.» Ao contrário, está escrito (Gl 4,9): «Voltai-vos de novo aos elementos fracos e pobres?» Isto é, «à Lei», diz a glosa, «que é chamada fraca, porque não justifica perfeitamente.» Ora, a graça justifica perfeitamente. Logo, os sacramentos da Lei Antiga não conferiam graça. Respondo que: Não se pode dizer que os sacramentos da Lei Antiga conferissem por si mesmos, isto é, pelo seu próprio poder, a graça santificante; pois assim a Paixão de Cristo não teria sido necessária, segundo Gl 2,21: «Se a justiça é pela Lei, então Cristo morreu em vão.» Mas também não se pode dizer que eles derivassem da Paixão de Cristo o poder de conferir a graça santificante. Pois, como foi dito acima (A[5]), o poder da Paixão de Cristo nos é unido pela fé e pelos sacramentos, mas de modos diversos; porque o vínculo que provém da fé produz-se por um ato da alma; ao passo que o vínculo que provém dos sacramentos produz-se pelo uso de coisas exteriores. Ora, nada impede que aquilo que é posterior no tempo cause movimento, antes mesmo de existir em realidade, na medida em que preexiste num ato da alma; assim, o fim, que é posterior no tempo, move o agente na medida em que é por ele apreendido e desejado. Por outro lado, o que ainda não existe em ato não causa movimento, se considerarmos o uso das coisas exteriores. Consequentemente, a causa eficiente não pode vir à existência no tempo depois de ter causado movimento, como faz a causa final. É, portanto, claro que os sacramentos da Lei Nova derivam razoavelmente o poder de justificar da Paixão de Cristo, que é a causa da justiça do homem; ao passo que os sacramentos da Lei Antiga não o faziam. Contudo, os Padres antigos eram justificados pela fé na Paixão de Cristo, assim como nós. E os sacramentos da Lei Antiga eram uma espécie de protestação daquela fé, enquanto significavam a Paixão de Cristo e seus efeitos. É, pois, manifesto que os sacramentos da Lei Antiga não eram dotados de nenhum poder pelo qual concorressem para a concessão da graça justificante; e apenas significavam a fé pela qual os homens eram justificados. Resposta à Objeção 1: Os Padres antigos tinham fé na futura Paixão de Cristo, a qual, enquanto apreendida pela mente, podia justificá-los. Mas nós temos fé na Paixão passada de Cristo, a qual pode justificar também pelo uso real das coisas sacramentais, como foi dito acima. Resposta à Objeção 2: Aquela santificação era apenas figurada; pois diziam-se santificados enquanto se entregavam ao culto divino segundo o rito da Lei Antiga, a qual era toda ordenada para prefigurar a Paixão de Cristo. Resposta à Objeção 3: Houve muitas opiniões acerca da Circuncisão. Pois, segundo alguns, a Circuncisão não conferia graça, mas somente remitia o pecado. Mas isto é impossível; porque o homem não é justificado do pecado senão pela graça, segundo Rm 3,24: «Sendo justificados gratuitamente por Sua graça.» Por isso, outros disseram que pela Circuncisão se confere graça, quanto aos efeitos privativos do pecado, mas não quanto aos seus efeitos positivos. Mas isto também parece falso, porque pela Circuncisão as crianças recebiam a faculdade de obter a glória, que é o efeito positivo último da graça. Além disso, quanto à ordem da causa formal, os efeitos positivos são naturalmente anteriores aos efeitos privativos, embora segundo a ordem da causa material se dê o contrário; pois uma forma não exclui a privação senão informando o sujeito. Por conseguinte, outros dizem que a Circuncisão conferia graça também quanto a um certo efeito positivo, isto é, tornando o homem digno da vida eterna, mas não de modo a reprimir a concupiscência que torna o homem propenso ao pecado. E assim me pareceu outrora. Mas, se a matéria for considerada com cuidado, isso também se afigura falso; porque a menor graça é suficiente para resistir a qualquer grau de concupiscência e para merecer a vida eterna. E, portanto, parece melhor dizer que a Circuncisão era um sinal da fé justificante; donde o Apóstolo diz (Rm 4,11) que Abraão «recebeu o sinal da Circuncisão, selo da justiça da fé». Consequentemente, a graça era conferida na Circuncisão na medida em que era um sinal da futura Paixão de Cristo, como se tornará claro mais adiante (Q[70], A[4]).

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 6 - Whether the sacraments of the Old Law caused grace? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que a idolatria não é o mais grave dos pecados. O pior opõe-se ao melhor (Ethic. viii, 10). Ora, o culto interior, que consiste na fé, esperança e caridade, é melhor do que o culto exterior. Portanto a incredulidade, o desespero e o ódio de Deus, que se opõem ao culto interior, são pecados mais graves do que a idolatria, que se opõe ao culto exterior. Objeção 2: Ademais, quanto mais um pecado é contra Deus, tanto mais grave é. Ora, parece que um homem age mais diretamente contra Deus blasfemando ou negando a fé do que dando o culto de Deus a outro, o que pertence à idolatria. Logo a blasfêmia e a negação da fé são pecados mais graves do que a idolatria. Objeção 3: Ademais, parece que os males menores são castigados com males maiores. Ora, o pecado de idolatria foi castigado com o pecado contra a natureza, como está dito em Rom. 1, 26. Portanto o pecado contra a natureza é um pecado mais grave do que a idolatria. Objeção 4: Ademais, Agostinho diz (Contra Fausto, XX, 5): "Nem dizemos que vós" — a saber, os maniqueus — "sois pagãos, ou uma seita de pagãos, mas que tendes certa semelhança com eles porque adorais muitos deuses; e contudo sois muito piores do que eles, pois eles adoram coisas que existem, mas não devem ser adoradas como deuses, ao passo que vós adorais coisas que não existem de modo algum." Portanto o vício da depravação herética é mais grave do que a idolatria. Objeção 5: Ademais, uma glosa de Jerônimo sobre Gál. 4, 9, "Como vos tornais de novo aos elementos fracos e pobres?", diz: "A observância da Lei, à qual então estavam afeiçoados, era um pecado quase igual à adoração dos ídolos, à qual se tinham dado antes da sua conversão." Portanto a idolatria não é o pecado mais grave. Ao contrário, uma glosa sobre a passagem de Lev. 15, 25, acerca da imundície da mulher que sofre de fluxo de sangue, diz: "Todo pecado é uma imundície da alma, mas especialmente a idolatria." Respondo que a gravidade de um pecado pode ser considerada de dois modos. Primeiro, por parte do próprio pecado, e assim a idolatria é o pecado mais grave. Pois assim como o crime mais hediondo numa república terrena parece ser que um homem dê honra real a outro que não o verdadeiro rei, visto que, tanto quanto está em si, perturba toda a ordem da república, assim, nos pecados que são cometidos contra Deus, que são realmente os maiores pecados, o maior de todos parece ser que um homem dê a honra de Deus a uma criatura, visto que, tanto quanto está em si, constitui outro Deus no mundo e diminui a soberania divina. Segundo, a gravidade de um pecado pode ser considerada por parte do pecador. Assim, o pecado de quem peca sabendo é dito mais grave do que o pecado de quem peca por ignorância; e deste modo nada impede que os hereges, se sabendo corrompem a fé que receberam, pequem mais gravemente do que os idólatras que pecam por ignorância. Além disso, outros pecados podem ser mais graves por causa do maior desprezo por parte do pecador. Resposta à Objeção 1: A idolatria pressupõe a incredulidade interior, e a esta acrescenta um culto indevido. Mas no caso de idolatria exterior sem incredulidade interior, há um pecado adicional de falsidade, como foi dito acima (A[2]). Resposta à Objeção 2: A idolatria inclui uma grave blasfêmia, na medida em que priva Deus da singularidade do seu domínio e nega a fé pelos atos. Resposta à Objeção 3: Visto que é essencial ao castigo ser contra a vontade, um pecado pelo qual outro pecado é castigado precisa ser mais manifesto, a fim de tornar o homem mais odioso a si mesmo e aos outros; mas não precisa ser um pecado mais grave; e deste modo o pecado contra a natureza é menos grave do que o pecado de idolatria. Contudo, por ser mais manifesto, é designado como castigo adequado do pecado de idolatria, para que, assim como pela idolatria o homem abusa da ordem da honra divina, assim pelo pecado contra a natureza sofra confusão pelo abuso da sua própria natureza. Resposta à Objeção 4: Mesmo quanto ao gênero do pecado, a heresia maniqueia é mais grave do que o pecado de outros idólatras, porque é mais derogatória da honra divina, pois estabelecem dois deuses em oposição um ao outro, e sustentam muitas opiniões vãs e fabulosas acerca de Deus. Diferentemente de outros hereges, que confessam crer num só Deus e adoram-no a ele somente. Resposta à Objeção 5: A observância da Lei durante o tempo da graça não é exatamente igual à idolatria quanto ao gênero do pecado, mas quase igual, porque ambas são espécies de superstição pestífera.

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 3 - Whether idolatry is the gravest of sins? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1.** Parece que as cerimônias da Lei Velha tinham poder de justificação no tempo da Lei. Porque a expiação do pecado e a consagração pertencem à justificação. Ora, está escrito (Êx 39,21) que os sacerdotes e suas vestes foram consagrados pela aspersão do sangue e pela unção do óleo; e (Lv 16,16) que, pela aspersão do sangue do novilho, o sacerdote expiava o santuário "das imundícies dos filhos de Israel, e das suas transgressões e… dos seus pecados". Logo, as cerimônias da Lei Velha tinham poder de justificação. **Objeção 2.** Ademais, aquilo pelo qual o homem agrada a Deus pertence à justificação, conforme o Sl 10,8: "O Senhor é justo e amou a justiça". Ora, alguns agradavam a Deus por meio das cerimônias, conforme Lv 10,19: "Como poderia eu… agradar ao Senhor nas cerimônias, tendo o coração triste?" Logo, as cerimônias da Lei Velha tinham poder de justificação. **Objeção 3.** Ademais, as coisas pertencentes ao culto divino dizem respeito mais à alma que ao corpo, conforme o Sl 18,8: "A Lei do Senhor é imaculada, convertendo as almas". Ora, o leproso era purificado por meio das cerimônias da Lei Velha, como se afirma em Lv 14. Muito mais, portanto, podiam as cerimônias da Lei Velha purificar a alma, justificando-a. **Ao contrário,** o Apóstolo diz (Gl 2) [*As primeiras palavras da citação são de 3,21: São Tomás, provavelmente citando de memória, substituiu-as por 2,21, que diz: 'Se a justiça vem da Lei, então Cristo morreu em vão.']: "Se tivesse sido dada uma lei que pudesse justificar [Vulg.: 'dar vida'], Cristo morreu em vão", isto é, sem causa. Ora, isto é inadmissível. Portanto, as cerimônias da Lei Velha não conferiam a justiça. **Respondo que,** como foi dito acima (Q[102], A[5], ad 4), na Lei Velha distinguia-se uma dupla imundície. Uma era espiritual e é a imundície do pecado. A outra era corporal, a qual tornava o homem inapto para o culto divino; assim, um leproso, ou quem quer que tocasse em carniça, dizia-se imundo: e assim a imundície não era senão uma espécie de irregularidade. Desta imundície, portanto, as cerimônias da Lei Velha tinham poder de purificar: porque foram ordenadas pela Lei para serem empregadas como remédios para a remoção das referidas imundícies que eram contraídas em consequência da prescrição da Lei. Por isso o Apóstolo diz (Hb 9,13) que "o sangue de bodes e de novilhos, e as cinzas de uma bezerra, aspergidas, santificam os contaminados, para a purificação da carne". E assim como esta imundície, que era lavada por tais cerimônias, atingia mais a carne do que a alma, também as próprias cerimônias são chamadas pelo Apóstolo, um pouco antes (Hb 9,10), de justiças da carne: "justiças da carne", diz ele, "impostas até o tempo da correção". Por outro lado, não tinham poder de purificar da imundície da alma, isto é, da imundície do pecado. A razão disto é que em tempo algum pôde haver expiação do pecado, senão por Cristo, "que tira o pecado [Vulg.: 'os pecados'] do mundo" (Jo 1,29). E como o mistério da Encarnação e da Paixão de Cristo ainda não se tinha realizado realmente, aquelas cerimônias da Lei Velha não podiam conter realmente em si mesmas um poder fluente de Cristo já encarnado e crucificado, como os sacramentos da Lei Nova contêm. Consequentemente, não podiam limpar do pecado; assim o Apóstolo diz (Hb 10,4) que "é impossível que com sangue de novilhos e de bodes sejam tirados os pecados"; e por isso as chama (Gl 4,9) de "elementos fracos e pobres": fracos, na verdade, porque não podem tirar o pecado; mas esta fraqueza resulta de serem pobres, isto é, do fato de não conterem em si mesmos a graça. Contudo, era possível, no tempo da Lei, que as mentes dos fiéis se unissem pela fé a Cristo encarnado e crucificado; de modo que eram justificados pela fé em Cristo; da qual fé a observância destas cerimônias era uma espécie de profissão, na medida em que prefiguravam Cristo. Por isso, na Lei Velha, ofereciam-se certos sacrifícios pelos pecados, não como se os próprios sacrifícios lavassem os pecados, mas porque eram profissões de fé que purificavam do pecado. Na verdade, a própria Lei implica isto nos termos empregados; pois está escrito (Lv 4,26; 5,16) que, ao oferecer o sacrifício pelo pecado, "o sacerdote orará por ele… e ser-lhe-á perdoado", como se o pecado fosse perdoado, não em virtude dos sacrifícios, mas pela fé e devoção daqueles que os ofereciam. Deve-se observar, porém, que o próprio fato de as cerimônias da Lei Velha lavarem a imundície do corpo era uma figura daquela expiação dos pecados que foi efetuada por Cristo. Portanto, é evidente que, sob o estado da Lei Velha, as cerimônias não tinham poder de justificação. **Resposta à Objeção 1.** Aquela santificação dos sacerdotes e de seus filhos, e de suas vestes ou de qualquer outra coisa pertencente a eles, pela aspersão do sangue, não tinha outro efeito senão designá-los para o culto divino e remover-lhes os impedimentos, "para a purificação da carne", como diz o Apóstolo (Hb 9,13), em sinal daquela santificação pela qual "Jesus" santificou "o povo com o seu próprio sangue" (Hb 13,12). Além disso, a expiação deve ser entendida como referindo-se à remoção destas imundícies corporais, não ao perdão do pecado. Por isso, até o santuário, que não podia ser sujeito do pecado, é dito ser expiado. **Resposta à Objeção 2.** Os sacerdotes agradavam a Deus nas cerimônias pela sua obediência e devoção, e pela sua fé na realidade prefigurada; não por razão das coisas consideradas em si mesmas. **Resposta à Objeção 3.** Aquelas cerimônias que eram prescritas na purificação de um leproso não foram ordenadas com o fim de tirar a contaminação da lepra. Isto é claro pelo fato de que estas cerimônias não eram aplicadas a um homem enquanto ele ainda não estava curado; por isso está escrito (Lv 14,3-4) que o sacerdote, "saindo do arraial, quando achar que a lepra está purificada, ordenará àquele que há de ser purificado que ofereça", etc.; donde é evidente que o sacerdote era constituído juiz da lepra, não antes, mas depois da purificação. Mas estas cerimônias eram empregadas para tirar a imundície de irregularidade. Dizem, porém, que se o sacerdote errasse no seu juízo, o leproso seria purificado miraculosamente pelo poder de Deus, mas não em virtude do sacrifício. Assim também foi por milagre que a coxa da mulher adúltera apodreceu, depois de ter bebido a água "sobre a qual" o sacerdote "tinha amaldiçoado", como se afirma em Nm 5,19-27.

Summa Theologiae — First Part of the Second Part · Article. 2 - Whether, at the time of the Law, the ceremonies of the Old Law had any power of justification? · séc. XIII

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Gl 4, 9 nos Padres da Igreja | Aurea