Referência

Gl 5, 21

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Matos Soares

21os ciúmes, a embriaguez, as glutonerias e outras coisas semelhantes, sobre as quais vos previno, como já vos disse, que os que as praticam não possuirão o reino de Deus,

Matos Soares · domínio público

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que a discórdia não é pecado. Porque discordar do próximo é separar-se da vontade alheia. Mas isso não parece ser pecado, porque só a vontade de Deus, e não a do próximo, é a regra da nossa vontade. Logo, a discórdia não é pecado. Objeção 2: Ademais, quem induz outrem a pecar, também ele peca. Ora, parece que não é pecado incitar outros à discórdia, pois está escrito (Atos 23, 6) que Paulo, sabendo que uma parte era de saduceus e a outra de fariseus, clamou no conselho: "Homens irmãos, eu sou fariseu, filho de fariseus; pela esperança e ressurreição dos mortos sou chamado a juízo. E, tendo dito isto, houve dissensão entre os fariseus e os saduceus." Logo, a discórdia não é pecado. Objeção 3: Ademais, o pecado, especialmente o mortal, não se encontra num homem santo. Ora, a discórdia encontra-se até entre homens santos, pois está escrito (Atos 15, 39): "Houve dissensão" entre Paulo e Barnabé, "de modo que se separaram um do outro." Logo, a discórdia não é pecado, e muito menos pecado mortal. Em sentido contrário, as "dissensões", isto é, as discórdias, são contadas entre as obras da carne (Gl 5, 20), das quais depois se diz (Gl 5, 21) que "os que fazem tais coisas não alcançarão o reino de Deus". Ora, nada, exceto o pecado mortal, exclui o homem do reino de Deus. Logo, a discórdia é pecado mortal. Respondo que a discórdia se opõe à concórdia. Ora, como foi dito acima (Q[29], AA[1],3), a concórdia resulta da caridade, na medida em que a caridade dirige muitos corações juntamente para uma só coisa, que é principalmente o bem divino e, secundariamente, o bem do próximo. Por onde, a discórdia é pecado, na medida em que se opõe a esta concórdia. Mas é necessário observar que esta concórdia é destruída pela discórdia de dois modos: primeiro, diretamente; segundo, acidentalmente. Ora, os atos e movimentos humanos dizem-se diretos quando são segundo a intenção. Por onde, o homem discorda diretamente do seu próximo quando, consciente e intencionalmente, dissentir do bem divino e do bem do próximo, a que deveria consentir. Isto é pecado mortal quanto ao seu género, porque é contrário à caridade, embora os primeiros movimentos de tal discórdia sejam pecados veniais por serem atos imperfeitos. O acidental nos atos humanos é o que ocorre fora da intenção. Por isso, quando vários intentam um bem pertencente à honra de Deus ou ao proveito do próximo, mas um julga boa uma coisa e outro pensa o contrário, a discórdia é, neste caso, acidentalmente contrária ao bem divino ou ao do próximo. Tal discórdia não é pecaminosa nem contrária à caridade, a menos que seja acompanhada de erro acerca das coisas necessárias à salvação ou de obstinação indevida, porque também foi dito acima (Q[29], AA[1],3, ad 2) que a concórdia, que é efeito da caridade, é união de vontades, não de opiniões. Disto se segue que a discórdia é, às vezes, pecado só de uma das partes, por exemplo, quando um quer um bem que o outro conscientemente resiste; outras vezes implica pecado em ambas as partes, como quando cada um dissentir do bem do outro e ama o seu próprio. Resposta à Objeção 1: A vontade de um homem, considerada em si mesma, não é regra da vontade de outro homem; mas, na medida em que a vontade do próximo adere à vontade de Deus, torna-se, consequentemente, uma regra regulada segundo a sua medida própria. Por onde, é pecado discordar de tal vontade, porque, por isso mesmo, se discorda da regra divina. Resposta à Objeção 2: Assim como a vontade do homem que adere a Deus é uma regra reta, discordar da qual é pecado, assim a vontade do homem que é oposta a Deus é uma regre perversa, discordar da qual é bom. Por isso, causar uma discórdia pela qual se destrói uma boa concórdia resultante da caridade é pecado grave; donde está escrito (Prov. 6, 16): "Seis coisas há que o Senhor aborrece, e a sétima a sua alma detesta", e a sétima diz-se (Prov. 6, 19) ser "o que semeia discórdia entre os irmãos". Por outro lado, suscitar uma discórdia pela qual se destrói uma concórdia má (isto é, a concórdia numa vontade má) é louvável. Deste modo, Paulo foi de louvar por semear discórdia entre os que concordavam no mal, porque também o Senhor disse de Si mesmo (Mt 10, 34): "Não vim trazer a paz, mas a espada." Resposta à Objeção 3: A discórdia entre Paulo e Barnabé foi acidental e não direta; porque cada um intentava algum bem, mas um pensava ser bom uma coisa, e o outro julgava outra, o que se devia à deficiência humana; pois aquela controvérsia não era acerca de coisas necessárias à salvação. Além disso, tudo isto foi ordenado pela divina providência, por causa do bem que daí havia de resultar.

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 1 - Whether discord is a sin? · séc. XIII

tradução automática

Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que a contenda não é pecado mortal. Porque nos homens espirituais não há pecado mortal; e, contudo, neles se encontra a contenda, segundo Lc 22, 24: "Houve também contenda entre" os discípulos de Jesus, "sobre qual deles parecia ser o maior." Logo, a contenda não é pecado mortal. Objeção 2: Ademais, nenhum homem bem disposto deve comprazer-se em que o seu próximo cometa pecado mortal. Ora, o Apóstolo diz (Fl 1, 17): "Uns por contenda anunciam a Cristo", e depois (Fl 1, 18): "Nisto me regozijo, e me regozijarei." Logo, a contenda não é pecado mortal. Objeção 3: Ademais, acontece que as pessoas contendem, ou nos tribunais ou nas disputas, sem qualquer intenção maldosa e com boa intenção, como, por exemplo, os que contendem disputando com os hereges. Donde uma glosa a 1 Reis 14, 1: "Aconteceu um dia", etc., diz: "Os católicos não suscitam contendas com os hereges, a menos que sejam primeiro desafiados a disputar." Logo, a contenda não é pecado mortal. Objeção 4: Ademais, Jó parece ter contendido com Deus, segundo Jó 39, 32: "Porventura o que contende com Deus será assim facilmente silenciado?" E, contudo, Jó não era réu de pecado mortal, pois o Senhor disse dele (Jó 42, 7): "Não falastes o que é reto diante de mim, como o meu servo Jó." Logo, a contenda nem sempre é pecado mortal. Em sentido contrário, vai contra o preceito do Apóstolo, que diz (2 Tm 2, 14): "Não contendas em palavras." Além disso (Gl 5, 20), a contenda é incluída entre as obras da carne, e, como ali se diz (Gl 5, 21), "os que fazem tais coisas não alcançarão o reino de Deus". Ora, o que exclui o homem do reino de Deus e vai contra um preceito é pecado mortal. Logo, a contenda é pecado mortal. Respondo que contender é tender contra alguém. Por onde, assim como a discórdia denota uma contrariedade de vontades, assim a contenda significa uma contrariedade de palavras. Por essa razão, quando um homem contrapõe no discurso várias coisas contrárias, chama-se a isto "contentio", que Túlio denomina uma das cores retóricas (De Rhet. ad Heren. iv), onde diz que "consiste em desenvolver um discurso a partir de coisas contrárias", por exemplo: "A adulação tem um começo agradável e um fim amarguíssimo." Ora, a contrariedade de palavras pode ser considerada de dois modos: primeiro, quanto à intenção do contendente; segundo, quanto ao modo de contender. Quanto à intenção, consideramos se ele contende contra a verdade — e então é de culpar — ou contra a falsidade — e então é de louvar. Quanto ao modo, consideramos se o seu modo de contender é conveniente às pessoas e à matéria em disputa — pois então seria louvável; por isso Túlio diz (De Rhet. ad Heren. iii) que "a contenda é um discurso acerado, adequado para a prova e para a refutação" — ou se excede as exigências das pessoas e da matéria em disputa, caso em que é censurável. Por conseguinte, se tomarmos a contenda como significando a negação da verdade e um modo desordenado, é pecado mortal. Assim, Ambrósio [*Cf. Glosa Ordinária a Rm 1, 29] define a contenda: "A contenda é a negação da verdade com clamorosa confiança." Se, porém, a contenda significar a negação do que é falso, com a devida medida de acrimónia, é louvável; ao passo que, se significar a negação da falsidade juntamente com um modo desordenado, pode ser pecado venial, a menos que a contenda seja conduzida tão desordenadamente que cause escândalo a outros. Por isso o Apóstolo, depois de dizer (2 Tm 2, 14): "Não contendas em palavras", acrescenta: "pois para nada é proveitoso, senão para a perversão dos ouvintes." Resposta à Objeção 1: Os discípulos de Cristo contendiam entre si, não com a intenção de negar a verdade, pois cada um defendia o que julgava verdadeiro. Havia, contudo, desordem na sua contenda, porque contendiam acerca de uma matéria sobre a qual não deviam contender, a saber, a primazia da honra; pois ainda não eram homens espirituais, como diz uma glosa ao mesmo passo; e por isso o Senhor os reprimiu. Resposta à Objeção 2: Os que anunciavam a Cristo "por contenda" eram de culpar, porque, embora não contradissessem a verdade da fé, mas a pregassem, todavia contradiziam a verdade, pelo facto de pensarem que "levantariam aflição" ao Apóstolo que pregava a verdade da fé. Por isso o Apóstolo se regozijava, não na sua contenda, mas no fruto que dela havia de resultar, a saber, que Cristo fosse dado a conhecer — porque o mal é, às vezes, ocasião de bons resultados. Resposta à Objeção 3: A contenda é completa e é pecado mortal quando, contendendo perante um juiz, o homem nega a verdade da justiça, ou, numa disputa, tenta impugnar a verdadeira doutrina. Neste sentido, os católicos não contendem contra os hereges, mas sim o contrário. Mas quando, quer no tribunal quer numa disputa, é incompleta, i. é, quanto à acrimónia do discurso, nem sempre é pecado mortal. Resposta à Objeção 4: Aqui contenda significa uma disputa comum. Pois Jó dissera (13, 3): "Falarei ao Todo-poderoso, e desejo disputar com Deus"; contudo, não tencionava impugnar a verdade, mas defendê-la; e, buscando assim a verdade, não queria ser desordenado no ânimo ou na palavra.

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 1 - Whether contention is a mortal sin? · séc. XIII

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Gl 5, 21 nos Padres da Igreja | Aurea