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Gl 5, 6

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Matos Soares

6Porque, em Jesus Cristo, nem a circuncisão vale coisa alguma nem a incircuncisão, mas sim a fé que obra (animada) pela caridade.

Matos Soares · domínio público

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Santo Thomas Aquinas

Objecção 1: Parece que a confissão não é um ato de fé. Porque o mesmo ato não pertence a virtudes diversas. Ora, a confissão pertence à penitência, da qual é parte. Logo, não é ato de fé. Objecção 2: Ademais, o homem é às vezes dissuadido pelo temor ou alguma espécie de confusão de confessar a sua fé; por isso o Apóstolo (Efésios 6,19) pede orações para que lhe seja concedido «com confiança, dar a conhecer o mistério do Evangelho». Ora, pertence à fortaleza, que modera a ousadia e o temor, não ser dissuadido de fazer o bem por causa da confusão ou do temor. Logo, parece que a confissão não é ato de fé, mas antes da fortaleza ou da constância. Objecção 3: Ademais, assim como o ardor da fé faz alguém confessar exteriormente a sua fé, assim também o faz praticar outras boas obras externas, pois está escrito (Gálatas 5,6) que «a fé obra pela caridade». Ora, as outras obras externas não são contadas como atos de fé. Logo, também a confissão não é ato de fé. Em contrário, uma glosa explica as palavras de 2 Tessalonicenses 1,11, «e a obra da fé em poder», referindo-se à «confissão, que é obra própria da fé». Respondo que as ações externas pertencem propriamente à virtude a cujo fim são especificamente referidas. Assim, o jejum é referido especificamente ao fim da abstinência, que é domar a carne, e consequentemente é ato de abstinência. Ora, a confissão das coisas que são de fé é referida especificamente, quanto ao seu fim, àquilo que concerne à fé, segundo 2 Coríntios 4,13: «Tendo o mesmo espírito de fé... cremos, e por isso também falamos.» Pois a expressão externa destina-se a significar o pensamento interno. Portanto, assim como o pensamento interno das coisas de fé é propriamente ato de fé, também o é a confissão externa delas. Resposta à primeira objecção: Uma tríplice confissão é recomendada pelas Escrituras. Uma é a confissão das coisas de fé, e esta é um ato próprio da fé, pois é referida ao fim da fé, como foi dito acima. Outra é a confissão de ação de graças ou louvor, e esta é um ato de latria, porque seu propósito é dar honra externa a Deus, que é o fim da latria. A terceira é a confissão dos pecados, que é ordenada à remissão dos pecados, que é o fim da penitência, à qual virtude, portanto, pertence. Resposta à segunda objecção: Aquilo que remove um obstáculo não é causa direta, mas indireta, como prova o Filósofo (Fís. VIII, 4). Logo, a fortaleza, que remove um obstáculo à confissão da fé, a saber, o temor ou a vergonha, não é a causa própria e direta da confissão, mas, por assim dizer, uma causa indireta. Resposta à terceira objecção: A fé interna, com o auxílio da caridade, causa todos os atos externos de virtude, por meio das outras virtudes, comandando-os, mas não os elicitando; enquanto produz o ato de confissão como seu ato próprio, sem o auxílio de qualquer outra virtude.

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 1 - Whether confession is an act of faith? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

OBJEÇÃO 1: Parece que a fé não reside no intelecto. Porque Agostinho diz (De Praedest. Sanct. v) que «a fé reside na vontade do crente». Ora, a vontade é uma potência distinta do intelecto. Portanto, a fé não reside no intelecto. OBJEÇÃO 2: Além disso, o assentimento da fé para crer em algo procede da vontade que obedece a Deus. Logo, parece que a fé deve todo o seu louvor à obediência. Ora, a obediência está na vontade. Portanto, a fé está na vontade, e não no intelecto. OBJEÇÃO 3: Além disso, o intelecto ou é especulativo ou é prático. Ora, a fé não está no intelecto especulativo, pois este não tem por objeto as coisas a serem buscadas ou evitadas, como está dito no De Anima iii, 9, de modo que não é princípio de operação, enquanto «a fé obra pela caridade» (Gl 5,6). Do mesmo modo, também não está no intelecto prático, cujo objeto é algo verdadeiro e contingente, que pode ser feito ou realizado. Porque o objeto da fé é a Verdade Eterna, como foi mostrado acima (Q[1], A[1]). Portanto, a fé não reside no intelecto. AO CONTRÁRIO, a fé é sucedida pela visão celeste, segundo 1 Cor 13,12: «Vemos agora por um espelho em enigma; mas então face a face.» Ora, a visão está no intelecto. Logo, a fé está também. RESPONDO: Sendo a fé uma virtude, seu ato deve necessariamente ser perfeito. Ora, para a perfeição de um ato que procede de dois princípios ativos, cada um desses princípios deve ser perfeito; pois não é possível serrar bem a madeira, a menos que o serrador possua a arte e a serra esteja bem disposta para serrar. Ora, numa potência da alma que se relaciona com objetos opostos, a disposição para agir bem é um hábito, como foi dito acima (FS, Q[49], A[4], ad 1,2,3). Portanto, um ato que procede de duas tais potências deve ser aperfeiçoado por um hábito residente em cada uma delas. Além disso, foi dito acima (Q[2], AA[1],2) que crer é um ato do intelecto enquanto movido pela vontade a assentir. E este ato procede da vontade e do intelecto, ambos os quais têm aptidão natural para ser aperfeiçoados desse modo. Consequentemente, se o ato de fé deve ser perfeito, é necessário que haja um hábito tanto na vontade quanto no intelecto; assim como é necessário haver o hábito da prudência na razão, além do hábito da temperança na faculdade concupiscível, para que o ato dessa faculdade seja perfeito. Ora, crer é imediatamente um ato do intelecto, porque o objeto desse ato é «o verdadeiro», que pertence propriamente ao intelecto. Portanto, a fé, que é o princípio próprio desse ato, deve necessariamente residir no intelecto. RESPOSTA À OBJEÇÃO 1: Agostinho toma a fé pelo ato de fé, que é descrito como dependente da vontade do crente, na medida em que seu intelecto assente às coisas da fé pelo mandado da vontade. RESPOSTA À OBJEÇÃO 2: Não só a vontade precisa estar pronta para obedecer, mas também o intelecto precisa estar bem disposto para seguir o mandado da vontade, assim como a faculdade concupiscível precisa estar bem disposta para seguir o mandado da razão; por isso é necessário que haja um hábito de virtude não só na vontade que comanda, mas também no intelecto que assente. RESPOSTA À OBJEÇÃO 3: A fé reside no intelecto especulativo, como é evidenciado por seu objeto. Mas, como este objeto, que é a Primeira Verdade, é o fim de todos os nossos desejos e ações, como prova Agostinho (De Trin. i, 8), segue-se que a fé obra pela caridade, assim como «o intelecto especulativo se torna prático por extensão» (De Anima iii, 10).

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 2 - Whether faith resides in the intellect? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Pareceria que o entendimento, considerado como dom do Espírito Santo, não é prático, mas apenas especulativo. Pois, segundo Gregório (Moral. i, 32), «o entendimento penetra certas coisas mais elevadas». Ora o intelecto prático ocupa-se, não com coisas elevadas, mas com coisas inferiores, a saber, os singulares, acerca dos quais as ações se ocupam. Logo o entendimento, considerado como dom, não é prático. Objeção 2: Ademais, o dom do entendimento é algo mais excelente do que a virtude intelectual do entendimento. Ora a virtude intelectual do entendimento ocupa-se apenas com coisas necessárias, segundo o Filósofo (Ética vi, 6). Muito mais, portanto, o dom do entendimento se ocupa apenas com matérias necessárias. Ora o intelecto prático não é acerca de coisas necessárias, mas acerca de coisas que podem ser de outro modo do que são, e que podem resultar da atividade humana. Logo o dom do entendimento não é prático. Objeção 3: Ademais, o dom do entendimento ilumina a mente em matérias que excedem a razão natural. Ora as atividades humanas, com as quais o intelecto prático se ocupa, não excedem a razão natural, que é o princípio diretivo nas matérias de ação, como foi esclarecido acima (I-II, q. 58, a. 2; I-II, q. 71, a. 6). Logo o dom do entendimento não é prático. Ao contrário, está escrito (Sl 110,10): «Bom entendimento a todos os que o praticam.» Respondo que, como foi dito acima (a. 2), o dom do entendimento não é apenas acerca daquelas coisas que caem sob a fé primeiro e principalmente, mas também acerca de todas as coisas subordinadas à fé. Ora as boas ações têm uma certa relação com a fé: pois «a fé opera pela caridade», segundo o Apóstolo (Gl 5,6). Por isso o dom do entendimento se estende também a certas ações, não como se estas fossem o seu objeto principal, mas na medida em que a regra das nossas ações é a lei eterna, à qual a razão superior, aperfeiçoada pelo dom do entendimento, adere, contemplando-a e consultando-a, como afirma Agostinho (De Trin. xii, 7). Resposta à objeção 1: As coisas com que as ações humanas se ocupam não são sumamente elevadas consideradas em si mesmas, mas, enquanto referidas à regra da lei eterna e ao fim da felicidade divina, são elevadas de modo a poderem ser matéria do entendimento. Resposta à objeção 2: A excelência do dom do entendimento consiste precisamente em considerar as matérias eternas ou necessárias, não só enquanto são regras das ações humanas, porque uma virtude cognitiva é tanto mais excelente quanto maior é a extensão do seu objeto. Resposta à objeção 3: A regra das ações humanas é a razão humana e a lei eterna, como foi dito acima (I-II, q. 71, a. 6). Ora a lei eterna excede a razão humana: de modo que o conhecimento das ações humanas, enquanto reguladas pela lei eterna, excede a razão natural e requer a luz sobrenatural de um dom do Espírito Santo.

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 3 - Whether the gift of understanding is merely speculative or also practical? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que a ciência, que é enumerada entre os dons, é conhecimento prático. Pois Agostinho diz (De Trin. xii, 14) que “a ciência diz respeito às ações nas quais usamos das coisas exteriores”. Ora, o conhecimento que diz respeito às ações é prático. Logo, o dom de ciência é prático. Objeção 2: Além disso, Gregório diz (Moral. i, 32): “A ciência é nula se não tem o seu uso para a piedade . . . e a piedade é muito inútil se lhe falta o discernimento da ciência.” Ora, segue-se desta autoridade que a ciência dirige a piedade. Mas isto não pode aplicar-se a uma ciência especulativa. Logo, o dom de ciência não é especulativo, mas prático. Objeção 3: Além disso, os dons do Espírito Santo estão apenas nos justos, como foi dito acima (Q[9], A[5]). Ora, o conhecimento especulativo pode estar também nos injustos, segundo Tg. 4,17: “Àquele . . . que sabe fazer o bem e não o faz, é pecado.” Logo, o dom de ciência não é especulativo, mas prático. Em contrário, Gregório diz (Moral. i, 32): “A ciência no seu próprio dia prepara um banquete, porque vence o jejum da ignorância na mente.” Ora, a ignorância não é totalmente removida senão por ambos os tipos de conhecimento, isto é, especulativo e prático. Logo, o dom de ciência é ao mesmo tempo especulativo e prático. Respondo: Como foi dito acima (Q[9], A[8]), o dom de ciência, assim como o dom de entendimento, é ordenado à certeza da fé. Ora, a fé consiste primeira e principalmente na especulação, na medida em que está fundada na Primeira Verdade. Mas como a Primeira Verdade é também o fim último pelo qual as nossas obras são feitas, daí resulta que a fé se estende às obras, segundo Gl. 5,6: “A fé . . . obra pela caridade.” Consequentemente, o dom de ciência também, primeira e principalmente, diz respeito à especulação, na medida em que o homem sabe o que deve ter pela fé; todavia, secundariamente, estende-se às obras, visto que somos dirigidos nas nossas ações pelo conhecimento das matérias de fé e das conclusões daí tiradas. Resposta à Objeção 1: Agostinho fala do dom de ciência na medida em que se estende às obras; pois a ação é atribuída à ciência, mas não exclusiva nem primariamente; e deste modo ela dirige a piedade. Donde se esclarece a Resposta à Segunda Objeção. Resposta à Objeção 3: Como já dissemos acima (Q[8], A[5]) acerca do dom de entendimento, nem todo aquele que entende tem o dom de entendimento, mas apenas aquele que entende por meio de um hábito de graça; e assim devemos notar, quanto ao dom de ciência, que só têm o dom de ciência aqueles que julgam retamente acerca das matérias de fé e de ação, pela graça que lhes é concedida, de modo a nunca se desviarem da senda reta da justiça. Esta é a ciência das coisas santas, segundo Sb. 10,10: “Ela conduziu o justo . . . por caminhos direitos . . . e deu-lhe a ciência das coisas santas.”

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 3 - Whether the gift of knowledge is practical knowledge? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que a caridade não é a mais excelente das virtudes. Porque a potência mais elevada tem a virtude mais elevada, assim como tem uma operação mais elevada. Ora, o intelecto é mais elevado que a vontade, pois dirige a vontade. Logo, a fé, que está no intelecto, é mais excelente que a caridade, que está na vontade. Objeção 2: Além disso, aquilo pelo qual outro obra parece ser o menos excelente dos dois, assim como o servo, por quem o senhor obra, é inferior ao seu senhor. Ora, “a fé obra pela caridade”, segundo Gl 5,6. Portanto, a fé é mais excelente que a caridade. Objeção 3: Além disso, aquilo que é por acréscimo a outro parece ser o mais perfeito dos dois. Ora, a esperança parece ser algo acrescentado à caridade: porque o objeto da caridade é o bem, enquanto o objeto da esperança é um bem árduo. Logo, a esperança é mais excelente que a caridade. Em contrário, Está escrito (1 Cor 13,13): “A maior destas é a caridade”. Respondo que, Visto que o bem, nos atos humanos, depende de serem regulados pela devida regra, é necessário que a virtude humana, que é princípio de atos bons, consista em atingir a regra dos atos humanos. Ora, a regra dos atos humanos é dupla, como se disse acima (A. 3), a saber, a razão humana e Deus; contudo, Deus é a primeira regra, pela qual até a razão humana deve ser regulada. Por conseguinte, as virtudes teologais, que consistem em atingir esta primeira regra, pois o seu objeto é Deus, são mais excelentes que as virtudes morais ou intelectuais, que consistem em atingir a razão humana; e daí segue-se que, entre as próprias virtudes teologais, o primeiro lugar pertence àquela que atinge a Deus de modo mais perfeito. Ora, aquilo que é por si mesmo está sempre antes daquilo que é por outro. Mas a fé e a esperança atingem a Deus, na verdade, enquanto dele derivamos o conhecimento da verdade ou a aquisição do bem; ao passo que a caridade atinge o próprio Deus para nele repousar, e não para que algo nos advenha dele. Por isso, a caridade é mais excelente que a fé ou a esperança e, consequentemente, que todas as outras virtudes; assim como a prudência, que por si mesma atinge a razão, é mais excelente que as outras virtudes morais, que atingem a razão enquanto esta estabelece o meio-termo nas operações ou paixões humanas. Resposta à objeção 1: A operação do intelecto completa-se quando a coisa entendida está no sujeito intelectual; de modo que a excelência da operação intelectual é avaliada segundo a medida do intelecto. Por outro lado, a operação da vontade e de toda potência apetitiva completa-se na tendência do apetite para uma coisa como seu termo; por onde a excelência da operação apetitiva é medida segundo a coisa que é objeto da operação. Ora, as coisas que estão abaixo da alma são mais excelentes na alma do que em si mesmas, porque a coisa é contida segundo o modo do continente (De Causis xii). Por outro lado, as coisas que estão acima da alma são mais excelentes em si mesmas do que na alma. Consequentemente, é melhor conhecer do que amar as coisas que estão abaixo de nós; por isso o Filósofo deu preferência às virtudes intelectuais sobre as virtudes morais (Ética x, 7,8); ao passo que o amor das coisas que estão acima de nós, especialmente de Deus, está antes do conhecimento de tais coisas. Portanto, a caridade é mais excelente que a fé. Resposta à objeção 2: A fé obra pelo amor, não instrumentalmente, como o senhor pelo servo, mas como pela sua forma própria; logo, o argumento não prova. Resposta à objeção 3: O mesmo bem é objeto da caridade e da esperança; mas a caridade implica união com esse bem, ao passo que a esperança implica distância dele. Por isso, a caridade não considera esse bem como árduo, como faz a esperança, pois o que já está unido não tem caráter de árduo; e isso mostra que a caridade é mais perfeita que a esperança.

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 6 - Whether charity is the most excellent of the virtues? · séc. XIII

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Gl 5, 6 nos Padres da Igreja | Aurea