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Gl 6, 15

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Matos Soares

15De facto, nem a circuncisão nem a incircuncisão valem nada, mas o ser uma nova criatura.

Matos Soares · domínio público

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que não foi mais conveniente que o Filho de Deus se encarnasse do que o Pai ou o Espírito Santo. Pois pelo mistério da Encarnação os homens são levados ao verdadeiro conhecimento de Deus, segundo Jo. 18,37: «Para isto nasci eu, e para isto vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade.» Ora, pela Encarnação da Pessoa do Filho de Deus muitos se têm desviado do verdadeiro conhecimento de Deus, pois referiam à própria Pessoa do Filho o que se dizia do Filho na sua natureza humana, como Ário, que sustentava uma desigualdade de Pessoas, segundo o que está dito (Jo. 14,28): «O Pai é maior do que eu.» Ora, este erro não se teria levantado, se a Pessoa do Pai se houvera encarnado, pois ninguém tomaria o Pai por menor que o Filho. Portanto, parece conveniente que a Pessoa do Pai, antes que a Pessoa do Filho, se houvera encarnado. Objeção 2: Além disso, o efeito da Encarnação parece ser, por assim dizer, uma segunda criação da natureza humana, segundo Gál. 6,15: «Porque em Cristo Jesus nem a circuncisão vale alguma coisa, nem a incircuncisão, mas a nova criatura.» Mas o poder da criação é apropriado ao Pai. Logo, teria sido mais conveniente ao Pai do que ao Filho encarnar-se. Objeção 3: Além disso, a Encarnação é ordenada para a remissão dos pecados, segundo Mat. 1,21: «Chamarás o seu nome Jesus, porque ele salvará o seu povo dos seus pecados.» Ora, a remissão dos pecados é atribuída ao Espírito Santo, segundo Jo. 20,22-23: «Recebei o Espírito Santo; àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados.» Portanto, cabia à Pessoa do Espírito Santo, antes que à Pessoa do Filho, encarnar-se. Em contrário, Damasceno diz (De Fide Orth. III, 1): «No mistério da Encarnação manifestam-se a sabedoria e o poder de Deus: a sabedoria, porque achou um meio muito adequado para pagar uma dívida gravíssima; o poder, porque fez o vencido vencer.» Mas o poder e a sabedoria são apropriados ao Filho, segundo 1 Cor. 1,24: «Cristo, poder de Deus e sabedoria de Deus.» Portanto, era conveniente que a Pessoa do Filho se encarnasse. Respondo que era sumamente conveniente que a Pessoa do Filho se encarnasse. Primeiro, por parte da união; porque os semelhantes se unem convenientemente. Ora, a Pessoa do Filho, que é o Verbo de Deus, tem uma certa conveniência comum com todas as criaturas, porque a palavra do artífice, i.e., seu conceito, é uma semelhança exemplar de tudo quanto é feito por ele. Portanto, o Verbo de Deus, que é seu conceito eterno, é a semelhança exemplar de todas as criaturas. E assim como as criaturas são estabelecidas em suas espécies próprias, embora de modo móvel, pela participação desta semelhança, assim pela união não participada e pessoal do Verbo com uma criatura, era conveniente que a criatura fosse restaurada para sua perfeição eterna e imutável; pois o artífice, pela forma inteligível de sua arte, pela qual fez sua obra, a restaura quando ela cai em ruína. Além disso, ele tem uma particular conveniência com a natureza humana, pois o Verbo é um conceito da sabedoria eterna, de quem deriva toda a sabedoria do homem. E por isso o homem é aperfeiçoado na sabedoria (que é sua perfeição própria, enquanto racional) por participar do Verbo de Deus, como o discípulo é instruído recebendo a palavra de seu mestre. Donde se diz (Eclo. 1,5): «O Verbo de Deus nas alturas é a fonte da sabedoria.» E portanto, para a perfeição consumada do homem, era conveniente que o próprio Verbo de Deus se unisse pessoalmente à natureza humana. Em segundo lugar, a razão desta conveniência pode ser tomada do fim da união, que é o cumprimento da predestinação, i.e., daqueles que são pré-ordenados para a herança celestial, a qual é concedida somente aos filhos, segundo Rom. 8,17: «Se filhos, também herdeiros.» Portanto, era conveniente que por Aquele que é o Filho natural, os homens compartilhassem esta semelhança de filiação por adoção, como diz o Apóstolo no mesmo capítulo (Rom. 8,29): «Porque aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho.» Em terceiro lugar, a razão desta conveniência pode ser tomada do pecado de nosso primeiro pai, para o qual a Encarnação proveu o remédio. Pois o primeiro homem pecou buscando o conhecimento, como é claro pelas palavras da serpente, prometendo ao homem o conhecimento do bem e do mal. Portanto, era conveniente que pelo Verbo do verdadeiro conhecimento o homem fosse reconduzido a Deus, tendo-se afastado de Deus por uma sede desordenada de conhecimento. Resposta à objeção 1: Não há nada de que a malícia humana não possa abusar, pois abusa até da bondade de Deus, segundo Rom. 2,4: «Ou desprezas tu as riquezas da sua bondade?» Portanto, mesmo que a Pessoa do Pai se houvera encarnado, os homens teriam podido achar ocasião de erro, como se o Filho não fosse capaz de restaurar a natureza humana. Resposta à objeção 2: A primeira criação das coisas foi feita pelo poder de Deus Pai por meio do Verbo; portanto, a segunda criação devia ser realizada por meio do Verbo, pelo poder de Deus Pai, para que a restauração correspondesse à criação, segundo 2 Cor. 5,19: «Porquanto Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo.» Resposta à objeção 3: Ser o dom do Pai e do Filho é próprio do Espírito Santo. Mas a remissão dos pecados é causada pelo Espírito Santo, como dom de Deus. E, portanto, era mais conveniente para a justificação do homem que o Filho se encarnasse, de quem o Espírito Santo é dom.

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 8 - Whether it was more fitting that the Person of the Son rather than any other Divine Person should assume human nature? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que a graça não é uma qualidade da alma. Porque nenhuma qualidade age em seu sujeito, visto que a ação de uma qualidade não se dá sem a ação do seu sujeito, e assim o sujeito agiria necessariamente sobre si mesmo. Ora, a graça age sobre a alma, justificando-a. Logo, a graça não é uma qualidade. Objeção 2: Demais, a substância é mais nobre do que a qualidade. Mas a graça é mais nobre do que a natureza da alma, pois por meio da graça podemos fazer muitas coisas a que a natureza não é capaz, como se disse acima (q. 109, aa. 1, 2, 3). Logo, a graça não é uma qualidade. Objeção 3: Demais, nenhuma qualidade permanece depois de ter cessado de estar em seu sujeito. Ora, a graça permanece; pois não é corrompida, porque assim seria reduzida a nada, já que foi criada do nada; donde é chamada "nova criatura" (Gl 6,15). Em contrário, sobre o Sl 103,15: "Para que lhe torne o rosto alegre com azeite", diz a glosa: "A graça é uma certa beleza da alma, que conquista o amor divino." Ora, a beleza da alma é uma qualidade, como também a beleza do corpo. Logo, a graça é uma qualidade. Respondo que, como se disse acima (a. 1), entende-se haver um efeito da vontade gratuita de Deus em todo aquele que se diz ter a graça de Deus. Ora, foi dito (q. 109, a. 1) que o homem é ajudado pela vontade gratuita de Deus de duas maneiras: primeiro, enquanto a alma do homem é movida por Deus para conhecer, querer ou fazer algo; e deste modo o efeito gratuito no homem não é uma qualidade, mas um movimento da alma, pois "o movimento é o ato do motor no movido". Segundo, o homem é ajudado pela vontade gratuita de Deus enquanto um dom habitual é infundido por Deus na alma; e isto por esta razão: não convém que Deus, para aqueles que ama, a fim de que alcancem o bem sobrenatural, providencie menos do que para as criaturas que ama, para que alcancem o bem natural. Ora, Ele provê de tal modo às criaturas naturais, que não somente as move para os seus atos naturais, mas também lhes confere certas formas e potências, que são os princípios dos atos, para que elas mesmas se inclinem por si mesmas a esses movimentos; e assim os movimentos pelos quais são movidas por Deus se tornam naturais e fáceis às criaturas, conforme Sb 8,1: "Ela... tudo dispõe suavemente." Muito mais, portanto, infunde Ele naqueles que move para a aquisição do bem sobrenatural certas formas ou qualidades sobrenaturais, pelas quais possam ser movidos por Ele suave e prontamente para adquirir o bem eterno; e assim o dom da graça é uma qualidade. Resposta à Objeção 1: A graça, como qualidade, diz-se que age sobre a alma, não à maneira de causa eficiente, mas à maneira de causa formal, como a brancura torna branca uma coisa, e a justiça, justa. Resposta à Objeção 2: Toda substância é ou a natureza da coisa da qual é substância, ou uma parte da natureza, como a matéria e a forma são chamadas substância. E porque a graça está acima da natureza humana, não pode ser substância nem forma substancial, mas é uma forma acidental da alma. Ora, o que é substancialmente em Deus torna-se acidental na alma que participa da bondade divina, como é claro no caso do conhecimento. E assim, porque a alma participa imperfeitamente da bondade divina, a participação da bondade divina, que é a graça, tem o seu ser na alma de um modo menos perfeito do que a alma subsiste em si mesma. Contudo, enquanto expressão ou participação da bondade divina, é mais nobre do que a natureza da alma, embora não pelo seu modo de ser. Resposta à Objeção 3: Como Boécio (Pseudo-Beda, Sent. Phil. ex Artist.) diz, "o ser de um acidente é inerir". Donde nenhum acidente se diz ente como se tivesse ser, mas porque por ele algo é; por isso diz-se que pertence a um ente antes do que ser um ente (Met. VII, text. 2). E porque vir a ser e ser corrompido pertencem ao que é, propriamente falando, nenhum acidente vem a ser ou se corrompe, mas diz-se vir a ser e corromper-se enquanto o seu sujeito começa ou cessa de estar em ato com esse acidente. E assim a graça se diz criada enquanto os homens são criados com referência a ela, isto é, recebem um novo ser do nada, i.e., não dos merecimentos, conforme Ef 2,10: "criados em Jesus Cristo para as boas obras."

Summa Theologiae — First Part of the Second Part · Article. 2 - Whether grace is a quality of the soul? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

Excerto de Tomás de Aquino, Suma Teológica — Primeira Parte da Segunda Parte, sobre o Artigo 2 — Se alguma preparação e disposição para a graça é exigida da parte do homem. Objeção 1: Parece que nenhuma preparação ou disposição para a graça se requer da parte do homem, pois, como diz o Apóstolo (Rom. 4,4): «Ao que trabalha, o salário não se lhe conta como graça, mas como dívida». Ora, a preparação do homem pelo livre-arbítrio só pode ser mediante alguma operação. Logo, isso anularia a noção de graça. Objeção 2: Além disso, quem persevera no pecado não se prepara para ter a graça. Mas a alguns que perseveram no pecado é dada a graça, como é claro no caso de Paulo, que recebeu a graça enquanto «respirava ameaças e mortes contra os discípulos do Senhor» (At 9,1). Logo, nenhuma preparação para a graça se requer da parte do homem. Objeção 3: Além disso, um agente de potência infinita não necessita de disposição na matéria, pois nem sequer requer matéria, como se vê na criação, com a qual a graça é comparada, sendo chamada «nova criatura» (Gl 6,15). Ora, só Deus, que tem potência infinita, causa a graça, como foi dito acima (A[1]). Logo, nenhuma preparação se requer da parte do homem para obter a graça. Ao contrário, está escrito (Amós 4,12): «Prepara-te, ó Israel, para te encontrares com o teu Deus»; e (1 Reis 7,3): «Preparai os vossos corações ao Senhor». Respondo que, como foi dito acima (Q[111], A[2]), a graça se toma de dois modos: primeiro, como dom habitual de Deus. Segundo, como auxílio de Deus, que move a alma para o bem. Ora, tomando a graça no primeiro sentido, requer-se para ela uma certa preparação, pois a forma só pode estar na matéria disposta. Mas se falamos da graça como significando o auxílio de Deus para nos mover ao bem, nenhuma preparação se requer da parte do homem que, por assim dizer, antecipe o auxílio divino; pelo contrário, toda preparação no homem deve ser pelo auxílio de Deus que move a alma para o bem. E assim, até o bom movimento do livre-arbítrio, pelo qual alguém se prepara para receber o dom da graça, é um ato do livre-arbítrio movido por Deus. E por isso se diz que o homem se prepara a si mesmo, segundo Prov. 16,1: «Ao homem pertence preparar a alma»; contudo, é principalmente de Deus, que move o livre-arbítrio. Por isso se diz que a vontade do homem é preparada por Deus, e que os passos do homem são dirigidos por Deus. Resposta à Objeção 1: Uma certa preparação do homem para a graça é simultânea com a infusão da graça; e esta operação é meritória, não certamente da graça, que já é possuída — mas da glória, que ainda não é possuída. Mas há outra preparação imperfeita, que às vezes precede o dom da graça santificante, e contudo é do movimento de Deus. Mas ela não basta para o mérito, pois o homem ainda não é justificado pela graça, e o mérito só pode provir da graça, como se verá adiante (Q[114], A[2]). Resposta à Objeção 2: Visto que o homem não pode preparar-se para a graça a menos que Deus o previna e mova para o bem, não importa se alguém chega à preparação perfeita instantaneamente, ou passo a passo. Pois está escrito (Eclo 11,23): «Fácil é aos olhos de Deus enriquecer de repente o pobre». Ora, às vezes acontece que Deus move o homem para o bem, mas não para o bem perfeito, e esta preparação precede a graça. Mas outras vezes move-o súbita e perfeitamente para o bem, e o homem recebe a graça subitamente, segundo Jo 6,45: «Todo aquele que ouviu do Pai e aprendeu, vem a mim». E assim aconteceu com Paulo: pois, estando ele no meio do pecado, subitamente o seu coração foi perfeitamente movido por Deus para ouvir, aprender, vir; e por isso recebeu a graça subitamente. Resposta à Objeção 3: Um agente de potência infinita não necessita de matéria ou disposição da matéria, produzida pela ação de outra coisa; e contudo, considerando a condição da coisa causada, deve causar, na coisa causada, tanto a matéria como a devida disposição para a forma. Assim também, quando Deus infunde a graça numa alma, não se requer nenhuma preparação que Ele mesmo não produza.

Summa Theologiae — First Part of the Second Part · Article. 2 - Whether any preparation and disposition for grace is required on man's part? · séc. XIII

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Gl 6, 15 nos Padres da Igreja | Aurea