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Gn 2, 24

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Matos Soares

24Por isso deixará o homem seu pai e a sua mãe, e se unirá a sua mulher, e os dois serão uma só carne.

Matos Soares · domínio público

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Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1:** Pareceria que não é necessário para a salvação de todos que creiam explicitamente no mistério de Cristo. Pois o homem não está obrigado a crer explicitamente naquilo que os anjos ignoram, visto que o desenvolvimento da fé resulta da revelação divina, a qual chega ao homem por meio dos anjos, como foi dito acima (A[6]; FP, Q[111], A[1]). Ora, também os anjos ignoravam o mistério da Encarnação; por isso, segundo o comentário de Dionísio (Coel. Hier. vii), são eles que perguntam (Sl 23,8): «Quem é este Rei da glória?» e (Is 63,1): «Quem é este que vem de Edom?». Logo, os homens não estavam obrigados a crer explicitamente no mistério da Encarnação de Cristo. **Objeção 2:** Ademais, é evidente que João Batista era um dos doutores e o mais próximo de Cristo, do qual Ele disse (Mt 11,11) que «entre os nascidos de mulher não surgiu maior do que ele». Ora, João Batista não parece ter conhecido explicitamente o mistério de Cristo, pois perguntou a Cristo (Mt 11,3): «És Tu Aquele que hás de vir, ou esperamos nós outro?». Portanto, nem mesmo os doutores estavam obrigados a uma fé explícita em Cristo. **Objeção 3:** Ademais, muitos gentios obtiveram a salvação por ministério dos anjos, como afirma Dionísio (Coel. Hier. ix). Ora, parece que os gentios não tiveram fé explícita nem implícita em Cristo, pois não receberam revelação alguma. Logo, parece que não era necessário para a salvação de todos crer explicitamente no mistério de Cristo. **Em contrário,** Agostinho diz (De Corr. et Gratia vii; Ep. cxc): «A nossa fé é sã se cremos que nenhum homem, velho ou jovem, é livrado do contágio da morte e dos laços do pecado, senão pelo único Mediador de Deus e dos homens, Jesus Cristo.» **Respondo que,** como foi dito acima (A[5]; Q[1], A[8]), o objeto da fé inclui, própria e diretamente, aquilo mediante o qual o homem obtém a beatitude. Ora, o mistério da Encarnação e Paixão de Cristo é o caminho pelo qual os homens obtêm a beatitude; pois está escrito (At 4,12): «Não há outro nome debaixo do céu dado aos homens, pelo qual devamos ser salvos.» Portanto, a crença de algum modo no mistério da Encarnação de Cristo foi necessária em todos os tempos e para todas as pessoas, mas essa crença diferiu segundo a diferença dos tempos e das pessoas. A razão disto é que, antes do estado de pecado, o homem cria explicitamente na Encarnação de Cristo, enquanto ordenada para a consumação da glória, mas não enquanto ordenada a livrar o homem do pecado pela Paixão e Ressurreição, pois o homem não tinha presciência do seu futuro pecado. Todavia, parece que ele teve presciência da Encarnação de Cristo, pelo fato de ter dito (Gn 2,24): «Por isso deixará o homem pai e mãe, e se unirá à sua mulher», do qual diz o Apóstolo (Ef 5,32) que «este é um grande sacramento [...] em Cristo e na Igreja», e é incrível que o primeiro homem ignorasse este sacramento. Mas depois do pecado, o homem creu explicitamente em Cristo, não só quanto à Encarnação, mas também quanto à Paixão e Ressurreição, pelas quais o gênero humano é livrado do pecado e da morte; do contrário, não teriam prefigurado a Paixão de Cristo mediante certos sacrifícios, tanto antes como depois da Lei, cujo significado era conhecido explicitamente pelos doutos, enquanto os simples, sob o véu daqueles sacrifícios, criam que eles eram ordenados por Deus em referência à vinda de Cristo, e assim o seu conhecimento estava, por assim dizer, coberto com um véu. E, como foi dito acima (Q[1], A[7]), quanto mais próximos estavam de Cristo, mais distinto era o seu conhecimento dos mistérios de Cristo. Depois que a graça foi revelada, tanto os doutos como os simples estão obrigados a uma fé explícita nos mistérios de Cristo, principalmente quanto àqueles que são observados em toda a Igreja e publicamente proclamados, tais como os artigos referentes à Encarnação, dos quais falamos acima (Q[1], A[8]). Quanto a outros pontos mais minuciosos referentes aos artigos da Encarnação, os homens estiveram obrigados a crê-los mais ou menos explicitamente, segundo o estado e o cargo de cada um. **Resposta à Objeção 1:** O mistério do Reino de Deus não estava inteiramente oculto aos anjos, como observa Agostinho (Gen. ad lit. v, 19); contudo, certos aspectos dele lhes foram mais conhecidos quando Cristo lhos revelou. **Resposta à Objeção 2:** Não foi por ignorância que João Batista indagou acerca da vinda de Cristo na carne, pois já tinha professado claramente a sua crença nela, dizendo: «Eu vi e dei testemunho de que este é o Filho de Deus» (Jo 1,34). Por isso não disse: «És Tu Aquele que veio?», mas «És Tu Aquele que hás de vir?», falando assim do futuro, não do passado. Da mesma forma, não se deve crer que ele ignorasse a futura Paixão de Cristo, pois já dissera (Jo 1,29): «Eis o Cordeiro de Deus, eis Aquele que tira o pecado [Vulg.: 'pecados'] do mundo», predizendo assim a sua futura imolação; e, como os outros profetas a tinham predito, vê-se especialmente em Isaías 53. Podemos, portanto, dizer com Gregório (Hom. xxvi in Evang.) que fez esta pergunta estando na ignorância quanto a se Cristo desceria ao inferno em sua própria Pessoa. Mas ele não ignorava que o poder da Paixão de Cristo se estenderia àqueles que estavam detidos no Limbo, conforme Zacarias 9,11: «Tu também, pelo sangue do teu testamento, enviaste os teus presos para fora do poço em que não há água»; nem estava obrigado a crer explicitamente, antes do seu cumprimento, que Cristo havia de descer ali em pessoa. Pode-se também responder que, como observa Ambrósio no seu comentário a Lc 7,19, fez esta pergunta, não por dúvida ou ignorância, mas por devoção; ou ainda, com Crisóstomo (Hom. xxxvi in Matth.), que perguntou, não como ignorante ele mesmo, mas porque desejava que os seus discípulos ficassem satisfeitos quanto a esse ponto, por meio de Cristo; por isso, este formulou a sua resposta de modo a instruir os discípulos, apontando os sinais das suas obras. **Resposta à Objeção 3:** Muitos dos gentios receberam revelações de Cristo, como se vê claramente pelas suas predições. Assim lemos (Jó 19,25): «Eu sei que o meu Redentor vive.» Também a Sibila predisse algumas coisas acerca de Cristo, como afirma Agostinho (Contra Faust. xiii, 15). Além disso, lê-se na história dos Romanos que, no tempo de Constantino Augusto e de sua mãe Irene, foi descoberto um sepulcro, onde jazia um homem, sobre cujo peito havia uma lâmina de ouro com a inscrição: «Cristo nascerá de uma virgem, e nEle creio. Ó sol, durante a vida de Irene e Constantino, tu me verás de novo» [*Cf. Baron, Annal. A.D. 780]. Se, porém, alguns se salvaram sem receber revelação alguma, não se salvaram sem fé num Mediador; pois, embora não cressem nEle explicitamente, tinham, contudo, fé implícita, crendo na divina providência, visto que criam que Deus livraria o gênero humano de qualquer modo que Lhe aprouvesse, e segundo a revelação do Espírito àqueles que conheciam a verdade, como está dito em Jó 35,11: «Quem nos ensina mais do que os animais da terra.»

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 7 - Whether it is necessary for the salvation of all, that they should believe explicitly in the mystery of Christ? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

Artigo 11 — Se o homem deve amar mais a sua esposa do que o pai e a mãe? Objecção 1: Parece que o homem deve amar mais a sua esposa do que o pai e a mãe. Pois ninguém deixa uma coisa por outra senão porque ama mais esta última. Ora está escrito (Gn 2,24) que «o homem deixará o pai e a mãe» por causa da sua esposa. Logo, o homem deve amar mais a sua esposa do que o pai e a mãe. Objecção 2: Além disso, o Apóstolo diz (Ef 5,33) que o marido deve «amar a sua esposa como a si mesmo». Ora o homem deve amar-se mais a si mesmo do que a seus pais. Logo, deve amar também mais a sua esposa do que a seus pais. Objecção 2: Além disso, o amor deve ser maior onde há mais razões para amar. Ora há mais razões para o amor na amizade do homem para com a sua esposa. Pois o Filósofo diz (Ética VIII, 12) que «nesta amizade há os motivos da utilidade, do prazer e também da virtude, se marido e esposa são virtuosos». Logo, o amor do homem pela sua esposa deve ser maior do que o amor pelos seus pais. Em contrário, Segundo Ef 5,28, «os homens devem amar as suas esposas como os seus próprios corpos». Ora o homem deve amar menos o seu corpo do que o próximo, como foi dito acima (A[5]): e entre os próximos deve amar mais os seus pais. Logo, deve amar mais os seus pais do que a sua esposa. Respondo: Como foi dito acima (A[9]), os graus de amor podem ser tomados a partir do bem (que é amado), ou da união entre os que amam. Da parte do bem que é o objecto amado, o homem deve amar mais os seus pais do que a sua esposa, porque os ama como seus princípios e considerados como um bem mais excelente. Mas da parte da união, a esposa deve ser mais amada, porque está unida ao marido como uma só carne, segundo Mt 19,6: «Portanto, já não são dois, mas uma só carne». Consequentemente, o homem ama a sua esposa mais intensamente, mas os seus pais com maior reverência. Resposta à Objecção 1: O homem não deixa o pai e a mãe em todos os aspectos por causa da sua esposa: pois em certos casos o homem deve socorrer os seus pais antes que a sua esposa. Contudo, deixa todos os seus parentes e apega-se à sua esposa quanto à união de conexão carnal e coabitação. Resposta à Objecção 2: As palavras do Apóstolo não significam que o homem deve amar a sua esposa igualmente a si mesmo, mas que o amor do homem por si mesmo é a razão do seu amor pela sua esposa, visto que ela é uma com ele. Resposta à Objecção 3: Há também várias razões para o amor do homem pelo seu pai; e estas, sob certo aspecto, isto é, quanto ao bem, são mais ponderosas do que aquelas pelas quais o homem ama a sua esposa; embora estas superem aquelas quanto à proximidade da união. Quanto ao argumento em sentido contrário, deve-se observar que nas palavras citadas a partícula «como» denota não igualdade de amor, mas o motivo do amor. Pois a principal razão pela qual o homem ama a sua esposa é ela estar unida a ele na carne.

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 11 - Whether a man ought to love his wife more than his father and mother? · séc. XIII

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Gn 2, 24 nos Padres da Igreja | Aurea