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Gn 3, 16

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Matos Soares

16Disse também à mulher: multiplicarei os teus trabalhos, e (especialmente os de) teus partos. Darás à luz com dor os filhos, e desejarás com ardor a teu marido, que te dominará.

Matos Soares · domínio público

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que a Anunciação não devia ter sido feita por um anjo à bem-aventurada Virgem. Porque as revelações aos mais altos anjos são feitas imediatamente por Deus, como diz Dionísio (Hier. Cel. vii). Ora, a Mãe de Deus é exaltada acima de todos os anjos. Logo, parece que o mistério da Encarnação lhe devia ter sido anunciado imediatamente por Deus, e não por um anjo. Objeção 2: Além disso, se neste assunto convinha observar a ordem comum, pela qual as coisas divinas são anunciadas aos homens pelos anjos; da mesma forma, as coisas divinas são anunciadas à mulher pelo homem: por isso o Apóstolo diz (1 Cor 14,34-35): «As mulheres estejam caladas nas igrejas… mas se quiserem aprender alguma coisa, perguntem em casa a seus maridos.» Logo, parece que o mistério da Encarnação devia ter sido anunciado à bem-aventurada Virgem por algum homem: especialmente porque José, seu esposo, foi instruído sobre isso por um anjo, como se narra (Mt 1,20-21). Objeção 3: Demais, ninguém pode anunciar convenientemente o que não sabe. Ora, os mais altos anjos não conheciam plenamente o mistério da Encarnação: por isso Dionísio diz (Hier. Cel. vii) que a pergunta: «Quem é este que vem de Edom?» (Is 63,1) deve ser entendida como feita por eles. Logo, parece que o anúncio da Encarnação não podia ser feito convenientemente por nenhum anjo. Objeção 4: Ademais, coisas maiores devem ser anunciadas por mensageiros de maior dignidade. Ora, o mistério da Encarnação é o maior de todos os anunciados pelos anjos aos homens. Parece, portanto, que se convinha ser anunciado por algum anjo, isso devia ter sido feito por um anjo da mais alta ordem. Mas Gabriel não é da mais alta ordem, e sim da ordem dos arcanjos, que é a penúltima: por isso a Igreja canta: «Sabemos que o arcanjo Gabriel te trouxe uma mensagem de Deus» [*Festa da Purificação B.V.M. ix Resp. Brev. O.P.]. Logo, este anúncio não foi feito convenientemente pelo arcanjo Gabriel. Em contrário, está escrito (Lc 1,26): «Foi enviado por Deus o anjo Gabriel», etc. Respondo que convinha que o mistério da Encarnação fosse anunciado à Mãe de Deus por um anjo, por três razões. Primeiro, para que também nisto se mantivesse a ordem estabelecida por Deus, pela qual as coisas divinas são transmitidas aos homens por meio dos anjos. Por isso Dionísio diz (Hier. Cel. iv) que «os anjos foram os primeiros a ser ensinados acerca do divino mistério da benignidade de Jesus; depois, a graça do conhecimento nos foi comunicada por meio deles. Assim, pois, o mais divino Gabriel deu a conhecer a Zacarias que lhe nasceria um filho profeta; e a Maria, como se realizaria nela o divino mistério da inefável conceição de Deus.» Segundo, isto era conveniente à restauração da natureza humana que havia de ser efetuada por Cristo. Por isso Beda diz numa homilia (in Annunt.): «Foi um início adequado da restauração do homem que um anjo fosse enviado por Deus à Virgem que havia de ser santificada pelo Nascimento Divino: pois a primeira causa da ruína do homem foi o ter sido enviada a serpente pelo diabo para enganar a mulher com o espírito de soberba.» Terceiro, porque isto era conveniente à virgindade da Mãe de Deus. Por isso Jerônimo diz num sermão sobre a Assunção [*Atribuído a S. Jerônimo, mas não é sua obra]: «Está bem que um anjo seja enviado à Virgem; porque a virgindade é sempre afim da natureza angélica. Pois viver na carne e não segundo a carne não é vida terrena, mas celeste.» Resposta à objeção 1: A Mãe de Deus estava acima dos anjos quanto à dignidade para a qual foi escolhida por Deus. Mas quanto ao estado presente da vida, estava abaixo dos anjos. Pois o próprio Cristo, por causa da sua vida passível, «foi feito um pouco menor que os anjos», conforme Hb 2,9. Mas porque Cristo era ao mesmo tempo viandante e compreensor, não necessitava ser instruído pelos anjos quanto ao conhecimento das coisas divinas. A Mãe de Deus, porém, ainda não estava no estado de compreensão: e portanto devia ser instruída pelos anjos acerca da Conceição Divina. Resposta à objeção 2: Como diz Agostinho num sermão sobre a Assunção (De Assump. B.V.M. [*Obra de outro autor: entre as obras de S. Agostinho]), uma verdadeira estima da bem-aventurada Virgem a exclui de certas regras gerais. Pois «nem ela 'multiplicou as suas conceições', nem estava 'sujeita ao poder do homem, isto é, do seu marido' (Gn 3,16), ela que no seu imaculado ventre concebeu a Cristo do Espírito Santo.» Portanto, convinha que fosse informada do mistério da Encarnação não por meio de um homem, mas de um anjo. Por esta razão, foi-lhe anunciado antes de José: pois a mensagem foi-lhe trazida antes de conceber, mas a José depois de ela ter concebido. Resposta à objeção 3: Como se pode deduzir da passagem citada de Dionísio, os anjos conheciam o mistério da Encarnação; e todavia fizeram esta pergunta, desejando que Cristo lhes desse um conhecimento mais perfeito dos pormenores deste mistério, que são incompreensíveis a todo o intelecto criado. Assim Máximo [*Máximo de Constantinopla] diz que «não há dúvida de que os anjos sabiam que a Encarnação havia de ter lugar. Mas não lhes foi dado perscrutar o modo da conceição do Senhor, nem como Ele permaneceu inteiro no Pai, inteiro em todo o universo, e inteiro no estreito recinto da Virgem.» Resposta à objeção 4: Alguns dizem que Gabriel era da mais alta ordem; porque Gregório diz (Hom. de Centum Ovibus [*34 in Evang.]): «Convinha que viesse um dos mais altos anjos, porque a sua mensagem era a mais sublime.» Mas isto não implica que ele fosse da mais alta ordem de todas, mas em relação aos anjos: pois ele era um arcanjo. Assim a Igreja o chama arcanjo, e o próprio Gregório numa homilia (De Centum Ovibus 34) diz que «são chamados arcanjos aqueles que anunciam coisas sublimes.» É, portanto, suficientemente crível que ele fosse o mais alto dos arcanjos. E, como diz Gregório (De Centum Ovibus 34), este nome concorda com o seu ofício: pois «Gabriel significa 'Força de Deus.'» Esta mensagem, portanto, foi convenientemente trazida pela «Força de Deus», porque o Senhor dos exércitos e poderoso na batalha vinha para vencer os poderes do ar.

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 2 - Whether the annunciation should have been made by an angel to the Blessed Virgin? · séc. XIII

tradução automática

Santo Thomas Aquinas

**Objecto 1:** Parece que quem está sob o poder de outrem pode dar esmola. Pois os religiosos estão sob o poder dos seus prelados, a quem prometeram obediência. Ora, se lhes fosse ilícito dar esmola, perderiam ao entrar no estado religioso, porque, como diz Ambrósio [*A citação é das obras do Ambrósio. Cf. Índice das autoridades eclesiásticas citadas por S. Tomás] sobre I Tim. 4,8: «A piedade [Douay: «devoção»] é proveitosa para todas as coisas: a suma total da religião cristã consiste em cumprir o dever para com todos», e o modo mais digno de crédito de o fazer é dar esmola. Logo, aqueles que estão sob o poder de outrem podem dar esmola. **Objecto 2:** Além disso, a mulher está sob o poder do marido (Gn. 3,16). Ora, uma mulher pode dar esmola, pois é companheira do marido; donde se conta da Bem-aventurada Luzia que deu esmola sem conhecimento do seu esposo [*«Sponsus» — As instituições matrimoniais dos Romanos eram tão inteiramente diferentes das nossas que «sponsus» já não é traduzido exactamente nem por «marido» nem por «noivo»]. Portanto, o facto de se estar sob o poder de outrem não impede de dar esmola. **Objecto 3:** Além disso, a sujeição dos filhos aos pais é fundada na natureza, donde o Apóstolo diz (Ef. 6,1): «Filhos, obedecei a vossos pais no Senhor.» Ora, ao que parece, os filhos podem dar esmola dos bens de seus pais. Pois é deles próprios, visto serem herdeiros; e, portanto, como podem empregá-los para algum uso corporal, parece que muito mais os podem usar dando esmola para proveito das suas almas. Logo, aqueles que estão sob o poder de outrem podem dar esmola. **Objecto 4:** Além disso, os servos estão sob o poder dos seus senhores, conforme Tito 2,9: «Exortai os servos a que sejam obedientes a seus senhores.» Ora, eles podem licitamente fazer qualquer coisa que aproveite aos seus senhores: e isto seria especialmente o caso se dessem esmola por eles. Logo, aqueles que estão sob o poder de outrem podem dar esmola. **Em contrário,** a esmola não deve ser dada dos bens alheios; e cada um deve dar esmola do justo lucro do seu próprio trabalho, como diz Agostinho (De Verb. Dom. XXXV, 2). Ora, se aqueles que estão sujeitos a alguém dessem esmola, seria dos bens alheios. Logo, aqueles que estão sob o poder de outrem não podem dar esmola. **Respondo** que todo aquele que está sob o poder de outrem deve, como tal, ser governado segundo o poder do seu superior; pois a ordem natural exige que o inferior seja governado segundo o seu superior. Portanto, naquelas matérias em que o inferior está sujeito ao seu superior, as suas ministrações devem estar sujeitas à permissão do superior. Por conseguinte, aquele que está sob o poder de outrem não deve dar esmola de qualquer coisa em que esteja sujeito a esse outro, a não ser na medida em que tiver sido mandado pelo seu superior. Mas se tiver alguma coisa em que não esteja sob o poder do seu superior, já não está sujeito a outrem no tocante a essa coisa, sendo independente quanto a essa coisa particular, e pode dar esmola dela. **Resposta ao Objecto 1:** Se um monge for dispensado por mandado do seu superior, pode dar esmola dos bens do seu mosteiro, conforme os termos do seu mandado; mas se não tiver tal dispensa, visto que nada tem de seu, não pode dar esmola sem a permissão do seu abade, quer expressa, quer presumida por alguma razão provável; excepto em caso de extrema necessidade, em que lhe seria lícito cometer um furto para dar esmola. Nem daí se segue que esteja pior do que antes, porque, como se diz em De Eccles. Dogm. LXXI, «é bom dar os seus bens aos pobres pouco a pouco, mas é melhor ainda dar tudo de uma vez para seguir a Cristo e, liberto de cuidados, ser pobre com Cristo.» **Resposta ao Objecto 2:** A mulher, que tem outros bens além do seu dote, que são para sustentar os encargos do matrimónio, quer esses bens sejam ganhos pela sua própria indústria, quer por qualquer outro meio lícito, pode dar esmola desses bens sem pedir licença ao marido; contudo, tais esmolas devem ser moderadas, para que, dando demasiado, não empobreça o marido. De outro modo, não deve dar esmola sem o consentimento expresso ou presumido do marido, excepto em casos de necessidade, como se disse, no caso de um monge, na Resposta precedente. Pois, embora a mulher seja igual ao marido no acto matrimonial, contudo, nas coisas da administração da casa, a cabeça da mulher é o homem, como diz o Apóstolo (I Cor. 11,3). Quanto à Bem-aventurada Luzia, tinha um noivo, não um marido; portanto, podia dar esmola com o consentimento da sua mãe. **Resposta ao Objecto 3:** O que pertence aos filhos pertence também ao pai; portanto, o filho não pode dar esmola, excepto em tão pequena quantidade que se possa presumir a vontade do pai; a menos que, por acaso, o pai autorize o filho a dispor de qualquer propriedade particular. O mesmo se aplica aos servos. Donde fica clara a Resposta ao Quarto Objecto.

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 8 - Whether one who is under another's power can give alms? · séc. XIII

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Gn 3, 16 nos Padres da Igreja | Aurea