Santo Agostinho
Ou; acrescenta-se: “Pelo Céu, etc.”, porque os judeus não se julgavam obrigados quando juravam por tais coisas. Como se dissesse: Quando jurais pelo Céu e pela Terra, não penseis que não deveis o vosso juramento ao Senhor vosso Deus, pois ficais provados a ter jurado por Aquele de quem o Céu é o trono e a Terra o escabelo de seus pés; o que não se diz como se Deus tivesse tais membros colocados sobre o Céu e a Terra, à maneira de um homem que está sentado; mas esse assento significa o juízo de Deus sobre nós. E, visto que em toda a extensão deste universo é o Céu que possui a mais alta beleza, diz-se que Deus está sentado sobre os Céus, como mostrando que o poder divino é mais excelente do que a mais excelsa demonstração de beleza; e diz-se que Ele está em pé sobre a Terra, como pondo ao mais baixo uso uma beleza menor. Espiritualmente, pelos Céus se designam as almas santas; pela Terra, as pecadoras, visto que “o homem espiritual julga todas as coisas” [1Cor 2,15]. Mas ao pecador é dito: “És terra, e à terra hás de tornar” [Gn 3,19]. E aquele que quer permanecer debaixo de uma lei é posto debaixo de uma lei; por isso acrescenta: “É o escabelo de seus pés. Nem por Jerusalém, porque é a cidade do Grande Rei”; isto é dito melhor do que ‘é minha’; embora se entenda significar o mesmo. E porque Ele é também verdadeiramente Senhor, quem jura por Jerusalém deve o seu juramento ao Senhor. “Nem pela tua cabeça.” Que poderia alguém considerar mais inteiramente sua própria propriedade do que a sua cabeça? Mas como é ela nossa, se não temos poder para fazer um cabelo branco ou preto? Quem jura, pois, pela sua própria cabeça, também deve os seus votos ao Senhor; e por isto se podem entender as demais coisas.
Serm. in Mont. · Serm. in Mont., i, 17 · séc. V
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