Referência

Gn 32, 30

Veja onde esta passagem aparece no corpus patrístico disponível.

Trechos nesta página

3

Comentários diretos

0

Autores distintos

1

Matos Soares

30Jacob pôs àquele lugar o nome de Fanuel, dizendo: Via Deus face a face, e a minha alma foi salva.

Matos Soares · domínio público

Levar para o chatEntre na conta para conversar com os Padres a partir deste versículo.
Dossiês doutrinaisQuando um versículo abre um tema maior, o próximo passo é seguir por um dossiê temático.

Comentário direto

0

Trechos em que os Padres comentam diretamente esta passagem ou o seu contexto imediato.

Nenhum comentário direto traduzido para este versículo. A Catena Aurea comenta diretamente os quatro Evangelhos; em outros livros, procure principalmente em citações internas.

Citações internas

3

Trechos em que este versículo aparece citado dentro de outro argumento patrístico.

Santo Thomas Aquinas

**Objecção 1:** Parece que se pode nesta vida ver a essência divina. Pois Jacó disse: «Vi a Deus face a face» (Gn 32,30). Mas vê-Lo face a face é ver a Sua essência, como se vê pelas palavras: «Vemos agora por espelho em enigma, mas então face a face» (1 Cor 13,12). **Objecção 2:** Demais, disse o Senhor a Moisés: «Falo com ele boca a boca, e claramente, e não por enigmas e figuras vê o Senhor» (Nm 12,8); ora, isto é ver a Deus em Sua essência. Logo, é possível ver a essência de Deus nesta vida. **Objecção 3:** Demais, aquilo em que conhecemos todas as outras coisas, e pelo qual julgamos das outras coisas, é conhecido em si mesmo por nós. Mas agora mesmo conhecemos todas as coisas em Deus; pois Agostinho diz (Confissões VIII): «Se nós ambos vemos que é verdade o que tu dizes, e ambos vemos que é verdade o que eu digo; onde, pergunto, vemos isto? nem eu em ti, nem tu em mim; mas ambos na própria incomutável verdade, que está acima das nossas mentes». E também diz (Da Verdadeira Religião XXX): «Nós julgamos de todas as coisas segundo a verdade divina»; e (Da Trindade XII): «É dever da razão julgar destas coisas corpóreas segundo as ideias incorpóreas e eternas; as quais, se não estivessem acima da mente, não poderiam ser incomutáveis». Portanto, mesmo nesta vida vemos o próprio Deus. **Objecção 4:** Demais, segundo Agostinho (Da Gênese à Letra XII, 24,25), as coisas que estão na alma por sua essência são vistas pela visão intelectual. Mas a visão intelectual é das coisas inteligíveis, não por semelhanças, mas pelas suas próprias essências, como também diz (Da Gênese à Letra XIII, 24,25). Logo, visto que Deus está em nossa alma por Sua essência, segue-se que Ele é visto por nós em Sua essência. **Em contrário,** está escrito: «O homem não Me verá, e viverá» (Ex 32,20); e uma glosa sobre isto diz: «Nesta vida mortal Deus pode ser visto por certas imagens, mas não pela própria semelhança de Sua natureza». **Respondo que:** Deus não pode ser visto em Sua essência por um mero ser humano, a menos que esteja separado desta vida mortal. A razão é porque, como foi dito acima (A[4]), o modo de conhecimento segue o modo da natureza do conhecedor. Ora, a nossa alma, enquanto vivemos nesta vida, tem seu ser na matéria corpórea; portanto, naturalmente conhece apenas o que tem forma na matéria, ou o que pode ser conhecido por tal forma. Ora, é evidente que a essência divina não pode ser conhecida através da natureza das coisas materiais. Pois foi mostrado acima (AA[2],9) que o conhecimento de Deus por meio de qualquer semelhança criada não é a visão de Sua essência. Logo, é impossível para a alma do homem nesta vida ver a essência de Deus. Isto pode ser visto no fato de que quanto mais a nossa alma é abstraída das coisas corpóreas, mais ela é capaz de receber coisas inteligíveis abstratas. Por isso, nos sonhos e nas alienações dos sentidos corporais, as revelações divinas e a presciência dos eventos futuros são percebidas mais claramente. Não é possível, portanto, que a alma nesta vida mortal seja elevada ao supremo dos objetos inteligíveis, i.e., à essência divina. **Resposta à Objecção 1:** Segundo Dionísio (Hier. Cel. IV), diz-se nas Escrituras que o homem vê a Deus no sentido de que certas figuras são formadas nos sentidos ou na imaginação, segundo alguma semelhança que representa em parte a divindade. Assim, quando Jacó diz: «Vi a Deus face a face», isto não significa a essência divina, mas alguma figura que representa a Deus. E isto deve ser referido a algum modo elevado de profecia, de modo que Deus parece falar, embora numa visão imaginária; como será explicado adiante (SS, Q[174]) ao tratar dos graus de profecia. Podemos também dizer que Jacó falou assim para designar alguma contemplação intelectual excelsa, acima do estado comum. **Resposta à Objecção 2:** Assim como Deus opera milagres nas coisas corpóreas, assim também faz maravilhas sobrenaturais acima da ordem comum, elevando as mentes de alguns, vivendo na carne, para além do uso dos sentidos, até mesmo à visão de Sua própria essência; como Agostinho diz (Da Gênese à Letra XII, 26,27,28) de Moisés, o mestre dos judeus; e de Paulo, o mestre dos gentios. Isto será tratado mais amplamente na questão do arrebatamento (SS, Q[175]). **Resposta à Objecção 3:** Todas as coisas se dizem vistas em Deus e todas as coisas são julgadas n'Ele, porque pela participação de Sua luz conhecemos e julgamos todas as coisas; pois a luz da própria razão natural é uma participação da luz divina; assim como também somos ditos ver e julgar das coisas sensíveis no sol, i.e., pela luz do sol. Donde Agostinho diz (Solilóquios I, 8): «As lições da instrução só podem ser vistas como que por seu próprio sol», a saber, Deus. Assim como, portanto, para ver um objeto sensível não é necessário ver a substância do sol, do mesmo modo, para ver qualquer objeto inteligível não é necessário ver a essência de Deus. **Resposta à Objecção 4:** A visão intelectual é das coisas que estão na alma por sua essência, assim como as coisas inteligíveis estão no intelecto. E assim Deus está nas almas dos bem-aventurados; não está assim em nossa alma, mas por presença, essência e poder.

Summa Theologiae — First Part · Article. 11 - Whether anyone in this life can see the essence of God? · séc. XIII

tradução automática

Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que, no estado presente de vida, a vida contemplativa pode alcançar a visão da essência divina. Pois, como se lê em Gn 32,30, Jacó disse: "Vi a Deus face a face, e a minha alma foi salva." Ora, a visão da face de Deus é a visão da essência divina. Logo, parece que, na vida presente, se pode chegar, por meio da contemplação, a ver a Deus na sua essência. Objeção 2: Ademais, Gregório diz (Moral. vi, 37) que "os homens contemplativos se retiram dentro de si mesmos para explorar as coisas espirituais, e nunca trazem consigo as sombras das coisas corpóreas, ou, se estas os seguem, prudentemente as afugentam: mas, desejosos de ver a luz incompreensível, suprimem todas as imagens da sua limitada compreensão, e, pelo anelo de alcançar o que está acima deles, vencem aquilo que são." Ora, o homem não é impedido de ver a essência divina, que é a luz incompreensível, senão pela necessidade de se voltar para os fantasmas corpóreos. Logo, parece que a contemplação da vida presente pode estender-se à visão da luz incompreensível na sua essência. Objeção 3: Ademais, Gregório diz (Dial. ii, 35): "Todas as criaturas são pequenas para a alma que vê o seu Criador: por isso, quando o homem de Deus", isto é, o bem-aventurado Bento, "viu um globo de fogo na torre e os anjos a voltarem para o céu, sem dúvida só podia ver tais coisas pela luz de Deus." Ora, o bem-aventurado Bento ainda estava nesta vida. Logo, a contemplação da vida presente pode estender-se à visão da essência de Deus. Em contrário, Gregório diz (Hom. xiv in Ezech.): "Enquanto vivemos nesta carne mortal, ninguém atinge tão alto grau de contemplação que fixe os olhos da sua mente no próprio raio da luz incompreensível." Respondo: Como diz Agostinho (Gen. ad lit. xii, 27), "ninguém que vê a Deus vive esta vida mortal, na qual os sentidos corporais exercem o seu ofício; e, a menos que de algum modo se aparte desta vida, seja saindo completamente do corpo, seja retirando-se dos seus sentidos carnais, não é arrebatado para aquela visão." Isto foi cuidadosamente discutido acima (Q[175], AA[4],5), onde falamos do arrebatamento, e na FP, Q[12], A[2], onde tratamos da visão de Deus. Por conseguinte, devemos afirmar que se pode estar nesta vida de dois modos. Primeiro, em ato, isto é, usando atualmente dos sentidos corporais, e, assim, a contemplação na vida presente de modo nenhum pode atingir a visão da essência de Deus. Segundo, pode-se estar nesta vida potencialmente e não em ato, isto é, quando a alma está unida ao corpo mortal como sua forma, mas de modo a não usar nem dos sentidos corporais, nem sequer da imaginação, como acontece no arrebatamento; e, deste modo, a contemplação da vida presente pode atingir a visão da essência divina. Consequentemente, o mais alto grau de contemplação na vida presente é o que Paulo teve no arrebatamento, pelo qual ele esteve num estado médio entre a vida presente e a vida futura. Resposta à Objeção 1: Como diz Dionísio (Ep. i ad Caium. Monach.), "se alguém, vendo a Deus, entendeu o que viu, não viu o próprio Deus, mas algo pertencente a Deus." E Gregório diz (Hom. xiv in Ezech.): "De modo nenhum é visto agora Deus na sua glória; mas a alma vê algo de grau inferior, e com isso é refrigida, para que depois possa alcançar a glória da visão." Por conseguinte, as palavras de Jacó, "Vi a Deus face a face", não implicam que ele visse a essência de Deus, mas que viu alguma figura [*Cf. FP, Q[12], A[11], ad 1], imaginária, sem dúvida, na qual Deus lhe falou. Ou, "visto que conhecemos um homem pelo seu rosto, pelo rosto de Deus ele significou o conhecimento que tinha dele", segundo uma glosa de Gregório sobre a mesma passagem. Resposta à Objeção 2: No estado presente de vida, a contemplação humana é impossível sem fantasmas, porque é conatural ao homem ver a espécie inteligível nos fantasmas, como afirma o Filósofo (De Anima iii, 7). Contudo, o conhecimento intelectual não consiste nos próprios fantasmas, mas em contemplar neles a pureza da verdade inteligível; e isto não só no conhecimento natural, mas também naquele que obtemos por revelação. Pois Dionísio diz (Coel. Hier. i) que "a glória divina nos mostra as hierarquias angélicas sob certas figuras simbólicas, e pelo seu poder somos reconduzidos ao único raio de luz", i.e., ao conhecimento simples da verdade inteligível. É neste sentido que devemos entender a afirmação de Gregório de que "os contemplativos não trazem consigo as sombras das coisas corpóreas", pois a sua contemplação não se fixa nelas, mas na consideração da verdade inteligível. Resposta à Objeção 3: Por estas palavras, Gregório não quer dizer que o bem-aventurado Bento, naquela visão, visse a Deus na sua essência, mas quer mostrar que, porque "todas as criaturas são pequenas para quem vê a Deus", segue-se que todas as coisas podem ser facilmente vistas pela iluminação da luz divina. Por isso, ele acrescenta: "Por pouco que veja da luz do Criador, todas as coisas criadas se tornam pequenas para ele."

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 5 - Whether in the present state of life the contemplative life can reach to the vision of the Divine essence? · séc. XIII

tradução automática

Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1:** Parece que não há deleite na contemplação. Pois o deleite pertence à potência apetitiva; ao passo que a contemplação reside principalmente no intelecto. Portanto, parece que não há deleite na contemplação. **Objeção 2:** Ademais, toda contenda e luta é um obstáculo ao deleite. Ora, há contenda e luta na contemplação. Pois Gregório diz (Hom. xiv in Ezech.): «Quando a alma se esforça por contemplar a Deus, está em estado de luta; ora quase vence, porque, entendendo e sentindo, saboreia algo da luz incompreensível; ora quase sucumbe, porque, mesmo saboreando, falha.» Logo, não há deleite na contemplação. **Objeção 3:** Ademais, o deleite é resultado de uma operação perfeita, como se diz na Ética (x, 4). Ora, a contemplação dos viadores é imperfeita, segundo 1 Cor 13,12: «Vemos agora por espelho em enigma.» Portanto, parece que não há deleite na vida contemplativa. **Objeção 4:** Ademais, uma lesão do corpo é um obstáculo ao deleite. Ora, a contemplação causa uma lesão do corpo; donde se lê (Gn 32) que, depois de Jacó ter dito (Gn 32,30): «Vi a Deus face a face» ..., «coxeava do pé» (Gn 32,31) ..., «porque havia tocado o nervo da coxa de Jacó, e este se ressecou» (Gn 32,32). Logo, parece que não há deleite na contemplação. **Pelo contrário,** está escrito a respeito da contemplação da sabedoria (Sb 8,16): «Sua conversação não tem amargura, nem sua companhia tédio, mas alegria e gozo»; e Gregório diz (Hom. xiv in Ezech.): «A vida contemplativa é uma doçura excessivamente amável.» **Responde-se que** pode haver deleite em qualquer contemplação particular de dois modos. Primeiro, pela própria operação [*Cf. I-II, q. 3, a. 5], porque cada um se deleita na operação que lhe convém segundo a sua própria natureza ou hábito. Ora, a contemplação da verdade convém ao homem segundo a sua natureza de animal racional; donde resulta que «todos os homens desejam naturalmente saber», e, consequentemente, se deleitam no conhecimento da verdade. E ainda mais deleitável se torna isso para aquele que possui o hábito da sabedoria e do conhecimento, do que resulta que contempla sem dificuldade. Segundo, a contemplação pode ser deleitável por parte do seu objeto, na medida em que se contempla aquilo que se ama; assim como a visão corporal dá prazer, não apenas porque ver é em si prazeroso, mas porque se vê uma pessoa que se ama. Portanto, já que a vida contemplativa consiste principalmente na contemplação de Deus, da qual a caridade é o motivo, como se disse acima (aa. 1-2, ad 1), segue-se que há deleite na vida contemplativa, não só pela própria contemplação, mas também pelo amor divino. Em ambos os aspectos, o deleite dela supera todo deleite humano, tanto porque o deleite espiritual é maior que o prazer carnal, como se disse acima (I-II, q. 31, a. 5), quando tratávamos das paixões, quanto porque o amor pelo qual Deus é amado com caridade supera todo amor. Por isso está escrito (Sl 33,9): «Gostai, e vede que o Senhor é suave.» **Quanto ao primeiro argumento:** Embora a vida contemplativa consista principalmente num ato do intelecto, ela tem seu início no apetite, pois é pela caridade que se é impelido à contemplação de Deus. E como o fim corresponde ao início, segue-se que também o termo e o fim da vida contemplativa tem seu ser no apetite, pois alguém se deleita em ver o objeto amado, e o próprio deleite no objeto visto suscita um amor ainda maior. Donde Gregório diz (Hom. xiv in Ezech.): «Quando vemos aquele que amamos, somos tão inflamados que o amamos mais.» E esta é a perfeição última da vida contemplativa: que a verdade divina não seja apenas vista, mas também amada. **Quanto ao segundo argumento:** A contenda ou luta proveniente da oposição de uma coisa externa impede o deleite nessa coisa. Pois o homem não se deleita naquilo contra o que luta, mas naquilo pelo que luta; quando o obtém, em igualdade de condições, deleita-se ainda mais; donde Agostinho diz (Confissões, viii, 3): «Quanto maior o perigo na batalha, maior a alegria no triunfo.» Ora, não há contenda ou luta na contemplação por parte da verdade que contemplamos, embora haja por parte do nosso entendimento defeituoso e do nosso corpo corruptível, que nos arrasta para as coisas inferiores, segundo Sb 9,15: «O corpo corruptível é um peso para a alma, e a morada terrena oprime o espírito que medita em muitas coisas.» Por isso, quando o homem atinge a contemplação da verdade, ama-a ainda mais, enquanto odeia mais a sua própria deficiência e o peso do seu corpo corruptível, a ponto de dizer com o Apóstolo (Rm 7,24): «Mísero homem que sou, quem me livrará do corpo desta morte?» Donde Gregório diz (Hom. xiv in Ezech.): «Quando Deus é uma vez conhecido pelo desejo e pelo entendimento, seca em nós todo prazer carnal.» **Quanto ao terceiro argumento:** A contemplação de Deus nesta vida é imperfeita em comparação com a contemplação no céu; e de modo semelhante, o deleite da contemplação do viador é imperfeito em comparação com o deleite da contemplação no céu, do qual está escrito (Sl 35,9): «Os fartarás da torrente de tuas delícias.» Contudo, embora a contemplação das coisas divinas que se pode ter nesta vida de viadores seja imperfeita, ela é mais deleitável do que toda outra contemplação, ainda que perfeita, por causa da excelência daquilo que é contemplado. Por isso o Filósofo diz (De Part. Animal. i, 5): «Pode acontecer que tenhamos nossas próprias pequenas teorias sobre esses seres sublimes e substâncias divinas, e, embora as apreendamos fracamente, contudo, tão elevado é o conhecimento que elas nos dão, que nos proporcionam mais deleite do que qualquer uma das coisas que estão ao nosso redor.» E Gregório diz no mesmo sentido (Hom. xiv in Ezech.): «A vida contemplativa é uma doçura excessivamente amável; pois arrebata a alma para acima de si mesma, abre o céu e descobre o mundo espiritual aos olhos da mente.» **Quanto ao quarto argumento:** Após a contemplação, Jacó coxeava de um pé, «porque precisamos nos tornar fracos no amor do mundo antes de nos fortalecermos no amor de Deus», como diz Gregório (Hom. xiv in Ezech.). «Assim, quando conhecemos a doçura de Deus, temos um pé são enquanto o outro coxeia; pois todo aquele que coxeia de um pé apoia-se apenas naquele pé que é são.»

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 7 - Whether there is delight in contemplation? · séc. XIII

tradução automática
Gn 32, 30 nos Padres da Igreja | Aurea