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Hb 10, 19

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Matos Soares

19Portanto, irmãos, tendo nós confiança de entrar no santuário (no céu) pelo sangue de Cristo,

Matos Soares · domínio público

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Citações internas

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Santo Thomas Aquinas

**Objecção 1:** Parece que Cristo não foi Ele próprio, simultaneamente, sacerdote e vítima. Porque é ofício do sacerdote imolar a vítima. Ora, Cristo não se matou a Si mesmo. Logo, não foi, simultaneamente, sacerdote e vítima. **Objecção 2:** Além disso, o sacerdócio de Cristo tem maior semelhança com o sacerdócio judaico, instituído por Deus, do que com o sacerdócio dos gentios, pelo qual os demónios eram adorados. Ora, na Lei antiga nunca o homem era oferecido em sacrifício; pelo contrário, isto era muito repreensível nos sacrifícios dos gentios, conforme o Salmo 105, 38: «Derramaram o sangue inocente, o sangue de seus filhos e de suas filhas, que sacrificaram aos ídolos de Canaan.» Logo, no sacerdócio de Cristo, o Homem Cristo não deveria ter sido a vítima. **Objecção 3:** Além disso, toda a vítima, por ser oferecida a Deus, é consagrada a Deus. Ora, a humanidade de Cristo desde o princípio foi consagrada e unida a Deus. Logo, não se pode dizer convenientemente que Cristo, como homem, foi uma vítima. **Em contrário,** o Apóstolo diz (Efésios 5, 2): «Cristo nos amou e se entregou a Si mesmo por nós, como oblação e vítima [sacrifício] a Deus em odor de suavidade.» **Respondo:** Como diz Agostinho (Cidade de Deus, X, 5): «Todo o sacrifício visível é um sacramento, isto é, um sinal sagrado, do sacrifício invisível.» Ora, o sacrifício invisível é aquele pelo qual o homem oferece o seu espírito a Deus, segundo o Salmo 50, 19: «Sacrifício a Deus é um espírito contrito.» Por onde, tudo o que é oferecido a Deus para elevar o espírito do homem a Ele pode chamar-se sacrifício. O homem é obrigado a oferecer sacrifício por três razões. Primeira, para remissão dos pecados, pelos quais se afasta de Deus. Daí o Apóstolo dizer (Hebreus 5, 1) que pertence ao sacerdote «oferecer dons e sacrifícios pelos pecados». Segunda, para que o homem seja conservado em estado de graça, aderindo sempre a Deus, no qual consistem a sua paz e salvação. Por isso na Lei antiga se oferecia o sacrifício pacífico pela salvação dos ofertantes, como se prescreve no terceiro capítulo do Levítico. Terceira, para que o espírito do homem se una perfeitamente a Deus; o que se realizará perfeitissimamente na glória. Por isso, na Lei antiga, se oferecia o holocausto, assim chamado porque a vítima era totalmente queimada, como se lê no primeiro capítulo do Levítico. Ora, estes efeitos nos foram conferidos pela humanidade de Cristo. Pois, em primeiro lugar, os nossos pecados foram apagados, conforme Romanos 4, 25: «Que foi entregue por nossos pecados.» Em segundo lugar, por Ele recebemos a graça da salvação, conforme Hebreus 5, 9: «Tornou-Se para todos os que Lhe obedecem causa de eterna salvação.» Em terceiro lugar, por Ele adquirimos a perfeição da glória, conforme Hebreus 10, 19: «Temos confiança de entrar no Santo dos Santos» (isto é, na glória celestial) «pelo Seu sangue.» Portanto, o próprio Cristo, como homem, não foi somente sacerdote, mas também vítima perfeita, sendo ao mesmo tempo vítima pelo pecado, vítima pacífica e holocausto. **Resposta à objecção 1:** Cristo não se matou a Si mesmo, mas por Sua livre vontade expôs-Se à morte, conforme Isaías 53, 7: «Foi oferecido porque Ele quis.» Assim, diz-se que Se ofereceu a Si mesmo. **Resposta à objecção 2:** A imolação do Homem Cristo pode referir-se a uma dupla vontade. Primeira, à vontade dos que O mataram; e, sob este aspecto, não foi vítima, porque os matadores de Cristo não são tidos como oferecendo um sacrifício a Deus, mas como culpados de um grande crime; cuja semelhança se via nos ímpios sacrifícios dos gentios, em que ofereciam homens aos ídolos. Segunda, a imolação de Cristo pode considerar-se em referência à vontade do Paciente, que livremente Se ofereceu ao sofrimento. Sob este aspecto, é vítima, e nisto difere dos sacrifícios dos gentios. **Resposta à objecção 3:** O facto de a humanidade de Cristo ser santa desde o seu princípio não impede que essa mesma humanidade, quando foi oferecida a Deus na Paixão, fosse santificada de um modo novo — a saber, como vítima actualmente oferecida então. Pois adquiriu então a santidade actual de vítima, pela caridade que desde o princípio tinha, e pela graça da união que a santificava absolutamente.

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 2 - Whether Christ was Himself both priest and victim? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que a Bem-aventurada Virgem não foi santificada antes do seu nascimento do ventre. Porque diz o Apóstolo (1 Cor 15,46): «O que é primeiro não é o espiritual, senão o natural; depois o espiritual.» Ora, pela graça santificante o homem nasce espiritualmente como filho de Deus, segundo Jo 1,13: «(os quais) nasceram de Deus.» Mas o nascimento do ventre é um nascimento natural. Logo, a Bem-aventurada Virgem não foi santificada antes do seu nascimento do ventre. Objeção 2: Ademais, Agostinho diz (Epístola a Dardano): «A santificação, pela qual nos tornamos templos de Deus, é somente daqueles que renascem.» Ora, ninguém renasce sem ter nascido anteriormente. Logo, a Bem-aventurada Virgem não foi santificada antes do seu nascimento do ventre. Objeção 3: Ademais, quem é santificado pela graça é purificado do pecado, tanto original como atual. Se, portanto, a Bem-aventurada Virgem foi santificada antes do seu nascimento do ventre, segue-se que foi então purificada do pecado original. Ora, nada senão o pecado original poderia impedi-la de entrar no reino celestial. Se, portanto, ela tivesse morrido então, parece que teria entrado pelas portas do céu. Mas isto não era possível antes da Paixão de Cristo, segundo o Apóstolo (Hb 10,19): «Temos [Vulg.: 'tendo'] portanto confiança de entrar no Santo dos Santos pelo Seu sangue.» Parece, portanto, que a Bem-aventurada Virgem não foi santificada antes do seu nascimento do ventre. Objeção 4: Ademais, o pecado original é contraído pela origem, assim como o pecado atual é contraído por um ato. Ora, enquanto alguém está no ato de pecar, não pode ser purificado do pecado atual. Portanto, também a Bem-aventurada Virgem não poderia ser purificada do pecado original enquanto estava no ato da origem, pela existência no ventre de sua mãe. Ao contrário, A Igreja celebra a festa da Natividade de Nossa Senhora. Ora, a Igreja só celebra festas daqueles que são santos. Logo, também no seu nascimento a Bem-aventurada Virgem era santa. Portanto, foi santificada no ventre. Respondo que Nada se transmite nas Escrituras canônicas acerca da santificação da Bem-aventurada Maria, quanto a ter sido santificada no ventre; com efeito, nem sequer mencionam o seu nascimento. Mas, como Agostinho, no seu tratado sobre a Assunção da Virgem, argumenta com razão, assim como o seu corpo foi assumido ao céu, e contudo a Escritura não o relata, assim também se pode razoavelmente argumentar que foi santificada no ventre. Pois é razoável crer que aquela que deu à luz «o Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade», recebeu maiores privilégios de graça do que todos os outros; donde lemos (Lc 1,28) que o anjo lhe dirigiu estas palavras: «Ave, cheia de graça!» Além disso, deve observar-se que foi concedido, por modo de privilégio, a outros, serem santificados no ventre; por exemplo, a Jeremias, a quem foi dito (Jr 1,5): «Antes que saísses do ventre, te santifiquei»; e ainda a João Batista, de quem está escrito (Lc 1,15): «Será cheio do Espírito Santo desde o ventre de sua mãe.» É, portanto, com razão que cremos ter a Bem-aventurada Virgem sido santificada antes do seu nascimento do ventre. Resposta à Objeção 1: Mesmo na Bem-aventurada Virgem, primeiro foi o que é natural, e depois o que é espiritual: pois primeiro foi concebida na carne, e depois santificada no espírito. Resposta à Objeção 2: Agostinho fala segundo a lei comum, pela qual ninguém é regenerado pelos sacramentos, senão aqueles que nasceram anteriormente. Mas Deus não limitou assim o seu poder à lei dos sacramentos, de modo que não possa conferir a sua graça, por especial privilégio, a alguns antes de nascerem do ventre. Resposta à Objeção 3: A Bem-aventurada Virgem foi santificada no ventre do pecado original, quanto à mancha pessoal; mas não foi libertada da dívida a que toda a natureza está sujeita, de modo a entrar no Paraíso senão pelo Sacrifício de Cristo; o mesmo também se deve dizer dos Santos Padres que viveram antes de Cristo. Resposta à Objeção 4: O pecado original é transmitido pela origem, na medida em que pela origem se transmite a natureza humana, e o pecado original, propriamente falando, afeta a natureza. E isto se dá quando o descendente concebido é animado. Donde nada impede que o descendente concebido seja santificado após a animação: pois depois disto permanece no ventre da mãe não para receber a natureza humana, mas para um certo aperfeiçoamento daquilo que já recebeu.

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 1 - Whether the Blessed Virgin was sanctified before her birth from the womb? · séc. XIII

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