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Hb 10, 29

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Matos Soares

29imaginai vós quanto maiores tormentos merecerá o que tiver calcado aos pés o Filho de Deus, tiver considerado como profano o sangue da aliança, com que foi santificado, e tiver ultrajado o Espírito da graça!

Matos Soares · domínio público

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Citações internas

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que a incredulidade não é o maior dos pecados. Pois Agostinho diz (De Bapt. contra Donat. iv, 20): “Eu hesitaria em decidir se um católico muito perverso deve ser preferido a um herege, em cuja vida nada se encontra repreensível além do fato de ser herege.” Ora, um herege é um incrédulo. Logo, não devemos afirmar absolutamente que a incredulidade é o maior dos pecados. Objeção 2: Além disso, aquilo que diminui ou desculpa um pecado não parece ser o maior dos pecados. Ora, a incredulidade desculpa ou diminui o pecado: pois o Apóstolo diz (1 Tm 1,12‑13): “Eu, que antes fui blasfemo, e perseguidor, e injurioso; porém alcancei misericórdia… porque o fiz com ignorância na incredulidade.” Portanto, a incredulidade não é o maior dos pecados. Objeção 3: Ademais, o maior pecado merece maior castigo, segundo Dt 25,2: “Segundo a medida do pecado será também a medida dos açoites.” Ora, maior castigo é devido aos crentes do que aos incrédulos, conforme Hb 10,29: “Quanto maiores suplícios cuidais vós que merecerá aquele que pisou o Filho de Deus, e teve por imundo o sangue do testamento, com o qual foi santificado?” Logo, a incredulidade não é o maior dos pecados. Ao contrário, Agostinho, comentando Jo 15,22: “Se eu não viera e lhes falara, não teriam pecado”, diz (Trat. lxxxix sobre João): “Sob o nome geral, refere‑se a um pecado singularmente grande. Pois este”, isto é, a incredulidade, “é o pecado ao qual todos os outros se reduzem.” Portanto, a incredulidade é o maior dos pecados. Respondo: Todo pecado consiste formalmente na aversão de Deus, como foi dito acima (FS, Q[71], A[6]; FS, Q[73], A[3]). Portanto, quanto mais um pecado separa o homem de Deus, mais grave é. Ora, o homem é mais do que nunca separado de Deus pela incredulidade, porque não tem sequer o verdadeiro conhecimento de Deus; e pelo falso conhecimento de Deus, o homem não se aproxima d’Ele, mas é separado d’Ele. E não é possível que aquele que tem uma opinião falsa sobre Deus o conheça de modo algum, porque o objeto de sua opinião não é Deus. Portanto, é claro que o pecado da incredulidade é maior do que qualquer pecado que ocorre na perversão dos costumes. Isto não se aplica aos pecados que são opostos às virtudes teologais, como será dito adiante (Q[20], A[3]; Q[34], A[2], ad 2; Q[39], A[2], ad 3). Resposta à objeção 1: Nada impede que um pecado mais grave em seu gênero seja menos grave em consideração a algumas circunstâncias. Por isso Agostinho hesitou em decidir entre um mau católico e um herege que não pecava de outro modo, porque embora o pecado do herege seja mais grave genericamente, pode ser atenuado por uma circunstância, e, inversamente, o pecado do católico pode ser agravado por alguma circunstância. Resposta à objeção 2: A incredulidade inclui tanto a ignorância, como acessória, como a resistência às coisas da fé, e sob este último aspecto é um pecado gravíssimo. Contudo, com respeito a essa ignorância, tem certa razão de desculpa, especialmente quando alguém não peca por maldade, como foi o caso do Apóstolo. Resposta à objeção 3: O incrédulo é punido mais severamente pelo seu pecado de incredulidade do que outro pecador o é por qualquer pecado que seja, se considerarmos o gênero do pecado. Mas no caso de outro pecado, por exemplo, o adultério, cometido por um crente e por um incrédulo, o crente, em igualdade de circunstâncias, peca mais gravemente do que o incrédulo, tanto por causa de seu conhecimento da verdade pela fé, quanto por causa dos sacramentos da fé com que foi saciado, e que insulta ao cometer pecado.

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 3 - Whether unbelief is the greatest of sin? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

**Artigo 3 – Se o Batismo deve ser adiado.** **Objeção 1:** Parece que o Batismo deve ser adiado. Pois o Papa Leão diz (Epíst. xvi): “Duas estações”, isto é, a Páscoa e o Pentecostes, “são fixadas pelo Pontífice Romano para a celebração do Batismo. Por isso exortamos a vossa Beatitude a não acrescentar outros dias a este costume.” Portanto, parece que o Batismo não deve ser conferido imediatamente, mas adiado até as referidas estações. **Objeção 2:** Ademais, lemos nos decretos do Concílio de Ágde (Cân. xxxiv): “Se judeus, cuja má fé muitas vezes ‘volta ao vômito’, desejarem submeter-se à Lei da Igreja Católica, entrem por oito meses no pórtico da igreja com os catecúmenos; e, se forem encontrados em boa fé, então, finalmente, mereçam a graça do Batismo.” Logo, os homens não devem ser batizados imediatamente, e o Batismo deve ser adiado por um tempo determinado. **Objeção 3:** Ademais, como lemos em Is 27,9: “Isto é todo o fruto, que o pecado seja tirado.” Ora, o pecado parece ser tirado, ou pelo menos diminuído, se o Batismo for adiado. Primeiro, porque os que pecam após o Batismo pecam mais gravemente, segundo Hb 10,29: “Quanto mais pensais vós que merecerá maiores castigos aquele que teve por comum o sangue do testamento”, isto é, o Batismo, “em que foi santificado?” Segundo, porque o Batismo tira os pecados passados, mas não os futuros; por isso, quanto mais é adiado, mais pecados tira. Portanto, parece que o Batismo deve ser adiado por muito tempo. **Ao contrário,** está escrito (Eclo 5,8): “Não tardes em converter-te ao Senhor, e não o adies de dia para dia.” Ora, a perfeita conversão a Deus é a daqueles que são regenerados em Cristo pelo Batismo. Logo, o Batismo não deve ser adiado de dia para dia. **Respondo que:** Nesta matéria, devemos fazer uma distinção e ver se os que vão ser batizados são crianças ou adultos. Pois, se forem crianças, o Batismo não deve ser adiado. Primeiro, porque nelas não esperamos melhor instrução ou conversão mais plena. Segundo, pelo perigo de morte, pois nenhum outro remédio lhes está disponível senão o sacramento do Batismo. Por outro lado, os adultos têm um remédio no mero desejo do Batismo, como foi dito acima (A[2]). E, portanto, o Batismo não deve ser conferido aos adultos tão logo se convertam, mas deve ser adiado até um tempo determinado. Primeiro, como salvaguarda da Igreja, para que não seja enganada batizando aqueles que a ela vêm com fingimento, segundo 1 Jo 4,1: “Não creiais a todo espírito, mas provai os espíritos se são de Deus.” E os que se aproximam do Batismo são submetidos a esta prova quando sua fé e costumes são examinados por um espaço de tempo. Segundo, isto é necessário por ser útil para os que são batizados; pois necessitam de certo tempo para serem plenamente instruídos na fé e exercitados naquelas coisas que pertencem ao modo de vida cristão. Terceiro, uma certa reverência ao sacramento exige uma demora pela qual os homens são admitidos ao Batismo nas principais festividades, a saber, da Páscoa e do Pentecostes, resultando que recebem o sacramento com maior devoção. Há, contudo, duas razões para dispensar esta demora. Primeiro, quando os que vão ser batizados parecem perfeitamente instruídos na fé e prontos para o Batismo; assim, Filipe batizou o eunuco imediatamente (At 8); e Pedro, a Cornélio e aos que estavam com ele (At 10). Segundo, por motivo de doença ou algum perigo de morte. Por isso o Papa Leão diz (Epíst. xvi): “Os que são ameaçados pela morte, doença, cerco, perseguição ou naufrágio, devem ser batizados em qualquer tempo.” Contudo, se um homem é prevenido pela morte, de modo a não ter tempo de receber o sacramento, enquanto aguarda a estação determinada pela Igreja, é salvo, todavia “como pelo fogo”, como foi dito acima (A[2], ad 2). No entanto, peca se adiar o Batismo além do tempo determinado pela Igreja, a menos que seja por causa inevitável e com permissão das autoridades eclesiásticas. Mas mesmo este pecado, com seus outros pecados, pode ser lavado pela contrição subsequente, que faz as vezes do Batismo, como foi dito acima (Q[66], A[11]). **Resposta à objeção 1:** Este decreto do Papa Leão, acerca da celebração do Batismo em duas estações, deve ser entendido “com exceção do perigo de morte” (que deve ser sempre temido nas crianças), como foi dito acima. **Resposta à objeção 2:** Este decreto acerca dos judeus foi para salvaguarda da Igreja, para que não corrompam a fé dos simples, se não estiverem plenamente convertidos. No entanto, como se lê adiante no mesmo texto, “se dentro do tempo determinado forem ameaçados por perigo de doença, devem ser batizados”. **Resposta à objeção 3:** O Batismo, pela graça que confere, remove não só os pecados passados, mas impede a prática de pecados futuros. Ora, este é o ponto a considerar — que os homens não pequem: é consideração secundária que seus pecados sejam menos graves, ou que seus pecados sejam lavados, segundo 1 Jo 2,1-2: “Meus filhinhos, estas coisas vos escrevo, para que não pequeis. Mas se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o Justo; e ele é a propiciação pelos nossos pecados.”

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 3 - Whether Baptism should be deferred? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que os primeiros movimentos da sensualidade nos infiéis são pecados mortais. Pois o Apóstolo diz (Rom. 8:1) que "nenhuma condenação há para aqueles que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne": e ele fala ali da concupiscência da sensualidade, como se vê pelo contexto (Rom. 7). Logo, a razão pela qual a concupiscência não é matéria de condenação para aqueles que não andam segundo a carne, i.e., que não consentem à concupiscência, é porque estão em Cristo Jesus. Mas os infiéis não estão em Cristo Jesus. Logo, nos infiéis isto é matéria de condenação. Portanto, os primeiros movimentos dos infiéis são pecados mortais. Objeção 2: Ademais, Anselmo diz (De Gratia et Lib. Arb. vii): "Aqueles que não estão em Cristo, quando sentem o aguilhão da carne, seguem o caminho da condenação, ainda que não andem segundo a carne." Ora, a condenação não é devida senão ao pecado mortal. Logo, visto que o homem sente o aguilhão da carne nos primeiros movimentos da concupiscência, parece que os primeiros movimentos da concupiscência nos infiéis são pecados mortais. Objeção 3: Ademais, Anselmo diz (De Gratia et Lib. Arb. vii): "O homem foi feito de tal modo que não era sujeito a sentir concupiscência." Ora, esta sujeição parece ser remida ao homem pela graça do Batismo, que o infiel não tem. Logo, todo ato de concupiscência num infiel, mesmo sem seu consentimento, é pecado mortal, porque ele age contra o seu dever. Em contrário, está escrito em Atos 10:34: "Deus não é aceitador de pessoas." Logo, não imputa a um para condenação o que não imputa a outro. Ora, Ele não imputa os primeiros movimentos aos crentes para condenação. Portanto, também não os imputa aos infiéis. Respondo que é irrazoável dizer que os primeiros movimentos dos infiéis são pecados mortais, quando eles não consentem neles. Isto é evidente por duas razões. Primeiro, porque a própria sensualidade não pode ser sujeito de pecado mortal, como foi dito acima (Q[79], A[4]). Ora, a sensualidade tem a mesma natureza nos infiéis e nos crentes. Logo, não é possível que os meros movimentos da sensualidade nos infiéis sejam pecados mortais. Segundo, pelo estado do pecador. Porque a excelência da pessoa nunca diminui o pecado, mas, ao contrário, o aumenta, como foi dito acima (Q[73], A[10]). Logo, o pecado não é menos grave no crente do que no infiel, mas muito mais grave. Pois os pecados do infiel são mais dignos de perdão, por causa de sua ignorância, segundo 1 Tim. 1:13: "Alcancei a misericórdia de Deus, porque o fiz ignorantemente na minha incredulidade"; enquanto os pecados dos crentes são mais graves por causa dos sacramentos da graça, segundo Heb. 10:29: "Quanto mais, pensais, merecerá piores castigos aquele que teve por imundo o sangue do testamento, pelo qual foi santificado?" Resposta à primeira objeção: O Apóstolo fala da condenação devida ao pecado original, a qual é remida pela graça de Jesus Cristo, embora permaneça o "fomes" da concupiscência. Por onde, o fato de os crentes estarem sujeitos à concupiscência não é neles um sinal da condenação devida ao pecado original, como o é nos infiéis. Deste modo também se deve entender o dito de Anselmo, pelo que é clara a resposta à segunda objeção. Resposta à terceira objeção: Esta liberdade da sujeição à concupiscência era um efeito da justiça original. Por onde, aquilo que é contrário a tal sujeição pertence, não ao pecado atual, mas ao original.

Summa Theologiae — First Part of the Second Part · Article. 5 - Whether the first movements of the sensuality in unbelievers are mortal sin? · séc. XIII

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