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Hb 11, 2

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Matos Soares

2Foi por a terem possuído que os antigos obtiveram um bom testemunho (de Deus).

Matos Soares · domínio público

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que as coisas que são de fé não devem ser divididas em certos artigos. Pois todas as coisas contidas na Sagrada Escritura são matérias de fé. Mas estas, por sua multidão, não se podem reduzir a um número certo. Logo, parece supérfluo distinguir certos artigos de fé. Objeção 2: Ademais, as diferenças materiais podem multiplicar-se ao infinito, e, portanto, a arte não deve tomar conhecimento delas. Ora, o aspecto formal do objeto da fé é uno e indivisível, como foi dito acima (A[1]), a saber, a Primeira Verdade; logo, as matérias de fé não se podem distinguir em razão de seu objeto formal. Portanto, não se deve tomar conhecimento de uma divisão material das matérias de fé em artigos. Objeção 3: Ademais, foi dito por alguns [*Cf. Guilherme de Auxerre, Suma Áurea] que "um artigo é uma verdade indivisível acerca de Deus, que constrange [arctans] a nossa crença". Ora, crer é um ato voluntário, pois, como diz Agostinho (Trat. 26 sobre João), "ninguém crê contra sua vontade". Logo, parece que as matérias de fé não devem ser divididas em artigos. Em sentido contrário, diz Isidoro: "Artigo é um vislumbre da verdade divina, que a ela tende." Ora, só podemos ter um vislumbre da verdade divina por via de análise, porque as coisas que em Deus são unas são múltiplas em nosso intelecto. Portanto, as matérias de fé devem ser divididas em artigos. Respondo que: o vocábulo "artigo" deriva aparentemente do grego; pois o grego {arthron}, que o latim traduz por "articulus", significa um ajustamento de partes distintas: donde as pequenas partes do corpo que se ajustam se chamam articulações dos membros. Igualmente, na gramática grega, os artigos são partes da oração que se apõem às palavras para mostrar seu gênero, número ou caso. Outrossim, na retórica, os artigos são partes que se ajustam numa sentença, pois Cícero diz (Ret. IV) que o artigo é composto de palavras pronunciadas cada uma separada e individualmente, assim: "Tua paixão, tua voz, teu olhar aterrorizaram teus inimigos." Por conseguinte, diz-se que as matérias da fé cristã contêm artigos distintos, na medida em que são divididas em partes e se ajustam. Ora, o objeto da fé é algo não visto em relação a Deus, como foi dito acima (A[4]). Donde, toda matéria que, por uma razão especial, é não vista, é um artigo especial; ao passo que, quando várias matérias são conhecidas ou não conhecidas sob o mesmo aspecto, não se devem distinguir vários artigos. Assim, encontra-se uma dificuldade em ver que Deus padeceu, e outra em ver que ressuscitou dos mortos; pelo que o artigo da Ressurreição é distinto do artigo da Paixão. Mas que Ele padeceu, morreu e foi sepultado apresentam a mesma dificuldade, de modo que, se um é aceito, não é difícil aceitar os outros; por isso todos estes pertencem a um só artigo. Resposta à objeção 1: Algumas coisas são propostas à nossa crença que são em si mesmas de fé, enquanto outras são de fé não em si mesmas, mas apenas em relação a outras; assim como nas ciências certas proposições são apresentadas por si mesmas, enquanto outras são apresentadas para manifestar outras. Ora, visto que o principal objeto da fé consiste naquelas coisas que esperamos ver, segundo Hb 11,2: "A fé é o fundamento das coisas que se esperam", segue-se que aquelas coisas são em si mesmas de fé, que nos ordenam diretamente para a vida eterna. Tais são a Trindade de Pessoas em Deus Todo-Poderoso, o mistério da Encarnação de Cristo, e coisas semelhantes; e estes são artigos distintos de fé. Por outro lado, certas coisas na Sagrada Escritura são propostas à nossa crença, não principalmente por si mesmas, mas para manifestação das acima mencionadas: por exemplo, que Abraão teve dois filhos, que um morto ressuscitou ao toque dos ossos de Eliseu, e coisas semelhantes, que são narradas na Sagrada Escritura para manifestar o divino mistério ou a Encarnação de Cristo; e tais coisas não devem formar artigos distintos. Resposta à objeção 2: O aspecto formal do objeto da fé pode ser tomado de dois modos: primeiro, da parte da coisa crida, e assim há um só aspecto formal de todas as matérias de fé, a saber, a Primeira Verdade; e deste ponto de vista não há distinção de artigos. Em segundo lugar, o aspecto formal das matérias de fé pode ser considerado do nosso ponto de vista; e assim o aspecto formal de uma matéria de fé é que ela é algo não visto; e deste ponto de vista há vários artigos distintos de fé, como vimos acima. Resposta à objeção 3: Esta definição de artigo é tomada de uma etimologia da palavra derivada do latim, mais do que de acordo com seu verdadeiro significado, derivado do grego; por conseguinte, não tem muito peso. Contudo, mesmo assim poder-se-ia dizer que, embora a fé não seja exigida de ninguém por necessidade de coação, pois crer é um ato voluntário, todavia é exigida por necessidade de fim, porque "aquele que se aproxima de Deus deve crer que Ele existe" e "sem fé é impossível agradar a Deus", como declara o Apóstolo (Hb 11,6).

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 6 - Whether those things that are of faith should be divided into certain articles? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1:** Parece que não houve fé, nem nos anjos, nem no homem, no seu estado original. Porquanto Hugo de São Vítor diz nas suas *Sentenças* (De Sacram. i, 10) que «o homem não pode ver a Deus nem as coisas que estão em Deus, porque fecha os olhos à contemplação». Ora, os anjos, no seu estado original, antes de serem confirmados na graça ou dela terem caído, tinham os olhos abertos à contemplação, pois «viam as coisas no Verbo», segundo Agostinho (Gen. ad lit. ii, 8). Do mesmo modo, o primeiro homem, enquanto no estado de inocência, ao que parece, tinha os olhos abertos à contemplação; pois Hugo de São Vítor diz (De Sacram. i, 6) que «no seu estado original o homem conhecia o seu Criador, não pela mera percepção exterior da audição, mas por inspiração interior, não como agora os crentes buscam pela fé um Deus ausente, mas vendo-O claramente presente à sua contemplação». Portanto, não houve fé nos anjos e no homem no seu estado original. **Objeção 2:** Ademais, o conhecimento da fé é tenebroso e obscuro, segundo 1 Cor 13,12: «Vemos agora por espelho em enigma». Ora, no estado original não havia obscuridade nem nos anjos nem no homem, porque é um castigo do pecado. Logo, não podia haver fé nos anjos nem no homem no seu estado original. **Objeção 3:** Ademais, o Apóstolo diz (Rm 10,17) que «a fé vem pelo ouvir». Ora, isso não se podia aplicar aos anjos e ao homem no seu estado original; pois então não podiam ouvir nada de outrem. Portanto, naquele estado, não houve fé nem no homem nem nos anjos. **Pelo contrário,** está escrito (Hb 11,6): «O que se chega a Deus, deve crer». Ora, o estado original dos anjos e do homem era de aproximação a Deus. Logo, eles necessitavam da fé. **Respondo:** Alguns dizem que não houve fé nos anjos antes de serem confirmados na graça ou dela caírem, e no homem antes de pecar, por causa da manifesta contemplação que tinham das coisas divinas. Contudo, sendo «a fé a prova das coisas que não aparecem», segundo o Apóstolo (Hb 11,2), e «pela fé cremos no que não vemos», segundo Agostinho (Trat. 40 sobre João; Quest. sobre os Evangelhos, II, q. 39), só aquela manifestação exclui a fé que torna manifesto ou visto o principal objeto da fé. Ora, o principal objeto da fé é a Primeira Verdade, cuja vista dá a bem-aventurança do céu e ocupa o lugar da fé. Por conseguinte, como os anjos antes da sua confirmação na graça, e o homem antes do pecado, não possuíam a bem-aventurança pela qual Deus é visto na sua Essência, é evidente que o conhecimento que possuíam não era tal que excluísse a fé. Segue-se, pois, que a ausência de fé neles só se poderia explicar por serem totalmente ignorantes do objeto da fé. E se o homem e os anjos foram criados num estado puramente natural, como alguns [*São Boaventura, Sent. ii, D, 29] sustentam, talvez se pudesse defender que não houve fé nos anjos antes da sua confirmação na graça, nem no homem antes do pecado, porque o conhecimento da fé supera não só o conhecimento natural do homem, mas até mesmo o do anjo acerca de Deus. Visto, porém, que na Primeira Parte (Q. 62, a. 3; Q. 95, a. 1) afirmamos que o homem e os anjos foram criados com o dom da graça, devemos necessariamente dizer que houve neles um certo início da bem-aventurança esperada, em virtude da graça recebida, mas ainda não consumada, a qual bem-aventurança se iniciava na vontade pela esperança e caridade, e no intelecto pela fé, como acima se disse (Q. 4, a. 7). Por conseguinte, devemos sustentar que os anjos tiveram fé antes de serem confirmados, e o homem, antes de pecar. Não obstante, devemos observar que no objeto da fé há algo de formal, por assim dizer, a saber, a Primeira Verdade, que supera todo o conhecimento natural da criatura, e algo de material, a saber, a coisa à qual assentimos aderindo à Primeira Verdade. Quanto ao primeiro, antes de se obter a bem-aventurança futura, a fé é comum a todos os que têm conhecimento de Deus, aderindo à Primeira Verdade; enquanto que, quanto às coisas que se propõem como objeto material da fé, umas são cridas por um, e conhecidas manifestamente por outro, mesmo no estado presente, como mostramos acima (Q. 1, a. 5; Q. 2, a. 4, ad 2). Neste aspecto, também se pode dizer que os anjos antes de serem confirmados, e o homem antes do pecado, possuíam conhecimento manifesto acerca de certos pontos dos mistérios divinos, os quais agora não podemos conhecer senão crendo neles. **Resposta à Objeção 1:** Embora as palavras de Hugo de São Vítor sejam de um mestre e tenham força de autoridade, pode-se dizer que a contemplação que remove a necessidade da fé é a contemplação celestial, pela qual a verdade sobrenatural é vista na sua essência. Ora, os anjos não possuíam esta contemplação antes de serem confirmados, nem o homem antes de pecar; contudo, a sua contemplação era de ordem mais elevada do que a nossa, pois por meio dela se aproximavam mais de Deus, e tinham conhecimento manifesto de mais efeitos e mistérios divinos do que nós podemos ter. Daí que a fé não estivesse neles de modo a buscarem um Deus ausente como nós O buscamos: pois pela luz da sabedoria Ele lhes era mais presente do que a nós, embora não lhes fosse tão presente como o é aos bem-aventurados pela luz da glória. **Resposta à Objeção 2:** Não havia trevas de pecado ou de castigo no estado original do homem e dos anjos, mas havia uma certa obscuridade natural no intelecto humano e angélico, na medida em que toda criatura é trevas em comparação com a imensidade da luz divina; e esta obscuridade basta para a fé. **Resposta à Objeção 3:** No estado original, não se ouvia nada de um homem que falasse exteriormente, mas ouvia-se de Deus que inspirava interiormente; assim ouviam os profetas, conforme está expresso no Sl 84,9: «Eu ouvirei o que diz o Senhor Deus dentro de mim.»

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 1 - Whether there was faith in the angels, or in man, in their original state? · séc. XIII

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Hb 11, 2 nos Padres da Igreja | Aurea