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Hb 12, 14

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Matos Soares

14Buscai a paz com todos e a santidade, sem a qual ninguém verá o Senhor;

Matos Soares · domínio público

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que a retidão da vontade não é necessária para a Felicidade. Porque a Felicidade consiste essencialmente numa operação do intelecto, como se disse acima (Q[3], A[4]). Ora, a retidão da vontade, pela qual os homens são chamados limpos de coração, não é necessária para a perfeita operação do intelecto; pois Agostinho diz (Retract. i, 4): "Não aprovo o que disse numa oração: Ó Deus, que só quisestes que os limpos de coração conhecessem a verdade. Porque se pode responder que muitos que não são limpos de coração conhecem muitas verdades." Logo, a retidão da vontade não é necessária para a Felicidade. Objeção 2: Além disso, o que precede não depende do que segue. Ora, a operação do intelecto precede a operação da vontade. Portanto, a Felicidade, que é a perfeita operação do intelecto, não depende da retidão da vontade. Objeção 3: Além disso, aquilo que é ordenado a outro como seu fim não é necessário quando o fim já é alcançado; como, por exemplo, um navio depois de chegar ao porto. Ora, a retidão da vontade, que é por motivo da virtude, é ordenada para a Felicidade como seu fim. Logo, uma vez obtida a Felicidade, a retidão da vontade já não é necessária. Ao contrário, está escrito (Mateus 5,8): "Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus"; e (Hebreus 12,14): "Segui a paz com todos, e a santidade, sem a qual ninguém verá o Senhor." Respondo que a retidão da vontade é necessária para a Felicidade tanto antecedente como concomitantemente. Antecedentemente, porque a retidão da vontade consiste em estar devidamente ordenada para o fim último. Ora, o fim, em comparação com o que é ordenado ao fim, é como a forma em comparação com a matéria. Portanto, assim como a matéria não pode receber uma forma, senão estiver devidamente disposta para ela, assim ninguém alcança um fim, senão estiver devidamente ordenado para ele. E, por conseguinte, ninguém pode obter a Felicidade sem a retidão da vontade. Concomitantemente, porque, como se disse acima (Q[3], A[8]), a Felicidade final consiste na visão da Divina Essência, a qual é a própria essência da bondade. Por isso, a vontade daquele que vê a Essência de Deus ama necessariamente, tudo o que ama, em subordinação a Deus; assim como a vontade daquele que não vê a Essência de Deus ama necessariamente tudo o que ama sob a noção comum de bem que conhece. E isto é precisamente o que constitui a vontade reta. Por onde é evidente que a Felicidade não pode existir sem uma vontade reta. Resposta à Objeção 2: Todo ato da vontade é precedido por um ato do intelecto; mas um certo ato da vontade precede um certo ato do intelecto. Porque a vontade tende ao ato final do intelecto, que é a felicidade. E consequentemente, a reta inclinação da vontade é requerida antecedentemente para a felicidade, assim como a flecha deve tomar um curso reto para acertar o alvo. Resposta à Objeção 3: Nem tudo o que é ordenado ao fim cessa com a consecução do fim; mas somente aquilo que envolve imperfeição, como o movimento. Por isso, os instrumentos do movimento já não são necessários quando o fim é alcançado; mas a devida ordenação ao fim é necessária.

Summa Theologiae — First Part of the Second Part · Article. 4 - Whether rectitude of the will is necessary for happiness? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que dois preceitos de caridade não bastam. Porque os preceitos são dados acerca dos atos de virtude. Ora, os atos distinguem-se pelos objetos. Visto que, portanto, o homem é obrigado a amar quatro coisas por caridade, a saber, Deus, a si mesmo, o próximo e o próprio corpo, como se mostrou acima (Q. 25, a. 12; Q. 26), parece que devia haver quatro preceitos de caridade, de modo que dois não são suficientes. Objeção 2: Ademais, o amor não é o único ato de caridade, mas também a alegria, a paz e a beneficência. Ora, os preceitos devem ser dados acerca dos atos das virtudes. Logo, dois preceitos de caridade não bastam. Objeção 3: Ademais, a virtude consiste não somente em fazer o bem, mas também em evitar o mal. Ora, pelos preceitos positivos somos levados a fazer o bem, e pelos preceitos negativos a evitar o mal. Portanto, devia haver acerca da caridade não só preceitos positivos, mas também negativos; e assim dois preceitos de caridade não são suficientes. Ao contrário, o Senhor disse (Mt 22,40): «Destes dois mandamentos depende toda a Lei e os Profetas.» Respondo que a caridade, como se disse acima (Q. 23, a. 1), é uma espécie de amizade. Ora, a amizade é entre uma pessoa e outra, pelo que Gregório diz (Hom. in Ev. xvii): «A caridade não é possível entre menos de dois»; e já se explicou como alguém pode amar a si mesmo por caridade (Q. 25, a. 4). Ora, sendo o bem o objeto da dileção e do amor, e sendo o bem ou fim ou meio, convém que haja dois preceitos de caridade: um pelo qual somos induzidos a amar a Deus como nosso fim; outro pelo qual somos levados a amar o próximo por amor de Deus, como por causa do nosso fim. Resposta à objeção 1: Como diz Agostinho (De Doctr. Christ. i, 23), «embora quatro coisas sejam amáveis por caridade, não houve necessidade de preceito quanto à segunda e à quarta», isto é, o amor de si mesmo e do próprio corpo. «Pois, por mais que um homem se desvie da verdade, o amor de si mesmo e do próprio corpo permanece sempre nele.» Contudo, o modo desse amor devia ser prescrito ao homem, a saber, que ame a si mesmo e ao próprio corpo de modo ordenado, e isto se faz amando a Deus e ao próximo. Resposta à objeção 2: Como se disse acima (Q. 28, a. 4; Q. 29, a. 3), os outros atos de caridade resultam do ato de amor como efeitos de sua causa. Portanto, os preceitos do amor incluem virtualmente os preceitos acerca dos outros atos. E, contudo, achamos que, por causa dos tardos, foram dados preceitos especiais acerca de cada ato — acerca da alegria (Fp 4,4): «Alegrai-vos sempre no Senhor» — acerca da paz (Hb 12,14): «Segui a paz com todos» — acerca da beneficência (Gl 6,10): «Enquanto temos tempo, façamos bem a todos» — e a Sagrada Escritura contém preceitos acerca de cada uma das partes da beneficência, como pode ver quem atentamente considerar a matéria. Resposta à objeção 3: Fazer o bem é mais do que evitar o mal, e por isso os preceitos positivos incluem virtualmente os preceitos negativos. Contudo, encontramos preceitos explícitos contra os vícios contrários à caridade: pois, contra o ódio está escrito (Lv 19,17): «Não aborrecerás teu irmão em teu coração»; contra a preguiça (Eclo 6,26): «Não te entristeças com seus vínculos»; contra a inveja (Gl 5,26): «Não nos façamos desejosos de vanglória, provocando-nos uns aos outros, invejando-nos uns aos outros»; contra a discórdia (1Cor 1,10): «Que todos digais uma mesma coisa, e que não haja entre vós cismas»; e contra o escândalo (Rm 14,13): «Que não ponhais tropeço ou escândalo ao caminho de vosso irmão.»

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 3 - Whether two precepts of charity suffice? · séc. XIII

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Hb 12, 14 nos Padres da Igreja | Aurea