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Hb 13, 16

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Matos Soares

16Não esqueçais a beneficência e a liberalidade, porque com tais vítimas se torna Deus propício.

Matos Soares · domínio público

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Citações internas

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que a misericórdia é a maior das virtudes. Porque o culto a Deus parece um ato virtuosíssimo. Ora, a misericórdia é preferida ao culto a Deus, conforme Oseias 6,6 e Mateus 12,7: «Quero misericórdia, e não sacrifício». Logo, a misericórdia é a maior virtude. Objeção 2: Ademais, sobre as palavras de 1 Timóteo 4,8: «A piedade para tudo é proveitosa», uma glosa diz: «A soma total da regra de vida cristã consiste na misericórdia e na piedade». Ora, a regra de vida cristã abrange toda virtude. Logo, a soma total de todas as virtudes está contida na misericórdia. Objeção 3: Ademais, «A virtude é aquilo que torna bom o seu possuidor», segundo o Filósofo. Logo, quanto mais uma virtude torna o homem semelhante a Deus, tanto melhor é essa virtude: pois o homem é tanto melhor quanto mais semelhante a Deus. Ora, isso se dá principalmente pela misericórdia, pois de Deus se diz (Salmo 144,9) que «as suas misericórdias estão sobre todas as suas obras», e (Lucas 6,36) o Senhor disse: «Sede misericordiosos, como também vosso Pai é misericordioso». Logo, a misericórdia é a maior das virtudes. Em contrário, o Apóstolo, depois de dizer (Colossenses 3,12): «Revesti-vos, como eleitos de Deus, de entranhas de misericórdia», etc., acrescenta (Colossenses 3,14): «Sobre todas as coisas, tende caridade». Logo, a misericórdia não é a maior das virtudes. RESPONDO: Uma virtude pode ter precedência sobre outras de dois modos: primeiro, em si mesma; segundo, em comparação com o seu sujeito. Em si mesma, a misericórdia tem precedência sobre as outras virtudes, pois à misericórdia pertence ser liberal para com os outros e, o que é mais, socorrer os outros em suas necessidades, o que cabe principalmente àquele que está acima. Por isso, a misericórdia é considerada como própria de Deus, e nela se declara que sua onipotência se manifesta principalmente [Colecta do Décimo Domingo depois de Pentecostes]. Por outro lado, com respeito ao seu sujeito, a misericórdia não é a maior virtude, a menos que esse sujeito seja maior que todos os outros, por nenhum superado e a todos excelendo: pois para aquele que tem alguém acima de si, é melhor unir-se ao que está acima do que suprir a falta do que está abaixo. [*«A qualidade da misericórdia não é forçada; / É a mais poderosa nos mais poderosos: / Fica melhor ao monarca entronizado do que sua coroa.» — Mercador de Veneza, Ato IV, Cena i.] Portanto, quanto ao homem, que tem Deus acima de si, a caridade, que o une a Deus, é maior do que a misericórdia, pela qual ele supre as faltas do próximo. Mas entre todas as virtudes que se referem ao próximo, a misericórdia é a maior, assim como seu ato supera todos os outros, pois pertence a quem é mais alto e melhor suprir a falta de outro, na medida em que este é deficiente. Resposta à Objeção 1: Adoramos a Deus com sacrifícios e dons exteriores, não para proveito próprio dEle, mas para o nosso e do próximo. Pois Ele não necessita de nossos sacrifícios, mas quer que Lhe sejam oferecidos para despertar nossa devoção e beneficiar o próximo. Por isso, a misericórdia, pela qual suprimos as faltas alheias, é um sacrifício mais aceitável a Ele, por conduzir mais diretamente ao bem-estar do próximo, conforme Hebreus 13,16: «Não vos esqueçais da beneficência e da comunicação; porque com tais sacrifícios se alcança o favor de Deus». Resposta à Objeção 2: A soma total da religião cristã consiste na misericórdia, quanto às obras externas; mas o amor interior da caridade, pelo qual nos unimos a Deus, prepondera tanto sobre o amor como sobre a misericórdia para com o próximo. Resposta à Objeção 3: A caridade nos assemelha a Deus unindo-nos a Ele pelo vínculo do amor; por isso supera a misericórdia, que nos assemelha a Deus quanto à semelhança das obras.

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 4 - Whether mercy is the greatest of the virtues? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1:** Parece que dar esmola não é um ato de caridade. Pois sem a caridade não se podem fazer atos de caridade. Ora, é possível dar esmola sem ter caridade, conforme 1 Cor 13,3: “Ainda que eu distribua todos os meus bens para alimentar os pobres … e não tenha caridade, nada me aproveita.” Logo, dar esmola não é um ato de caridade. **Objeção 2:** Além disso, as obras de esmola são contadas entre as obras de satisfação, conforme Dn 4,24: “Remi os teus pecados com esmolas.” Ora, a satisfação é um ato de justiça. Logo, dar esmola é um ato de justiça, e não de caridade. **Objeção 3:** Ademais, a oferta de sacrifícios a Deus é um ato de religião. Mas dar esmola é oferecer um sacrifício a Deus, conforme Hb 13,16: “Não vos esqueçais da beneficência e da comunicação; porque com tais sacrifícios se alcança o favor de Deus.” Logo, dar esmola não é um ato de caridade, mas de religião. **Objeção 4:** Além disso, o Filósofo diz (Ética, iv, 1) que dar para um bom fim é um ato de liberalidade. Ora, isto se verifica especialmente na esmola. Logo, dar esmola não é um ato de caridade. **Em contrário,** está escrito 1 Jo 3,17: “Aquele que tiver os bens deste mundo, e vir o seu irmão padecer necessidade, e lhe fechar as suas entranhas, como é que a caridade de Deus está nele?” **Respondo que** os atos externos pertencem àquela virtude que considera o motivo de se fazer esses atos. Ora, o motivo de dar esmola é socorrer a quem está necessitado. Pelo que alguns definiram a esmola como “uma obra pela qual se dá alguma coisa ao necessitado, por compaixão e por amor de Deus”, o qual motivo pertence à misericórdia, como foi dito acima (Q. 30, A. 1,2). Por isso é claro que dar esmola é, propriamente, um ato de misericórdia. Isto aparece no próprio nome; pois em grego *eleemosyne* deriva de ter misericórdia (*eleein*), assim como o latim *miseratio*. E, visto que a misericórdia é um efeito da caridade, como foi mostrado acima (Q. 30, A. 2, A. 3, Obj. 3), segue-se que dar esmola é um ato de caridade por meio da misericórdia. **Resposta à objeção 1:** Um ato de virtude pode ser considerado de dois modos. Primeiro, materialmente: assim, um ato de justiça é fazer o que é justo; e tal ato de virtude pode dar-se sem a virtude, pois muitos, sem ter o hábito da justiça, fazem o que é justo, guiados pela luz natural da razão, ou por temor, ou na esperança de ganho. Segundo, falamos de uma coisa como ato de justiça formalmente; e assim o ato de justiça é fazer o que é justo do mesmo modo que o justo, ou seja, com prontidão e deleite; e tal ato de virtude não pode dar-se sem a virtude. Portanto, a esmola pode dar-se materialmente sem caridade; mas dar esmola formalmente, isto é, por amor de Deus, com deleite e prontidão, e inteiramente como se deve, não é possível sem caridade. **Resposta à objeção 2:** Nada impede que o ato próprio e eliciado de uma virtude seja mandado por outra virtude, enquanto esta o ordena e o dirige para o seu próprio fim. É deste modo que a esmola é contada entre as obras de satisfação, na medida em que a compaixão pelo desgraçado se ordena à satisfação pelo seu pecado; e na medida em que se ordena a aplacar Deus, tem o caráter de sacrifício; e assim é mandada pela religião. Donde é clara a **resposta à terceira objeção**. **Resposta à objeção 4:** A esmola pertence à liberalidade, enquanto a liberalidade remove um obstáculo a esse ato, que poderia provir do amor excessivo das riquezas, do qual resulta que o homem se apega a elas mais do que deve.

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 1 - Whether almsgiving is an act of charity? · séc. XIII

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