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Hb 2, 10

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Matos Soares

10De facto, convinha que aquele, para quem e por quem são todas as coisas, querendo levar muitos filhos à glória, aperfeiçoasse pelos sofrimentos o autor da salvação deles.

Matos Soares · domínio público

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que o Filho de Deus devia ter assumido a natureza humana em todos os indivíduos. Pois o que é assumido primeiro e por si mesmo é a natureza humana. Mas o que pertence essencialmente a uma natureza pertence a todos os que existem na natureza. Logo, era conveniente que a natureza humana fosse assumida pelo Verbo de Deus em todas as suas hipóstases. Objeção 2: Além disso, a Divina Encarnação procedeu do Amor Divino; donde está escrito (João 3,16): «Deus amou de tal modo o mundo, que deu o seu Filho unigênito». Mas o amor faz que nos entreguemos a nossos amigos o quanto podemos, e era possível ao Filho de Deus assumir várias naturezas humanas, como se disse acima (Q[3], A[7]), e com igual razão todas. Logo, era conveniente que o Filho de Deus assumisse a natureza humana em todas as suas hipóstases. Objeção 3: Além disso, um artífice hábil completa sua obra da maneira mais breve possível. Mas teria sido um caminho mais curto se todos os homens tivessem sido assumidos para a filiação natural do que um Filho natural levar muitos à adoção de filhos, como está escrito em Gálatas 4,5 (cf. Hebreus 2,10). Logo, a natureza humana devia ter sido assumida por Deus em todas as suas hipóstases. Ao contrário, Damasceno diz (De Fide Orth. iii, 11) que o Filho de Deus «não assumiu a natureza humana como espécie, nem assumiu todas as suas hipóstases». Respondo que não era conveniente que a natureza humana fosse assumida pelo Verbo em todas as suas hipóstases. Primeiro, porque a multidão de hipóstases da natureza humana, que lhes são naturais, teria sido suprimida. Pois, como não se deve ver outra hipóstase na natureza assumida senão a Pessoa que assume, como foi dito acima (A[3]), se não houvesse natureza humana senão a que foi assumida, seguir-se-ia que haveria apenas uma hipóstase da natureza humana, que é a Pessoa que assume. Segundo, porque isto teria sido depreciativo da dignidade do Filho de Deus encarnado, enquanto Ele é o Primogênito de muitos irmãos, segundo a natureza humana, assim como É o Primogênito de toda a criatura segundo a divina, pois então todos os homens seriam de igual dignidade. Terceiro, porque é conveniente que, assim como uma única hipóstase divina é encarnada, assim Ele assuma uma única natureza humana, para que de ambos os lados se encontre unidade. Resposta à Objeção 1: Ser assumido pertence à natureza humana por si mesma, porque não lhe pertence por razão de uma pessoa, assim como pertence à Natureza Divina assumir por razão da Pessoa; não, porém, que lhe pertença por si mesma como se pertencesse a seus princípios essenciais, ou como sua propriedade natural, de modo que pertenceria a todas as suas hipóstases. Resposta à Objeção 2: O amor de Deus para com os homens se manifesta não apenas na assunção da natureza humana, mas especialmente no que Ele sofreu na natureza humana por outros homens, segundo Romanos 5,8: «Deus, porém, recomenda a sua caridade para conosco, porque, sendo nós ainda pecadores..., Cristo morreu por nós», o que não teria ocorrido se tivesse assumido a natureza humana em todas as suas hipóstases. Resposta à Objeção 3: Para abreviar o caminho, o que todo artífice hábil faz, o que pode ser feito por um não deve ser feito por muitos. Logo, era muito conveniente que por um homem todos os demais fossem salvos.

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 5 - Whether the Son of God ought to have assumed human nature in all individuals? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que nenhumas obras do homem são necessárias para que ele obtenha a Beatitude de Deus. Pois, sendo Deus um agente de poder infinito, não requer, antes de agir, nem matéria, nem disposição da matéria, mas pode produzir imediatamente todo o efeito. Ora, as obras do homem, visto que não são requeridas para a Beatitude como causa eficiente dela, conforme foi dito acima (art. 6), só podem ser requeridas como disposições para ela. Portanto, Deus, que não requer disposições antes de agir, concede a Beatitude sem quaisquer obras prévias. Objeção 2: Além disso, assim como Deus é a causa imediata da Beatitude, assim também é a causa imediata da natureza. Ora, quando Deus estabeleceu pela primeira vez a natureza, produziu as criaturas sem qualquer disposição ou ação prévia da parte da criatura, mas fez cada uma perfeita imediatamente na sua espécie. Logo, parece que Ele concede a Beatitude ao homem sem quaisquer obras prévias. Objeção 3: Além disso, o Apóstolo diz (Rm 4,6) que a Beatitude é daquele homem "a quem Deus reputa justiça sem obras". Portanto, nenhumas obras do homem são necessárias para alcançar a Beatitude. Em contrário, está escrito (Jo 13,17): "Se sabeis estas coisas, bem-aventurados sereis, se as fizerdes." Portanto, a Beatitude é obtida por meio de obras. Respondo que a retidão da vontade, como foi dito acima (q. 4, art. 4), é necessária para a Beatitude, pois não é senão a ordenação correta da vontade para o fim último; e, portanto, é necessária para obter o fim, assim como a correta disposição da matéria para receber a forma. Mas isto não prova que alguma obra do homem deva preceder a sua Beatitude: pois Deus poderia fazer uma vontade tendo uma tendência correta para o fim e, ao mesmo tempo, atingindo o fim; assim como às vezes dispõe a matéria e ao mesmo tempo introduz a forma. Contudo, a ordem da sabedoria divina exige que não seja assim; pois, como se diz no livro Do Céu, II, 12, "das coisas que têm capacidade natural para o bem perfeito, uma possui-o sem movimento, algumas com um movimento, algumas com vários." Ora, possuir o bem perfeito sem movimento pertence àquilo que o possui naturalmente; e ter a Beatitude naturalmente pertence somente a Deus. Portanto, pertence somente a Deus não ser movido para a Beatitude por nenhuma operação prévia. Ora, visto que a Beatitude excede toda a natureza criada, nenhuma criatura pura pode alcançar dignamente a Beatitude sem o movimento de operação pelo qual tende para ela. Mas o anjo, que está acima do homem na ordem natural, obteve-a, segundo a ordem da sabedoria divina, por um único movimento de uma obra meritória, como foi explicado na Primeira Parte, questão 62, artigo 5; enquanto o homem a obtém por muitos movimentos de obras que são chamados méritos. Por isso também, segundo o Filósofo (Ética I, 9), a beatitude é a recompensa das obras de virtude. Resposta à objeção 1: As obras são necessárias ao homem para alcançar a Beatitude; não por insuficiência do poder divino que a concede, mas para que se observe a ordem nas coisas. Resposta à objeção 2: Deus produziu as primeiras criaturas de modo que fossem perfeitas imediatamente, sem qualquer disposição ou operação prévia da criatura; porque instituiu os primeiros indivíduos das várias espécies, para que por meio deles a natureza se propagasse à sua descendência. De modo semelhante, porque a Beatitude havia de ser concedida a outros por meio de Cristo, que é Deus e Homem, "o qual", segundo Hb 2,10, "conduziu muitos filhos à glória"; portanto, desde o início da sua conceição, a sua alma foi bem-aventurada, sem nenhuma operação meritória prévia. Mas isto é próprio dele: porque o mérito de Cristo vale para as crianças batizadas alcançarem a Beatitude, embora não tenham méritos próprios; porque pelo Batismo são feitas membros de Cristo. Resposta à objeção 3: O Apóstolo fala da Beatitude da Esperança, que nos é concedida pela graça santificante, a qual não é dada por causa de obras prévias. Pois a graça não é um termo do movimento, como é a Beatitude; antes, é o princípio do movimento que tende para a Beatitude.

Summa Theologiae — First Part of the Second Part · Article. 7 - Whether any good works are necessary that man may receive happiness from God? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que em Cristo não houve o conhecimento dos bem-aventurados ou compreensores. Porque o conhecimento dos bem-aventurados é uma participação da luz divina, segundo o Salmo 35,10: “Na tua luz veremos a luz.” Ora, Cristo não teve uma luz participada, mas a própria Divindade habitando substancialmente nele, segundo Colossenses 2,9: “Porque nele habita toda a plenitude da Divindade corporalmente.” Logo, em Cristo não houve o conhecimento dos bem-aventurados. Objeção 2: Além disso, o conhecimento dos bem-aventurados os faz bem-aventurados, segundo João 17,3: “A vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste.” Mas este Homem foi bem-aventurado por estar unido a Deus em pessoa, conforme o Salmo 64,5: “Bem-aventurado é aquele a quem escolhestes e a quem tomastes para vós.” Logo, não é necessário supor nele o conhecimento dos bem-aventurados. Objeção 3: Além disso, ao homem pertence um duplo conhecimento: um por natureza, outro acima da natureza. Ora, o conhecimento dos bem-aventurados, que consiste na visão de Deus, não é natural ao homem, mas acima de sua natureza. Mas em Cristo havia outro conhecimento sobrenatural muito mais elevado, isto é, o conhecimento divino. Portanto, em Cristo não foi necessário o conhecimento dos bem-aventurados. Em contrário, o conhecimento dos bem-aventurados consiste no conhecimento de Deus. Ora, Ele conhecia perfeitamente a Deus, mesmo como homem, segundo João 8,55: “Eu conheço-o e guardo a sua palavra.” Logo, em Cristo houve o conhecimento dos bem-aventurados. Respondo que o que está em potência é reduzido ao ato pelo que está em ato; pois aquilo que aquece as coisas deve ele mesmo ser quente. Ora, o homem está em potência para o conhecimento dos bem-aventurados, que consiste na visão de Deus, e para ele é ordenado como para um fim, já que a criatura racional é capaz desse conhecimento bem-aventurado, enquanto feita à imagem de Deus. Ora, os homens são levados a esse fim de beatitude pela humanidade de Cristo, segundo Hebreus 2,10: “Porque convinha que aquele, por quem são todas as coisas, e para quem são todas as coisas, havendo de conduzir muitos filhos à glória, aperfeiçoasse pela sua paixão o autor da salvação deles.” E por isso foi necessário que o conhecimento beatífico, que consiste na visão de Deus, pertencesse a Cristo de modo preeminente, pois a causa deve sempre ser mais eficaz que o efeito. Resposta à objeção 1: A Divindade está unida à humanidade de Cristo na Pessoa, não na essência ou natureza; contudo, com a unidade da Pessoa permanece a distinção das naturezas. E, portanto, a alma de Cristo, que é parte da natureza humana, mediante uma luz participada da Natureza Divina, é aperfeiçoada com o conhecimento beatífico pelo qual vê a Deus em essência. Resposta à objeção 2: Pela união, este Homem é bem-aventurado com a beatitude incriada, assim como pela união Ele é Deus; contudo, além da beatitude incriada, foi necessário que houvesse na natureza humana de Cristo uma beatitude criada, pela qual a sua alma foi estabelecida no último fim da natureza humana. Resposta à objeção 3: A visão e o conhecimento beatíficos estão, até certo ponto, acima da natureza da alma racional, enquanto ela não pode alcançá-los por suas próprias forças; mas, de outro modo, estão de acordo com a sua natureza, enquanto ela é naturalmente capaz deles, por ter sido feita à semelhança de Deus, como já foi dito. Porém, o conhecimento incriado está de todos os modos acima da natureza da alma humana.

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 2 - Whether Christ had the knowledge which the blessed or comprehensors have? · séc. XIII

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Hb 2, 10 nos Padres da Igreja | Aurea