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Hb 2, 16

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Matos Soares

16Realmente em nenhum lugar (da Escritura se lê que) ele vem em auxílio dos anjos (rebeldes), mas vem em auxílio da descendência de Abraão.

Matos Soares · domínio público

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que Cristo, enquanto homem, não é a cabeça dos anjos. Porque a cabeça e os membros são de uma mesma natureza. Ora, Cristo, enquanto homem, não é da mesma natureza que os anjos, mas tão-somente dos homens, pois como está escrito (Heb 2,16): «Porque, na verdade, ele não tomou os anjos, mas tomou a descendência de Abraão.» Logo, Cristo, enquanto homem, não é a cabeça dos anjos. Objeção 2: Ademais, Cristo é a cabeça dos que pertencem à Igreja, que é o seu Corpo, como está escrito (Ef 1,23). Ora, os anjos não pertencem à Igreja. Porque a Igreja é a congregação dos fiéis; e nos anjos não há fé, pois eles não «andam por fé, mas por vista»; de outro modo estariam «ausentes do Senhor», como argumenta o Apóstolo (2 Cor 5,6-7). Logo, Cristo, enquanto homem, não é a cabeça dos anjos. Objeção 3: Além disso, Agostinho diz (Tract. XIX; XXIII in Joan.) que, assim como «o Verbo», que «estava no princípio junto do Pai», vivifica as almas, assim o «Verbo feito carne» vivifica os corpos, dos quais os anjos carecem. Ora, o Verbo feito carne é Cristo, enquanto homem. Logo, Cristo, enquanto homem, não dá vida aos anjos e, portanto, enquanto homem, não é a cabeça dos anjos. Em contrário, diz o Apóstolo (Cl 2,10): «O qual é a cabeça de todo o principado e potestade», e a mesma razão vale para as outras ordens de anjos. Portanto, Cristo é a Cabeça dos anjos. Respondo: Como se disse acima (A[1], ad 2), onde há um corpo, é necessário reconhecer que há uma cabeça. Ora, uma multidão ordenada a um mesmo fim, com atos e deveres distintos, pode ser chamada metaforicamente de um corpo. Mas é manifesto que tanto os homens como os anjos são ordenados a um mesmo fim, que é a glória da fruição divina. Por conseguinte, o corpo místico da Igreja não consiste apenas de homens, mas também de anjos. Ora, de toda essa multidão Cristo é a Cabeça, pois está mais próximo de Deus e participa de seus dons mais plenamente, não só do que os homens, mas até mesmo do que os anjos; e de seu influxo participam não apenas os homens, mas também os anjos, pois está escrito (Ef 1,20-22) que Deus Pai «o fez sentar à sua direita nos céus, acima de todo principado, e potestade, e virtude, e dominação, e de todo nome que se nomeia, não só neste século, mas também no vindouro; e sujeitou todas as coisas debaixo de seus pés». Portanto, Cristo não é apenas a Cabeça dos homens, mas também dos anjos. Donde lemos (Mt 4,11) que «os anjos se chegaram e o serviam». Resposta à objeção 1: O influxo de Cristo sobre os homens é principalmente quanto às suas almas; nelas os homens concordam com os anjos na natureza genérica, embora não na natureza específica. Em razão dessa concordância, Cristo pode ser chamado de Cabeça dos anjos, embora a concordância seja deficiente quanto ao corpo. Resposta à objeção 2: A Igreja, na terra, é a congregação dos fiéis; mas, no céu, é a congregação dos compreensores. Ora, Cristo não foi apenas viandante, mas também compreensor. E, portanto, Ele é a Cabeça não só dos fiéis, mas também dos compreensores, por ter a graça e a glória em plenitude. Resposta à objeção 3: Agostinho usa aqui a semelhança de causa e efeito, enquanto as coisas corpóreas atuam sobre os corpos e as espirituais sobre as espirituais. Contudo, a humanidade de Cristo, em virtude da natureza espiritual, isto é, divina, pode causar algo não só nos espíritos dos homens, mas também nos espíritos dos anjos, por causa de sua estreitíssima conjunção com Deus, ou seja, pela união pessoal.

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 4 - Whether Christ is the Head of the angels? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

Objecção 1: Parece que Deus não ama sempre mais as coisas melhores. Porque é manifesto que Cristo é melhor do que todo o gênero humano, sendo Deus e homem. Mas Deus amou mais o gênero humano do que amou a Cristo; pois está escrito: «Não poupou Seu próprio Filho, mas O entregou por todos nós» (Rom. 8,32). Logo, Deus não ama sempre mais as coisas melhores. Objecção 2: Além disso, um anjo é melhor do que um homem. Donde se diz do homem: «Fizeste-o um pouco menor que os anjos» (Sl. 8,6). Mas Deus amou mais os homens do que amou os anjos, pois está escrito: «Em nenhum lugar toma Ele os anjos, mas toma a descendência de Abraão» (Heb. 2,16). Logo, Deus não ama sempre mais as coisas melhores. Objecção 3: Além disso, Pedro era melhor do que João, pois amava mais a Cristo. Donde o Senhor, sabendo ser isto verdade, perguntou a Pedro, dizendo: «Simão, filho de João, amas-Me mais do que estes?» No entanto, Cristo amou mais a João do que a Pedro. Pois, como diz Agostinho, comentando as palavras «Simão, filho de João, amas-Me?»: «Por esta mesma marca se distingue João dos outros discípulos, não porque O amasse só ele, mas porque O amava mais que os outros.» Logo, Deus não ama sempre mais as coisas melhores. Objecção 4: Além disso, o homem inocente é melhor do que o penitente, pois a penitência é, como diz Jerónimo (Cap. 3 in Isa.), «uma segunda tábua depois do naufrágio.» Mas Deus ama mais o penitente do que o inocente; pois se alegra mais com ele. Porque está escrito: «Digo-vos que haverá alegria no céu por um pecador que faz penitência, mais do que por noventa e nove justos que não necessitam de penitência» (Lc. 15,7). Logo, Deus não ama sempre mais as coisas melhores. Objecção 5: Além disso, o justo que é presciente é melhor do que o pecador predestinado. Ora, Deus ama mais o pecador predestinado, pois Lhe quer um bem maior, a vida eterna. Logo, Deus não ama sempre mais as coisas melhores. Ao contrário, Toda coisa ama o que é semelhante a si, como se vê em (Eclo. 13,19): «Todo animal ama o seu semelhante.» Ora, quanto melhor é uma coisa, tanto mais semelhante é a Deus. Logo, as coisas melhores são mais amadas por Deus. Respondo que, Necessariamente, segundo o que foi dito antes, Deus ama mais as coisas melhores. Pois foi mostrado (AA[2],3), que Deus amar uma coisa mais do que outra não é senão querer para essa coisa um bem maior: porque a vontade de Deus é a causa da bondade nas coisas; e a razão pela qual umas coisas são melhores do que outras é que Deus lhes quer um bem maior. Donde se segue que Ele ama mais as coisas melhores. Resposta à Objecção 1: Deus ama a Cristo não só mais do que ama todo o gênero humano, mas mais do que ama todo o universo criado: porque Lhe quis o maior bem, dando-Lhe «um nome que está acima de todo nome», enquanto era verdadeiro Deus. Nem diminuiu algo da Sua excelência quando Deus O entregou à morte para a salvação do gênero humano; antes se tornou por isso um glorioso vencedor: «O governo foi posto sobre Seu ombro», segundo Is. 9,6. Resposta à Objecção 2: Deus ama a natureza humana assumida pelo Verbo de Deus na pessoa de Cristo mais do que ama todos os anjos; porque essa natureza é melhor, especialmente em razão da união com a Divindade. Mas falando da natureza humana em geral, e comparando-a com a angélica, ambas se encontram iguais, na ordem da graça e da glória: pois segundo Apoc. 21,17, a medida de um homem e de um anjo é a mesma. Contudo, de modo que, a este respeito, alguns anjos se acham mais nobres do que alguns homens, e alguns homens mais nobres do que alguns anjos. Mas quanto à condição natural, um anjo é melhor do que um homem. Deus portanto não assumiu a natureza humana porque amava o homem, absolutamente falando, mais; mas porque as necessidades do homem eram maiores; assim como o senhor de uma casa pode dar um petisco custoso a um servo doente, que não dá a seu próprio filho são. Resposta à Objecção 3: Esta dúvida acerca de Pedro e João foi resolvida de vários modos. Agostinho a interpreta misticamente, e diz que a vida ativa, significada por Pedro, ama mais a Deus do que a contemplativa, significada por João, porque aquela é mais consciente das misérias desta vida presente, e por isso deseja mais ardentemente ser delas libertada e partir para Deus. Deus, diz ele, ama mais a vida contemplativa, pois a conserva por mais tempo. Porque ela não termina, como a vida ativa, com a vida do corpo. Alguns dizem que Pedro amou mais a Cristo nos Seus membros, e por isso foi também mais amado por Cristo, pelo que Lhe deu o cuidado da Igreja; mas que João amou mais a Cristo em Si mesmo, e assim foi mais amado por Ele; por isso Cristo confiou Sua mãe aos seus cuidados. Outros dizem que é incerto qual deles amou mais a Cristo com o amor de caridade, e incerto também qual deles Deus amou mais e ordenou a um maior grau de glória na vida eterna. Diz-se que Pedro amou mais, quanto a uma certa prontidão e fervor; mas que João foi mais amado, quanto a certos sinais de familiaridade que Cristo lhe mostrou mais do que aos outros, por causa da sua juventude e pureza. Enquanto outros dizem que Cristo amou mais a Pedro, pelo seu mais excelente dom de caridade; mas a João mais, pelos seus dons de intelecto. Por isso, absolutamente falando, Pedro era o melhor e o mais amado; mas, em certo sentido, João era o melhor, e era o mais amado. Contudo, pode parecer presunçoso julgar estas matérias; pois «o Senhor» e nenhum outro «é o pesador dos espíritos» (Prov. 16,2). Resposta à Objecção 4: O penitente e o inocente se relacionam como o que excede e o que é excedido. Pois, quer inocente quer penitente, são melhores e mais amados aqueles que têm mais graça. Em igualdade de condições, a inocência é a coisa mais nobre e mais amada. Diz-se que Deus se alegra mais com o penitente do que com o inocente, porque muitas vezes os penitentes se levantam do pecado mais cautelosos, humildes e fervorosos. Donde Gregório, comentando estas palavras (Hom. 34 in Ev.), diz que «Na batalha, o general ama mais o soldado que, depois da fuga, volta e persegue bravamente o inimigo, do que aquele que nunca fugiu, mas nunca fez um ato valente.» Ou pode-se responder que os dons da graça, iguais em si mesmos, são maiores quando conferidos ao penitente, que merecia castigo, do que quando conferidos ao inocente, a quem nenhum castigo era devido; assim como cem marcos são um dom maior para um pobre do que para um rei. Resposta à Objecção 5: Visto que a vontade de Deus é a causa da bondade nas coisas, a bondade de quem é amado por Deus deve ser considerada segundo o tempo em que algum bem lhe deve ser dado pela bondade divina. Portanto, segundo o tempo, quando pela vontade divina deve ser dado ao pecador predestinado um bem maior, o pecador é melhor; ainda que segundo algum outro tempo seja pior; porque mesmo segundo algum tempo ele não é nem bom nem mau.

Summa Theologiae — First Part · Article. 4 - Whether God always loves more the better things? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que a carne de Cristo não foi derivada de Adão. Porque diz o Apóstolo (1 Cor 15,47): «O primeiro homem, da terra, terreno; o segundo homem, do céu, celestial». Ora, o primeiro homem é Adão; e o segundo homem é Cristo. Logo, Cristo não é derivado de Adão, mas tem uma origem distinta dele. Objeção 2: Ademais, a conceição de Cristo devia ter sido milagrosíssima. Mas é maior milagre formar o corpo humano do limo da terra, do que da matéria humana derivada de Adão. Parece, portanto, inconveniente que Cristo assumisse carne de Adão. Logo, o corpo de Cristo não devia ter sido formado da massa do gênero humano derivada de Adão, mas de alguma outra matéria. Objeção 3: Ademais, por «um só homem entrou o pecado neste mundo», isto é, por Adão, porque nele todos os povos pecaram originalmente, como é claro de Rom 5,12. Ora, se o corpo de Cristo foi derivado de Adão, Ele teria estado em Adão originalmente quando pecou; portanto, teria contraído o pecado original; o que é indigno da sua pureza. Logo, o corpo de Cristo não foi formado de matéria derivada de Adão. Em contrário, diz o Apóstolo (Heb 2,16): «Porque, na verdade, não tomou Ele» — isto é, o Filho de Deus — «os anjos, mas tomou a descendência de Abraão». Ora, a descendência de Abraão foi derivada de Adão. Logo, o corpo de Cristo foi formado de matéria derivada de Adão. Respondo que Cristo assumiu a natureza humana para a purificar da corrupção. Ora, a natureza humana não necessitava ser purificada senão enquanto estava maculada na sua origem viciada, pela qual descendia de Adão. Por isso, convinha que Ele assumisse carne de matéria derivada de Adão, para que a própria natureza fosse curada pela assunção. Resposta à objeção 1: O segundo homem, isto é, Cristo, é dito ser do céu, não quanto à matéria de que Seu corpo foi formado, mas ou quanto à virtude pela qual foi formado, ou mesmo quanto à própria Divindade. Quanto à matéria, porém, o corpo de Cristo era terreno, como o corpo de Adão. Resposta à objeção 2: Como foi dito acima (Q. 29, a. 1, ad 2), o mistério da Encarnação de Cristo é milagroso, não como ordenado a fortalecer a fé, mas como artigo de fé. E, portanto, no mistério da Encarnação, não buscamos o que é milagrosíssimo, como naqueles milagres que são feitos para confirmação da fé, mas o que é mais conveniente à sabedoria divina e mais expediente para a salvação do homem, pois isto é o que buscamos em todas as matérias de fé. Pode-se também dizer que no mistério da Encarnação o milagre não está apenas quanto à matéria da conceição, mas antes quanto ao modo da conceição e do nascimento, enquanto uma virgem concebeu e deu à luz a Deus. Resposta à objeção 3: Como foi dito acima (Q. 15, a. 1, ad 2), o corpo de Cristo estava em Adão quanto à substância corporal — isto é, que a matéria corpórea do corpo de Cristo foi derivada de Adão; mas não estava nele por razão de virtude seminal, porque não foi concebido da semente do homem. Assim, não contraiu o pecado original, como outros que descendem de Adão pela semente do homem.

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 1 - Whether the flesh of Christ was derived from Adam? · séc. XIII

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Hb 2, 16 nos Padres da Igreja | Aurea