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Hb 2, 17

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Matos Soares

17Daí vem que ele deveu em tudo ser semelhante a seus irmãos, a fim de ser diante de Deus um pontífice misericordioso e fiel (no seu ministério), para expiar os pecados do povo.

Matos Soares · domínio público

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que não convinha que o Filho de Deus assumisse a natureza humana da estirpe de Adão, pois o Apóstolo diz (Heb. 7, 26): «Porque convinha que tivéssemos um tal sumo sacerdote… separado dos pecadores». Ora, Ele teria sido ainda mais separado dos pecadores se não houvesse assumido a natureza humana da estirpe de Adão, pecador. Logo, parece que não devia ter assumido a natureza humana da estirpe de Adão. Objeção 2: Além disso, em todo género, o princípio é mais nobre do que o que procede do princípio. Portanto, se Ele quisesse assumir a natureza humana, deveria tê-la assumido no próprio Adão. Objeção 3: Além disso, os gentios eram maiores pecadores que os judeus, como diz uma glosa sobre Gál. 2, 15: «Nós, judeus por natureza, e não pecadores dentre os gentios». Portanto, se Ele quisesse assumir a natureza humana dos pecadores, antes devia tê-la assumido dos gentios do que da estirpe de Abraão, que era justo. Em contrário, (Lc. 3) a genealogia de nosso Senhor é traçada até Adão. Respondo que, como diz Agostinho (Da Trindade, XIII, 18): «Deus podia assumir a natureza humana em outra parte que não da estirpe de Adão, que pelo seu pecado acorrentara todo o género humano; contudo, Deus julgou melhor assumir a natureza humana da raça vencida, e assim vencer o inimigo do género humano». E isto por três razões: Primeiro, porque pareceria pertencer à justiça que aquele que pecou fizesse a reparação; e, portanto, que da natureza que ele corrompera fosse assumida aquela pela qual a satisfação devia ser feita por toda a natureza. Segundo, pertence à maior dignidade do homem que o vencedor do diabo brotasse da estirpe vencida pelo diabo. Terceiro, porque o poder de Deus se torna assim mais manifesto, uma vez que, de uma natureza corrupta e enfraquecida, Ele assumiu aquela que foi elevada a tal poder e glória. Resposta à Objeção 1: Cristo devia estar separado dos pecadores quanto ao pecado, que Ele veio destruir, e não quanto à natureza, que Ele veio salvar, e na qual «convinha que em tudo se tornasse semelhante a seus irmãos», como diz o Apóstolo (Heb. 2, 17). E nisto é a sua inocência tanto mais admirável, que, embora assumida de uma massa contaminada pelo pecado, a sua natureza foi dotada de tal pureza. Resposta à Objeção 2: Como foi dito acima (ad 1), convinha que Aquele que veio tirar os pecados estivesse separado dos pecadores quanto ao pecado, ao qual Adão estava sujeito, e a quem Cristo «tirou do seu pecado», como está escrito (Sab. 10, 2). Pois convinha que Aquele que veio purificar a todos não necessitasse Ele mesmo de purificação; assim como em todo género de movimento, o primeiro motor é imóvel quanto a esse movimento, e o primeiro a alterar é em si mesmo inalterável. Portanto, não convinha que Ele assumisse a natureza humana no próprio Adão. Resposta à Objeção 3: Visto que Cristo devia ser especialmente separado dos pecadores quanto ao pecado, e possuir a mais alta inocência, convinha que entre o primeiro pecador e Cristo houvesse alguns homens justos como mediadores, nos quais brilhassem certos prenúncios da sua futura santidade. E, portanto, mesmo no povo do qual Cristo devia nascer, Deus estabeleceu sinais de santidade, que começaram em Abraão, o primeiro a receber a promessa de Cristo, e a circuncisão, como sinal de que a aliança deveria ser guardada, como está escrito (Gén. 17, 11).

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 6 - Whether it was fitting for the Son of God to assume human nature of the stock of Adam? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1:** Parece que a alma de Cristo tinha onipotência com respeito ao seu próprio corpo. Porque Damasceno diz (De Fide Orth. iii, 20,23) que "todas as coisas naturais eram voluntárias para Cristo; Ele quis ter fome, quis ter sede, quis temer, quis morrer". Ora, Deus é chamado onipotente porque "fez tudo quanto quis" (Sl 113,11). Logo, parece que a alma de Cristo tinha onipotência com respeito às operações naturais do corpo. **Objeção 2:** Ademais, a natureza humana era mais perfeita em Cristo do que em Adão, o qual tinha um corpo inteiramente sujeito à alma, de modo que nada podia acontecer ao corpo contra a vontade da alma — e isto por causa da justiça original que possuía no estado de inocência. Muito mais, portanto, a alma de Cristo tinha onipotência com respeito ao seu corpo. **Objeção 3:** Ademais, o corpo é naturalmente mudado pelas imaginações da alma; e é tanto mais mudado quanto mais forte é a imaginação da alma, como foi dito na Primeira Parte, Q. 117, A. 3, ad 3. Ora, a alma de Cristo possuía força perfeitíssima tanto quanto à imaginação como quanto às demais potências. Logo, a alma de Cristo era onipotente com respeito ao seu próprio corpo. **Em contrário,** está escrito (Hb 2,17) que "convinha que em tudo se fizesse semelhante a seus irmãos", e especialmente quanto ao que pertence à condição da natureza humana. Ora, pertence à condição da natureza humana que a saúde do corpo, sua nutrição e crescimento não estejam sujeitos ao arbítrio da razão ou da vontade, pois as coisas naturais estão sujeitas somente a Deus, que é o autor da natureza. Portanto, não estavam sujeitas em Cristo. Logo, a alma de Cristo não era onipotente com respeito ao seu próprio corpo. **Respondo que,** como foi dito acima (A. 2), a alma de Cristo pode ser considerada de dois modos. Primeiro, em sua própria natureza e poder; e deste modo, assim como era incapaz de fazer os corpos exteriores desviarem-se do curso e ordem da natureza, assim também era incapaz de mudar seu próprio corpo de sua disposição natural, pois a alma, por sua própria natureza, tem uma relação determinada com seu corpo. Segundo, a alma de Cristo pode ser considerada como instrumento unido em pessoa ao Verbo de Deus; e assim, toda disposição de seu próprio corpo estava totalmente sujeita ao seu poder. Contudo, porque o poder da ação não é atribuído propriamente ao instrumento, mas ao agente principal, esta onipotência é atribuída ao Verbo de Deus antes que à alma de Cristo. **Resposta à Objeção 1:** Esta afirmação de Damasceno refere-se à vontade divina de Cristo, pois, como ele diz no capítulo precedente (De Fide Orth. xix, 14,15), foi pelo consentimento da vontade divina que a carne foi permitida sofrer e fazer o que lhe era próprio. **Resposta à Objeção 2:** Não era próprio da justiça original que Adão tinha no estado de inocência que a alma do homem tivesse o poder de mudar seu próprio corpo para qualquer forma, mas que o conservasse de qualquer dano. Contudo, Cristo poderia ter assumido até este poder, se quisesse. Mas, como o homem tem três estados — a saber, inocência, pecado e glória —, assim como do estado de glória assumiu a compreensão e do estado de inocência, a liberdade do pecado, assim também do estado de pecado assumiu a necessidade de estar sob as penalidades desta vida, como se dirá (Q. 14, A. 2). **Resposta à Objeção 3:** Se a imaginação é forte, o corpo obedece naturalmente em algumas coisas, por exemplo, quanto a cair de uma viga colocada no alto, pois a imaginação foi formada para ser princípio do movimento local, como se diz em *De Anima* iii, 9,10. Assim também quanto à alteração no calor e no frio, e suas consequências; pois as paixões da alma, com as quais o coração é movido, seguem naturalmente a imaginação, e assim, pela comoção dos espíritos, todo o corpo é alterado. Mas as outras disposições corporais que não têm relação natural com a imaginação não são transmudadas pela imaginação, por mais forte que seja, por exemplo, a forma da mão ou do pé, ou outras semelhantes.

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 3 - Whether the soul of Christ had omnipotence with regard to His own body? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1:** Parece que Cristo contraiu os defeitos corporais. Pois dizemos que contraímos aquilo que derivamos da nossa natureza por nascimento. Ora, Cristo, juntamente com a natureza humana, derivou os Seus defeitos e enfermidades corporais por meio do Seu nascimento da Sua mãe, cuja carne estava sujeita a esses defeitos. Logo, parece que Ele os contraiu. **Objeção 2:** Além disso, o que é causado pelos princípios da natureza é derivado juntamente com a natureza e, portanto, é contraído. Ora, estas penas são causadas pelos princípios da natureza humana. Logo, Cristo as contraiu. **Objeção 3:** Além disso, Cristo é feito semelhante aos outros homens nestes defeitos, como está escrito: Heb. 2, 17. Ora, os outros homens contraem estes defeitos. Logo, parece que Cristo os contraiu. **Em contrário,** Estes defeitos são contraídos pelo pecado, segundo Rom. 5, 12: "Por um homem entrou o pecado neste mundo, e pelo pecado a morte." Ora, em Cristo não houve lugar para o pecado. Logo, Cristo não contraiu estes defeitos. **Respondo que,** No verbo "contrair" entende-se a relação do efeito para a causa, isto é, diz-se que é contraído aquilo que é derivado de modo necessário juntamente com a sua causa. Ora, a causa da morte e de semelhantes defeitos na natureza humana é o pecado, uma vez que "pelo pecado entrou a morte neste mundo", segundo Rom. 5, 12. E, portanto, aqueles que incorrem nestes defeitos, como devidos ao pecado, dizem-se propriamente contraí-los. Ora, Cristo não teve estes defeitos como devidos ao pecado, pois, como diz Agostinho [*Alcuíno na Glosa Ordinária] expondo Jo. 3, 31: "Aquele que vem de cima, é sobre todos": "Cristo veio de cima, isto é, da altura da natureza humana, que esta tinha antes da queda do primeiro homem." Pois Ele recebeu a natureza humana sem pecado, na pureza que ela possuía no estado de inocência. Do mesmo modo, poderia ter assumido a natureza humana sem defeitos. Assim, fica claro que Cristo não contraiu estes defeitos como se os tomasse sobre Si como devidos ao pecado, mas por Sua própria vontade. **Resposta à objeção 1:** A carne da Virgem foi concebida em pecado original, [*Veja nota introdutória à Q[27]] e, portanto, contraiu estes defeitos. Mas da Virgem, a carne de Cristo assumiu a natureza sem pecado, e poderia igualmente ter assumido a natureza sem as suas penas. Mas quis sofrer as suas penas para realizar a obra da nossa redenção, como foi dito acima (A[1]). Por conseguinte, teve estes defeitos — não que os contraiu, mas que os assumiu. **Resposta à objeção 2:** A causa da morte e dos demais defeitos corporais da natureza humana é dupla: a primeira é remota, e resulta dos princípios materiais do corpo humano, enquanto composto de contrários. Mas esta causa era refreada pela justiça original. Portanto, a causa próxima da morte e dos outros defeitos é o pecado, pelo qual a justiça original é retirada. E assim, porque Cristo esteve sem pecado, diz-se que não contraiu estes defeitos, mas que os assumiu. **Resposta à objeção 3:** Cristo foi feito semelhante aos outros homens na qualidade e não na causa destes defeitos; e, portanto, diferentemente dos outros, não os contraiu.

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 3 - Whether Christ contracted these defects? · séc. XIII

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