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Matos Soares
3como escaparemos nós (ao castigo de Deus), se desprezarmos tão grande salvação, a qual, tendo começado a ser anunciada pelo Senhor, foi depois confirmada entre nós pelos que a ouviram (diretamente dele),
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Citações internas
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TA
Santo Thomas Aquinas
Objeção 1: Parece que as graças gratuitas não estavam em Cristo. Pois quem quer que tenha algo em sua plenitude, não lhe pertence tê-lo por participação. Ora, Cristo tem a graça em sua plenitude, segundo Jo 1,14: «Cheio de graça e verdade». Mas as graças gratuitas parecem ser certas participações, concedidas distributiva e particularmente a diversos sujeitos, segundo 1Cor 12,4: «Ora, há diversidade de graças». Logo, parece que não havia graças gratuitas em Cristo.
Objeção 2: Ademais, o que é devido a alguém não parece ser-lhe concedido gratuitamente. Ora, era devido ao homem Cristo que Ele abundasse na palavra de sabedoria e de ciência, e que fosse poderoso na realização de obras maravilhosas e coisas semelhantes, as quais todas pertencem às graças gratuitas; pois Ele é «poder de Deus e sabedoria de Deus», como está escrito em 1Cor 1,24. Portanto, não era conveniente que Cristo tivesse as graças gratuitas.
Objeção 3: Ademais, as graças gratuitas são ordenadas para o benefício dos fiéis. Ora, não parece que um hábito que um homem não usa seja para o benefício de outros, segundo Eclo 20,32: «Sabedoria que está escondida e tesouro que não se vê: que proveito há em ambos?» Ora, não lemos que Cristo tenha feito uso destas graças gratuitamente dadas, especialmente quanto ao dom de línguas. Logo, nem todas as graças gratuitas estavam em Cristo.
Em contrário, Agostinho diz (Ep. ad Dardan. cclxxxvii) que «assim como na cabeça estão todos os sentidos, assim em Cristo estavam todas as graças».
Respondo que, como foi dito acima (FS, Q[3], AA[1],4), as graças gratuitas são ordenadas para a manifestação da fé e da doutrina espiritual. Pois convém àquele que ensina ter meios de tornar clara a sua doutrina; caso contrário, a sua doutrina seria inútil. Ora, Cristo é o primeiro e principal mestre da doutrina espiritual e da fé, segundo Hb 2,3-4: «A qual, tendo começado a ser declarada pelo Senhor, foi-nos confirmada por aqueles que a ouviram, testificando Deus também com eles por sinais e prodígios». Por onde é claro que todas as graças gratuitas estavam excelentissimamente em Cristo, como no primeiro e principal mestre da fé.
Resposta à primeira objeção: Assim como a graça santificante é ordenada a atos meritórios, tanto interiores como exteriores, do mesmo modo a graça gratuita é ordenada a certos atos exteriores manifestativos da fé, como a operação de milagres e coisas semelhantes. Ora, de ambas estas graças Cristo teve a plenitude, porque, na medida em que a sua alma estava unida à Divindade, Ele tinha o poder perfeito de realizar todos estes atos. Mas os outros santos, que são movidos por Deus como instrumentos separados e não unidos, recebem poder de modo particular para realizar este ou aquele ato. E por isso, nos outros santos estas graças são divididas, mas não em Cristo.
Resposta à segunda objeção: Diz-se que Cristo é o poder de Deus e a sabedoria de Deus enquanto é o Filho eterno de Deus. Mas sob este respeito não Lhe pertence ter graça, mas antes ser o doador da graça; porém, pertence-Lhe na sua natureza humana ter graça.
Resposta à terceira objeção: O dom de línguas foi concedido aos apóstolos, porque foram enviados a ensinar todas as nações; mas Cristo quis pregar pessoalmente somente na única nação dos judeus, como Ele mesmo diz (Mt 15,24): «Não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel»; e o Apóstolo diz (Rm 15,8): «Digo que Cristo Jesus foi ministro da circuncisão». E por isso não Lhe era necessário falar várias línguas. Contudo, não Lhe faltava o conhecimento de todas as línguas, pois até os segredos dos corações, dos quais todas as palavras são sinais, não Lhe estavam ocultos, como se mostrará (Q[10], A[2]). Nem possuía este conhecimento inutilmente, assim como não é inútil ter um hábito que não usamos quando não há ocasião.
Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 7 - Whether the gratuitous graces were in Christ? · séc. XIII
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TA
Santo Thomas Aquinas
Objeção 1: Parece que o batismo de João não era de Deus. Pois nada sacramental que é de Deus se nomeia por um simples homem: assim o batismo da Nova Lei não se nomeia por Pedro ou Paulo, mas por Cristo. Ora, aquele batismo se nomeia por João, conforme Mat. 21,25: "O batismo de João era do céu ou dos homens?" Logo, o batismo de João não era de Deus.
Objeção 2: Além disso, toda doutrina que procede de Deus de novo é confirmada por alguns sinais: assim o Senhor (Êx. 4) deu a Moisés o poder de operar sinais; e está escrito (Heb. 2,3-4) que a nossa fé, "tendo começado a ser anunciada pelo Senhor, foi confirmada entre nós por aqueles que a ouviram, dando Deus testemunho juntamente com sinais e prodígios". Ora, está escrito de João Batista (Jo. 10,41) que "João não fez sinal algum". Portanto, parece que o batismo com que ele batizava não era de Deus.
Objeção 3: Além disso, os sacramentos que são instituídos por Deus estão contidos em certos preceitos da Sagrada Escritura. Ora, não há preceito da Sagrada Escritura que ordene o batismo de João. Logo, parece que não era de Deus.
Ao contrário, está escrito (Jo. 1,33): "Aquele que me mandou batizar em água, esse me disse: 'Sobre o que tu vires descer o Espírito'", etc.
Respondo que, duas coisas podem ser consideradas no batismo de João — a saber, o rito do batismo e o efeito do batismo. O rito do batismo não era dos homens, mas de Deus, que por uma revelação interior do Espírito Santo enviou João a batizar. Mas o efeito daquele batismo era do homem, porque não produzia nada que o homem não pudesse realizar. Pelo que não era somente de Deus, exceto na medida em que Deus opera no homem.
Resposta à Objeção 1: Pelo batismo da Nova Lei os homens são batizados interiormente pelo Espírito Santo, e isto é realizado só por Deus. Mas pelo batismo de João só o corpo era lavado pela água. Por isso está escrito (Mat. 3,11): "Eu vos batizo em água; mas ele vos batizará no Espírito Santo." Por esta razão o batismo de João foi nomeado por ele, porque não produzia nada que ele não realizasse. Mas o batismo da Nova Lei não se nomeia pelo seu ministro, porque este não realiza o seu efeito principal, que é a purificação interior.
Resposta à Objeção 2: Toda a doutrina e obra de João estava ordenada a Cristo, o qual, por muitos milagres, confirmou tanto a sua própria doutrina como a de João. Ora, se João tivesse operado sinais, os homens teriam dado igual atenção a João e a Cristo. Portanto, para que os homens dessem maior atenção a Cristo, não foi dado a João operar sinal algum. Contudo, quando os judeus lhe perguntaram por que batizava, ele confirmou o seu ofício pela autoridade da Escritura, dizendo: "Eu sou a voz do que clama no deserto", etc., conforme relatado em Jo. 1,23 (cf. Is. 40,3). Além disso, a própria austeridade da sua vida era uma recomendação do seu ofício, porque, como diz Crisóstomo, comentando sobre Mateus (Hom. X in Matth.), "era admirável ver tanta paciência num corpo humano".
Resposta à Objeção 3: O batismo de João foi destinado por Deus a durar somente por pouco tempo, pelas razões acima expostas (A[1]). Portanto, não foi objeto de um mandamento geral estabelecido na Sagrada Escritura, mas de uma certa revelação interior do Espírito Santo, como foi dito acima.
Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 2 - Whether the baptism of John was from God? · séc. XIII
tradução automática
TA
Santo Thomas Aquinas
**Objeção 1:** Parece que o Espírito Santo não é convenientemente enviado de modo visível. Porque o Filho, enviado visivelmente ao mundo, diz-se menor que o Pai. Mas o Espírito Santo nunca é dito menor que o Pai. Logo, o Espírito Santo não é convenientemente enviado de modo visível.
**Objeção 2:** Ademais, a missão visível dá-se por meio da união a uma criatura visível, como a missão do Filho segundo a carne. Mas o Espírito Santo não assumiu criatura visível alguma; e portanto não se pode dizer que Ele existe de modo diverso em algumas criaturas do que em outras, a não ser talvez como em um sinal, assim como também está presente nos sacramentos e em todas as figuras da Lei. Assim, ou o Espírito Santo não é enviado visivelmente de modo algum, ou a sua missão visível se dá em todas essas coisas.
**Objeção 3:** Ademais, toda criatura visível é um efeito que manifesta toda a Trindade. Logo, o Espírito Santo não é enviado por meio dessas criaturas visíveis mais do que qualquer outra pessoa.
**Objeção 4:** Ademais, o Filho foi enviado visivelmente por meio da mais nobre espécie de criatura – a saber, a natureza humana. Portanto, se o Espírito Santo é enviado visivelmente, deveria ser enviado por meio de criaturas racionais.
**Objeção 5:** Ademais, tudo o que é feito visivelmente por Deus é dispensado pelo ministério dos anjos, como diz Agostinho (De Trin. III, 4,5,9). Logo, as aparições visíveis, se houve alguma, vieram por meio dos anjos. Assim, os anjos é que são enviados, e não o Espírito Santo.
**Objeção 6:** Ademais, o Espírito Santo ser enviado de modo visível é tão somente para manifestar a missão invisível, assim como as coisas invisíveis são conhecidas pelas visíveis. Portanto, aqueles a quem a missão invisível não foi enviada não deveriam receber a missão visível; e a todos os que receberam a missão invisível, seja no Novo ou no Antigo Testamento, a missão visível deveria igualmente ser enviada; o que é claramente falso. Logo, o Espírito Santo não é enviado visivelmente.
**Em contrário,** diz-se (Mt 3,16) que, quando Nosso Senhor foi batizado, o Espírito Santo desceu sobre Ele em forma de pomba.
**Respondo que** Deus provê todas as coisas segundo a natureza de cada uma. Ora, a natureza do homem requer que ele seja conduzido ao invisível pelas coisas visíveis, como se explicou acima (Q. 12, a. 12). Por isso, as coisas invisíveis de Deus devem ser manifestadas ao homem pelas coisas visíveis. Assim como Deus, portanto, de certo modo se manifestou a Si mesmo e as Suas processões eternas aos homens por meio de criaturas visíveis, segundo certos sinais, assim também convinha que as missões invisíveis das pessoas divinas fossem manifestadas por algumas criaturas visíveis. Este modo de manifestação aplica-se de modos diversos ao Filho e ao Espírito Santo. Pois pertence ao Espírito Santo, que procede como Amor, ser o dom da santificação; ao Filho, como princípio do Espírito Santo, pertence ser o autor desta santificação. Assim, o Filho foi enviado visivelmente como autor da santificação; o Espírito Santo como sinal da santificação.
**Resposta à objeção 1:** O Filho assumiu a criatura visível, na qual apareceu, na unidade da sua pessoa, de modo que tudo o que se pode dizer daquela criatura se pode dizer do Filho de Deus; e assim, por causa da natureza assumida, o Filho é chamado menor que o Pai. Mas o Espírito Santo não assumiu a criatura visível, na qual apareceu, na unidade da sua pessoa; de modo que o que se diz dela não se pode predicar d'Ele. Por isso, não pode ser chamado menor que o Pai por causa de qualquer criatura visível.
**Resposta à objeção 2:** A missão visível do Espírito Santo não se aplica à visão imaginária, que é a da profecia; porque, como diz Agostinho (De Trin. II, 6): «A visão profética não se apresenta aos olhos corporais por formas corpóreas, mas é mostrada no espírito pelas imagens espirituais dos corpos. Mas quem viu a pomba e o fogo, viu-os com os olhos. Nem, tampouco, tem o Espírito Santo a mesma relação com estas imagens que o Filho tem com a rocha, porque está escrito: "A rocha era Cristo" (1 Cor 10,4). Pois aquela rocha já estava criada, e, à maneira de uma ação, foi chamada Cristo, a quem tipificava; enquanto a pomba e o fogo apareceram subitamente para significar apenas o que estava acontecendo. Contudo, parecem semelhantes à chama da sarça ardente vista por Moisés e à coluna que o povo seguiu no deserto, e aos relâmpagos e trovões que irromperam quando a lei foi dada no monte. Pois o propósito das aparições corporais daquelas coisas era que significassem e depois passassem.» Assim, a missão visível não se manifesta nem pela visão profética, que pertence à imaginação e não ao corpo, nem pelos sinais sacramentais do Antigo e do Novo Testamento, nos quais certas coisas preexistentes são empregadas para significar algo. Mas o Espírito Santo é dito enviado visivelmente na medida em que Se mostrou em certas criaturas como em sinais feitos especialmente para esse fim.
**Resposta à objeção 3:** Embora toda a Trindade faça essas criaturas, elas são feitas, contudo, para manifestar de algum modo especial esta ou aquela pessoa. Pois assim como o Pai, o Filho e o Espírito Santo são significados por nomes diversos, assim também podem ser significados cada um por coisas diferentes; embora não exista separação nem diversidade entre Eles.
**Resposta à objeção 4:** Era necessário que o Filho fosse declarado o autor da santificação, como se explicou acima. Assim, a missão visível do Filho foi necessariamente feita segundo a natureza racional, à qual pertence agir e que é capaz de santificação; enquanto qualquer outra criatura poderia ser o sinal da santificação. Nem foi necessário que tal criatura visível, formada para tal propósito, fosse assumida pelo Espírito Santo na unidade da sua pessoa, pois não foi assumida ou usada para o propósito de agir, mas apenas para o propósito de um sinal; e, da mesma forma, não se exigiu que durasse além do que o seu uso requeria.
**Resposta à objeção 5:** Essas criaturas visíveis foram formadas pelo ministério dos anjos, não para significar a pessoa de um anjo, mas para significar a Pessoa do Espírito Santo. Assim, como o Espírito Santo residia nessas criaturas visíveis como aquele que é significado no sinal, por essa razão o Espírito Santo é dito enviado visivelmente, e não como um anjo.
**Resposta à objeção 6:** Não é necessário que a missão invisível seja sempre manifestada por algum sinal visível externo; mas, como está dito (1 Cor 12,7) – «a manifestação do Espírito é dada a cada um para proveito» –, isto é, da Igreja. Esta utilidade consiste na confirmação e propagação da fé por meio de tais sinais visíveis. Isto foi feito principalmente por Cristo e pelos apóstolos, segundo Hb 2,3: «a qual, tendo começado a ser anunciada pelo Senhor, foi-nos confirmada pelos que a ouviram.» Assim, em um sentido especial, uma missão do Espírito Santo foi dirigida a Cristo, aos apóstolos e a alguns dos primeiros santos sobre os quais a Igreja foi de certo modo fundada; de tal modo, contudo, que a missão visível feita a Cristo manifestasse a missão invisível feita a Ele, não naquele tempo particular, mas no primeiro momento da sua conceição. A missão visível foi dirigida a Cristo no tempo do seu batismo pela figura de uma pomba, animal fecundo, para manifestar em Cristo a autoridade do doador da graça pela regeneração espiritual; por isso a voz do Pai falou: «Este é o Meu Filho amado» (Mt 3,17), para que outros fossem regenerados à semelhança do Unigênito. A Transfiguração manifestou-a na aparição de uma nuvem luminosa, para mostrar a exuberância da doutrina; e por isso foi dito: «Ouvi-O» (Mt 17,5). Aos apóstolos, a missão foi dirigida sob a forma de sopro para manifestar o poder do seu ministério na dispensação dos sacramentos; e por isso foi dito: «Aqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados» (Jo 20,23); e novamente sob o sinal de línguas de fogo para manifestar o ofício de ensinar; donde está dito que «começaram a falar em várias línguas» (At 2,4). A missão visível do Espírito Santo não foi convenientemente enviada aos pais do Antigo Testamento, porque a missão visível do Filho devia ser realizada antes da do Espírito Santo; pois o Espírito Santo manifesta o Filho, assim como o Filho manifesta o Pai. Aparições visíveis das pessoas divinas foram, contudo, dadas aos pais do Antigo Testamento, as quais, na verdade, não podem ser chamadas missões visíveis; porque, segundo Agostinho (De Trin. II, 17), não foram enviadas para designar a inabitação da pessoa divina pela graça, mas para manifestação de outra coisa.
Summa Theologiae — First Part · Article. 7 - Whether it is fitting for the Holy Ghost to be sent visibly? · séc. XIII