Referência

Hb 5, 1

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Matos Soares

1Todo pontífice, tomado dentre os homens, é constituído a favor dos homens naquelas coisas que se referem a Deus, para que ofereça dons e sacrifícios pelos pecados,

Matos Soares · domínio público

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Citações internas

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Pareceria inconveniente que Cristo fosse sacerdote. Porque o sacerdote é menor que os anjos; donde está escrito (Zac 3,1): «O Senhor mostrou-me o sumo sacerdote, que estava diante do anjo do Senhor». Ora, Cristo é maior que os anjos, segundo Heb 1,4: «Feito tanto superior aos anjos, quanto herdou mais excelente nome do que eles». Logo, é inconveniente que Cristo fosse sacerdote. Objeção 2: Além disso, as coisas que estavam no Antigo Testamento eram figuras de Cristo, segundo Cl 2,17: «Que são sombras das coisas futuras, mas o corpo é de Cristo». Ora, Cristo não descendia dos sacerdotes da Lei antiga, pois o Apóstolo diz (Heb 7,14): «É evidente que nosso Senhor nasceu da tribo de Judá, da qual Moisés nada falou acerca de sacerdotes». Logo, não é conveniente que Cristo fosse sacerdote. Objeção 3: Além disso, na Lei antiga, que é figura de Cristo, os legisladores e os sacerdotes eram distintos; por isso o Senhor disse a Moisés, o legislador (Ex 28,1): «Toma contigo a Arão, teu irmão ... para que ele [Vulg.: 'eles'] me sirva no ofício sacerdotal». Ora, Cristo é o doador da Nova Lei, segundo Jr 31,33: «Porei a minha lei nas suas entranhas». Logo, é inconveniente que Cristo fosse sacerdote. Em contrário, está escrito (Heb 4,14): «Temos, portanto, um grande sumo sacerdote que penetrou os céus, Jesus, o Filho de Deus». Respondo que o ofício próprio do sacerdote é ser mediador entre Deus e o povo, a saber, enquanto comunica ao povo as coisas divinas, donde «sacerdos» [sacerdote] significa «aquele que dá coisas sagradas» [sacra dans], segundo Malaquias 2,7: «Buscarão a lei da sua boca», isto é, da boca do sacerdote; e também enquanto oferece as orações do povo a Deus e, de certo modo, satisfaz a Deus pelos seus pecados; por isso o Apóstolo diz (Heb 5,1): «Todo sumo sacerdote, tomado dentre os homens, é constituído a favor dos homens nas coisas que pertencem a Deus, para oferecer dons e sacrifícios pelos pecados». Ora, isto é sumamente conveniente a Cristo. Pois por Ele são concedidos dons aos homens, segundo 2 Pd 1,4: «Por Ele» (isto é, Cristo) «nos tem dado grandes e preciosas promessas, para que por elas vos façais participantes da natureza divina». Além disso, reconciliou o gênero humano com Deus, segundo Cl 1,19-20: «Nele» (isto é, em Cristo) «aprouve (ao Pai) que habitasse toda a plenitude, e por ele reconciliasse consigo todas as coisas». Logo, é sumamente conveniente que Cristo fosse sacerdote. Resposta à objeção 1: O poder hierárquico pertence aos anjos, enquanto também eles estão entre Deus e o homem, como explica Dionísio (Hier. Cel. IX), de modo que o próprio sacerdote, por estar entre Deus e o homem, é chamado anjo, segundo Malaquias 2,7: «Ele é o anjo do Senhor dos exércitos». Ora, Cristo foi maior que os anjos, não só na sua Divindade, mas também na sua humanidade, por ter a plenitude da graça e da glória. Por isso teve também o poder hierárquico ou sacerdotal em grau mais elevado que os anjos, de modo que até os anjos foram ministros do seu sacerdócio, segundo Mt 4,11: «Os anjos se chegaram e o serviam». Mas, quanto à passibilidade, «foi feito um pouco menor do que os anjos», como diz o Apóstolo (Heb 2,9); e assim foi conforme àqueles viandantes que são ordenados ao sacerdócio. Resposta à objeção 2: Como diz Damasceno (De Fide Orth. III, 26): «O que é semelhante em todas as particularidades deve ser, naturalmente, idêntico, e não uma cópia». Portanto, como o sacerdócio da Lei antiga era figura do sacerdócio de Cristo, não quis Ele nascer da linhagem dos sacerdotes figurativos, para que ficasse claro que o seu sacerdócio não é inteiramente igual ao deles, mas dele difere como a verdade da figura. Resposta à objeção 3: Como se disse acima (Q. 7, A. 7, ad 1), os outros homens têm certas graças distribuídas entre eles; mas Cristo, como Cabeça de todos, possui a perfeição de todas as graças. Por isso, quanto aos outros, um é legislador, outro é sacerdote, outro é rei; mas todas estas coisas confluem em Cristo, como fonte de toda a graça. Donde está escrito (Is 33,22): «O Senhor é o nosso juiz, o Senhor é o nosso legislador, o Senhor é o nosso rei; ele virá e nos salvará».

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 1 - Whether it is fitting that Christ should be a priest? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

**Objecção 1:** Parece que Cristo não foi Ele próprio, simultaneamente, sacerdote e vítima. Porque é ofício do sacerdote imolar a vítima. Ora, Cristo não se matou a Si mesmo. Logo, não foi, simultaneamente, sacerdote e vítima. **Objecção 2:** Além disso, o sacerdócio de Cristo tem maior semelhança com o sacerdócio judaico, instituído por Deus, do que com o sacerdócio dos gentios, pelo qual os demónios eram adorados. Ora, na Lei antiga nunca o homem era oferecido em sacrifício; pelo contrário, isto era muito repreensível nos sacrifícios dos gentios, conforme o Salmo 105, 38: «Derramaram o sangue inocente, o sangue de seus filhos e de suas filhas, que sacrificaram aos ídolos de Canaan.» Logo, no sacerdócio de Cristo, o Homem Cristo não deveria ter sido a vítima. **Objecção 3:** Além disso, toda a vítima, por ser oferecida a Deus, é consagrada a Deus. Ora, a humanidade de Cristo desde o princípio foi consagrada e unida a Deus. Logo, não se pode dizer convenientemente que Cristo, como homem, foi uma vítima. **Em contrário,** o Apóstolo diz (Efésios 5, 2): «Cristo nos amou e se entregou a Si mesmo por nós, como oblação e vítima [sacrifício] a Deus em odor de suavidade.» **Respondo:** Como diz Agostinho (Cidade de Deus, X, 5): «Todo o sacrifício visível é um sacramento, isto é, um sinal sagrado, do sacrifício invisível.» Ora, o sacrifício invisível é aquele pelo qual o homem oferece o seu espírito a Deus, segundo o Salmo 50, 19: «Sacrifício a Deus é um espírito contrito.» Por onde, tudo o que é oferecido a Deus para elevar o espírito do homem a Ele pode chamar-se sacrifício. O homem é obrigado a oferecer sacrifício por três razões. Primeira, para remissão dos pecados, pelos quais se afasta de Deus. Daí o Apóstolo dizer (Hebreus 5, 1) que pertence ao sacerdote «oferecer dons e sacrifícios pelos pecados». Segunda, para que o homem seja conservado em estado de graça, aderindo sempre a Deus, no qual consistem a sua paz e salvação. Por isso na Lei antiga se oferecia o sacrifício pacífico pela salvação dos ofertantes, como se prescreve no terceiro capítulo do Levítico. Terceira, para que o espírito do homem se una perfeitamente a Deus; o que se realizará perfeitissimamente na glória. Por isso, na Lei antiga, se oferecia o holocausto, assim chamado porque a vítima era totalmente queimada, como se lê no primeiro capítulo do Levítico. Ora, estes efeitos nos foram conferidos pela humanidade de Cristo. Pois, em primeiro lugar, os nossos pecados foram apagados, conforme Romanos 4, 25: «Que foi entregue por nossos pecados.» Em segundo lugar, por Ele recebemos a graça da salvação, conforme Hebreus 5, 9: «Tornou-Se para todos os que Lhe obedecem causa de eterna salvação.» Em terceiro lugar, por Ele adquirimos a perfeição da glória, conforme Hebreus 10, 19: «Temos confiança de entrar no Santo dos Santos» (isto é, na glória celestial) «pelo Seu sangue.» Portanto, o próprio Cristo, como homem, não foi somente sacerdote, mas também vítima perfeita, sendo ao mesmo tempo vítima pelo pecado, vítima pacífica e holocausto. **Resposta à objecção 1:** Cristo não se matou a Si mesmo, mas por Sua livre vontade expôs-Se à morte, conforme Isaías 53, 7: «Foi oferecido porque Ele quis.» Assim, diz-se que Se ofereceu a Si mesmo. **Resposta à objecção 2:** A imolação do Homem Cristo pode referir-se a uma dupla vontade. Primeira, à vontade dos que O mataram; e, sob este aspecto, não foi vítima, porque os matadores de Cristo não são tidos como oferecendo um sacrifício a Deus, mas como culpados de um grande crime; cuja semelhança se via nos ímpios sacrifícios dos gentios, em que ofereciam homens aos ídolos. Segunda, a imolação de Cristo pode considerar-se em referência à vontade do Paciente, que livremente Se ofereceu ao sofrimento. Sob este aspecto, é vítima, e nisto difere dos sacrifícios dos gentios. **Resposta à objecção 3:** O facto de a humanidade de Cristo ser santa desde o seu princípio não impede que essa mesma humanidade, quando foi oferecida a Deus na Paixão, fosse santificada de um modo novo — a saber, como vítima actualmente oferecida então. Pois adquiriu então a santidade actual de vítima, pela caridade que desde o princípio tinha, e pela graça da união que a santificava absolutamente.

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 2 - Whether Christ was Himself both priest and victim? · séc. XIII

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Hb 5, 1 nos Padres da Igreja | Aurea