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Hb 5, 7

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Matos Soares

7Nos dias da sua vida mortal, oferecendo, com grande brado e com lágrimas, preces e súplicas, ao que o podia salvar da morte (pela ressurreição), foi atendido pela sua piedade (para com Deus),

Matos Soares · domínio público

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Citações internas

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Santo Thomas Aquinas

**Objecção 1:** Parece que em Cristo não houve o dom do temor. Porque a esperança parece ser mais forte que o temor, visto que o objeto da esperança é o bem, e o do temor, o mal, como se disse acima (I-II, Q. 40, A. 1; I-II, Q. 42, A. 1). Ora, em Cristo não houve a virtude da esperança, como também se disse acima (A. 4). Logo, igualmente, não houve n'Ele o dom do temor. **Objecção 2:** Ademais, pelo dom do temor tememos ou ser separados de Deus — o que pertence ao temor casto — ou ser por Ele castigados, o que pertence ao temor servil, como diz Agostinho (In Joan. Tract. ix). Mas Cristo não temia ser separado de Deus pelo pecado, nem ser por Ele castigado por causa de culpa, pois Lhe era impossível pecar, como se dirá (Q. 15, AA. 1, 2). Ora, o temor não recai sobre o impossível. Logo, em Cristo não houve o dom do temor. **Objecção 3:** Ademais, está escrito (1 Jo 4,18): «A perfeita caridade lança fora o temor.» Ora, em Cristo houve caridade perfeitíssima, segundo Efésios 3,19: «A caridade de Cristo, que excede todo o conhecimento.» Logo, em Cristo não houve o dom do temor. **Em contrário,** está escrito (Is 11,3): «E será cheio do espírito do temor do Senhor.» **Respondo que,** como se disse acima (I-II, Q. 42, A. 1), o temor tem dois objetos: um é o mal que causa terror; outro é aquele em cujo poder um mal pode ser infligido, como tememos ao rei enquanto ele tem poder de matar. Ora, quem pode causar dano não seria temido a menos que tivesse uma certa grandeza de poder, à qual não se pudesse oferecer fácil resistência; pois o que facilmente repelimos, não tememos. E daí é manifesto que ninguém é temido senão por alguma preeminência. E deste modo se diz que em Cristo houve o temor de Deus, não certamente enquanto diz respeito ao mal da separação de Deus pela culpa, nem enquanto diz respeito ao mal do castigo pela culpa, mas enquanto considera a preeminência divina, pela qual a alma de Cristo, guiada pelo Espírito Santo, se dirigia a Deus num ato de reverência. Por isso está escrito (Hb 5,7) que em todas as coisas «foi ouvido pela sua reverência». Pois Cristo, como homem, teve este ato de reverência para com Deus de modo mais pleno e além de todos os outros. E por isso a Escritura Lhe atribui a plenitude do temor do Senhor. **Resposta à Objecção 1:** Os hábitos das virtudes e dos dons consideram o bem própria e essencialmente, e o mal, consequentemente; pois pertence à natureza da virtude tornar os atos bons, como se diz na Ética (II, 6). E assim a natureza do dom do temor não diz respeito ao mal de que o temor se ocupa, mas à preeminência daquela bondade, isto é, de Deus, por cujo poder o mal pode ser infligido. Ao passo que a esperança, como virtude, não considera apenas o autor do bem, mas também o próprio bem, enquanto ainda não possuído. E por isso a Cristo, que já possuía o bem perfeito da beatitude, não atribuímos a virtude da esperança, mas atribuímos o dom do temor. **Resposta à Objecção 2:** Esta razão se funda no temor enquanto diz respeito ao objeto mau. **Resposta à Objecção 3:** A caridade perfeita lança fora o temor servil, que considera principalmente o castigo. Ora, este temor não existia em Cristo.

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 6 - Whether in Christ there was the gift of fear? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1:** Parece que a oração de Cristo nem sempre era ouvida. Pois Ele suplicou que o cálice de sua paixão fosse afastado d'Ele, como lemos (Mat. 26:39); e contudo não foi afastado d'Ele. Logo parece que nem toda oração sua era ouvida. **Objeção 2:** Além disso, Ele orou para que o pecado daqueles que O crucificaram fosse perdoado, como se relata (Lc. 23:34). Contudo, nem todos foram perdoados deste pecado, pois os judeus foram punidos por causa dele. Logo parece que nem toda oração sua era ouvida. **Objeção 3:** Além disso, nosso Senhor orou por aqueles "que haviam de crer n'Ele pela palavra" dos apóstolos, para que "todos fossem um n'Ele", e para que alcançassem estar com Ele (Jo. 17:20, 21, 24). Mas nem todos alcançam isso. Logo nem toda oração sua era ouvida. **Objeção 4:** Além disso, diz-se (Sl. 21:3) na pessoa de Cristo: "Clamarei de dia, e não me ouvirás." Logo nem toda oração sua era ouvida. **Em contrário,** o Apóstolo diz (Heb. 5:7): "Com grande clamor e lágrimas, oferecendo orações... foi ouvido por sua reverência." **Respondo que,** como se disse acima (A[1]), a oração é uma certa manifestação da vontade humana. Por onde, então, o pedido de quem ora é concedido quando sua vontade é cumprida. Ora, falando absolutamente, a vontade do homem é a vontade da razão; pois queremos absolutamente aquilo que queremos de acordo com a deliberação da razão. Ao passo que aquilo que queremos de acordo com o movimento da sensualidade, ou mesmo da vontade simples, que é considerada como natureza, é querido não absolutamente, mas condicionalmente [secundum quid] — isto é, contanto que nenhum obstáculo seja descoberto pela deliberação da razão. Por onde, tal vontade deve antes ser chamada "veleidade" do que vontade absoluta; porque alguém quereria [vellet] se não houvesse obstáculo. Mas segundo a vontade da razão, Cristo não quis nada senão o que sabia que Deus queria. Por onde, toda vontade absoluta de Cristo, mesmo humana, foi cumprida, porque estava em conformidade com Deus; e consequentemente toda sua oração foi cumprida. Pois também nisso se cumprem as orações dos outros homens, quando a sua vontade está em conformidade com Deus, segundo Rom. 8:27: "E Aquele que perscruta os corações sabe", isto é, aprova, "o que o Espírito deseja", isto é, o que o Espírito faz os santos desejarem: "porque pede pelos santos segundo Deus", isto é, em conformidade com a vontade divina. **Resposta à Objeção 1:** Esta oração pela passagem do cálice é explicada diversamente pelos Santos. Pois Hilário (Super Matth. 31) diz: "Quando pede que isto passe d'Ele, não roga que passe por Ele, mas que outros participem do que passa d'Ele para eles; de modo que o sentido é: Assim como eu estou participando do cálice da paixão, assim também outros bebam dele, com esperança inabalável, com angústia inflexível, sem medo da morte." Ou segundo Jerônimo (sobre Mat. 26:39): "Diz expressamente: 'Este cálice', isto é, do povo judeu, que não pode alegar ignorância como desculpa para Me dar a morte, pois tem a Lei e os Profetas, que profetizaram a meu respeito." Ou, segundo Dionísio de Alexandria (De Martyr. ad Origen 7): "Quando diz: 'Afasta de Mim este cálice', não quer dizer: 'Não venha a Mim'; pois se não vier, não pode ser afastado. Mas, como aquilo que passa nem é intocado nem permanente, assim o Salvador suplica que uma provação levemente opressora seja repelida." Por fim, Ambrósio, Orígenes e Crisóstomo dizem que Ele orou assim "como homem", relutando em morrer segundo sua vontade natural. Assim, portanto, quer entendamos, segundo Hilário, que Ele orou assim para que outros mártires fossem imitadores de sua Paixão, ou que orou para que o temor de beber seu cálice não o perturbasse, ou que a morte não o detivesse, sua oração foi completamente cumprida. Mas se entendemos que Ele orou para que não bebesse o cálice de sua paixão e morte; ou que não o bebesse das mãos dos judeus; o que suplicou não foi, na verdade, cumprido, porque sua razão, que formava a petição, não desejava seu cumprimento; mas para nossa instrução, foi sua vontade dar a conhecer a nós sua vontade natural e o movimento de sua sensualidade, que era sua como homem. **Resposta à Objeção 2:** Nosso Senhor não orou por todos aqueles que O crucificaram, assim como também não orou por todos os que haviam de crer n'Ele; mas somente por aqueles que foram predestinados para obter a vida eterna por meio d'Ele. **Por onde, a resposta à terceira objeção também é manifesta.** **Resposta à Objeção 4:** Quando diz: "Clamarei e não me ouvirás", devemos entender isto como referindo-se ao desejo da sensualidade, que evitava a morte. Mas Ele é ouvido quanto ao desejo de sua razão, como se disse acima.

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 4 - Whether Christ's prayer was always heard? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que o efeito do sacerdócio de Cristo pertencia não somente a outros, mas também a Si mesmo. Porque pertence ao ofício do sacerdote orar pelo povo, segundo II Macabeus 1,23: «Os sacerdotes faziam oração enquanto o sacrifício se consumia.» Ora, Cristo orou não somente por outros, mas também por Si mesmo, como dissemos acima (Q. 21, A. 3), e como está expressamente declarado (Hebreus 5,7): «Nos dias da sua carne, com forte clamor e lágrimas ofereceu [Vulg.: ‘oferecendo’] orações e súplicas Àquele que o podia salvar da morte.» Logo, o sacerdócio de Cristo teve efeito não somente em outros, mas também em Si mesmo. Objeção 2: Ademais, na sua paixão Cristo ofereceu-Se a Si mesmo como sacrifício. Mas pela sua paixão mereceu, não somente para outros, mas também para Si mesmo, como se afirmou acima (Q. 19, AA. 3,4). Logo, o sacerdócio de Cristo teve efeito não somente em outros, mas também em Si mesmo. Objeção 3: Ademais, o sacerdócio da Lei Velha era figura do sacerdócio de Cristo. Ora, o sacerdote da Lei Velha oferecia sacrifício não somente por outros, mas também por si mesmo; porque está escrito (Levítico 16,17) que «o sumo sacerdote entra no santuário para orar por si mesmo e pela sua casa, e por toda a congregação de Israel.» Logo, o sacerdócio de Cristo também teve efeito não somente em outros, mas também em Si mesmo. Ao contrário, lemos nos atos do Concílio de Éfeso [*Parte III, cap. i, anát. 10]: «Se alguém disser que Cristo ofereceu sacrifício por Si mesmo, e não antes por nós somente (pois Aquele que não conheceu pecado não necessitava de sacrifício), seja anátema.» Ora, o ofício do sacerdote consiste principalmente em oferecer sacrifício. Logo, o sacerdócio de Cristo não teve efeito em Si mesmo. Respondo: Como se disse acima (A. 1), o sacerdote é posto entre Deus e o homem. Ora, aquele que por si mesmo não pode aproximar-se de Deus necessita de alguém entre si e Deus; e tal pessoa está sujeita ao sacerdócio participando do seu efeito. Mas isto não se pode dizer de Cristo; porque o Apóstolo diz (Hebreus 7,25): «Vindo por Si mesmo a Deus, vivendo sempre para interceder por nós [Vulg.: ‘Pode salvar perpetuamente os que por Ele vão a Deus; vivendo sempre’, etc.].» E portanto não convém que Cristo seja receptor do efeito do seu sacerdócio, mas antes comunicá-lo a outros. Pois a influência do primeiro agente em todo gênero é tal que não recebe nada nesse gênero: assim o sol dá mas não recebe luz; o fogo dá mas não recebe calor. Ora, Cristo é a fonte de todo o sacerdócio: porque o sacerdote da Lei Velha era figura d’Ele; enquanto o sacerdote da Lei Nova obra em sua pessoa, segundo II Coríntios 2,10: «Porque o que perdoei, se alguma coisa perdoei, por vós o fiz na pessoa de Cristo.» Portanto não convém que Cristo receba o efeito do seu sacerdócio. Resposta à Objeção 1: Embora a oração seja própria dos sacerdotes, não é o seu ofício próprio, pois é próprio de todos orar tanto por si como por outros, segundo Tiago 5,16: «Orai uns pelos outros para que sejais salvos.» E assim podemos dizer que a oração pela qual Cristo orou por Si mesmo não foi uma ação do seu sacerdócio. Mas esta resposta parece ser excluída pelo Apóstolo, que, depois de dizer (Hebreus 5,6): «Tu és sacerdote eternamente segundo a ordem de Melquisedeque», acrescenta: «O qual nos dias da sua carne, oferecendo orações», etc., como citado acima (Objeção 1); de modo que parece que a oração que Cristo ofereceu pertencia ao seu sacerdócio. Devemos, portanto, dizer que outros sacerdotes participam do efeito do seu sacerdócio, não como sacerdotes, mas como pecadores, como diremos adiante (ad 3). Mas Cristo, simplesmente falando, não tinha pecado; embora tivesse a «semelhança do pecado na carne [Vulg.: ‘carne pecaminosa’]», como está escrito Romanos 8,3. E, consequentemente, não devemos dizer simplesmente que Ele participou do efeito do seu sacerdócio, mas com esta qualificação — quanto à passibilidade da carne. Por isso acrescenta oportunamente: «que o podia salvar da morte.» Resposta à Objeção 2: Duas coisas podem ser consideradas na oferta de um sacrifício por qualquer sacerdote — a saber, o próprio sacrifício que é oferecido e a devoção do ofertante. Ora, o efeito próprio do sacerdócio é aquele que resulta do próprio sacrifício. Mas Cristo obteve um resultado da sua paixão, não como por virtude do sacrifício, que é oferecido a título de satisfação, mas pela própria devoção com que por caridade sofreu humildemente a paixão. Resposta à Objeção 3: A figura não pode igualar-se à realidade, pelo que o sacerdote figural da Lei Velha não podia alcançar tal perfeição que não necessitasse de um sacrifício de satisfação. Mas Cristo não necessitava disto. Consequentemente, não há comparação entre ambos; e é isto o que o Apóstolo diz (Hebreus 7,28): «A Lei constitui sacerdotes homens que têm fraqueza; mas a palavra do juramento, que veio depois da Lei, constitui o Filho, que é perfeito para sempre.»

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 4 - Whether the effect of the priesthood of Christ pertained not only to others, but also to Himself? · séc. XIII

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