Referência

Hb 6, 19

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Matos Soares

19a qual temos como uma âncora segura e firme da alma, e que penetra até além do véu, no interior do santuário (celeste)

Matos Soares · domínio público

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Citações internas

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Trechos em que este versículo aparece citado dentro de outro argumento patrístico.

Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que a bem-aventurança eterna não é o objeto próprio da esperança. Pois o homem não espera aquilo que excede todo movimento da alma, visto que a própria esperança é um movimento da alma. Ora, a bem-aventurança eterna excede todo movimento da alma humana, porque o Apóstolo diz (1 Cor 2,9) que ela não «subiu ao coração do homem». Logo, a bem-aventurança não é o objeto próprio da esperança. Objeção 2: Além disso, a oração é uma expressão da esperança, pois está escrito (Sl 36,5): «Encomenda ao Senhor o teu caminho, e espera nele, e ele tudo fará.» Ora, é lícito ao homem pedir a Deus não só a bem-aventurança eterna, mas também os bens, tanto temporais como espirituais, da vida presente, e, como se vê pela Oração Dominical, ser livre dos males que já não existirão na bem-aventurança eterna. Portanto, a bem-aventurança eterna não é o objeto próprio da esperança. Objeção 3: Além disso, o objeto da esperança é algo difícil. Ora, muitas coisas além da bem-aventurança eterna são difíceis ao homem. Logo, a bem-aventurança eterna não é o objeto próprio da esperança. Em contrário, o Apóstolo diz (Hb 6,19) que temos a esperança «que entra até ao interior do véu», isto é, que nos faz entrar na bem-aventurança do céu, segundo a interpretação de uma glosa sobre estas palavras. Portanto, o objeto da esperança é a bem-aventurança eterna. Respondo que, como se disse acima (A[1]), a esperança de que agora falamos alcança a Deus apoiando-se no seu auxílio para obter o bem esperado. Ora, o efeito deve ser proporcionado à sua causa. Por conseguinte, o bem que devemos esperar de Deus própria e principalmente é o bem infinito, que é proporcionado ao poder do nosso divino auxiliador, pois pertence a um poder infinito conduzir alguém a um bem infinito. Tal bem é a vida eterna, que consiste no gozo do próprio Deus. Pois não devemos esperar dele nada menor do que ele mesmo, visto que a sua bondade, pela qual comunica bens à sua criatura, não é menor do que a sua essência. Portanto, o objeto próprio e principal da esperança é a bem-aventurança eterna. Resposta à primeira objeção: A bem-aventurança eterna não entra perfeitamente no coração do homem, isto é, de modo que seja possível a um viandante conhecer a sua natureza e qualidade; todavia, sob a noção geral de bem perfeito, é possível que seja apreendida pelo homem, e é assim que surge o movimento da esperança para ela. Por isso o Apóstolo diz apropriadamente (Hb 6,19) que a esperança «entra até ao interior do véu», porque aquilo que esperamos está ainda, por assim dizer, velado. Resposta à segunda objeção: Não devemos pedir a Deus outros bens a não ser em referência à bem-aventurança eterna. Por isso, a esperança considera principalmente a bem-aventurança eterna, e as outras coisas pelas quais oramos a Deus, considera-as secundariamente e como referidas à bem-aventurança eterna; assim como a fé considera principalmente a Deus e, secundariamente, as coisas que se referem a Deus, como se disse acima (Q[1], A[1]). Resposta à terceira objeção: Para quem deseja algo grande, todas as coisas menores parecem pequenas; por isso, para quem espera a bem-aventurança eterna, nenhuma outra coisa parece árdua, em comparação com essa esperança; embora, em relação à capacidade do homem que espera, outras coisas além dela possam ser-lhe árduas, de modo que ele possa ter esperança dessas coisas em referência ao seu objeto principal.

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 2 - Whether eternal happiness is the proper object of hope? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que a juventude e a embriaguez não são causas da esperança. Porque a esperança implica certeza e constância; tanto que é comparada a uma âncora (Heb. 6,19). Ora, os jovens e os ébrios carecem de constância, pois suas mentes são facilmente mudadas. Logo, a juventude e a embriaguez não são causas da esperança. Objeção 2: Ademais, como foi dito acima (A[5]), a causa da esperança é principalmente aquilo que aumenta o poder de alguém. Ora, a juventude e a embriaguez estão unidas à fraqueza. Portanto, não são causas da esperança. Objeção 3: Além disso, a experiência é causa da esperança, como foi dito acima (A[5]). Ora, a juventude carece de experiência. Logo, não é causa da esperança. Em sentido contrário, o Filósofo diz (Ética III, 8) que «os homens embriagados são cheios de esperança»; e (Retórica II, 12) que «os jovens estão cheios de esperança». Respondo que a juventude é causa da esperança por três razões, como o Filósofo afirma na Retórica II, 12: e estas três razões podem ser coligidas das três condições do bem que é objeto da esperança — a saber, que é futuro, árduo e possível, como foi dito acima (A[1]). Pois a juventude tem muito do futuro diante de si e pouco do passado; e, portanto, visto que a memória é do passado e a esperança do futuro, ela tem pouco a recordar e vive muito na esperança. Além disso, os jovens, por causa do calor de sua natureza, são cheios de espírito; de modo que seu coração se dilata: e é por se dilatar o coração que alguém tende ao que é árduo; por isso os jovens são animosos e cheios de esperança. Do mesmo modo, aqueles que não sofreram derrota, nem tiveram experiência de obstáculos a seus esforços, são propensos a considerar uma coisa como possível para si. Por onde, os jovens, por inexperiência de obstáculos e de suas próprias deficiências, facilmente consideram uma coisa possível; e consequentemente têm boa esperança. Duas destas causas também se encontram naqueles que estão embriagados — isto é, o calor e a alta disposição, por causa do vinho, e o descuido dos perigos e deficiências. Pela mesma razão, todas as pessoas insensatas e temerárias tentam tudo e estão cheias de esperança. Resposta à primeira objeção: Embora os jovens e os homens embriagados careçam de constância na realidade, todavia são constantes em sua própria estima, pois pensam que obterão firmemente aquilo que esperam. Resposta à segunda objeção: De modo semelhante, devemos observar que os jovens e os homens embriagados são de fato inconstantes na realidade; mas, em sua própria estima, são capazes, pois não conhecem suas deficiências. Resposta à terceira objeção: Não só a experiência, mas também a falta de experiência é, de algum modo, causa da esperança, como foi explicado acima (A[5], ad 3).

Summa Theologiae — First Part of the Second Part · Article. 6 - Whether hope abounds in young men and drunkards? · séc. XIII

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