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Hb 7, 25

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Matos Soares

25Por isso pode salvar perpetuamente os que por ele mesmo se aproximam de Deus, vivendo sempre para interceder em seu favor.

Matos Soares · domínio público

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que o efeito do sacerdócio de Cristo pertencia não somente a outros, mas também a Si mesmo. Porque pertence ao ofício do sacerdote orar pelo povo, segundo II Macabeus 1,23: «Os sacerdotes faziam oração enquanto o sacrifício se consumia.» Ora, Cristo orou não somente por outros, mas também por Si mesmo, como dissemos acima (Q. 21, A. 3), e como está expressamente declarado (Hebreus 5,7): «Nos dias da sua carne, com forte clamor e lágrimas ofereceu [Vulg.: ‘oferecendo’] orações e súplicas Àquele que o podia salvar da morte.» Logo, o sacerdócio de Cristo teve efeito não somente em outros, mas também em Si mesmo. Objeção 2: Ademais, na sua paixão Cristo ofereceu-Se a Si mesmo como sacrifício. Mas pela sua paixão mereceu, não somente para outros, mas também para Si mesmo, como se afirmou acima (Q. 19, AA. 3,4). Logo, o sacerdócio de Cristo teve efeito não somente em outros, mas também em Si mesmo. Objeção 3: Ademais, o sacerdócio da Lei Velha era figura do sacerdócio de Cristo. Ora, o sacerdote da Lei Velha oferecia sacrifício não somente por outros, mas também por si mesmo; porque está escrito (Levítico 16,17) que «o sumo sacerdote entra no santuário para orar por si mesmo e pela sua casa, e por toda a congregação de Israel.» Logo, o sacerdócio de Cristo também teve efeito não somente em outros, mas também em Si mesmo. Ao contrário, lemos nos atos do Concílio de Éfeso [*Parte III, cap. i, anát. 10]: «Se alguém disser que Cristo ofereceu sacrifício por Si mesmo, e não antes por nós somente (pois Aquele que não conheceu pecado não necessitava de sacrifício), seja anátema.» Ora, o ofício do sacerdote consiste principalmente em oferecer sacrifício. Logo, o sacerdócio de Cristo não teve efeito em Si mesmo. Respondo: Como se disse acima (A. 1), o sacerdote é posto entre Deus e o homem. Ora, aquele que por si mesmo não pode aproximar-se de Deus necessita de alguém entre si e Deus; e tal pessoa está sujeita ao sacerdócio participando do seu efeito. Mas isto não se pode dizer de Cristo; porque o Apóstolo diz (Hebreus 7,25): «Vindo por Si mesmo a Deus, vivendo sempre para interceder por nós [Vulg.: ‘Pode salvar perpetuamente os que por Ele vão a Deus; vivendo sempre’, etc.].» E portanto não convém que Cristo seja receptor do efeito do seu sacerdócio, mas antes comunicá-lo a outros. Pois a influência do primeiro agente em todo gênero é tal que não recebe nada nesse gênero: assim o sol dá mas não recebe luz; o fogo dá mas não recebe calor. Ora, Cristo é a fonte de todo o sacerdócio: porque o sacerdote da Lei Velha era figura d’Ele; enquanto o sacerdote da Lei Nova obra em sua pessoa, segundo II Coríntios 2,10: «Porque o que perdoei, se alguma coisa perdoei, por vós o fiz na pessoa de Cristo.» Portanto não convém que Cristo receba o efeito do seu sacerdócio. Resposta à Objeção 1: Embora a oração seja própria dos sacerdotes, não é o seu ofício próprio, pois é próprio de todos orar tanto por si como por outros, segundo Tiago 5,16: «Orai uns pelos outros para que sejais salvos.» E assim podemos dizer que a oração pela qual Cristo orou por Si mesmo não foi uma ação do seu sacerdócio. Mas esta resposta parece ser excluída pelo Apóstolo, que, depois de dizer (Hebreus 5,6): «Tu és sacerdote eternamente segundo a ordem de Melquisedeque», acrescenta: «O qual nos dias da sua carne, oferecendo orações», etc., como citado acima (Objeção 1); de modo que parece que a oração que Cristo ofereceu pertencia ao seu sacerdócio. Devemos, portanto, dizer que outros sacerdotes participam do efeito do seu sacerdócio, não como sacerdotes, mas como pecadores, como diremos adiante (ad 3). Mas Cristo, simplesmente falando, não tinha pecado; embora tivesse a «semelhança do pecado na carne [Vulg.: ‘carne pecaminosa’]», como está escrito Romanos 8,3. E, consequentemente, não devemos dizer simplesmente que Ele participou do efeito do seu sacerdócio, mas com esta qualificação — quanto à passibilidade da carne. Por isso acrescenta oportunamente: «que o podia salvar da morte.» Resposta à Objeção 2: Duas coisas podem ser consideradas na oferta de um sacrifício por qualquer sacerdote — a saber, o próprio sacrifício que é oferecido e a devoção do ofertante. Ora, o efeito próprio do sacerdócio é aquele que resulta do próprio sacrifício. Mas Cristo obteve um resultado da sua paixão, não como por virtude do sacrifício, que é oferecido a título de satisfação, mas pela própria devoção com que por caridade sofreu humildemente a paixão. Resposta à Objeção 3: A figura não pode igualar-se à realidade, pelo que o sacerdote figural da Lei Velha não podia alcançar tal perfeição que não necessitasse de um sacrifício de satisfação. Mas Cristo não necessitava disto. Consequentemente, não há comparação entre ambos; e é isto o que o Apóstolo diz (Hebreus 7,28): «A Lei constitui sacerdotes homens que têm fraqueza; mas a palavra do juramento, que veio depois da Lei, constitui o Filho, que é perfeito para sempre.»

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 4 - Whether the effect of the priesthood of Christ pertained not only to others, but also to Himself? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1:** Parece que a Ascensão de Cristo não é causa da nossa salvação. Pois Cristo foi causa da nossa salvação na medida em que a mereceu. Mas Ele nada mereceu para nós por Sua Ascensão, porque a Ascensão pertence ao prêmio da Sua exaltação; e a mesma coisa não é simultaneamente mérito e prêmio, assim como a estrada e o seu termo não são o mesmo. Logo, parece que a Ascensão de Cristo não é causa da nossa salvação. **Objeção 2:** Além disso, se a Ascensão de Cristo é causa da nossa salvação, parece que isto se deve principalmente ao fato de que a Sua Ascensão é causa da nossa. Mas isto nos foi concedido pela Sua Paixão, pois está escrito (Heb. 10:19): "Tendo confiança para entrar no santuário pelo Seu sangue" [Vulg.: "tendo"]. Logo, parece que a Ascensão de Cristo não foi causa da nossa salvação. **Objeção 3:** Além disso, a salvação que Cristo nos concede é eterna, segundo Is. 51:6: "A minha salvação será para sempre." Mas Cristo não subiu ao céu para ali permanecer eternamente; pois está escrito (Atos 1:11): "Ele virá assim como o vistes ir para o céu." Além disso, lemos que Ele Se mostrou a muitas pessoas santas na terra depois de subir ao céu, como a Paulo, por exemplo (Atos 9). Consequentemente, parece que a Ascensão de Cristo não é causa da nossa salvação. **Pelo contrário,** Ele mesmo disse (Jo. 16:7): "Convém-vos que eu vá"; isto é, que vos deixe e suba ao céu. **Respondo** que a Ascensão de Cristo é causa da nossa salvação de dois modos: primeiro, da nossa parte; segundo, da parte d'Ele. Da nossa parte, na medida em que pela Ascensão as nossas almas são elevadas a Ele; porque, como foi dito acima (A[1], ad 3), a Sua Ascensão promove, primeiro, a fé; segundo, a esperança; terceiro, a caridade. Quarto, a nossa reverência para com Ele é por isso aumentada, visto que já não O consideramos um homem terreno, mas o Deus do céu; assim o Apóstolo diz (2 Cor. 5:16): "Se conhecêssemos a Cristo segundo a carne — isto é, como mortal, pelo qual O reputávamos como um mero homem" — como a Glosa interpreta as palavras — "mas agora já não O conhecemos assim." Da parte d'Ele, em relação àquelas coisas que, ao ascender, fez para a nossa salvação. Primeiro, preparou o caminho para a nossa subida ao céu, segundo a Sua própria palavra (Jo. 14:2): "Vou preparar-vos um lugar", e as palavras de Miqueias (2:13): "Subirá aquele que abrirá o caminho diante deles." Pois, sendo Ele nossa Cabeça, os membros devem seguir para onde a Cabeça foi; por isso disse (Jo. 14:3): "Para que onde Eu estou, vós também estejais." Em sinal do que levou ao céu as almas dos santos libertadas do inferno, segundo o Salmo 67:19 (Cf. Ef. 4:8): "Subindo ao alto, levou cativo o cativeiro", porque levou consigo ao céu aqueles que tinham sido mantidos cativos pelo demônio — ao céu, como a um lugar estranho à natureza humana; cativos, na verdade, de uma feliz tomada, pois foram adquiridos pela Sua vitória. Segundo, porque assim como o sumo sacerdote no Antigo Testamento entrava no santuário para estar diante de Deus pelo povo, assim também Cristo entrou no céu "para interceder por nós", como se diz em Heb. 7:25. Pois a própria apresentação de Si mesmo na natureza humana que levou consigo ao céu é uma súplica por nós; de modo que, pelo próprio fato de Deus ter exaltado tão altamente a natureza humana em Cristo, Ele Se compadeça daqueles por quem o Filho de Deus assumiu a natureza humana. Terceiro, para que, estabelecido na Sua sede celestial como Deus e Senhor, enviasse dons aos homens, segundo Ef. 4:10: "Subiu acima de todos os céus, para encher todas as coisas", isto é, "com os seus dons", segundo a Glosa. **Resposta à objeção 1:** A Ascensão de Cristo é causa da nossa salvação não por modo de mérito, mas de eficiência, como foi dito acima a respeito da Sua Ressurreição (Q[56], A[1], ad 3,4). **Resposta à objeção 2:** A Paixão de Cristo é a causa da nossa subida ao céu, propriamente falando, removendo o obstáculo que é o pecado, e também por modo de mérito; enquanto que a Ascensão de Cristo é a causa direta da nossa ascensão, como começando-a n'Ele que é nossa Cabeça, com a qual os membros devem estar unidos. **Resposta à objeção 3:** Cristo, ao ascender uma vez ao céu, adquiriu para Si e para nós em perpetuidade o direito e a dignidade de uma morada celestial; a qual dignidade não sofre diminuição alguma, se, por alguma especial dispensação, Ele desce algumas vezes em corpo à terra; seja para Se mostrar a todo o mundo, como no juízo; seja para Se mostrar particularmente a algum indivíduo, como no caso de Paulo, conforme lemos em Atos 9. E para que ninguém pense que Cristo não estava corporalmente presente quando isso ocorreu, mostra-se o contrário pelo que o Apóstolo diz em 1 Cor. 14:8, para confirmar a fé na Ressurreição: "E, finalmente, apareceu também a mim, como a um abortivo"; visão que não confirmaria a verdade da Ressurreição se ele não tivesse contemplado o próprio corpo de Cristo.

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 6 - Whether Christ's Ascension is the cause of our salvation? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que os santos no céu não rogam por nós. A ação de um homem é mais meritória para si mesmo do que para os outros. Ora, os santos no céu não merecem para si mesmos, nem rogam por si mesmos, pois já estão estabelecidos no termo. Logo, tampouco rogam por nós. Objeção 2: Ademais, os santos conformam perfeitamente a sua vontade à de Deus, de modo que querem apenas o que Deus quer. Ora, o que Deus quer sempre se cumpre. Portanto, seria inútil que os santos rogassem por nós. Objeção 3: Ademais, assim como os santos no céu estão acima, assim também os do Purgatório, pois já não podem pecar. Ora, os do Purgatório não rogam por nós; pelo contrário, nós rogamos por eles. Logo, nem os santos no céu rogam por nós. Objeção 4: Ademais, se os santos no céu rogam por nós, as orações dos santos mais elevados seriam mais eficazes; e assim não deveríamos implorar a ajuda das orações dos santos inferiores, mas somente dos santos superiores. Objeção 5: Ademais, a alma de Pedro não é Pedro. Se, portanto, as almas dos santos rogam por nós, enquanto separadas dos seus corpos, não deveríamos invocar a São Pedro, mas à sua alma, para que rogue por nós; contudo, a Igreja faz o contrário. Logo, os santos não rogam por nós, ao menos antes da ressurreição. Pelo contrário, está escrito (2 Mac. 15,14): «Este é... o que muito ora pelo povo e por toda a cidade santa, Jeremias, o profeta de Deus». Respondo que, como diz Jerônimo (Contra Vigilâncio, 6), o erro de Vigilâncio consistia em afirmar que «enquanto vivemos, podemos orar uns pelos outros; mas, depois de mortos, nenhuma das nossas orações pelos outros pode ser ouvida, visto que nem mesmo as orações dos mártires são atendidas quando rogam para que o seu sangue seja vingado». Ora, isto é absolutamente falso, porque, uma vez que as orações oferecidas pelos outros procedem da caridade, como foi dito acima (AA[7], 8), quanto maior é a caridade dos santos no céu, mais eles rogam pelos viandantes, pois estes podem ser ajudados pelas orações; e quanto mais estreitamente estão unidos a Deus, tanto mais eficazes são as suas orações; pois a ordem divina é tal que os seres inferiores recebem uma superabundância da excelência dos superiores, assim como o ar recebe o resplendor do sol. Por isso se diz de Cristo (Heb. 7,25): «Subindo a Deus pelo seu próprio poder... para interceder por nós» [*Vulg.: «Pode salvar eternamente os que por Ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por nós»]. Donde diz Jerônimo (Contra Vigilâncio, 6): «Se os apóstolos e mártires, ainda no corpo e tendo de estar solícitos por si mesmos, podem orar pelos outros, quanto mais agora que receberam a coroa de vitória e triunfo». Resposta à Objeção 1: Os santos no céu, porquanto são bem-aventurados, não carecem de bem-aventurança, senão da glória do corpo, e por esta rogam. Mas rogam por nós, que carecemos da perfeição última da bem-aventurança; e as suas orações são eficazes para impetrar pelos seus méritos anteriores e pela aceitação de Deus. Resposta à Objeção 2: Os santos impetram tudo o que Deus deseja que se realize por meio das suas orações; e rogam por aquilo que julgam que será concedido mediante as suas orações, segundo a vontade de Deus. Resposta à Objeção 3: Os que estão no Purgatório, embora estejam acima de nós pela sua impecabilidade, contudo estão abaixo de nós quanto às penas que sofrem; e a este respeito não estão em condições de orar, mas antes em condições de que oremos por eles. Resposta à Objeção 4: É vontade de Deus que os seres inferiores sejam ajudados por todos os que lhes são superiores; pelo que devemos orar não só aos santos superiores, mas também aos inferiores; de outra forma, teríamos de implorar apenas a misericórdia de Deus. Contudo, acontece às vezes que as orações dirigidas a um santo de grau inferior são mais eficazes, seja porque é invocado com maior devoção, seja porque Deus quer manifestar a sua santidade. Resposta à Objeção 5: É porque os santos, enquanto vivos, mereceram rogar por nós, que os invocamos pelos nomes pelos quais foram conhecidos nesta vida, e pelos quais nos são mais conhecidos; e também para indicar a nossa fé na ressurreição, conforme a palavra de Êx. 3,6: «Eu sou o Deus de Abraão, etc.».

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 11 - Whether the saints in heaven pray for us? · séc. XIII

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Hb 7, 25 nos Padres da Igreja | Aurea