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Hb 9, 10

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Matos Soares

10Tudo isto apenas se refere a alimentos e bebidas, a diversas abluções e determinações carnais, impostas somente até ao tempo da reforma.

Matos Soares · domínio público

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Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1:** Parece que o sacramento não imprime caráter na alma. Pois o termo "caráter" parece significar uma espécie de sinal distintivo. Ora, os membros de Cristo se distinguem dos demais pela predestinação eterna, a qual não implica nada nos predestinados, senão somente em Deus que predestina, como já foi dito na Primeira Parte (Q. 23, A. 2). Com efeito, está escrito (2 Tm 2,19): "O firme fundamento de Deus permanece firme, tendo este selo: O Senhor conhece os que são Seus." Logo, os sacramentos não imprimem caráter na alma. **Objeção 2:** Ademais, caráter é um sinal distintivo. Ora, o sinal, como diz Agostinho (Doutrina Cristã, II), "é aquilo que, além da espécie que imprime nos sentidos, faz vir ao espírito outra coisa". Mas nada que está na alma pode imprimir espécie nos sentidos. Parece, portanto, que nenhum caráter é impresso na alma pelos sacramentos. **Objeção 3:** Ademais, assim como o crente se distingue do incrédulo pelos sacramentos da Nova Lei, assim também o era na Antiga Lei. Mas os sacramentos da Antiga Lei não imprimiam caráter; por isso o Apóstolo os chama de "justiças da carne" (Hb 9,10). Logo, nem os sacramentos da Nova Lei, ao que parece, o imprimem. **Em contrário,** diz o Apóstolo (2 Cor 1,21-22): "Aquele que nos ungiu é Deus, o qual também nos selou e nos deu o penhor do Espírito em nossos corações." Ora, caráter não significa outra coisa senão uma espécie de selo. Parece, portanto, que pelos sacramentos Deus imprime em nós o Seu caráter. **Respondo que,** como é claro pelo que já foi dito (Q. 62, A. 5), os sacramentos da Nova Lei são ordenados para um duplo fim: a saber, como remédio contra os pecados e para o aperfeiçoamento da alma nas coisas pertencentes ao culto divino segundo o rito da vida cristã. Ora, sempre que alguém é deputado para algum fim determinado, costuma receber algum sinal exterior disso; assim, nos tempos antigos, os soldados que se alistavam nas fileiras costumavam ser marcados com certos caracteres no corpo, por serem deputados a um serviço corporal. Visto, pois, que pelos sacramentos os homens são deputados a um serviço espiritual pertencente ao culto de Deus, segue-se que, por meio deles, os fiéis recebem um certo caráter espiritual. Por isso, Agostinho diz (Contra Parmênio, II): "Se um desertor da batalha, por medo da marca de alistamento em seu corpo, se lança à clemência do imperador e, tendo implorado e obtido misericórdia, volta ao combate, acaso esse caráter é renovado, quando o homem foi libertado e repreendido? Não é antes reconhecido e aprovado? Porventura os sacramentos cristãos são de natureza menos duradoura que esta marca corporal?" **Resposta à Objeção 1:** Os fiéis de Cristo são destinados ao prêmio da glória futura pelo selo da divina predestinação. Mas são deputados para os atos próprios da Igreja que agora é, por um certo selo espiritual que neles é posto, e que se chama caráter. **Resposta à Objeção 2:** O caráter impresso na alma é uma espécie de sinal enquanto é impresso por um sacramento sensível: pois sabemos que alguém recebeu o caráter batismal por ter sido purificado pela água sensível. Contudo, por uma certa semelhança, qualquer coisa que assimile uma coisa a outra, ou que discirna uma coisa de outra, ainda que não seja sensível, pode ser chamada caráter ou selo; assim, o Apóstolo chama a Cristo "a figura" ou "caráter da substância do Pai" (Hb 1,3). **Resposta à Objeção 3:** Como foi dito acima (Q. 62, A. 6), os sacramentos da Antiga Lei não tinham em si mesmos nenhum poder espiritual de produzir um efeito espiritual. Consequentemente, naqueles sacramentos não havia necessidade de um caráter espiritual, e bastava a circuncisão corporal, que o Apóstolo chama de "selo" (Rm 4,11).

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 1 - Whether a sacrament imprints a character on the soul? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1:** Parece que o sacramento da Confirmação não imprime caráter. Porque caráter significa um sinal distintivo. Ora, o homem não se distingue dos infiéis pelo sacramento da Confirmação, pois este é efeito do Batismo; nem dos demais fiéis, porque este sacramento é ordenado ao combate espiritual, que é imposto a todos os fiéis. Logo, nenhum caráter se imprime neste sacramento. **Objeção 2:** Ademais, foi dito acima (Q. 63, A. 2) que o caráter é um poder espiritual. Ora, o poder deve ser ativo ou passivo. Mas o poder ativo nos sacramentos é conferido pelo sacramento da ordem; ao passo que o poder passivo ou receptivo é conferido pelo sacramento do Batismo. Logo, nenhum caráter é impresso pelo sacramento da Confirmação. **Objeção 3:** Ademais, na circuncisão, que é um caráter do corpo, nenhum caráter espiritual se imprime. Ora, neste sacramento imprime-se um caráter no corpo, quando se assinala com crisma o sinal da cruz na fronte do homem. Logo, nenhum caráter espiritual é impresso por este sacramento. **Ao contrário,** Em todo sacramento que não se repete, imprime-se um caráter. Ora, este sacramento não se repete: porque Gregório II diz (Ep. iv ad Bonifac.): "Quanto ao homem que foi confirmado segunda vez por um bispo, tal repetição deve ser proibida." Logo, na Confirmação se imprime um caráter. **Respondo que,** como foi dito acima (Q. 63, A. 2), o caráter é um poder espiritual ordenado a certas ações sagradas. Ora, foi dito antes (A. 1; Q. 65, A. 1) que, assim como o Batismo é uma regeneração espiritual para a vida cristã, assim também a Confirmação é um certo crescimento espiritual que leva o homem à perfeita idade espiritual. Mas é evidente, pela comparação com a vida do corpo, que a ação própria do homem imediatamente após o nascimento é diferente da ação própria dele quando atingiu a idade perfeita. E, portanto, pelo sacramento da Confirmação é dado ao homem um poder espiritual em relação a ações sagradas distintas daquelas para as quais recebe poder no Batismo. Pois no Batismo ele recebe poder para fazer aquelas coisas que pertencem à sua própria salvação, enquanto vive para si mesmo; ao passo que na Confirmação ele recebe poder para fazer aquelas coisas que pertencem ao combate espiritual contra os inimigos da Fé. Isto é evidente pelo exemplo dos Apóstolos, que, antes de receberem a plenitude do Espírito Santo, estavam no "cenáculo, perseverando em oração" (At 1,13-14); enquanto depois saíram e não temeram confessar publicamente a sua fé, mesmo diante dos inimigos da Fé cristã. E, portanto, é evidente que no sacramento da Confirmação se imprime um caráter. **Resposta à objeção 1:** Todos devem travar o combate espiritual contra nossos inimigos invisíveis. Mas combater contra os inimigos visíveis, a saber, contra os perseguidores da Fé, confessando o nome de Cristo, pertence aos confirmados, que já chegaram espiritualmente à idade viril, segundo 1 Jo 2,14: "Escrevo-vos, jovens, porque sois fortes, e a palavra de Deus permanece em vós, e vencestes o maligno." E, portanto, o caráter da Confirmação é um sinal distintivo, não entre infiéis e crentes, mas entre os que são crescidos espiritualmente e aqueles de quem está escrito: "Como meninos recém-nascidos" (1 Pe 2,2). **Resposta à objeção 2:** Todos os sacramentos são protestações da fé. Portanto, assim como quem é batizado recebe o poder de testemunhar a sua fé recebendo os outros sacramentos, assim também quem é confirmado recebe o poder de confessar publicamente a sua fé por palavras, como que "ex officio". **Resposta à objeção 3:** Os sacramentos da Antiga Lei são chamados "justiça da carne" (Hb 9,10), porque, na verdade, nada operavam interiormente. Consequentemente, na circuncisão imprimia-se um caráter apenas no corpo, mas não na alma. Mas na Confirmação, por ser um sacramento da Nova Lei, imprime-se ao mesmo tempo um caráter espiritual, juntamente com o caráter corporal.

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 5 - Whether the sacrament of Confirmation imprints a character? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1.** Parece que as cerimônias da Lei Velha tinham poder de justificação no tempo da Lei. Porque a expiação do pecado e a consagração pertencem à justificação. Ora, está escrito (Êx 39,21) que os sacerdotes e suas vestes foram consagrados pela aspersão do sangue e pela unção do óleo; e (Lv 16,16) que, pela aspersão do sangue do novilho, o sacerdote expiava o santuário "das imundícies dos filhos de Israel, e das suas transgressões e… dos seus pecados". Logo, as cerimônias da Lei Velha tinham poder de justificação. **Objeção 2.** Ademais, aquilo pelo qual o homem agrada a Deus pertence à justificação, conforme o Sl 10,8: "O Senhor é justo e amou a justiça". Ora, alguns agradavam a Deus por meio das cerimônias, conforme Lv 10,19: "Como poderia eu… agradar ao Senhor nas cerimônias, tendo o coração triste?" Logo, as cerimônias da Lei Velha tinham poder de justificação. **Objeção 3.** Ademais, as coisas pertencentes ao culto divino dizem respeito mais à alma que ao corpo, conforme o Sl 18,8: "A Lei do Senhor é imaculada, convertendo as almas". Ora, o leproso era purificado por meio das cerimônias da Lei Velha, como se afirma em Lv 14. Muito mais, portanto, podiam as cerimônias da Lei Velha purificar a alma, justificando-a. **Ao contrário,** o Apóstolo diz (Gl 2) [*As primeiras palavras da citação são de 3,21: São Tomás, provavelmente citando de memória, substituiu-as por 2,21, que diz: 'Se a justiça vem da Lei, então Cristo morreu em vão.']: "Se tivesse sido dada uma lei que pudesse justificar [Vulg.: 'dar vida'], Cristo morreu em vão", isto é, sem causa. Ora, isto é inadmissível. Portanto, as cerimônias da Lei Velha não conferiam a justiça. **Respondo que,** como foi dito acima (Q[102], A[5], ad 4), na Lei Velha distinguia-se uma dupla imundície. Uma era espiritual e é a imundície do pecado. A outra era corporal, a qual tornava o homem inapto para o culto divino; assim, um leproso, ou quem quer que tocasse em carniça, dizia-se imundo: e assim a imundície não era senão uma espécie de irregularidade. Desta imundície, portanto, as cerimônias da Lei Velha tinham poder de purificar: porque foram ordenadas pela Lei para serem empregadas como remédios para a remoção das referidas imundícies que eram contraídas em consequência da prescrição da Lei. Por isso o Apóstolo diz (Hb 9,13) que "o sangue de bodes e de novilhos, e as cinzas de uma bezerra, aspergidas, santificam os contaminados, para a purificação da carne". E assim como esta imundície, que era lavada por tais cerimônias, atingia mais a carne do que a alma, também as próprias cerimônias são chamadas pelo Apóstolo, um pouco antes (Hb 9,10), de justiças da carne: "justiças da carne", diz ele, "impostas até o tempo da correção". Por outro lado, não tinham poder de purificar da imundície da alma, isto é, da imundície do pecado. A razão disto é que em tempo algum pôde haver expiação do pecado, senão por Cristo, "que tira o pecado [Vulg.: 'os pecados'] do mundo" (Jo 1,29). E como o mistério da Encarnação e da Paixão de Cristo ainda não se tinha realizado realmente, aquelas cerimônias da Lei Velha não podiam conter realmente em si mesmas um poder fluente de Cristo já encarnado e crucificado, como os sacramentos da Lei Nova contêm. Consequentemente, não podiam limpar do pecado; assim o Apóstolo diz (Hb 10,4) que "é impossível que com sangue de novilhos e de bodes sejam tirados os pecados"; e por isso as chama (Gl 4,9) de "elementos fracos e pobres": fracos, na verdade, porque não podem tirar o pecado; mas esta fraqueza resulta de serem pobres, isto é, do fato de não conterem em si mesmos a graça. Contudo, era possível, no tempo da Lei, que as mentes dos fiéis se unissem pela fé a Cristo encarnado e crucificado; de modo que eram justificados pela fé em Cristo; da qual fé a observância destas cerimônias era uma espécie de profissão, na medida em que prefiguravam Cristo. Por isso, na Lei Velha, ofereciam-se certos sacrifícios pelos pecados, não como se os próprios sacrifícios lavassem os pecados, mas porque eram profissões de fé que purificavam do pecado. Na verdade, a própria Lei implica isto nos termos empregados; pois está escrito (Lv 4,26; 5,16) que, ao oferecer o sacrifício pelo pecado, "o sacerdote orará por ele… e ser-lhe-á perdoado", como se o pecado fosse perdoado, não em virtude dos sacrifícios, mas pela fé e devoção daqueles que os ofereciam. Deve-se observar, porém, que o próprio fato de as cerimônias da Lei Velha lavarem a imundície do corpo era uma figura daquela expiação dos pecados que foi efetuada por Cristo. Portanto, é evidente que, sob o estado da Lei Velha, as cerimônias não tinham poder de justificação. **Resposta à Objeção 1.** Aquela santificação dos sacerdotes e de seus filhos, e de suas vestes ou de qualquer outra coisa pertencente a eles, pela aspersão do sangue, não tinha outro efeito senão designá-los para o culto divino e remover-lhes os impedimentos, "para a purificação da carne", como diz o Apóstolo (Hb 9,13), em sinal daquela santificação pela qual "Jesus" santificou "o povo com o seu próprio sangue" (Hb 13,12). Além disso, a expiação deve ser entendida como referindo-se à remoção destas imundícies corporais, não ao perdão do pecado. Por isso, até o santuário, que não podia ser sujeito do pecado, é dito ser expiado. **Resposta à Objeção 2.** Os sacerdotes agradavam a Deus nas cerimônias pela sua obediência e devoção, e pela sua fé na realidade prefigurada; não por razão das coisas consideradas em si mesmas. **Resposta à Objeção 3.** Aquelas cerimônias que eram prescritas na purificação de um leproso não foram ordenadas com o fim de tirar a contaminação da lepra. Isto é claro pelo fato de que estas cerimônias não eram aplicadas a um homem enquanto ele ainda não estava curado; por isso está escrito (Lv 14,3-4) que o sacerdote, "saindo do arraial, quando achar que a lepra está purificada, ordenará àquele que há de ser purificado que ofereça", etc.; donde é evidente que o sacerdote era constituído juiz da lepra, não antes, mas depois da purificação. Mas estas cerimônias eram empregadas para tirar a imundície de irregularidade. Dizem, porém, que se o sacerdote errasse no seu juízo, o leproso seria purificado miraculosamente pelo poder de Deus, mas não em virtude do sacrifício. Assim também foi por milagre que a coxa da mulher adúltera apodreceu, depois de ter bebido a água "sobre a qual" o sacerdote "tinha amaldiçoado", como se afirma em Nm 5,19-27.

Summa Theologiae — First Part of the Second Part · Article. 2 - Whether, at the time of the Law, the ceremonies of the Old Law had any power of justification? · séc. XIII

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Hb 9, 10 nos Padres da Igreja | Aurea