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Hb 9, 14

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Matos Soares

14quanto mais o sangue de Cristo, que pelo Espírito eterno se ofereceu a si mesmo sem mácula a Deus, purificará a nossa consciência das obras de morte para servir a Deus vivo!

Matos Soares · domínio público

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que o efeito do sacerdócio de Cristo não é a expiação dos pecados. Porque pertence só a Deus apagar os pecados, conforme Is 43,25: «Eu sou Aquele que por amor de Mim apago as tuas iniquidades.» Ora, Cristo é sacerdote, não como Deus, mas como homem. Logo, o sacerdócio de Cristo não expia os pecados. Objeção 2: Além disso, o Apóstolo diz (Heb 10,1-3) que as vítimas do Antigo Testamento não podiam «tornar perfeitos» (os que a elas se chegavam); «porque, se o pudessem, teriam cessado de ser oferecidas, visto que os adoradores, uma vez purificados, já não teriam consciência de pecado algum; mas nelas cada ano se faz comemoração dos pecados.» Ora, de igual modo, sob o sacerdócio de Cristo se faz comemoração dos pecados nas palavras: «Perdoa-nos as nossas dívidas» (Mt 6,12). Além disso, o Sacrifício é oferecido continuamente na Igreja; por isso também dizemos: «Dá-nos hoje o nosso pão de cada dia.» Logo, os pecados não são expiados pelo sacerdócio de Cristo. Objeção 3: Ademais, nos sacrifícios pelo pecado da Antiga Lei, oferecia-se geralmente um bode pelo pecado de um príncipe, uma cabra pelo pecado de um particular, um bezerro pelo pecado de um sacerdote, como se colhe de Lv 4,3.23.28. Ora, Cristo não é comparado a nenhum destes, mas ao cordeiro, conforme Jr 11,19: «Eu era como um manso cordeiro, que é levado para ser vítima.» Portanto, parece que o seu sacerdócio não expia os pecados. Em contrário, o Apóstolo diz (Heb 9,14): «O sangue de Cristo, que pelo Espírito Santo se ofereceu a Si mesmo imaculado a Deus, purificará a nossa consciência das obras mortas, para servirmos ao Deus vivo.» Ora, obras mortas significam pecados. Logo, o sacerdócio de Cristo tem poder de purificar dos pecados. Respondo que, para a perfeita purificação dos pecados, duas coisas são necessárias, correspondentes aos dois elementos que o pecado encerra: a mácula do pecado e a dívida da pena. A mácula do pecado é, na verdade, apagada pela graça, pela qual o coração do pecador se converte a Deus; a dívida da pena é removida inteiramente pela satisfação que o homem oferece a Deus. Ora, o sacerdócio de Cristo produz ambos os efeitos. Pois, pela sua virtude, é-nos dada a graça pela qual os nossos corações se convertem a Deus, segundo Rm 3,24-25: «Sendo justificados gratuitamente pela sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus, a quem Deus propôs como propiciação, pela fé no seu sangue.» Além disso, satisfez plenamente por nós, enquanto «tomou sobre Si as nossas enfermidades e carregou as nossas dores» (Is 53,4). Por onde fica claro que o sacerdócio de Cristo tem pleno poder de expiar os pecados. Resposta à Objeção 1: Embora Cristo fosse sacerdote, não como Deus, mas como homem, contudo, um só e mesmo era sacerdote e Deus. Por isso, no Concílio de Éfeso [*Parte III, cap. I, anátema 10] lemos: «Se alguém disser que o próprio Verbo de Deus não se fez nosso Sumo Sacerdote e Apóstolo quando se fez carne e homem como nós, mas um outro, o homem nascido de mulher, seja anátema.» Por conseguinte, enquanto a sua natureza humana operava pela virtude da Divina, aquele sacrifício foi eficacíssimo para a remissão dos pecados. Por esta razão diz Agostinho (De Trin. IV, 14): «De modo que, devendo-se considerar quatro coisas em todo sacrifício — a quem é oferecido, por quem é oferecido, o que é oferecido, por quem é oferecido —, o mesmo único verdadeiro Mediador, reconciliando-nos com Deus pelo sacrifício da paz, era um com Aquele a quem era oferecido, unia em Si mesmo aqueles por quem o oferecia, ao mesmo tempo que o oferecia Ele mesmo e era Ele mesmo o que oferecia.» Resposta à Objeção 2: Os pecados são comemorados na Nova Lei, não por ineficácia do sacerdócio de Cristo, como se não fossem suficientemente expiados por Ele, mas em relação àqueles que, ou não querem ser participantes do seu sacrifício, como os infiéis, por cujos pecados oramos pedindo que se convertam; ou que, depois de participarem deste sacrifício, dele caem por qualquer espécie de pecado. O Sacrifício que se oferece todos os dias na Igreja não é distinto daquele que o próprio Cristo ofereceu, mas é uma comemoração dele. Por isso diz Agostinho (De Civ. Dei X, 20): «O próprio Cristo é o sacerdote que o oferece e a vítima; do que quis que o sinal fosse o sacrifício diário da Igreja.» Resposta à Objeção 3: Como diz Orígenes (Sup. Joan. I, 29), embora vários animais fossem oferecidos na Antiga Lei, o sacrifício diário, que se oferecia de manhã e à tarde, era um cordeiro, como se vê de Nm 38,3-4. Com o que se significava que a oferta do verdadeiro cordeiro, isto é, Cristo, era o sacrifício culminante de todos. Por isso (Jo 1,29) está escrito: «Eis o Cordeiro de Deus, eis Aquele que tira os pecados [Vulg.: 'o pecado'] do mundo.»

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 3 - Whether the effect of Christ's priesthood is the expiation of sins? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

Excerto de Tomás de Aquino, Suma Teológica — Terceira Parte (Cristologia e Sacramentos), sobre o Artigo 12 — Se o Batismo de Sangue é o mais excelente destes? Objeção 1: Parece que o Batismo de Sangue não é o mais excelente destes três. Pois o Batismo de Água imprime um caráter; o que o Batismo de Sangue não pode fazer. Logo, o Batismo de Sangue não é mais excelente do que o Batismo de Água. Objeção 2: Além disso, o Batismo de Sangue de nada vale sem o Batismo do Espírito, que é pela caridade; pois está escrito (1 Coríntios 13,3): “Se eu entregar o meu corpo para ser queimado, e não tiver caridade, nada me aproveita.” Ora, o Batismo do Espírito vale sem o Batismo de Sangue; porque não só os mártires se salvam. Logo, o Batismo de Sangue não é o mais excelente. Objeção 3: Além disso, assim como o Batismo de Água deriva a sua eficácia da Paixão de Cristo, à qual, como foi dito acima (A[11]), corresponde o Batismo de Sangue, assim a Paixão de Cristo deriva a sua eficácia do Espírito Santo, segundo Hebreus 9,14: “O Sangue de Cristo, que pelo Espírito Santo se ofereceu a Si mesmo imaculado a Deus, purificará a nossa consciência das obras mortas”, etc. Logo, o Batismo do Espírito é mais excelente do que o Batismo de Sangue. Portanto, o Batismo de Sangue não é o mais excelente. Ao contrário, Agostinho (Ad Fortunatum), falando da comparação entre os Batismos, diz: “O recém-batizado confessa a sua fé na presença do sacerdote; o mártir na presença do perseguidor. Aquele é aspergido com água, depois de confessar; este com o seu sangue. Aquele recebe o Espírito Santo pela imposição das mãos do bispo; este é feito templo do Espírito Santo.” Respondo que, como foi dito acima (A[11]), o derramamento de sangue por amor de Cristo e a operação interior do Espírito Santo são chamados batismos, na medida em que produzem o efeito do Batismo de Água. Ora, o Batismo de Água deriva a sua eficácia da Paixão de Cristo e do Espírito Santo, como já foi dito (A[11]). Estas duas causas agem em cada um destes três Batismos; mas de modo mais excelente no Batismo de Sangue. Pois a Paixão de Cristo age no Batismo de Água por modo de representação figurativa; no Batismo do Espírito ou da Penitência, por modo de desejo; mas no Batismo de Sangue, por modo de imitação do ato (Divino). De modo semelhante, também o poder do Espírito Santo age no Batismo de Água por um certo poder oculto; no Batismo de Penitência, movendo o coração; mas no Batismo de Sangue, pelo mais alto grau de fervor de dileção e amor, segundo João 15,13: “Ninguém tem maior amor do que este: dar alguém a sua vida pelos seus amigos.” Resposta à Objeção 1: Um caráter é ao mesmo tempo realidade e sacramento. E não dizemos que o Batismo de Sangue é mais excelente considerando a natureza do sacramento, mas considerando o efeito sacramental. Resposta à Objeção 2: O derramamento de sangue não é da natureza de um Batismo se for sem caridade. Por onde é claro que o Batismo de Sangue inclui o Batismo do Espírito, mas não reciprocamente. E por isso se prova ser mais perfeito. Resposta à Objeção 3: O Batismo deve a sua preeminência não só à Paixão de Cristo, mas também ao Espírito Santo, como foi dito acima.

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 12 - Whether the Baptism of Blood is the most excellent of these? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que esta não é a forma própria para a consagração do vinho: “Este é o cálice do meu sangue, do Novo e Eterno Testamento, o Mistério da Fé, que será derramado por vós e por muitos para a remissão dos pecados.” Pois assim como o pão é mudado pela virtude da consagração no corpo de Cristo, assim o vinho é mudado no sangue de Cristo, como é claro pelo que foi dito acima (Q. 76, Aa. 1-3). Mas na forma da consagração do pão, o corpo de Cristo é expressamente mencionado, sem qualquer acréscimo. Logo, nesta forma, o sangue de Cristo é impropriamente expresso no caso oblíquo, e o cálice no nominativo, quando se diz: “Este é o cálice do meu sangue.” Objeção 2: Ademais, as palavras ditas na consagração do pão não são mais eficazes do que as ditas na consagração do vinho, pois ambas são palavras de Cristo. Mas, logo que são proferidas as palavras — “Este é o meu corpo” — dá-se a perfeita consagração do pão. Logo, logo que são proferidas estas outras palavras — “Este é o cálice do meu sangue” — dá-se a perfeita consagração do sangue; e assim as palavras que se seguem não parecem ser da substância da forma, especialmente porque se referem às propriedades deste sacramento. Objeção 3: Ademais, o Novo Testamento parece ser uma inspiração interna, como é evidente pelo Apóstolo que cita as palavras de Jeremias (31,31): “Estabelecerei com a casa de Israel um Novo Testamento… Porei as minhas leis no seu espírito” (Heb. 8,8). Ora, o sacramento é um ato visível exterior. Logo, na forma do sacramento, as palavras “do Novo Testamento” são acrescentadas impropriamente. Objeção 4: Ademais,

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 3 - Whether this is the proper form for the consecration of the wine: 'This is the chalice of My blood,' etc.? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1:** Pareceria que o efeito da Penitência subsequente é vivificar até as obras mortas, isto é, aquelas que não foram feitas em caridade. Porque parece mais difícil trazer à vida o que foi mortificado, pois isto nunca se faz naturalmente, do que vivificar o que nunca teve vida, visto que certos seres vivos são gerados naturalmente a partir de coisas sem vida. Ora, as obras mortificadas são reavivadas pela Penitência, como se disse acima (A[5]). Muito mais, portanto, são vivificadas as obras mortas. **Objeção 2:** Além disso, se a causa for removida, o efeito é removido. Ora, a causa da falta de vida nas obras genericamente boas feitas sem caridade era a falta de caridade e de graça, falta essa que é removida pela Penitência. Logo, as obras mortas são vivificadas pela caridade. **Objeção 3:** Além disso, Jerônimo, comentando Ageu 1,6: “Semeastes muito”, diz: “Se alguma vez encontrares um pecador que, entre muitos atos maus, pratica o que é reto, Deus não é tão injusto que se esqueça dos poucos atos bons por causa dos muitos atos maus.” Ora, isto parece dar-se principalmente quando os maus atos passados são removidos pela Penitência. Portanto, parece que, pela Penitência, Deus recompensa os atos anteriores feitos em estado de pecado, o que implica que eles são vivificados. **Em contrário,** diz o Apóstolo (1 Cor 13,3): “E se eu distribuir todos os meus bens para sustento dos pobres, e se entregar o meu corpo para ser queimado, e não tiver caridade, nada disso me aproveita.” Ora, isto não seria verdade se, ao menos pela Penitência subsequente, fossem vivificados. Logo, a Penitência não vivifica as obras que antes eram mortas. **Respondo** que uma obra se diz morta de dois modos. Primeiro, efetivamente, porque é causa de morte; neste sentido, as obras pecaminosas se chamam mortas, conforme Hebreus 9,14: “O sangue de Cristo purificará a nossa consciência das obras mortas.” Estas obras mortas não são vivificadas, mas removidas pela Penitência, segundo Hebreus 6,1: “Não pondo de novo o fundamento da penitência de obras mortas.” Segundo, as obras se dizem mortas privativamente, porque lhes falta a vida espiritual, que se funda na caridade, pela qual a alma se une a Deus, resultando que é vivificada como o corpo pela alma; e neste sentido também a fé, se lhe falta a caridade, se diz morta, conforme Tiago 2,20: “A fé sem as obras é morta.” Deste modo também todas as obras genericamente boas, se forem feitas sem caridade, se dizem mortas, porquanto não procedem do princípio da vida; assim como poderíamos chamar à voz da harpa uma voz morta. Por conseguinte, a diferença de vida e morte nas obras está em relação ao princípio de que procedem. Mas as obras não podem proceder segunda vez de um princípio, porque são transitórias, e um mesmo ato idêntico não pode ser retomado. Portanto, é impossível que as obras mortas sejam vivificadas pela Penitência. **Resposta à Objeção 1:** Na ordem física, as coisas mortas ou mortificadas carecem do princípio da vida. Mas as obras se dizem mortificadas, não em relação ao princípio de que procederam, mas em relação a um impedimento extrínseco; enquanto se dizem mortas em relação a um princípio. Logo, a comparação não procede. **Resposta à Objeção 2:** As obras genericamente boas feitas sem caridade se dizem mortas por falta de graça e caridade, como princípios. Ora, a Penitência subsequente não supre essa falta, de modo a fazê-las proceder de tal princípio. Portanto, o argumento não prova. **Resposta à Objeção 3:** Deus se lembra dos atos bons que um homem pratica quando em estado de pecado, não recompensando-os na vida eterna, que é devida somente às obras vivas, isto é, feitas por caridade, mas com uma recompensa temporal; assim declara Gregório (Hom. sobre o Rico e Lázaro, 41 no Evang.): “Se aquele rico não tivesse feito algum bem, e não tivesse recebido a sua recompensa neste mundo, Abraão certamente não lhe teria dito: ‘Recebeste bens em tua vida’.” Ou também isso pode significar que será julgado com menor severidade; por isso Agostinho diz (Da Paciência xxvi): “Não podemos dizer que seria melhor para o cismático que, negando a Cristo, não padecesse nada daquilo que padeceu por confessá-lO; mas devemos crer que será julgado com menor severidade do que se, negando a Cristo, não tivesse padecido nada daquilo. Assim, as palavras do Apóstolo: ‘Se eu entregar o meu corpo para ser queimado e não tiver caridade, nada disso me aproveita’, referem-se à obtenção do reino dos céus, e não excluem a possibilidade de ser condenado com menor severidade no último juízo.”

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 6 - Whether the effect of subsequent Penance is to quicken even dead works? · séc. XIII

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