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Is 27, 9

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Matos Soares

9Porque a cidade forte foi assolada, despovoada e abandonada, como um deserto; nela pastam os bois, nela se deitam, e comem as pontas da sua verdura.

Matos Soares · domínio público

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Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1:** Parece que os frutos são enumerados inadequadamente pelo Apóstolo (Gl 5,22-23). Porque, noutro lugar, ele diz que há apenas um fruto da vida presente, segundo Rm 6,22: "Tendes o vosso fruto para a santificação." Além disso, está escrito (Is 27,9): "Todo este é o fruto ... que o pecado seja tirado." Logo, não devemos enumerar doze frutos. **Objeção 2:** Ademais, o fruto é o produto da semente espiritual, como foi dito (Art. 1). Mas Nosso Senhor menciona (Mt 13,23) um fruto tríplice que brota da semente espiritual em boa terra, a saber: "cento, sessenta e trinta por um." Portanto, não se devem enumerar doze frutos. **Objeção 3:** Além disso, a própria natureza do fruto é ser algo último e deleitável. Ora, isso não se aplica a todos os frutos mencionados pelo Apóstolo; pois a paciência e a longanimidade parecem implicar um objeto doloroso, enquanto a fé não é algo último, mas antes algo primeiro e fundamental. Logo, enumeram-se demasiados frutos. **Objeção 4:** Por outro lado, parece que são enumerados insuficiente e incompletamente. Pois foi dito (Art. 2) que todas as bem-aventuranças podem ser chamadas frutos; contudo, nem todas são aqui mencionadas. Tampouco há algo que corresponda aos atos da sabedoria e de muitas outras virtudes. Portanto, parece que os frutos são enumerados insuficientemente. **Respondo que:** O número dos doze frutos enumerados pelo Apóstolo é adequado, e pode haver uma referência a eles nos doze frutos dos quais está escrito (Ap 22,2): "Da banda de cá e da banda de lá do rio, a árvore que dá doze frutos." Contudo, visto que fruto é algo que procede de uma fonte como de uma semente ou raiz, a diferença entre esses frutos deve ser colhida das várias maneiras pelas quais o Espírito Santo procede em nós: processo que consiste em que a mente do homem é ordenada, primeiramente, em relação a si mesma; em segundo lugar, em relação às coisas que lhe são próximas; em terceiro lugar, em relação às coisas que lhe são inferiores. Assim, a mente do homem está bem disposta em relação a si mesma quando tem uma boa disposição para com os bens e para com os males. Ora, a primeira disposição da mente humana para o bem é efetuada pelo amor, que é a primeira de nossas emoções e a raiz de todas elas, como foi dito acima (Q. 27, Art. 4). Por isso, entre os frutos do Espírito Santo, enumeramos a "caridade", na qual o Espírito Santo é dado de modo especial, como em Sua própria semelhança, porque Ele mesmo é amor. Donde está escrito (Rm 5,5): "A caridade de Deus está derramada em nossos corações pelo Espírito Santo, que nos foi dado." O resultado necessário do amor da caridade é o gozo: porque todo amante se alegra por estar unido ao amado. Ora, a caridade sempre tem presença atual em Deus, a quem ama, segundo 1 Jo 4,16: "Quem permanece na caridade, permanece em Deus, e Deus nele"; donde a sequência da caridade é o "gozo". Ora, a perfeição do gozo é a paz sob dois aspectos. Primeiro, quanto à liberdade da perturbação exterior; pois é impossível gozar perfeitamente do bem amado, se alguém é perturbado no gozo dele; e também, se o coração de um homem está perfeitamente sossegado num objeto, não pode ser inquietado por nenhum outro, pois considera todos os outros como nada; por isso está escrito (Sl 118,165): "Muita paz têm os que amam a tua Lei, e para eles não há tropeço", porque, na verdade, as coisas exteriores não os perturbam no gozo de Deus. Segundo, quanto à calma do desejo inquieto: pois não se alegra perfeitamente quem não está satisfeito com o objeto de seu gozo. Ora, a paz implica estas duas coisas: que não sejamos perturbados pelas coisas exteriores e que nossos desejos descansem inteiramente num só objeto. Por conseguinte, depois da caridade e do gozo, a "paz" é colocada em terceiro lugar. Nas coisas más, a mente tem uma boa disposição quanto a dois aspectos. Primeiro, por não ser perturbada quando o mal ameaça: o que pertence à "paciência"; segundo, por não ser perturbada quando os bens são retardados: o que pertence à "longanimidade", pois "a falta de bem é uma espécie de mal" (Ética Nic. V, 3). A mente do homem está bem disposta quanto ao que lhe é próximo, isto é, o próximo: primeiro, quanto à vontade de fazer o bem; e a isto pertence a "bondade". Segundo, quanto à execução do bem-fazer; e a isto pertence a "benignidade", pois os benignos são aqueles em que a chama salutar [bonus ignis] do amor acendeu o desejo de ser bondoso para com o próximo. Terceiro, quanto a sofrer com equanimidade os males que o próximo lhe inflige. A isto pertence a "mansidão", que refreia a ira. Quarto, quanto a nos abstermos de causar dano ao próximo, não apenas pela ira, mas também pela fraude ou pelo engano. A isto pertence a "fé", se a tomamos como denotando fidelidade. Mas se a tomamos pela fé pela qual cremos em Deus, então o homem é dirigido por ela ao que está acima dele, de modo que sujeita seu intelecto e, consequentemente, tudo o que é seu, a Deus. O homem está bem disposto quanto ao que lhe é inferior, quanto à ação externa, pela "modéstia", pela qual observamos o "modo" em todas as nossas palavras e ações; quanto aos desejos internos, pela "continência" e pela "castidade": quer estas duas difiram porque a castidade afasta o homem dos desejos ilícitos, e a continência também dos lícitos; quer porque o homem continente está sujeito à concupiscência, mas não é arrastado; ao passo que o casto não está sujeito nem é arrastado por ela. **Resposta à Objeção 1:** A santificação é efetuada por todas as virtudes, pelas quais também os pecados são tirados. Consequentemente, o fruto é mencionado aí no singular, por ser genericamente uno, embora dividido em muitas espécies que são denominadas como tantos frutos. **Resposta à Objeção 2:** Os frutos centuplicado, sexagésimo e trigésimo não diferem como várias espécies de atos virtuosos, mas como vários graus de perfeição, mesmo na mesma virtude. Assim, a continência do estado conjugal é dita significada pelo fruto trigésimo; a continência da viuvez, pelo sexagésimo; e a continência virginal, pelo fruto centuplicado. Há, além disso, outras maneiras pelas quais os santos homens distinguem três frutos evangélicos segundo os três graus de virtude; e falam de três graus, porque a perfeição de algo é considerada quanto ao seu princípio, ao seu meio e ao seu fim. **Resposta à Objeção 3:** O fato de não ser perturbado pelas coisas dolorosas é algo que causa deleite. E quanto à fé, se a consideramos como fundamento, ela tem o aspecto de ser algo último e deleitável, na medida em que contém certeza; por isso uma glosa explica assim: "A fé, que é certeza acerca do invisível." **Resposta à Objeção 4:** Como diz Agostinho sobre Gl 5,22-23, "o Apóstolo não teve a intenção de nos ensinar quantos [sejam os frutos do Espírito], mas de mostrar como devem ser evitados os primeiros e buscados os segundos." Portanto, poderiam ser mencionados mais ou menos frutos. No entanto, todos os atos dos dons e das virtudes podem ser reduzidos a estes por uma certa conveniência, na medida em que todas as virtudes e dons devem necessariamente dirigir a mente de uma das maneiras acima mencionadas. Por isso, os atos da sabedoria e de quaisquer dons que direcionam para o bem são reduzidos à caridade, ao gozo e à paz. A razão pela qual ele menciona estes em vez de outros é que estes implicam ou o gozo dos bens, ou o alívio dos males, coisas que parecem pertencer à noção de fruto.

Summa Theologiae — First Part of the Second Part · Article. 3 - Whether the fruits are suitably enumerated by the Apostle? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

**Artigo 3 – Se o Batismo deve ser adiado.** **Objeção 1:** Parece que o Batismo deve ser adiado. Pois o Papa Leão diz (Epíst. xvi): “Duas estações”, isto é, a Páscoa e o Pentecostes, “são fixadas pelo Pontífice Romano para a celebração do Batismo. Por isso exortamos a vossa Beatitude a não acrescentar outros dias a este costume.” Portanto, parece que o Batismo não deve ser conferido imediatamente, mas adiado até as referidas estações. **Objeção 2:** Ademais, lemos nos decretos do Concílio de Ágde (Cân. xxxiv): “Se judeus, cuja má fé muitas vezes ‘volta ao vômito’, desejarem submeter-se à Lei da Igreja Católica, entrem por oito meses no pórtico da igreja com os catecúmenos; e, se forem encontrados em boa fé, então, finalmente, mereçam a graça do Batismo.” Logo, os homens não devem ser batizados imediatamente, e o Batismo deve ser adiado por um tempo determinado. **Objeção 3:** Ademais, como lemos em Is 27,9: “Isto é todo o fruto, que o pecado seja tirado.” Ora, o pecado parece ser tirado, ou pelo menos diminuído, se o Batismo for adiado. Primeiro, porque os que pecam após o Batismo pecam mais gravemente, segundo Hb 10,29: “Quanto mais pensais vós que merecerá maiores castigos aquele que teve por comum o sangue do testamento”, isto é, o Batismo, “em que foi santificado?” Segundo, porque o Batismo tira os pecados passados, mas não os futuros; por isso, quanto mais é adiado, mais pecados tira. Portanto, parece que o Batismo deve ser adiado por muito tempo. **Ao contrário,** está escrito (Eclo 5,8): “Não tardes em converter-te ao Senhor, e não o adies de dia para dia.” Ora, a perfeita conversão a Deus é a daqueles que são regenerados em Cristo pelo Batismo. Logo, o Batismo não deve ser adiado de dia para dia. **Respondo que:** Nesta matéria, devemos fazer uma distinção e ver se os que vão ser batizados são crianças ou adultos. Pois, se forem crianças, o Batismo não deve ser adiado. Primeiro, porque nelas não esperamos melhor instrução ou conversão mais plena. Segundo, pelo perigo de morte, pois nenhum outro remédio lhes está disponível senão o sacramento do Batismo. Por outro lado, os adultos têm um remédio no mero desejo do Batismo, como foi dito acima (A[2]). E, portanto, o Batismo não deve ser conferido aos adultos tão logo se convertam, mas deve ser adiado até um tempo determinado. Primeiro, como salvaguarda da Igreja, para que não seja enganada batizando aqueles que a ela vêm com fingimento, segundo 1 Jo 4,1: “Não creiais a todo espírito, mas provai os espíritos se são de Deus.” E os que se aproximam do Batismo são submetidos a esta prova quando sua fé e costumes são examinados por um espaço de tempo. Segundo, isto é necessário por ser útil para os que são batizados; pois necessitam de certo tempo para serem plenamente instruídos na fé e exercitados naquelas coisas que pertencem ao modo de vida cristão. Terceiro, uma certa reverência ao sacramento exige uma demora pela qual os homens são admitidos ao Batismo nas principais festividades, a saber, da Páscoa e do Pentecostes, resultando que recebem o sacramento com maior devoção. Há, contudo, duas razões para dispensar esta demora. Primeiro, quando os que vão ser batizados parecem perfeitamente instruídos na fé e prontos para o Batismo; assim, Filipe batizou o eunuco imediatamente (At 8); e Pedro, a Cornélio e aos que estavam com ele (At 10). Segundo, por motivo de doença ou algum perigo de morte. Por isso o Papa Leão diz (Epíst. xvi): “Os que são ameaçados pela morte, doença, cerco, perseguição ou naufrágio, devem ser batizados em qualquer tempo.” Contudo, se um homem é prevenido pela morte, de modo a não ter tempo de receber o sacramento, enquanto aguarda a estação determinada pela Igreja, é salvo, todavia “como pelo fogo”, como foi dito acima (A[2], ad 2). No entanto, peca se adiar o Batismo além do tempo determinado pela Igreja, a menos que seja por causa inevitável e com permissão das autoridades eclesiásticas. Mas mesmo este pecado, com seus outros pecados, pode ser lavado pela contrição subsequente, que faz as vezes do Batismo, como foi dito acima (Q[66], A[11]). **Resposta à objeção 1:** Este decreto do Papa Leão, acerca da celebração do Batismo em duas estações, deve ser entendido “com exceção do perigo de morte” (que deve ser sempre temido nas crianças), como foi dito acima. **Resposta à objeção 2:** Este decreto acerca dos judeus foi para salvaguarda da Igreja, para que não corrompam a fé dos simples, se não estiverem plenamente convertidos. No entanto, como se lê adiante no mesmo texto, “se dentro do tempo determinado forem ameaçados por perigo de doença, devem ser batizados”. **Resposta à objeção 3:** O Batismo, pela graça que confere, remove não só os pecados passados, mas impede a prática de pecados futuros. Ora, este é o ponto a considerar — que os homens não pequem: é consideração secundária que seus pecados sejam menos graves, ou que seus pecados sejam lavados, segundo 1 Jo 2,1-2: “Meus filhinhos, estas coisas vos escrevo, para que não pequeis. Mas se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o Justo; e ele é a propiciação pelos nossos pecados.”

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 3 - Whether Baptism should be deferred? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

Objecção 1: Parece que a fé é necessária da parte do batizando. Pois o sacramento do Batismo foi instituído por Cristo. Mas Cristo, ao dar a forma do Batismo, faz a fé preceder ao Batismo (Mc 16,16): "O que crer e for batizado será salvo." Logo parece que sem a fé não pode haver o sacramento do Batismo. Objecção 2: Além disso, nada de inútil se faz nos sacramentos da Igreja. Mas segundo o ritual da Igreja, pergunta-se ao homem que vem para ser batizado acerca da sua fé: "Crês em Deus Pai Todo-Poderoso?" Logo parece que a fé é necessária para o Batismo. Objecção 3: Além disso, a intenção de receber o sacramento é necessária para o Batismo. Mas isto não pode ser sem a reta fé, pois o Batismo é o sacramento da reta fé: porque por ele os homens "são incorporados em Cristo", como diz Agostinho no seu livro sobre o Batismo das Crianças (De Pecc. Merit. et Remiss. i); e isto não pode ser sem a reta fé, segundo Ef 3,17: "Que Cristo habite pela fé em vossos corações." Logo parece que o homem que não tem a reta fé não pode receber o sacramento do Batismo. Objecção 4: Além disso, a incredulidade é um pecado gravíssimo, como mostramos na SS, Q[10], A[3]. Mas aqueles que permanecem em pecado não devem ser batizados; logo, nem aqueles que permanecem em incredulidade. EM CONTRÁRIO, Gregório, escrevendo ao bispo Quirico, diz: "Aprendemos da antiga tradição dos Padres que, quando os hereges, batizados em nome da Trindade, voltam para a Santa Igreja, devem ser acolhidos ao seu seio, seja com a unção do crisma, seja com a imposição das mãos, seja com a simples profissão de fé." Mas assim não seria se a fé fosse necessária para o homem receber o Batismo. RESPONDO que, como se vê do que foi dito acima (Q[63], A[6]; Q[66], A[9]), o Batismo produz um duplo efeito na alma, a saber, o caráter e a graça. Portanto, de dois modos pode uma coisa ser necessária para o Batismo. Primeiro, como algo sem o qual a graça, que é o efeito último do sacramento, não pode ser obtida. E assim a reta fé é necessária para o Batismo, porque, como se vê de Rm 3,22, a justiça de Deus é pela fé de Jesus Cristo. Segundo, algo é exigido de necessidade para o Batismo, porque sem ele o caráter batismal não pode ser impresso. E assim a reta fé não é necessária no batizando mais do que no batizante: contanto que as outras condições sejam cumpridas, as quais são essenciais ao sacramento. Pois o sacramento não é aperfeiçoado pela justiça do ministro ou do recipiente do Batismo, mas pelo poder de Deus. Resposta à Objeção 1: Nosso Senhor fala aí do Batismo como nos levando à salvação por nos dar a graça santificante: o que, certamente, não pode ser sem a reta fé: por isso Ele diz pontualmente: "O que crer e for batizado será salvo." Resposta à Objeção 2: A intenção da Igreja ao batizar os homens é que eles sejam purificados do pecado, segundo Is 27,9: "Este é todo o fruto, que o pecado… seja tirado." E portanto, por sua parte, ela não pretende dar o Batismo senão aos que têm a reta fé, sem a qual não há remissão dos pecados. E por esta razão ela pergunta aos que vêm para ser batizados se creem. Se, ao contrário, alguém, sem a reta fé, receber o Batismo fora da Igreja, não o recebe para a salvação. Donde diz Agostinho (De Baptism. contr. Donat. iv): "Por ser a Igreja comparada ao Paraíso, aprendemos que os homens podem receber o seu Batismo mesmo fora do seu rebanho, mas que em nenhum outro lugar podem receber ou guardar a salvação dos bem-aventurados." Resposta à Objeção 3: Aquele que não tem a reta fé em outros pontos, pode ter a reta fé acerca do sacramento do Batismo: e assim não é impedido de ter a intenção de receber esse sacramento. Contudo, mesmo que ele não pense retamente acerca deste sacramento, basta, para a recepção do sacramento, que tenha uma intenção geral de receber o Batismo, conforme Cristo o instituiu e a Igreja o confere. Resposta à Objeção 4: Assim como o sacramento do Batismo não deve ser conferido ao homem que não quer abandonar os seus outros pecados, assim também não deve ser dado àquele que não quer renunciar à sua incredulidade. Contudo, cada um recebe o sacramento se lhe for conferido, ainda que não para a salvação.

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 8 - Whether faith is required on the part of the one baptized? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1.** Parece que a remissão dos pecados não deve ser enumerada entre as coisas requeridas para a justificação. Porquanto a substância de uma coisa não é enumerada juntamente com as coisas que são requeridas para ela; assim, um homem não é enumerado juntamente com o seu corpo e a sua alma. Ora, a justificação do ímpio é a própria remissão dos pecados, como se disse acima (A. 1). Logo, a remissão dos pecados não deve ser enumerada entre as coisas requeridas para a justificação do ímpio. **Objeção 2.** Demais, a infusão da graça e a remissão dos pecados são o mesmo; assim como a iluminação e a expulsão das trevas são o mesmo. Ora, uma coisa não deve ser enumerada consigo mesma; porque a unidade se opõe à multidão. Logo, a remissão dos pecados não deve ser enumerada juntamente com a infusão da graça. **Objeção 3.** Demais, a remissão do pecado segue-se como efeito da causa, a saber, do movimento do livre arbítrio para Deus e para o pecado; pois é pela fé e pela contrição que o pecado é perdoado. Ora, o efeito não deve ser enumerado com a sua causa; visto que as coisas assim enumeradas juntamente, e como que condivididas, são por natureza simultâneas. Logo, a remissão dos pecados não deve ser enumerada entre as coisas requeridas para a justificação do ímpio. **Pelo contrário,** Na enumeração do que é requerido para uma coisa, não se deve omitir o fim, que é a parte principal de tudo. Ora, a remissão dos pecados é o fim da justificação do ímpio; pois está escrito (Is. 27:9): "Todo o fruto disto é que o seu pecado seja tirado." Logo, a remissão dos pecados deve ser enumerada entre as coisas requeridas para a justificação. **Respondo.** Quatro coisas se consideram necessárias para a justificação do ímpio, a saber: a infusão da graça, o movimento do livre arbítrio para Deus pela fé, o movimento do livre arbítrio para o pecado, e a remissão dos pecados. A razão disto é que, como se disse acima (A. 1), a justificação do ímpio é um movimento pelo qual a alma é movida por Deus do estado de pecado para o estado de justiça. Ora, no movimento pelo qual uma coisa é movida por outra, três coisas são requeridas: primeira, a moção do motor; segunda, o movimento do movido; terceira, a consumação do movimento, ou a consecução do fim. Da parte da moção divina, há a infusão da graça; da parte do livre arbítrio, que é movido, há dois movimentos — de afastamento do termo *donde* e de aproximação do termo *para onde*; mas a consumação do movimento ou a consecução do fim do movimento está implícita na remissão dos pecados; pois nisto se completa a justificação do ímpio. **Resposta à objeção 1.** A justificação do ímpio é chamada remissão dos pecados, assim como todo movimento tem a sua espécie a partir do seu termo. Contudo, muitas outras coisas são requeridas para se chegar ao termo, como se disse acima (A. 5). **Resposta à objeção 2.** A infusão da graça e a remissão do pecado podem ser consideradas de dois modos: primeiro, quanto à substância do ato, e assim são o mesmo; pois pelo mesmo ato Deus confere a graça e remete o pecado. Segundo, podem ser consideradas da parte dos objetos; e assim diferem pela diferença entre a culpa, que é tirada, e a graça, que é infundida; assim como nas coisas naturais a geração e a corrupção diferem, embora a geração de uma coisa seja a corrupção de outra. **Resposta à objeção 3.** Esta enumeração não é a divisão de um gênero nas suas espécies, na qual as coisas enumeradas devem ser simultâneas; mas é a divisão das coisas requeridas para a perfeição de algo; e nesta enumeração pode haver o que precede e o que segue, visto que alguns dos princípios e partes de uma coisa composta podem preceder e outros seguir.

Summa Theologiae — First Part of the Second Part · Article. 6 - Whether the remission of sins ought to be reckoned amongst the things required for justification? · séc. XIII

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