Santo Thomas Aquinas
**Objeção 1.** Parece que não é essencial ao furto tomar ocultamente a coisa alheia. Pois o que diminui um pecado, ao que parece, não pertence à essência de um pecado. Ora, pecar ocultamente tende a diminuir o pecado, assim como, pelo contrário, escreve-se como indicando uma circunstância agravante do pecado de alguns (Is 3,9): «Proclamaram o seu pecado como Sodoma, e não o ocultaram.» Logo, não é essencial ao furto que consista em tomar ocultamente a coisa alheia. **Objeção 2.** Ademais, Ambrósio diz [*Serm. lxiv, de temp. A[2], OBJ[3], Can. Sicut hi.*], e suas palavras estão incorporadas nas Decretais [*Dist. xlvii*]: «Não é menor crime tirar daquele que tem do que recusar socorrer o necessitado quando podes e estás bem de vida.» Portanto, assim como o furto consiste em tomar a coisa alheia, assim também consiste em retê-la. **Objeção 3.** Ademais, alguém pode tomar ocultamente de outro até mesmo o que é seu próprio, por exemplo, uma coisa que depositou em mão alheia, ou que lhe foi tirada injustamente. Logo, não é essencial ao furto que consista em tomar ocultamente a coisa alheia. **Em contrário,** Isidoro diz (Etym. x): «'Fur' [ladrão] deriva-se de 'furvus', e por isso de 'fuscus' [escuro], porque se aproveita da noite.» **Respondo:** Três coisas concorrem para constituir o furto. A primeira pertence ao furto como contrário à justiça, que dá a cada um o que é seu; por isso pertence ao furto apossar-se do que é alheio. A segunda coisa pertence ao furto como distinto daqueles pecados que se cometem contra a pessoa, como o homicídio e o adultério; e, a este respeito, pertence ao furto versar sobre a coisa possuída: pois se alguém toma o que é alheio não como possessão, mas como parte (por exemplo, se amputa um membro), ou como pessoa a ele ligada (por exemplo, se rapta sua filha ou sua esposa), não é, rigorosamente, caso de furto. A terceira diferença é a que completa a natureza do furto, e consiste em tomar a coisa ocultamente; e, a este respeito, pertence propriamente ao furto que consista em «tomar ocultamente a coisa alheia». **Resposta à objeção 1.** O ocultamento é, às vezes, causa de pecado, como quando alguém emprega o ocultamento para cometer um pecado, por exemplo, na fraude e no dolo. Deste modo, não diminui o pecado, mas constitui uma espécie de pecado: e assim é no furto. De outro modo, o ocultamento é apenas uma circunstância do pecado, e assim diminui o pecado, tanto por ser sinal de vergonha, como por afastar o escândalo. **Resposta à objeção 2.** Reter o que é devido a outrem inflige o mesmo gênero de injúria que tomar injustamente a coisa: por isso, a detenção injusta está incluída na tomada injusta. **Resposta à objeção 3.** Nada impede que o que pertence a uma pessoa absolutamente pertença a outra em algum aspecto: assim, o depósito pertence absolutamente ao depositante, mas, quanto à sua guarda, é do depositário; e a coisa furtada é do ladrão, não absolutamente, mas quanto à sua guarda.
Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 3 - Whether the essence of theft consists in taking another's thing secretly? · séc. XIII
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