Trechos em que os Padres comentam diretamente esta passagem ou o seu contexto imediato.
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Citações internas
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Trechos em que este versículo aparece citado dentro de outro argumento patrístico.
TA
Santo Thomas Aquinas
Objeção 1: Parece que a paz não é o efeito próprio da caridade. Pois ninguém pode ter caridade sem a graça santificante. Ora, alguns têm paz sem ter a graça santificante, como os pagãos às vezes têm paz. Logo, a paz não é efeito da caridade.
Objeção 2: Ademais, se uma coisa é causada pela caridade, o seu contrário não é compatível com a caridade. Mas a dissensão, que é contrária à paz, é compatível com a caridade, pois vemos que até santos doutores, como Jerônimo e Agostinho, dissentiam em algumas de suas opiniões. Lemos também que Paulo e Barnabé dissentiam um do outro (At 15). Portanto, parece que a paz não é efeito da caridade.
Objeção 3: Ademais, a mesma coisa não é efeito próprio de coisas diferentes. Ora, a paz é efeito da justiça, segundo Is 32,17: «E a obra da justiça será a paz.» Logo, não é efeito da caridade.
Em contrário, está escrito (Sl 118,165): «Muita paz têm os que amam a Vossa Lei.»
Respondo que a paz implica uma dupla união, como foi dito acima (art. 1). A primeira resulta de os próprios apetites se dirigirem a um só objeto; a outra resulta de o apetite próprio se unir ao apetite de outrem. Ora, cada uma destas uniões é efetuada pela caridade: a primeira, na medida em que o homem ama a Deus de todo o coração, referindo-Lhe todas as coisas de modo que todos os seus desejos tendam a um só objeto; a segunda, na medida em que amamos o próximo como a nós mesmos, resultando daí que desejamos cumprir a vontade do próximo como se fosse nossa. Por isso é considerado sinal de amizade que as pessoas «escolham as mesmas coisas» (Ética IX, 4), e Túlio diz (Da Amizade) que os amigos «gostam e desgostam das mesmas coisas» (Salústio, Catilinária).
Resposta à objeção 1: Sem pecado ninguém cai do estado de graça santificante, pois o pecado aparta o homem do fim devido, fazendo-o colocar o seu fim em algo indevido; assim, o seu apetite não se prende principalmente ao verdadeiro bem final, mas a algum bem aparente. Por isso, sem a graça santificante, a paz não é verdadeira, mas apenas aparente.
Resposta à objeção 2: Como diz o Filósofo (Ética IX, 6), os amigos não precisam concordar nas opiniões, mas apenas nos bens que conduzem à vida, e especialmente nos que são importantes; pois a dissensão em coisas pequenas dificilmente é considerada dissensão. Nada impede, portanto, que os que têm caridade tenham opiniões diferentes. E isto não é obstáculo para a paz, porque as opiniões dizem respeito ao intelecto, que precede o apetite unido pela paz. Do mesmo modo, se há concórdia quanto aos bens importantes, a dissensão acerca de alguns de pouca monta não é contrária à caridade; pois tal dissensão procede de diferença de opinião, porque um pensa que o bem particular, objeto da dissensão, pertence ao bem sobre o qual concordam, enquanto o outro pensa que não. Por conseguinte, tal dissensão sobre coisas muito leves e sobre opiniões é incompatível com o estado de paz perfeita, na qual a verdade será plenamente conhecida e todo desejo satisfeito; mas não é incompatível com a paz imperfeita do viandante.
Resposta à objeção 3: A paz é «obra da justiça» indiretamente, na medida em que a justiça remove os obstáculos à paz; mas é obra da caridade diretamente, pois a caridade, segundo a sua própria natureza, causa a paz. Porque o amor é «uma força unificadora», como diz Dionísio (Nomes Divinos, IV); e a paz é a união das inclinações do apetite.
Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 3 - Whether peace is the proper effect of charity? · séc. XIII
tradução automática
TA
Santo Thomas Aquinas
**Objeção 1:** Parece que as bem-aventuranças são enumeradas de modo inconveniente. Pois as bem-aventuranças são atribuídas aos dons, como se disse acima (A[1], ad 1). Ora, alguns dos dons, a saber, a sabedoria e o entendimento, pertencem à vida contemplativa; contudo, nenhuma bem-aventurança é atribuída ao ato de contemplação, pois todas são atribuídas a matérias concernentes à vida ativa. Logo, as bem-aventuranças são enumeradas insuficientemente.
**Objeção 2:** Ademais, não só os dons executivos pertencem à vida ativa, mas também alguns dos dons diretivos, como a ciência e o conselho; contudo, nenhuma das bem-aventuranças parece estar diretamente ligada aos atos de ciência ou de conselho. Logo, as bem-aventuranças são indicadas insuficientemente.
**Objeção 3:** Ademais, entre os dons executivos ligados à vida ativa, diz-se que o temor está ligado à pobreza, enquanto a piedade parece corresponder à bem-aventurança da misericórdia; todavia, nada é incluído diretamente ligado à justiça. Logo, as bem-aventuranças são enumeradas insuficientemente.
**Objeção 4:** Ademais, muitas outras bem-aventuranças são mencionadas na Sagrada Escritura. Assim, está escrito (Jó 5,17): «Bem-aventurado o homem a quem Deus corrige»; e (Sl 1,1): «Bem-aventurado o varão que não andou no conselho dos ímpios»; e (Pr 3,13): «Bem-aventurado o homem que acha a sabedoria.» Logo, as bem-aventuranças são enumeradas insuficientemente.
**Objeção 5:** Por outro lado, parece que são mencionadas em demasiado número. Pois há sete dons do Espírito Santo; todavia, oito bem-aventuranças são indicadas.
**Objeção 6:** Ademais, apenas quatro bem-aventuranças são indicadas no sexto capítulo de Lucas. Logo, as sete ou oito mencionadas em Mateus 5 são em demasiado número.
**Respondo que** estas bem-aventuranças são enumeradas mui convenientemente. Para tornar isto evidente, deve-se observar que a bem-aventurança foi considerada como consistindo em uma de três coisas: pois alguns a atribuíram à vida sensual, outros à vida ativa, e outros à vida contemplativa [*Cf. Q[3]]. Ora, estas três espécies de felicidade estão em diferentes relações com a bem-aventurança futura, pela esperança da qual somos ditos bem-aventurados. Porque a felicidade sensual, sendo falsa e contrária à razão, é um obstáculo à bem-aventurança futura; enquanto a felicidade da vida ativa é uma disposição para a bem-aventurança futura; e a felicidade contemplativa, se perfeita, é a própria essência da bem-aventurança futura, e, se imperfeita, é um princípio dela.
E assim Nosso Senhor, em primeiro lugar, indicou certas bem-aventuranças como removendo o obstáculo da felicidade sensual. Porque a vida de prazer consiste em duas coisas. Primeiro, na abundância de bens externos, quer riquezas, quer honras; dos quais o homem é retraído — por uma virtude, de modo que os use com moderação — e por um dom, de modo mais excelente, de sorte que os despreze inteiramente. Daí a primeira bem-aventurança: «Bem-aventurados os pobres de espírito», que pode referir-se ou ao desprezo das riquezas, ou ao desprezo das honras, que procede da humildade. Segundo, a vida sensual consiste em seguir a inclinação das próprias paixões, quer irascíveis, quer concupiscíveis. De seguir as paixões irascíveis o homem é retraído — por uma virtude, de modo que sejam mantidas dentro dos limites prescritos pelo governo da razão — e por um dom, de modo mais excelente, de sorte que o homem, segundo a vontade de Deus, seja por elas inteiramente não perturbado: daí a segunda bem-aventurança: «Bem-aventurados os mansos.» De seguir as paixões concupiscíveis, o homem é retraído — por uma virtude, de modo que o homem use destas paixões com moderação — e por um dom, de modo que, se necessário, as abandone totalmente; ainda mais, de modo que, se preciso, faça uma escolha deliberada da tristeza [*Cf. Q[35], A[3]]; daí a terceira bem-aventurança: «Bem-aventurados os que choram.»
A vida ativa consiste principalmente nas relações do homem com o próximo, ou por via de dever ou por via de gratuidade espontânea. Para a primeira somos dispostos — por uma virtude, de modo que não recusemos fazer o nosso dever para com o próximo, o que pertence à justiça — e por um dom, de modo que façamos o mesmo com muito mais veemência, realizando obras de justiça com um ardente desejo, assim como um homem faminto e sedento come e bebe com ávido apetite. Daí a quarta bem-aventurança: «Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça.» Quanto aos favores espontâneos, somos aperfeiçoados — por uma virtude, de modo que demos onde a razão dita que devemos dar, por exemplo, aos amigos ou outros unidos a nós; o que pertence à virtude da liberalidade — e por um dom, de modo que, por reverência a Deus, consideremos apenas as necessidades daqueles sobre os quais derramamos a nossa liberalidade gratuita: por isso está escrito (Lc 14,12-13): «Quando fizeres um jantar ou uma ceia, não chames os teus amigos, nem os teus irmãos», etc., «mas... chama os pobres, os aleijados», etc.; o que, propriamente, é ter misericórdia: daí a quinta bem-aventurança: «Bem-aventurados os misericordiosos.»
Aquilo que concerne à vida contemplativa, ou é a própria bem-aventurança final, ou algum princípio dela: por isso são incluídas nas bem-aventuranças, não como méritos, mas como recompensas. Contudo, os efeitos da vida ativa, que dispõem o homem para a vida contemplativa, são incluídos nas bem-aventuranças. Ora, o efeito da vida ativa, quanto às virtudes e dons pelos quais o homem é aperfeiçoado em si mesmo, é a purificação do coração do homem, de modo que não seja maculado pelas paixões: daí a sexta bem-aventurança: «Bem-aventurados os limpos de coração.» Mas quanto às virtudes e dons pelos quais o homem é aperfeiçoado em relação ao próximo, o efeito da vida ativa é a paz, segundo Is 32,17: «A obra da justiça será a paz»: daí a sétima bem-aventurança: «Bem-aventurados os pacíficos.»
**Resposta à Objeção 1:** Os atos dos dons que pertencem à vida ativa são indicados nos méritos; mas os atos dos dons pertencentes à vida contemplativa são indicados nas recompensas, pela razão acima exposta. Porque «ver a Deus» corresponde ao dom do entendimento; e ser semelhante a Deus por ser «filhos de Deus» adotivos corresponde ao dom da sabedoria.
**Resposta à Objeção 2:** Nas coisas pertencentes à vida ativa, a ciência não é buscada por si mesma, mas por causa da operação, como também afirma o Filósofo (Ética II, 2). E, portanto, como a bem-aventurança implica algo último, as bem-aventuranças não incluem os atos daqueles dons que dirigem o homem na vida ativa, tais atos, a saber, como são eliciados por esses dons, como, por exemplo, aconselhar é o ato do conselho, e julgar, o ato da ciência; mas, por outro lado, incluem aqueles atos operativos dos quais os dons têm a direção, como, por exemplo, o pranto quanto à ciência, e a misericórdia quanto ao conselho.
**Resposta à Objeção 3:** Ao aplicar as bem-aventuranças aos dons, podemos considerar duas coisas. Uma é a semelhança de matéria. Deste modo, todas as primeiras cinco bem-aventuranças podem ser atribuídas à ciência e ao conselho como seus princípios diretivos; todavia, devem ser distribuídas entre os dons executivos: de modo que, a saber, a fome e sede de justiça, e também a misericórdia, correspondam à piedade, que aperfeiçoa o homem nas suas relações com os outros; a mansidão, à fortaleza, pois Ambrósio diz sobre Lc 6,22: «É ofício da fortaleza vencer a ira e conter a indignação», sendo a fortaleza acerca das paixões irascíveis; a pobreza e o pranto, ao dom do temor, pelo qual o homem se retira das concupiscências e prazeres do mundo.
Segundo, podemos considerar os motivos das bem-aventuranças: e, deste modo, algumas delas deverão ser atribuídas diversamente. Porque o motivo principal da mansidão é a reverência a Deus, que pertence à piedade. O motivo principal do pranto é a ciência, pela qual o homem conhece as suas falhas e as das coisas mundanas, segundo Ecl 1,18: «O que acrescenta ciência, acrescenta também tristeza [Vulg: trabalho].» O motivo principal da fome pelas obras de justiça é a fortaleza da alma: e o motivo principal de ser misericordioso é o conselho de Deus, segundo Dn 4,24: «Seja aceito o meu conselho ao rei [Vulg: a ti, ó rei]: e redime os teus pecados com esmolas, e as tuas iniquidades com obras de misericórdia para com os pobres.» É assim que Agostinho as atribui (De Serm. Dom. in Monte I, 4).
**Resposta à Objeção 4:** Todas as bem-aventuranças mencionadas na Sagrada Escritura devem ser reduzidas a estas, quer quanto aos méritos, quer quanto às recompensas: porque todas devem pertencer ou à vida ativa ou à contemplativa. Assim, quando lemos: «Bem-aventurado o homem a quem o Senhor corrige», devemos referir isto à bem-aventurança do pranto; quando lemos: «Bem-aventurado o varão que não andou no conselho dos ímpios», devemos referir à limpeza do coração; e quando lemos: «Bem-aventurado o homem que acha a sabedoria», isto deve ser referido à recompensa da sétima bem-aventurança. O mesmo se aplica a todas as outras que possam ser aduzidas.
**Resposta à Objeção 5:** A oitava bem-aventurança é uma confirmação e declaração de todas as que precedem. Porque do próprio fato de um homem ser confirmado na pobreza de espírito, mansidão e demais, segue-se que nenhuma perseguição o induzirá a renunciar a elas. Portanto, a oitava bem-aventurança corresponde, de certo modo, a todas as sete precedentes.
**Resposta à Objeção 6:** Lucas relata o sermão de Nosso Senhor como dirigido à multidão (Lc 6,17). Por isso, ele expõe as bem-aventuranças segundo a capacidade da multidão, que não conhece outra felicidade senão a prazerosa, temporal e terrena: donde, por estas quatro bem-aventuranças, Nosso Senhor exclui quatro coisas que parecem pertencer a tal felicidade. A primeira é a abundância de bens externos, que Ele afasta dizendo: «Bem-aventurados vós, pobres.» A segunda é que o homem esteja bem quanto ao corpo, em comida e bebida, e assim por diante; isto Ele exclui dizendo em segundo lugar: «Bem-aventurados vós que haveis fome.» A terceira é que esteja bem com o homem quanto à alegria do coração, e isto Ele remove dizendo: «Bem-aventurados vós que agora chorais.» A quarta é o favor externo dos homens; e isto Ele exclui, dizendo em quarto lugar: «Bem-aventurados sereis quando os homens vos odiarem.» E como diz Ambrósio sobre Lc 6,20, «a pobreza corresponde à temperança, que não é abalada pelos deleites; a fome, à justiça, pois quem tem fome é compassivo e, por compaixão, dá; o choro, à prudência, que deplora as coisas perecíveis; o sofrer o ódio dos homens pertence à fortaleza.»
Summa Theologiae — First Part of the Second Part · Article. 3 - Whether the beatitudes are suitably enumerated? · séc. XIII