São João Crisóstomo
Depois, como é conforme a razão semear semente entre espinhos, ou em terreno pedregoso, ou junto ao caminho? Na verdade, tratando-se da semente material e do solo deste mundo, não seria razoável; pois é impossível que a rocha se torne solo, ou que o caminho deixe de ser caminho, ou que os espinhos não sejam espinhos. Mas com as mentes e as doutrinas é de outro modo; ali é possível que a rocha se faça solo fértil, que o caminho não seja mais pisado, e que os espinhos sejam extirpados. Que a maior parte da semente, pois, perecesse, não veio daquele que semeava, mas do solo que a recebeu, isto é, da mente. Pois Aquele que semeava não fez distinção entre ricos e pobres, sábios ou tolos, mas falou a todos igualmente; cumprindo a sua própria parte, ainda que previsse todas as coisas que haviam de suceder, de modo que pudesse dizer: "Que devia Eu ter feito que não tenha feito?" [Is 5,4] Ele não pronuncia sentença sobre eles abertamente, dizendo: esta a recebeu o indolente e a perdeu, esta o rico e a sufocou, esta o descuidado e a perdeu, porque não os quis repreender com aspereza, para que não os alienasse de todo. Por esta parábola também instrui Ele os seus discípulos, para que, embora a maior parte daqueles que os ouvissem fosse tal que perecesse, não fossem por isso negligentes; pois o próprio Senhor, que previa todas as coisas, não desistiu por isso de semear.
séc. V
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