Orígenes
Ou porque Deus, que estivera com eles na nuvem de dia e na coluna de fogo de noite [nota marginal: Ex 13,21], nunca mais depois Se lhes manifestou de igual modo. Em Isaías, o povo dos judeus é chamado vinha, e as ameaças do senhor da vinha são contra a vinha [nota marginal: Is 5,7]; mas no Evangelho não é a vinha, e sim os lavradores que são culpados. Porque, talvez, no Evangelho a vinha seja o reino de Deus, isto é, a doutrina contida na santa Escritura; e a vida irrepreensível do homem é o fruto da vinha. E a letra da Escritura é a sebe posta ao redor da vinha, para que os frutos nela escondidos não sejam vistos pelos que estão de fora. A profundeza dos oráculos de Deus é o lagar da vinha, no qual aqueles que aproveitaram nos oráculos de Deus derramam os seus estudos como fruto. A torre edificada nela é a palavra acerca do próprio Deus e acerca das dispensações de Cristo. Esta vinha Ele a confiou a lavradores, isto é, ao povo que nos precedeu, tanto sacerdotes como leigos, e partiu para uma terra distante, dando com a Sua ausência oportunidade aos lavradores. O tempo da vindima que se aproxima pode entender-se tanto dos indivíduos como das nações. A primeira estação da vida é a infância, quando a vinha nada mostra senão que tem em si a força vital. Logo que começa a falar, então é o tempo de lançar rebentos. E, à medida que a alma da criança progride, assim também a vinha, isto é, a palavra de Deus; e depois de tal progresso a vinha produz o fruto maduro do amor, da alegria, da paz e coisas semelhantes. Além disso, à nação que recebeu a Lei por Moisés, o tempo do fruto se aproxima.
séc. III
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