Referência

Is 59, 2

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Matos Soares

2Foram as vossas iniquidades que puseram uma separação entre vós e o vosso Deus; os vossos pecados fizeram-no esconder de vós a sua face, para não vos ouvir.

Matos Soares · domínio público

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Citações internas

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Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1:** Parece que a Deus não pode ser amado imediatamente nesta vida. Porque «o desconhecido não pode ser amado», como diz Agostinho (*De Trin.* X, 1). Ora, não conhecemos a Deus imediatamente nesta vida, pois «vemos agora por espelho, em enigma» (1 Cor 13,12). Logo, também não O amamos imediatamente. **Objeção 2:** Além disso, quem não pode fazer o que é menos, não pode fazer o que é mais. Ora, é mais amar a Deus do que conhecê-Lo, pois «quem se une» a Deus pelo amor, «é com Ele um mesmo espírito» (1 Cor 6,17). Mas o homem não pode conhecer a Deus imediatamente. Logo, muito menos pode amá-Lo imediatamente. **Objeção 3:** Ademais, o homem é separado de Deus pelo pecado, conforme Is 59,2: «As vossas iniquidades puseram divisão entre vós e o vosso Deus». Ora, o pecado está antes na vontade do que no intelecto. Logo, o homem pode menos amar a Deus imediatamente do que conhecê-Lo imediatamente. **Em contrário,** o conhecimento de Deus, por ser mediato, diz-se «enigmático» e «cai» no céu, como se afirma em 1 Cor 13,12. Mas a caridade «não cai», como se declara no mesmo passo (1 Cor 13,12). Portanto, a caridade da via adere a Deus imediatamente. **Respondo que,** como se disse acima (I Parte, Q. 82, a. 3; Q. 84, a. 7), o ato da potência cognoscitiva completa-se por estar a coisa conhecida no conhecedor, ao passo que o ato da potência apetitiva consiste em o apetite inclinar-se para a coisa em si mesma. Donde se segue que o movimento da potência apetitiva se dirige às coisas segundo a condição delas próprias, enquanto o ato da potência cognoscitiva segue o modo do conhecedor. Ora, em si mesma, a própria ordem das coisas é tal que Deus é cognoscível e amável por Si próprio, pois é essencialmente a verdade e a bondade mesma, pelas quais as outras coisas são conhecidas e amadas; mas quanto a nós, como o nosso conhecimento deriva dos sentidos, são cognoscíveis primeiro aquelas coisas que estão mais próximas dos nossos sentidos, e o último termo do conhecimento é o que está mais afastado dos nossos sentidos. Por conseguinte, devemos afirmar que o amar, que é ato da potência apetitiva, mesmo neste estado de vida, tende primeiro a Deus, e d’Ele se derrama para as outras coisas; e neste sentido a caridade ama a Deus imediatamente, e as outras coisas por Deus. Ao contrário, quanto ao conhecimento, dá-se o inverso, pois conhecemos a Deus por meio das outras coisas, ou como a causa pelos seus efeitos, ou por via de eminência ou de negação, como diz Dionísio (*Div. Nom.* I; cf. I Parte, Q. 12, a. 12). **Resposta à objeção 1:** Embora o desconhecido não possa ser amado, não se segue que a ordem do conhecimento seja a mesma que a ordem do amor, pois o amor é o termo do conhecimento; e, consequentemente, o amor pode começar imediatamente onde o conhecimento termina, isto é, na própria coisa que é conhecida por meio de outra. **Resposta à objeção 2:** Sendo amar a Deus algo maior do que conhecê-Lo, especialmente neste estado de vida, segue-se que o amor de Deus pressupõe o conhecimento de Deus. E porque este conhecimento não repousa nas criaturas, mas, por meio delas, tende para algo outro, o amor começa ali e dali passa para as outras coisas por um movimento circular, por assim dizer; pois o conhecimento começa pelas criaturas, tende a Deus, e o amor começa por Deus como fim último e passa para as criaturas. **Resposta à objeção 3:** A aversão de Deus, que é causada pelo pecado, é removida pela caridade, mas não só pelo conhecimento; por isso a caridade, amando a Deus, une a alma imediatamente a Ele com um vínculo de união espiritual.

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 4 - Whether God can be loved immediately in this life? · séc. XIII

tradução automática

Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que o gozo espiritual que resulta da caridade é compatível com uma mistura de tristeza. Pois pertence à caridade alegrar-se com o bem do próximo, segundo 1 Co 13,4.6: "A caridade... não se alegra com a injustiça, mas alegra-se com a verdade." Ora, este gozo é compatível com uma mistura de tristeza, segundo Rm 12,15: "Alegrai-vos com os que se alegram, chorai com os que choram." Logo, o gozo espiritual da caridade é compatível com uma mistura de tristeza. Objeção 2: Ademais, segundo Gregório (Hom. in Evang. xxxiv), "a penitência consiste em deplorar os pecados passados e em não cometer novamente aqueles que deplorámos." Ora, não há verdadeira penitência sem caridade. Logo, o gozo da caridade tem uma mistura de tristeza. Objeção 3: Ademais, é pela caridade que o homem deseja estar com Cristo, segundo Fp 1,23: "Tendo desejo de ser dissolvido e de estar com Cristo." Ora, este desejo dá origem, no homem, a uma certa tristeza, segundo Sl 119,5: "Ai de mim que a minha peregrinação se prolongou!" Logo, o gozo da caridade admite um tempero de tristeza. Em contrário, O gozo da caridade é o gozo acerca da sabedoria divina. Ora, tal gozo não tem mistura de tristeza, segundo Sb 8,16: "A sua conversação não tem amargura." Logo, o gozo da caridade é incompatível com uma mistura de tristeza. Respondo: Como foi dito acima (A[1], ad 3), da caridade nasce um duplo gozo em Deus. Um, mais excelente, é próprio da caridade; e com este gozo nos alegramos com o bem divino considerado em si mesmo. Este gozo da caridade é incompatível com uma mistura de tristeza, assim como o bem que é o seu objeto é incompatível com qualquer mistura de mal; por isso, o Apóstolo diz (Fp 4,4): "Alegrai-vos no Senhor sempre." O outro é o gozo da caridade pelo qual nos alegramos com o bem divino como participado por nós. Esta participação pode ser impedida por algo que lhe é contrário; por isso, a este respeito, o gozo da caridade é compatível com uma mistura de tristeza, na medida em que um homem se entristece pelo que impede a participação do bem divino, seja em nós, seja no nosso próximo, a quem amamos como a nós mesmos. Resposta à Objeção 1: O nosso próximo não chora senão por causa de algum mal. Ora, todo mal implica falta de participação no soberano bem; por isso, a caridade nos faz chorar com o próximo, na medida em que ele é impedido de participar do bem divino. Resposta à Objeção 2: Os nossos pecados nos separam de Deus, segundo Is 59,2; por isso, esta é a razão pela qual nos entristecemos pelos nossos pecados passados, ou pelos dos outros, na medida em que nos impedem de participar do bem divino. Resposta à Objeção 3: Embora nesta morada infeliz participemos, de certo modo, do bem divino, pelo conhecimento e pelo amor, contudo a infelicidade desta vida é um obstáculo à perfeita participação do bem divino; por isso, esta própria tristeza, pela qual um homem se entristece pela demora da glória, está ligada ao impedimento da participação do bem divino.

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 2 - Whether the spiritual joy, which results from charity, is compatible with an admixture of sorrow? · séc. XIII

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Is 59, 2 nos Padres da Igreja | Aurea