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Is 63, 1

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Matos Soares

1Quem é este, que vem de Edom, de Bosra, com as vestiduras tingidas de vermelho? Ele é formoso em seu trajo, avança na grandeza da sua força. Eu sou (responderá ele) o que fala em justiça e que é poderoso para salvar (os homens).

Matos Soares · domínio público

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Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1:** Pareceria que não é necessário para a salvação de todos que creiam explicitamente no mistério de Cristo. Pois o homem não está obrigado a crer explicitamente naquilo que os anjos ignoram, visto que o desenvolvimento da fé resulta da revelação divina, a qual chega ao homem por meio dos anjos, como foi dito acima (A[6]; FP, Q[111], A[1]). Ora, também os anjos ignoravam o mistério da Encarnação; por isso, segundo o comentário de Dionísio (Coel. Hier. vii), são eles que perguntam (Sl 23,8): «Quem é este Rei da glória?» e (Is 63,1): «Quem é este que vem de Edom?». Logo, os homens não estavam obrigados a crer explicitamente no mistério da Encarnação de Cristo. **Objeção 2:** Ademais, é evidente que João Batista era um dos doutores e o mais próximo de Cristo, do qual Ele disse (Mt 11,11) que «entre os nascidos de mulher não surgiu maior do que ele». Ora, João Batista não parece ter conhecido explicitamente o mistério de Cristo, pois perguntou a Cristo (Mt 11,3): «És Tu Aquele que hás de vir, ou esperamos nós outro?». Portanto, nem mesmo os doutores estavam obrigados a uma fé explícita em Cristo. **Objeção 3:** Ademais, muitos gentios obtiveram a salvação por ministério dos anjos, como afirma Dionísio (Coel. Hier. ix). Ora, parece que os gentios não tiveram fé explícita nem implícita em Cristo, pois não receberam revelação alguma. Logo, parece que não era necessário para a salvação de todos crer explicitamente no mistério de Cristo. **Em contrário,** Agostinho diz (De Corr. et Gratia vii; Ep. cxc): «A nossa fé é sã se cremos que nenhum homem, velho ou jovem, é livrado do contágio da morte e dos laços do pecado, senão pelo único Mediador de Deus e dos homens, Jesus Cristo.» **Respondo que,** como foi dito acima (A[5]; Q[1], A[8]), o objeto da fé inclui, própria e diretamente, aquilo mediante o qual o homem obtém a beatitude. Ora, o mistério da Encarnação e Paixão de Cristo é o caminho pelo qual os homens obtêm a beatitude; pois está escrito (At 4,12): «Não há outro nome debaixo do céu dado aos homens, pelo qual devamos ser salvos.» Portanto, a crença de algum modo no mistério da Encarnação de Cristo foi necessária em todos os tempos e para todas as pessoas, mas essa crença diferiu segundo a diferença dos tempos e das pessoas. A razão disto é que, antes do estado de pecado, o homem cria explicitamente na Encarnação de Cristo, enquanto ordenada para a consumação da glória, mas não enquanto ordenada a livrar o homem do pecado pela Paixão e Ressurreição, pois o homem não tinha presciência do seu futuro pecado. Todavia, parece que ele teve presciência da Encarnação de Cristo, pelo fato de ter dito (Gn 2,24): «Por isso deixará o homem pai e mãe, e se unirá à sua mulher», do qual diz o Apóstolo (Ef 5,32) que «este é um grande sacramento [...] em Cristo e na Igreja», e é incrível que o primeiro homem ignorasse este sacramento. Mas depois do pecado, o homem creu explicitamente em Cristo, não só quanto à Encarnação, mas também quanto à Paixão e Ressurreição, pelas quais o gênero humano é livrado do pecado e da morte; do contrário, não teriam prefigurado a Paixão de Cristo mediante certos sacrifícios, tanto antes como depois da Lei, cujo significado era conhecido explicitamente pelos doutos, enquanto os simples, sob o véu daqueles sacrifícios, criam que eles eram ordenados por Deus em referência à vinda de Cristo, e assim o seu conhecimento estava, por assim dizer, coberto com um véu. E, como foi dito acima (Q[1], A[7]), quanto mais próximos estavam de Cristo, mais distinto era o seu conhecimento dos mistérios de Cristo. Depois que a graça foi revelada, tanto os doutos como os simples estão obrigados a uma fé explícita nos mistérios de Cristo, principalmente quanto àqueles que são observados em toda a Igreja e publicamente proclamados, tais como os artigos referentes à Encarnação, dos quais falamos acima (Q[1], A[8]). Quanto a outros pontos mais minuciosos referentes aos artigos da Encarnação, os homens estiveram obrigados a crê-los mais ou menos explicitamente, segundo o estado e o cargo de cada um. **Resposta à Objeção 1:** O mistério do Reino de Deus não estava inteiramente oculto aos anjos, como observa Agostinho (Gen. ad lit. v, 19); contudo, certos aspectos dele lhes foram mais conhecidos quando Cristo lhos revelou. **Resposta à Objeção 2:** Não foi por ignorância que João Batista indagou acerca da vinda de Cristo na carne, pois já tinha professado claramente a sua crença nela, dizendo: «Eu vi e dei testemunho de que este é o Filho de Deus» (Jo 1,34). Por isso não disse: «És Tu Aquele que veio?», mas «És Tu Aquele que hás de vir?», falando assim do futuro, não do passado. Da mesma forma, não se deve crer que ele ignorasse a futura Paixão de Cristo, pois já dissera (Jo 1,29): «Eis o Cordeiro de Deus, eis Aquele que tira o pecado [Vulg.: 'pecados'] do mundo», predizendo assim a sua futura imolação; e, como os outros profetas a tinham predito, vê-se especialmente em Isaías 53. Podemos, portanto, dizer com Gregório (Hom. xxvi in Evang.) que fez esta pergunta estando na ignorância quanto a se Cristo desceria ao inferno em sua própria Pessoa. Mas ele não ignorava que o poder da Paixão de Cristo se estenderia àqueles que estavam detidos no Limbo, conforme Zacarias 9,11: «Tu também, pelo sangue do teu testamento, enviaste os teus presos para fora do poço em que não há água»; nem estava obrigado a crer explicitamente, antes do seu cumprimento, que Cristo havia de descer ali em pessoa. Pode-se também responder que, como observa Ambrósio no seu comentário a Lc 7,19, fez esta pergunta, não por dúvida ou ignorância, mas por devoção; ou ainda, com Crisóstomo (Hom. xxxvi in Matth.), que perguntou, não como ignorante ele mesmo, mas porque desejava que os seus discípulos ficassem satisfeitos quanto a esse ponto, por meio de Cristo; por isso, este formulou a sua resposta de modo a instruir os discípulos, apontando os sinais das suas obras. **Resposta à Objeção 3:** Muitos dos gentios receberam revelações de Cristo, como se vê claramente pelas suas predições. Assim lemos (Jó 19,25): «Eu sei que o meu Redentor vive.» Também a Sibila predisse algumas coisas acerca de Cristo, como afirma Agostinho (Contra Faust. xiii, 15). Além disso, lê-se na história dos Romanos que, no tempo de Constantino Augusto e de sua mãe Irene, foi descoberto um sepulcro, onde jazia um homem, sobre cujo peito havia uma lâmina de ouro com a inscrição: «Cristo nascerá de uma virgem, e nEle creio. Ó sol, durante a vida de Irene e Constantino, tu me verás de novo» [*Cf. Baron, Annal. A.D. 780]. Se, porém, alguns se salvaram sem receber revelação alguma, não se salvaram sem fé num Mediador; pois, embora não cressem nEle explicitamente, tinham, contudo, fé implícita, crendo na divina providência, visto que criam que Deus livraria o gênero humano de qualquer modo que Lhe aprouvesse, e segundo a revelação do Espírito àqueles que conheciam a verdade, como está dito em Jó 35,11: «Quem nos ensina mais do que os animais da terra.»

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 7 - Whether it is necessary for the salvation of all, that they should believe explicitly in the mystery of Christ? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que a Anunciação não devia ter sido feita por um anjo à bem-aventurada Virgem. Porque as revelações aos mais altos anjos são feitas imediatamente por Deus, como diz Dionísio (Hier. Cel. vii). Ora, a Mãe de Deus é exaltada acima de todos os anjos. Logo, parece que o mistério da Encarnação lhe devia ter sido anunciado imediatamente por Deus, e não por um anjo. Objeção 2: Além disso, se neste assunto convinha observar a ordem comum, pela qual as coisas divinas são anunciadas aos homens pelos anjos; da mesma forma, as coisas divinas são anunciadas à mulher pelo homem: por isso o Apóstolo diz (1 Cor 14,34-35): «As mulheres estejam caladas nas igrejas… mas se quiserem aprender alguma coisa, perguntem em casa a seus maridos.» Logo, parece que o mistério da Encarnação devia ter sido anunciado à bem-aventurada Virgem por algum homem: especialmente porque José, seu esposo, foi instruído sobre isso por um anjo, como se narra (Mt 1,20-21). Objeção 3: Demais, ninguém pode anunciar convenientemente o que não sabe. Ora, os mais altos anjos não conheciam plenamente o mistério da Encarnação: por isso Dionísio diz (Hier. Cel. vii) que a pergunta: «Quem é este que vem de Edom?» (Is 63,1) deve ser entendida como feita por eles. Logo, parece que o anúncio da Encarnação não podia ser feito convenientemente por nenhum anjo. Objeção 4: Ademais, coisas maiores devem ser anunciadas por mensageiros de maior dignidade. Ora, o mistério da Encarnação é o maior de todos os anunciados pelos anjos aos homens. Parece, portanto, que se convinha ser anunciado por algum anjo, isso devia ter sido feito por um anjo da mais alta ordem. Mas Gabriel não é da mais alta ordem, e sim da ordem dos arcanjos, que é a penúltima: por isso a Igreja canta: «Sabemos que o arcanjo Gabriel te trouxe uma mensagem de Deus» [*Festa da Purificação B.V.M. ix Resp. Brev. O.P.]. Logo, este anúncio não foi feito convenientemente pelo arcanjo Gabriel. Em contrário, está escrito (Lc 1,26): «Foi enviado por Deus o anjo Gabriel», etc. Respondo que convinha que o mistério da Encarnação fosse anunciado à Mãe de Deus por um anjo, por três razões. Primeiro, para que também nisto se mantivesse a ordem estabelecida por Deus, pela qual as coisas divinas são transmitidas aos homens por meio dos anjos. Por isso Dionísio diz (Hier. Cel. iv) que «os anjos foram os primeiros a ser ensinados acerca do divino mistério da benignidade de Jesus; depois, a graça do conhecimento nos foi comunicada por meio deles. Assim, pois, o mais divino Gabriel deu a conhecer a Zacarias que lhe nasceria um filho profeta; e a Maria, como se realizaria nela o divino mistério da inefável conceição de Deus.» Segundo, isto era conveniente à restauração da natureza humana que havia de ser efetuada por Cristo. Por isso Beda diz numa homilia (in Annunt.): «Foi um início adequado da restauração do homem que um anjo fosse enviado por Deus à Virgem que havia de ser santificada pelo Nascimento Divino: pois a primeira causa da ruína do homem foi o ter sido enviada a serpente pelo diabo para enganar a mulher com o espírito de soberba.» Terceiro, porque isto era conveniente à virgindade da Mãe de Deus. Por isso Jerônimo diz num sermão sobre a Assunção [*Atribuído a S. Jerônimo, mas não é sua obra]: «Está bem que um anjo seja enviado à Virgem; porque a virgindade é sempre afim da natureza angélica. Pois viver na carne e não segundo a carne não é vida terrena, mas celeste.» Resposta à objeção 1: A Mãe de Deus estava acima dos anjos quanto à dignidade para a qual foi escolhida por Deus. Mas quanto ao estado presente da vida, estava abaixo dos anjos. Pois o próprio Cristo, por causa da sua vida passível, «foi feito um pouco menor que os anjos», conforme Hb 2,9. Mas porque Cristo era ao mesmo tempo viandante e compreensor, não necessitava ser instruído pelos anjos quanto ao conhecimento das coisas divinas. A Mãe de Deus, porém, ainda não estava no estado de compreensão: e portanto devia ser instruída pelos anjos acerca da Conceição Divina. Resposta à objeção 2: Como diz Agostinho num sermão sobre a Assunção (De Assump. B.V.M. [*Obra de outro autor: entre as obras de S. Agostinho]), uma verdadeira estima da bem-aventurada Virgem a exclui de certas regras gerais. Pois «nem ela 'multiplicou as suas conceições', nem estava 'sujeita ao poder do homem, isto é, do seu marido' (Gn 3,16), ela que no seu imaculado ventre concebeu a Cristo do Espírito Santo.» Portanto, convinha que fosse informada do mistério da Encarnação não por meio de um homem, mas de um anjo. Por esta razão, foi-lhe anunciado antes de José: pois a mensagem foi-lhe trazida antes de conceber, mas a José depois de ela ter concebido. Resposta à objeção 3: Como se pode deduzir da passagem citada de Dionísio, os anjos conheciam o mistério da Encarnação; e todavia fizeram esta pergunta, desejando que Cristo lhes desse um conhecimento mais perfeito dos pormenores deste mistério, que são incompreensíveis a todo o intelecto criado. Assim Máximo [*Máximo de Constantinopla] diz que «não há dúvida de que os anjos sabiam que a Encarnação havia de ter lugar. Mas não lhes foi dado perscrutar o modo da conceição do Senhor, nem como Ele permaneceu inteiro no Pai, inteiro em todo o universo, e inteiro no estreito recinto da Virgem.» Resposta à objeção 4: Alguns dizem que Gabriel era da mais alta ordem; porque Gregório diz (Hom. de Centum Ovibus [*34 in Evang.]): «Convinha que viesse um dos mais altos anjos, porque a sua mensagem era a mais sublime.» Mas isto não implica que ele fosse da mais alta ordem de todas, mas em relação aos anjos: pois ele era um arcanjo. Assim a Igreja o chama arcanjo, e o próprio Gregório numa homilia (De Centum Ovibus 34) diz que «são chamados arcanjos aqueles que anunciam coisas sublimes.» É, portanto, suficientemente crível que ele fosse o mais alto dos arcanjos. E, como diz Gregório (De Centum Ovibus 34), este nome concorda com o seu ofício: pois «Gabriel significa 'Força de Deus.'» Esta mensagem, portanto, foi convenientemente trazida pela «Força de Deus», porque o Senhor dos exércitos e poderoso na batalha vinha para vencer os poderes do ar.

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 2 - Whether the annunciation should have been made by an angel to the Blessed Virgin? · séc. XIII

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Is 63, 1 nos Padres da Igreja | Aurea