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Tg 1, 4

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Matos Soares

4Mas a constância faz obras perfeitas, a fim de que sejais perfeitos, completos, não faltando em coisa alguma.

Matos Soares · domínio público

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Citações internas

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Santo Thomas Aquinas

**Artigo 3 — Se outras virtudes devem ser chamadas principais em lugar destas.** **Objecção 1.** Parece que outras virtudes devem ser chamadas principais, e não estas. Pois, ao que parece, o máximo em qualquer género é o principal. Ora, "a magnanimidade tem grande influência sobre todas as virtudes" (Ética, IV, 3). Logo, a magnanimidade deve, mais do que qualquer outra, ser chamada virtude principal. **Objecção 2.** Ademais, aquilo que fortalece as outras virtudes deve, acima de tudo, ser chamado virtude principal. Ora, tal é a humildade; pois Gregório diz (Hom. IV in Ev.) que "quem ajunta as outras virtudes sem humildade é como quem leva palha contra o vento". Portanto, a humildade parece ser, acima de tudo, uma virtude principal. **Objecção 3.** Ademais, o que é mais perfeito parece ser principal. Ora, isto se aplica à paciência, segundo Tiago 1,4: "A paciência tem uma obra perfeita." Logo, a paciência deve ser considerada uma virtude principal. **Em contrário,** Cícero reduz todas as outras virtudes a estas quatro (De Invent. Rhet., II). **Respondo.** Como foi dito acima (A. 2), estas quatro são consideradas virtudes cardeais, em relação aos quatro princípios formais da virtude, tal como agora a entendemos. Estes princípios encontram-se principalmente em certos atos e paixões. Assim, o bem que existe no ato da razão encontra-se principalmente no seu comando, e não no seu conselho ou juízo, como foi dito acima (Q. 57, A. 6). Outrossim, o bem definido pela razão e aplicado às nossas operações como algo reto e devido, encontra-se principalmente nas comutações e distribuições feitas a outrem, com base na igualdade. O bem de refrear as paixões encontra-se principalmente naquelas paixões mais difíceis de refrear, a saber, nos prazeres do tato. O bem de permanecer firme na adesão ao bem definido pela razão, contra o impulso da paixão, encontra-se principalmente nos perigos de morte, que são os mais difíceis de suportar. Por conseguinte, as quatro virtudes mencionadas podem ser consideradas de dois modos. Primeiro, quanto aos seus princípios formais comuns. Deste modo são chamadas principais, sendo como que gerais em comparação com todas as virtudes; de sorte que, por exemplo, toda virtude que produz o bem no ato de consideração da razão pode ser chamada prudência; toda virtude que produz o bem do que é reto e devido na operação pode ser chamada justiça; toda virtude que refreia e reprime as paixões pode ser chamada temperança; e toda virtude que fortalece o ânimo contra quaisquer paixões pode ser chamada fortaleza. Muitos, tanto santos doutores como filósofos, falam destas virtudes neste sentido; e deste modo as outras virtudes estão contidas sob elas. Pelo que todas as objeções falham. Segundo, podem ser consideradas pelo fato de serem denominadas cada uma a partir do que é primordial na sua respectiva matéria; e assim são virtudes específicas, co-divididas com as outras. Contudo, são chamadas principais em comparação com as outras virtudes, por causa da importância da sua matéria: de modo que a prudência é a virtude que comanda; a justiça, a virtude que trata das ações devidas entre iguais; a temperança, a virtude que suprime os desejos dos prazeres do tato; e a fortaleza, a virtude que fortalece contra os perigos da morte. Assim também as objeções falham: porque as outras virtudes podem ser principais de algum outro modo, mas estas são chamadas principais por razão da sua matéria, como foi dito acima.

Summa Theologiae — First Part of the Second Part · Article. 3 - Whether any other virtues should be called principal rather than these? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que a justiça não é a principal das virtudes morais. Pois é melhor dar do que é próprio do que pagar o que é devido. Ora, a primeira pertence à liberalidade, a segunda à justiça. Logo, a liberalidade é aparentemente uma virtude maior do que a justiça. Objeção 2: Além disso, a principal qualidade de uma coisa é, ao que parece, aquilo em que ela é mais perfeita. Ora, segundo Tiago 1:4, “A paciência tem uma obra perfeita”. Portanto, parece que a paciência é maior do que a justiça. Objeção 3: Além disso, “A magnanimidade tem grande influência sobre toda virtude”, como se diz na Ética IV, 3. Portanto, ela engrandece até a justiça. Logo, ela é maior do que a justiça. Pelo contrário, o Filósofo diz (Ética V, 1) que “a justiça é a mais excelente das virtudes”. Respondo que: Uma virtude considerada na sua espécie pode ser maior ou menor, seja simplesmente seja relativamente. Diz-se que uma virtude é maior simplesmente quando nela brilha um bem racional maior, como foi dito acima (A[1]). Deste modo, a justiça é a mais excelente de todas as virtudes morais, por ser a mais afim à razão. Isto se torna evidente considerando o seu sujeito e o seu objeto: o seu sujeito, porque este é a vontade, e a vontade é o apetite racional, como foi dito acima (Q[8], A[1]; Q[26], A[1]); o seu objeto ou matéria, porque trata das operações, pelas quais o homem é ordenado não só em si mesmo, mas também em relação a outro. Por conseguinte, “a justiça é a mais excelente das virtudes” (Ética V, 1). Entre as outras virtudes morais, que dizem respeito às paixões, quanto mais excelente é a matéria na qual o movimento apetitivo está sujeito à razão, tanto mais o bem racional brilha em cada uma. Ora, nas coisas que tocam o homem, a principal de todas é a vida, da qual todas as outras dependem. Consequentemente, a fortaleza, que sujeita o movimento apetitivo à razão nas coisas de vida e morte, ocupa o primeiro lugar entre aquelas virtudes morais que dizem respeito às paixões, mas está subordinada à justiça. Por isso o Filósofo diz (Retórica I) que “as virtudes que recebem mais louvor devem ser necessariamente as maiores: pois a virtude é um poder de fazer o bem. Por conseguinte, o homem valente e o justo são honrados mais do que os outros; porque a primeira”, isto é, a fortaleza, “é útil na guerra, e a segunda”, isto é, a justiça, “tanto na guerra como na paz”. Depois da fortaleza vem a temperança, que sujeita o apetite à razão nas coisas diretamente relativas à vida, no indivíduo, ou na espécie, isto é, nas coisas de alimento e de sexo. E assim estas três virtudes, juntamente com a prudência, são chamadas virtudes principais, também em excelência. Diz-se que uma virtude é maior relativamente, por razão de ajudar ou adornar uma virtude principal: assim como a substância é mais excelente simplesmente do que o acidente; e, no entanto, relativamente, algum acidente particular é mais excelente do que a substância, na medida em que aperfeiçoa a substância em algum modo acidental de ser. Resposta à objeção 1: O ato de liberalidade precisa ser fundado em um ato de justiça, pois “um homem não é liberal ao dar, a menos que dê do que é seu” (Política II, 3). Portanto, não poderia haver liberalidade sem justiça, que discerne entre o ‘meu’ e o ‘teu’; ao passo que a justiça pode existir sem liberalidade. Por conseguinte, a justiça é simplesmente maior do que a liberalidade, por ser mais universal e por ser o seu fundamento; enquanto a liberalidade é maior relativamente, pois é um ornamento e um acréscimo à justiça. Resposta à objeção 2: Diz-se que a paciência tem “uma obra perfeita” por suportar os males, onde ela exclui não só a vingança injusta, que também é excluída pela justiça; não só o ódio, que também é reprimido pela caridade; nem só a ira, que é aplacada pela mansidão; mas também a tristeza desordenada, que é a raiz de tudo o que foi dito acima. Pelo que ela é mais perfeita e excelente por arrancar a raiz nesta matéria. Não é, porém, mais perfeita do que todas as outras virtudes simplesmente. Porque a fortaleza não só suporta a tribulação sem se perturbar, mas também luta contra ela se necessário. Por conseguinte, quem é valente é paciente; mas o contrário não se verifica, pois a paciência é uma parte da fortaleza. Resposta à objeção 3: Não pode haver magnanimidade sem as outras virtudes, como se afirma na Ética IV, 3. Por isso ela é comparada a elas como seu ornamento, de modo que relativamente é maior do que todas as outras, mas não simplesmente.

Summa Theologiae — First Part of the Second Part · Article. 4 - Whether justice is the chief of the moral virtues? · séc. XIII

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