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Tg 2, 10

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Matos Soares

10porque, qualquer que tiver observado toda a lei, e faltar num só ponto, torna-se réu de (ter violado) todos os outros.

Matos Soares · domínio público

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Citações internas

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Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1:** Parece que um herege que descrê de um artigo de fé pode ter fé informe nos outros artigos. Pois o intelecto natural do herege não é mais capaz do que o do católico. Ora, o intelecto do católico necessita do auxílio do dom da fé para crer em qualquer artigo de fé que seja. Logo, parece que os hereges não podem crer em nenhum artigo de fé sem o dom da fé informe. **Objeção 2:** Ademais, assim como a fé contém muitos artigos, assim também uma ciência, a saber, a geometria, contém muitas conclusões. Ora, um homem pode possuir a ciência da geometria quanto a algumas conclusões geométricas e, no entanto, ignorar outras conclusões. Logo, um homem pode crer em alguns artigos de fé sem crer nos outros. **Objeção 3:** Ademais, assim como o homem obedece a Deus crendo nos artigos de fé, assim também obedece guardando os mandamentos da Lei. Ora, um homem pode obedecer a alguns mandamentos e desobedecer a outros. Logo, pode crer em alguns artigos e descrer de outros. **Em contrário,** assim como o pecado mortal é contrário à caridade, assim a descrença em um artigo de fé é contrária à fé. Ora, a caridade não permanece no homem após um pecado mortal. Logo, nem a fé permanece, depois que um homem descrê de um artigo. **Respondo que** nem a fé viva nem a informe permanece no herege que descrê de um artigo de fé. A razão disto é que a espécie de todo hábito depende da razão formal do objeto, sem a qual a espécie do hábito não pode permanecer. Ora, o objeto formal da fé é a Primeira Verdade, conforme manifestada na Sagrada Escritura e no ensinamento da Igreja, que procede da Primeira Verdade. Consequentemente, quem quer que não se achegue, como a uma regra infalível e divina, ao ensinamento da Igreja, que procede da Primeira Verdade manifestada na Sagrada Escritura, não possui o hábito da fé, mas sustenta o que é de fé de outro modo que não pela fé. Do mesmo modo, é evidente que um homem cujo espírito sustenta uma conclusão sem saber como ela é demonstrada, não tem conhecimento científico, mas meramente uma opinião a seu respeito. Ora, é manifesto que aquele que se achega ao ensinamento da Igreja como a uma regra infalível, consente em tudo o que a Igreja ensina; de outro modo, se, das coisas ensinadas pela Igreja, ele sustenta o que escolhe sustentar e rejeita o que escolhe rejeitar, já não se achega ao ensinamento da Igreja como a uma regra infalível, mas à sua própria vontade. Donde é evidente que um herege que obstinadamente descrê de um artigo de fé não está disposto a seguir o ensinamento da Igreja em todas as coisas; mas, se não é obstinado, já não está em heresia, mas apenas em erro. Portanto, é claro que tal herege, com relação a um artigo, não tem fé nos outros artigos, mas apenas uma espécie de opinião conforme à sua própria vontade. **Resposta à Objeção 1:** O herege não sustenta os outros artigos de fé, acerca dos quais não erra, do mesmo modo que um fiel, a saber, aderindo simplesmente à Verdade Divina, porque, para fazê-lo, o homem necessita do auxílio do hábito da fé; mas ele sustenta as coisas que são de fé por sua própria vontade e juízo. **Resposta à Objeção 2:** As várias conclusões de uma ciência têm seus respectivos meios de demonstração, podendo um ser conhecido sem o outro, de modo que podemos conhecer algumas conclusões de uma ciência sem conhecer as outras. Por outro lado, a fé adere a todos os artigos de fé por meio de um único meio, a saber, por causa da Primeira Verdade proposta a nós nas Escrituras, segundo o ensinamento da Igreja, que possui o reto entendimento delas. Portanto, quem quer que abandone este meio fica totalmente desprovido de fé. **Resposta à Objeção 3:** Os vários preceitos da Lei podem ser referidos ou a seus respectivos motivos próximos, e assim um pode ser guardado sem o outro; ou a seu motivo primário, que é a perfeita obediência a Deus, na qual o homem falha sempre que transgride um mandamento, segundo Tiago 2,10: «Aquele que ofender em um só ponto, torna-se réu de todos.»

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 3 - Whether a man who disbelieves one article of faith, can have lifeless faith in the other articles? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que todos os pecados são conexos. Porque está escrito (Tiago 2:10): «Todo aquele que guardar toda a lei, e tropeçar em um só ponto, é culpado de todos.» Ora, ser culpado de transgredir todos os preceitos da lei é o mesmo que cometer todos os pecados, porque, como diz Ambrósio (De Parad. viii), «o pecado é uma transgressão da lei divina e uma desobediência aos mandamentos celestiais.» Portanto, todo aquele que comete um pecado é culpado de todos. Objeção 2: Além disso, cada pecado bane a sua virtude oposta. Ora, todo aquele que carece de uma virtude carece de todas, como foi demonstrado acima (Q[65], A[1]). Portanto, todo aquele que comete um pecado é privado de todas as virtudes. Logo, todo aquele que comete um pecado é culpado de todos os pecados. Objeção 3: Além disso, todas as virtudes são conexas, porque têm um princípio em comum, como foi dito acima (Q[65], AA[1],2). Ora, assim como as virtudes têm um princípio comum, também os pecados o têm, porque, assim como o amor de Deus, que edifica a cidade de Deus, é o começo e a raiz de todas as virtudes, assim o amor próprio, que edifica a cidade de Babilônia, é a raiz de todos os pecados, como declara Agostinho (De Civ. Dei xiv, 28). Portanto, todos os vícios e pecados também são conexos, de modo que todo aquele que tem um, tem todos. Ao contrário, alguns vícios são contrários entre si, como afirma o Filósofo (Ethic. ii, 8). Mas os contrários não podem estar juntos no mesmo sujeito. Logo, é impossível que todos os pecados e vícios sejam conexos entre si. Respondo que a intenção do homem que age segundo a virtude em conformidade com a sua razão é diferente da intenção do pecador ao extraviar-se da senda da razão. Pois a intenção de todo homem que age segundo a virtude é seguir a regra da razão, pelo que a intenção de todas as virtudes se dirige ao mesmo fim, de modo que todas as virtudes são conexas na reta razão das coisas que se hão de fazer, a saber, a prudência, como foi dito acima (Q[65], A[1]). Mas a intenção do pecador não se dirige ao ponto de se extraviar da senda da razão; antes, se dirige a tender a algum bem apetecível de que tira a sua espécie. Ora, estes bens, para os quais se dirige a inten

Summa Theologiae — First Part of the Second Part · Article. 1 - Whether all sins are connected with one another? · séc. XIII

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Tg 2, 10 nos Padres da Igreja | Aurea