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Tg 2, 20

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Matos Soares

20Queres tu saber, ó homem vão, como a fé sem obras é estéril?

Matos Soares · domínio público

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que a fé morta não se torna viva, nem a fé viva, morta. Porque, segundo 1 Cor 13,10: «Quando vier o que é perfeito, o que é em parte será abolido». Ora, a fé morta é imperfeita em comparação com a fé viva. Logo, quando vem a fé viva, a fé morta é abolida; de sorte que não são um mesmo e idêntico hábito. Objeção 2: Ademais, uma coisa morta não se torna viva. Ora, a fé morta é morta, segundo Tg 2,20: «A fé sem obras é morta». Logo, a fé morta não pode tornar-se viva. Objeção 3: Ademais, a graça de Deus, pela sua vinda, não tem menor efeito no crente do que no incrédulo. Ora, vindo ao incrédulo, ela causa o hábito da fé. Logo, quando vem ao crente, que até então tinha o hábito da fé morta, causa nele outro hábito de fé. Objeção 4: Ademais, como diz Boécio (In Categ. Arist. I), «os acidentes não podem alterar-se». Ora, a fé é um acidente. Logo, a mesma fé não pode ora ser viva, ora morta. Em sentido contrário, uma glosa às palavras «A fé sem obras é morta» (Tg 2,20) acrescenta: «pela qual ela vive de novo». Portanto, a fé que até então era morta e sem forma torna-se formada e viva. Respondo que houve várias opiniões sobre esta questão. Pois alguns [Guilherme de Auxerre, Sum. Aur. III, iii, 15] disseram que a fé viva e a fé morta são hábitos distintos, mas que, quando vem a fé viva, a fé morta é abolida; e, do mesmo modo, quando um homem peca mortalmente depois de ter a fé viva, Deus lhe infunde um novo hábito de fé morta. Mas parece inconveniente que a graça, vindo ao homem, o prive de um dom de Deus, e que um dom de Deus seja infundido no homem por causa de um pecado mortal. Por isso, outros [Alexandre de Hales, Sum. Theol. III, 64] disseram que a fé viva e a fé morta são, na verdade, hábitos distintos, mas que, contudo, quando vem a fé viva, o hábito da fé morta não é removido, e permanece junto com o hábito da fé viva no mesmo sujeito. Todavia, também parece irrazoável que o hábito da fé morta permaneça inativo numa pessoa que tem a fé viva. Portanto, devemos dizer de modo diverso que a fé viva e a fé morta são um só e mesmo hábito. A razão é que um hábito se distingue por aquilo que diretamente lhe pertence. Ora, sendo a fé uma perfeição do intelecto, aquilo que pertence ao intelecto pertence diretamente à fé. E o que pertence à vontade não pertence diretamente à fé, de modo a poder distinguir o hábito da fé. Mas a distinção entre a fé viva e a fé morta diz respeito a algo que pertence à vontade, isto é, à caridade, e não a algo que pertence ao intelecto. Logo, a fé viva e a fé morta não são hábitos distintos. Resposta à objeção 1: O dito do Apóstolo se refere àquelas coisas imperfeitas das quais a imperfeição é inseparável; pois então, quando vem o perfeito, é necessário que o imperfeito seja abolido. Assim, com a chegada da visão clara, a fé é abolida, porque é essencialmente «das coisas que não aparecem». Quando, porém, a imperfeição não é inseparável da coisa imperfeita, a mesma coisa idêntica que era imperfeita torna-se perfeita. Assim, a infância não é essencial ao homem; por conseguinte, o mesmo sujeito idêntico que era criança torna-se homem. Ora, a mortalidade não é essencial à fé, mas acidental a ela, como foi dito acima. Portanto, a própria fé morta torna-se viva. Resposta à objeção 2: Aquilo que faz viver o animal é inseparável do animal, porque é a sua forma substancial, a saber, a alma; consequentemente, uma coisa morta não pode tornar-se viva, e uma coisa viva e uma coisa morta diferem especificamente. Ao contrário, aquilo que dá forma à fé, ou a faz viver, não é essencial à fé. Logo, não há comparação. Resposta à objeção 3: A graça causa a fé não só quando a fé começa a existir de novo no homem, mas também enquanto ela perdura. Pois foi dito acima (I, q. 104, a. 1; I-II, q. 109, a. 9) que Deus opera sempre a justificação do homem, assim como o sol ilumina sempre o ar. Portanto, a graça não é menos eficaz quando vem a um crente do que quando vem a um incrédulo: pois causa a fé em ambos, naquele confirmando-a e aperfeiçoando-a, neste criando-a de novo. Podemos também responder que é acidental, isto é, por causa da disposição do sujeito, que a graça não cause a fé naquele que já a tem: assim como, por outro lado, um segundo pecado mortal não tira a graça daquele que já a perdeu por um pecado mortal anterior. Resposta à objeção 4: Quando a fé viva se torna morta, a fé não se altera, mas o seu sujeito, a alma, que ora tem a fé sem caridade, ora a tem com caridade.

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 4 - Whether lifeless faith can become living, or living faith, lifeless? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que Cristo não é a Cabeça de todos os homens. Porque a cabeça não tem relação senão com os membros do seu corpo. Ora, os não batizados de nenhum modo são membros da Igreja, que é o corpo de Cristo, como está escrito (Ef. 1,23). Logo, Cristo não é a Cabeça de todos os homens. Objeção 2: Além disso, o Apóstolo escreve aos Efésios (5,25-27): "Cristo Se entregou a Si mesmo pela Igreja, para a apresentar a Si mesmo gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante." Ora, há muitos fiéis nos quais se encontra a mácula ou a ruga do pecado. Logo, Cristo não é a Cabeça de todos os fiéis. Objeção 3: Além disso, os sacramentos da Lei Antiga são comparados a Cristo como a sombra ao corpo, como está escrito (Cl. 2,17). Ora, os pais do Velho Testamento no seu tempo serviram a estes sacramentos, segundo Heb. 8,5: "os quais servem de exemplo e sombra das coisas celestiais." Portanto, eles não pertenciam ao corpo de Cristo, e, por conseguinte, Cristo não é a Cabeça de todos os homens. Ao contrário, está escrito (1 Tim. 4,10): "O qual é o Salvador de todos os homens, principalmente dos fiéis," e (1 Jo. 2,2): "Ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo." Ora, salvar os homens e ser propiciação pelos seus pecados pertence a Cristo como Cabeça. Logo, Cristo é a Cabeça de todos os homens. Respondo que: Esta é a diferença entre o corpo natural do homem e o corpo místico da Igreja: que os membros do corpo natural estão todos juntos, e os membros do corpo místico não estão todos juntos — nem quanto ao seu ser natural, visto que o corpo da Igreja é constituído pelos homens que existiram desde o princípio do mundo até o seu fim — nem quanto ao seu ser sobrenatural, pois, entre os que existem em um dado tempo, alguns há que estão sem graça, mas hão de obtê-la depois, e outros já a possuem. Devemos, portanto, considerar os membros do corpo místico não apenas como estão em ato, mas como estão em potencialidade. Todavia, alguns estão em potencialidade que nunca serão reduzidos a ato, e alguns são reduzidos a ato em algum tempo; e isto segundo a tríplice classe, da qual a primeira é pela fé, a segunda pela caridade da vida presente, a terceira pela fruição da vida futura. Por isso, devemos dizer que, se considerarmos todo o tempo do mundo em geral, Cristo é a Cabeça de todos os homens, mas diversamente. Pois, primeiro e principalmente, Ele é a Cabeça daqueles que Lhe estão unidos pela glória; segundo, daqueles que Lhe estão unidos atualmente pela caridade; terceiro, daqueles que Lhe estão unidos atualmente pela fé; quarto, daqueles que Lhe estão unidos apenas em potencialidade, a qual ainda não foi reduzida a ato, mas será reduzida a ato segundo a predestinação divina; quinto, daqueles que Lhe estão unidos em potencialidade, que nunca será reduzida a ato; tais são os homens existentes no mundo que não são predestinados, os quais, contudo, ao partirem deste mundo, deixam totalmente de ser membros de Cristo, como não estando mais em potencialidade para serem unidos a Cristo. Resposta à Objeção 1: Os não batizados, embora não estejam atualmente na Igreja, estão na Igreja potencialmente. E esta potencialidade está radicada em duas coisas: primeiro e principalmente, no poder de Cristo, que é suficiente para a salvação de todo o gênero humano; segundo, no livre-arbítrio. Resposta à Objeção 2: Ser "uma Igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga" é o fim último a que somos conduzidos pela Paixão de Cristo. Por isso, isso se dará no céu, e não na terra, na qual "se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos", como está escrito (1 Jo. 1,8). Todavia, há alguns, a saber, pecados mortais, dos quais estão livres aqueles que são membros de Cristo pela união atual de caridade; mas os que estão manchados com estes pecados não são membros de Cristo atualmente, mas potencialmente; exceto, talvez, imperfeitamente, pela fé informe, que une a Deus relativamente, mas não simplesmente, isto é, de modo que o homem participe da vida da graça. Pois, como está escrito (Tiago 2,20): "A fé sem as obras é morta." Contudo, tais pessoas recebem de Cristo um certo ato vital, a saber, crer, como se um membro sem vida fosse movido por um homem até certo ponto. Resposta à Objeção 3: Os santos Padres usaram dos sacramentos da Lei, não como realidades, mas como imagens e sombras das coisas futuras. Ora, o movimento para a imagem enquanto imagem é o mesmo que para a realidade, como fica claro pelo Filósofo (De Memor. et Remin. ii). Por isso, os antigos Padres, observando os sacramentos da Lei, eram levados a Cristo pela mesma fé e caridade pelas quais nós também somos levados a Ele; e, portanto, os antigos Padres pertencem à mesma Igreja que nós.

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 3 - Whether Christ is the Head of all men? · séc. XIII

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Tg 2, 20 nos Padres da Igreja | Aurea