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Tg 3, 15

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Matos Soares

15Tal sabedoria não vem do alto, mas (é uma sabedoria) terrena, carnal, diabólica.

Matos Soares · domínio público

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que a sabedoria não deve ser contada entre os dons do Espírito Santo. Pois os dons são mais perfeitos que as virtudes, como se afirmou acima (I-II, Q. 68, A. 8). Ora, a virtude é dirigida somente ao bem, razão pela qual Agostinho diz (De Livre Arbítrio, II, 19) que "ninguém faz mau uso das virtudes". Muito mais, portanto, os dons do Espírito Santo são dirigidos somente ao bem. Mas a sabedoria também se dirige ao mal, pois está escrito (Tiago 3,15) que certa sabedoria é "terrena, animal, diabólica". Logo, a sabedoria não deve ser contada entre os dons do Espírito Santo. Objeção 2: Ademais, segundo Agostinho (De Trindade, XII, 14), "a sabedoria é o conhecimento das coisas divinas". Ora, o conhecimento das coisas divinas que o homem pode adquirir por suas dotações naturais pertence à sabedoria que é uma virtude intelectual, enquanto o conhecimento sobrenatural das coisas divinas pertence à fé, que é uma virtude teologal, como se explicou acima (Q. 4, A. 5; I-II, Q. 62, A. 3). Portanto, a sabedoria deve ser chamada virtude, e não dom. Objeção 3: Ademais, está escrito (Jó 28,28): "Eis que o temor do Senhor é a sabedoria, e apartar-se do mal é a inteligência". E nesta passagem, segundo a versão da Septuaginta que Agostinho segue (De Trindade, XII, 14; XIV, 1), lemos: "Eis que a piedade é a sabedoria". Ora, tanto o temor quanto a piedade são dons do Espírito Santo. Logo, a sabedoria não deve ser contada entre os dons do Espírito Santo como se fosse distinta dos outros. Em contrário, está escrito (Isaías 11,2): "Repousará sobre Ele o Espírito do Senhor; o espírito de sabedoria e de inteligência". Respondo: Segundo o Filósofo (Metafísica, I, 2), cabe à sabedoria considerar a causa mais elevada. Por meio dessa causa podemos formar um juízo certíssimo sobre as outras causas, e segundo ela todas as coisas devem ser ordenadas. Ora, a causa mais elevada pode ser entendida de dois modos: ou de modo absoluto, ou em algum gênero particular. Consequentemente, aquele que conhece a causa mais elevada em algum gênero particular e, por meio dela, é capaz de julgar e ordenar todas as coisas que pertencem àquele gênero, é dito sábio naquele gênero, por exemplo, na medicina ou na arquitetura, conforme 1 Coríntios 3,10: "Como sábio arquiteto, lancei o fundamento". Por outro lado, aquele que conhece a causa que é simplesmente a mais elevada, que é Deus, é dito sábio de modo absoluto, porque é capaz de julgar e ordenar todas as coisas segundo as regras divinas. Ora, o homem obtém esse juízo pelo Espírito Santo, conforme 1 Coríntios 2,15: "O homem espiritual julga todas as coisas", porque, como se diz no mesmo capítulo (1 Coríntios 2,10), "o Espírito perscruta todas as coisas, até mesmo as profundezas de Deus". Portanto, é evidente que a sabedoria é um dom do Espírito Santo. Resposta à Objeção 1: Uma coisa é dita boa em dois sentidos: primeiro, no sentido de que é verdadeiramente boa e simplesmente perfeita; segundo, por uma certa semelhança, sendo perfeita na malícia; assim falamos de um bom ou perfeito ladrão, como observa o Filósofo (Metafísica, V, text. 21). E assim como, com relação às coisas verdadeiramente boas, encontramos uma causa altíssima, a saber, o sumo bem que é o fim último, pelo conhecimento do qual o homem é dito verdadeiramente sábio, assim também nas coisas más encontra-se algo ao qual todas as outras devem ser referidas como a um fim último, pelo conhecimento do qual o homem é dito sábio para fazer o mal, conforme Jeremias 4,22: "São sábios para fazer o mal, mas para fazer o bem não têm conhecimento". Ora, quem se afasta do seu fim devido necessariamente fixa algum fim indevido, pois todo agente age por um fim. Portanto, se ele fixa seu fim nas coisas exteriores terrenas, sua "sabedoria" é chamada "terrena"; se nos bens do corpo, é chamada "sabedoria animal"; se em alguma excelência, é chamada "sabedoria diabólica" porque imita o orgulho do demônio, sobre quem está escrito (Jó 41,25): "Ele é rei sobre todos os filhos do orgulho". Resposta à Objeção 2: A sabedoria que é chamada dom do Espírito Santo difere daquela que é uma virtude intelectual adquirida, pois esta é alcançada pelo esforço humano, ao passo que aquela "desce do alto" (Tiago 3,15). De modo semelhante, difere da fé, pois a fé adere à verdade divina em si mesma, enquanto ao dom da sabedoria cabe julgar segundo a verdade divina. Por isso, o dom da sabedoria pressupõe a fé, porque "o homem julga bem aquilo que conhece" (Ética a Nicômaco, I, 3). Resposta à Objeção 3: Assim como a piedade, que pertence ao culto de Deus, é uma manifestação da fé, na medida em que fazemos profissão de fé adorando a Deus, assim também a piedade manifesta a sabedoria. Por essa razão, a piedade é declarada sabedoria, e também o temor, pela mesma razão, porque se um homem teme e adora a Deus, isso mostra que ele tem um reto juízo acerca das coisas divinas.

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 1 - Whether wisdom should be reckoned among the gifts of the Holy Ghost? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que a prudência da carne não é pecado. Pois a prudência é mais excelente que as outras virtudes morais, visto que as governa a todas. Ora, nenhuma justiça ou temperança é pecaminosa. Logo, também nenhuma prudência é pecado. Objeção 2: Ademais, não é pecado agir prudentemente para um fim que é lícito amar. Ora, é lícito amar a carne, «pois ninguém jamais odiou a sua própria carne» (Ef 5,29). Logo, a prudência da carne não é pecado. Objeção 3: Ademais, assim como o homem é tentado pela carne, também o é pelo mundo e pelo demónio. Ora, nenhuma prudência do mundo ou do demónio é considerada pecado. Logo, também nenhuma prudência da carne deve ser considerada entre os pecados. Em contrário, nenhum homem é inimigo de Deus senão pela maldade, segundo Sabedoria 14,9: «Igualmente aborrecíveis são para Deus o ímpio e a sua impiedade.» Ora, está escrito (Rm 8,7): «A prudência [Vulg.: 'sabedoria'] da carne é inimiga de Deus.» Portanto, a prudência da carne é pecado. Respondo que, como foi dito acima (Q.47, A.13), a prudência diz respeito às coisas ordenadas ao fim de toda a vida. Donde a prudência da carne significa propriamente a prudência de um homem que considera os bens carnais como o fim último da sua vida. Ora, é evidente que isto é pecado, porque envolve uma desordem no homem quanto ao seu fim último, que não consiste nos bens do corpo, como foi dito acima (I-II, Q.2, A.5). Portanto, a prudência da carne é pecado. Resposta à objeção 1: A justiça e a temperança incluem na sua própria natureza aquilo que as coloca entre as virtudes, a saber, a igualdade e o freio da concupiscência; por isso nunca são tomadas em mau sentido. Ao passo que a prudência é assim chamada por prever [providendo], como foi dito acima (Q.47, A.1; Q.49, A.6), o que pode estender-se também às coisas más. Portanto, embora a prudência seja tomada simplesmente em bom sentido, se lhe for acrescentado algo, pode ser tomada em mau sentido; e é assim que a prudência da carne é dita pecado. Resposta à objeção 2: A carne existe por causa da alma, como a matéria por causa da forma, e o instrumento por causa do agente principal. Portanto, a carne é amada licitamente se for ordenada ao bem da alma como seu fim. Se, porém, um homem colocar o seu fim último num bem da carne, o seu amor será desordenado e ilícito, e é assim que a prudência da carne é ordenada ao amor da carne. Resposta à objeção 3: O demónio tenta-nos não pelo bem do objeto apetecível, mas por via de sugestão. Por isso, visto que a prudência implica ordenação para um fim apetecível, não falamos de «prudência do demónio» como de uma prudência ordenada a um fim mau, que é o aspecto sob o qual o mundo e a carne nos tentam, na medida em que os bens mundanos ou carnais são propostos ao nosso apetite. Donde falamos de prudência «carnal» e também de prudência «mundana», segundo Lc 16,8: «Os filhos deste mundo são mais prudentes [Douay: 'sábios'] na sua geração», etc. O Apóstolo inclui tudo na «prudência da carne», porque cobiçamos as coisas externas do mundo por causa da carne. Podemos também responder que, visto que a prudência é chamada em certo sentido de «sabedoria», como foi dito acima (Q.47, A.2, ad 1), podemos distinguir uma tríplice prudência correspondente aos três tipos de tentação. Por isso está escrito (Tg 3,15) que há uma sabedoria que é «terrena, animal e diabólica», como foi explicado acima (Q.45, A.1, ad 1), quando tratávamos da sabedoria.

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 1 - Whether prudence of the flesh is a sin? · séc. XIII

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