Trechos em que os Padres comentam diretamente esta passagem ou o seu contexto imediato.
Nenhum comentário direto traduzido para este versículo. A Catena Aurea comenta diretamente os quatro Evangelhos; em outros livros, procure principalmente em citações internas.
Citações internas
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Trechos em que este versículo aparece citado dentro de outro argumento patrístico.
TA
Santo Thomas Aquinas
**Objeção 1:** Parece que se pode esperar a bem-aventurança eterna de outrem. Pois diz o Apóstolo (Fl. 1,6): «Confiança tenho nisto mesmo: que Aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao dia de Jesus Cristo.» Ora, a perfeição daquele dia será a bem-aventurança eterna. Logo, pode um homem esperar a bem-aventurança eterna de outro.
**Objeção 2:** Ademais, tudo o que pedimos a Deus, esperamos obtê-lo d’Ele. Ora, pedimos a Deus que conduza outros à bem-aventurança eterna, segundo Tiago 5,16: «Orai uns pelos outros, para que sejais salvos.» Portanto, podemos esperar a bem-aventurança eterna de outrem.
**Objeção 3:** Além disso, a esperança e o desespero têm o mesmo objeto. Ora, é possível desesperar da bem-aventurança eterna de outrem; senão Agostinho não teria razão para dizer (Serm. LXXI, De Verb. Dom.) que não devemos desesperar de ninguém enquanto vive. Logo, pode-se também esperar a salvação eterna de outrem.
**Em contrário,** Agostinho diz (Enquirídio, cap. VIII) que «a esperança é tão-somente daquelas coisas que pertencem àquele que se supõe esperá-las».
**Respondo:** Podemos esperar algo de dois modos: primeiro, absolutamente; e assim o objeto da esperança é sempre algo árduo e pertencente à pessoa que espera. Segundo, podemos esperar algo pressupondo-se outra coisa; e assim o seu objeto pode ser algo pertencente a outrem. Para explicar isto, devemos observar que o amor e a esperança diferem nisto: o amor denota união entre o amante e o amado; a esperança denota um movimento ou uma extensão do apetite para um bem árduo. Ora, a união é de coisas que são distintas; por isso o amor pode diretamente visar o outro a quem o homem se une pelo amor, considerando-o como um outro si mesmo; ao passo que o movimento tende sempre para o seu próprio termo, que é proporcionado ao sujeito movido. Portanto, a esperança visa diretamente o bem próprio, e não o que pertence a outrem. Contudo, se pressupusermos a união de amor com outro, um homem pode esperar e desejar algo para outro homem como para si mesmo; e, consequentemente, pode esperar a vida eterna de outrem, enquanto a ele está unido pelo amor; e assim como é a mesma virtude da caridade pela qual o homem ama a Deus, a si mesmo e ao próximo, assim também é a mesma virtude da esperança pela qual o homem espera para si e para outrem.
**Isto basta para as respostas às objeções.**
Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 3 - Whether one man may hope for another's eternal happiness? · séc. XIII
tradução automática
TA
Santo Thomas Aquinas
Objeção 1: Parece que o efeito do sacerdócio de Cristo pertencia não somente a outros, mas também a Si mesmo. Porque pertence ao ofício do sacerdote orar pelo povo, segundo II Macabeus 1,23: «Os sacerdotes faziam oração enquanto o sacrifício se consumia.» Ora, Cristo orou não somente por outros, mas também por Si mesmo, como dissemos acima (Q. 21, A. 3), e como está expressamente declarado (Hebreus 5,7): «Nos dias da sua carne, com forte clamor e lágrimas ofereceu [Vulg.: ‘oferecendo’] orações e súplicas Àquele que o podia salvar da morte.» Logo, o sacerdócio de Cristo teve efeito não somente em outros, mas também em Si mesmo.
Objeção 2: Ademais, na sua paixão Cristo ofereceu-Se a Si mesmo como sacrifício. Mas pela sua paixão mereceu, não somente para outros, mas também para Si mesmo, como se afirmou acima (Q. 19, AA. 3,4). Logo, o sacerdócio de Cristo teve efeito não somente em outros, mas também em Si mesmo.
Objeção 3: Ademais, o sacerdócio da Lei Velha era figura do sacerdócio de Cristo. Ora, o sacerdote da Lei Velha oferecia sacrifício não somente por outros, mas também por si mesmo; porque está escrito (Levítico 16,17) que «o sumo sacerdote entra no santuário para orar por si mesmo e pela sua casa, e por toda a congregação de Israel.» Logo, o sacerdócio de Cristo também teve efeito não somente em outros, mas também em Si mesmo.
Ao contrário, lemos nos atos do Concílio de Éfeso [*Parte III, cap. i, anát. 10]: «Se alguém disser que Cristo ofereceu sacrifício por Si mesmo, e não antes por nós somente (pois Aquele que não conheceu pecado não necessitava de sacrifício), seja anátema.» Ora, o ofício do sacerdote consiste principalmente em oferecer sacrifício. Logo, o sacerdócio de Cristo não teve efeito em Si mesmo.
Respondo: Como se disse acima (A. 1), o sacerdote é posto entre Deus e o homem. Ora, aquele que por si mesmo não pode aproximar-se de Deus necessita de alguém entre si e Deus; e tal pessoa está sujeita ao sacerdócio participando do seu efeito. Mas isto não se pode dizer de Cristo; porque o Apóstolo diz (Hebreus 7,25): «Vindo por Si mesmo a Deus, vivendo sempre para interceder por nós [Vulg.: ‘Pode salvar perpetuamente os que por Ele vão a Deus; vivendo sempre’, etc.].» E portanto não convém que Cristo seja receptor do efeito do seu sacerdócio, mas antes comunicá-lo a outros. Pois a influência do primeiro agente em todo gênero é tal que não recebe nada nesse gênero: assim o sol dá mas não recebe luz; o fogo dá mas não recebe calor. Ora, Cristo é a fonte de todo o sacerdócio: porque o sacerdote da Lei Velha era figura d’Ele; enquanto o sacerdote da Lei Nova obra em sua pessoa, segundo II Coríntios 2,10: «Porque o que perdoei, se alguma coisa perdoei, por vós o fiz na pessoa de Cristo.» Portanto não convém que Cristo receba o efeito do seu sacerdócio.
Resposta à Objeção 1: Embora a oração seja própria dos sacerdotes, não é o seu ofício próprio, pois é próprio de todos orar tanto por si como por outros, segundo Tiago 5,16: «Orai uns pelos outros para que sejais salvos.» E assim podemos dizer que a oração pela qual Cristo orou por Si mesmo não foi uma ação do seu sacerdócio. Mas esta resposta parece ser excluída pelo Apóstolo, que, depois de dizer (Hebreus 5,6): «Tu és sacerdote eternamente segundo a ordem de Melquisedeque», acrescenta: «O qual nos dias da sua carne, oferecendo orações», etc., como citado acima (Objeção 1); de modo que parece que a oração que Cristo ofereceu pertencia ao seu sacerdócio. Devemos, portanto, dizer que outros sacerdotes participam do efeito do seu sacerdócio, não como sacerdotes, mas como pecadores, como diremos adiante (ad 3). Mas Cristo, simplesmente falando, não tinha pecado; embora tivesse a «semelhança do pecado na carne [Vulg.: ‘carne pecaminosa’]», como está escrito Romanos 8,3. E, consequentemente, não devemos dizer simplesmente que Ele participou do efeito do seu sacerdócio, mas com esta qualificação — quanto à passibilidade da carne. Por isso acrescenta oportunamente: «que o podia salvar da morte.»
Resposta à Objeção 2: Duas coisas podem ser consideradas na oferta de um sacrifício por qualquer sacerdote — a saber, o próprio sacrifício que é oferecido e a devoção do ofertante. Ora, o efeito próprio do sacerdócio é aquele que resulta do próprio sacrifício. Mas Cristo obteve um resultado da sua paixão, não como por virtude do sacrifício, que é oferecido a título de satisfação, mas pela própria devoção com que por caridade sofreu humildemente a paixão.
Resposta à Objeção 3: A figura não pode igualar-se à realidade, pelo que o sacerdote figural da Lei Velha não podia alcançar tal perfeição que não necessitasse de um sacrifício de satisfação. Mas Cristo não necessitava disto. Consequentemente, não há comparação entre ambos; e é isto o que o Apóstolo diz (Hebreus 7,28): «A Lei constitui sacerdotes homens que têm fraqueza; mas a palavra do juramento, que veio depois da Lei, constitui o Filho, que é perfeito para sempre.»
Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 4 - Whether the effect of the priesthood of Christ pertained not only to others, but also to Himself? · séc. XIII