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Jr 1, 5

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Matos Soares

5Antes que eu te formasse no ventre de tua mãe, te conheci; antes que tu saísses do seu seio, te consagrei e constituí profeta entre as nações.

Matos Soares · domínio público

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que a Bem-aventurada Virgem não foi santificada antes do seu nascimento do ventre. Porque diz o Apóstolo (1 Cor 15,46): «O que é primeiro não é o espiritual, senão o natural; depois o espiritual.» Ora, pela graça santificante o homem nasce espiritualmente como filho de Deus, segundo Jo 1,13: «(os quais) nasceram de Deus.» Mas o nascimento do ventre é um nascimento natural. Logo, a Bem-aventurada Virgem não foi santificada antes do seu nascimento do ventre. Objeção 2: Ademais, Agostinho diz (Epístola a Dardano): «A santificação, pela qual nos tornamos templos de Deus, é somente daqueles que renascem.» Ora, ninguém renasce sem ter nascido anteriormente. Logo, a Bem-aventurada Virgem não foi santificada antes do seu nascimento do ventre. Objeção 3: Ademais, quem é santificado pela graça é purificado do pecado, tanto original como atual. Se, portanto, a Bem-aventurada Virgem foi santificada antes do seu nascimento do ventre, segue-se que foi então purificada do pecado original. Ora, nada senão o pecado original poderia impedi-la de entrar no reino celestial. Se, portanto, ela tivesse morrido então, parece que teria entrado pelas portas do céu. Mas isto não era possível antes da Paixão de Cristo, segundo o Apóstolo (Hb 10,19): «Temos [Vulg.: 'tendo'] portanto confiança de entrar no Santo dos Santos pelo Seu sangue.» Parece, portanto, que a Bem-aventurada Virgem não foi santificada antes do seu nascimento do ventre. Objeção 4: Ademais, o pecado original é contraído pela origem, assim como o pecado atual é contraído por um ato. Ora, enquanto alguém está no ato de pecar, não pode ser purificado do pecado atual. Portanto, também a Bem-aventurada Virgem não poderia ser purificada do pecado original enquanto estava no ato da origem, pela existência no ventre de sua mãe. Ao contrário, A Igreja celebra a festa da Natividade de Nossa Senhora. Ora, a Igreja só celebra festas daqueles que são santos. Logo, também no seu nascimento a Bem-aventurada Virgem era santa. Portanto, foi santificada no ventre. Respondo que Nada se transmite nas Escrituras canônicas acerca da santificação da Bem-aventurada Maria, quanto a ter sido santificada no ventre; com efeito, nem sequer mencionam o seu nascimento. Mas, como Agostinho, no seu tratado sobre a Assunção da Virgem, argumenta com razão, assim como o seu corpo foi assumido ao céu, e contudo a Escritura não o relata, assim também se pode razoavelmente argumentar que foi santificada no ventre. Pois é razoável crer que aquela que deu à luz «o Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade», recebeu maiores privilégios de graça do que todos os outros; donde lemos (Lc 1,28) que o anjo lhe dirigiu estas palavras: «Ave, cheia de graça!» Além disso, deve observar-se que foi concedido, por modo de privilégio, a outros, serem santificados no ventre; por exemplo, a Jeremias, a quem foi dito (Jr 1,5): «Antes que saísses do ventre, te santifiquei»; e ainda a João Batista, de quem está escrito (Lc 1,15): «Será cheio do Espírito Santo desde o ventre de sua mãe.» É, portanto, com razão que cremos ter a Bem-aventurada Virgem sido santificada antes do seu nascimento do ventre. Resposta à Objeção 1: Mesmo na Bem-aventurada Virgem, primeiro foi o que é natural, e depois o que é espiritual: pois primeiro foi concebida na carne, e depois santificada no espírito. Resposta à Objeção 2: Agostinho fala segundo a lei comum, pela qual ninguém é regenerado pelos sacramentos, senão aqueles que nasceram anteriormente. Mas Deus não limitou assim o seu poder à lei dos sacramentos, de modo que não possa conferir a sua graça, por especial privilégio, a alguns antes de nascerem do ventre. Resposta à Objeção 3: A Bem-aventurada Virgem foi santificada no ventre do pecado original, quanto à mancha pessoal; mas não foi libertada da dívida a que toda a natureza está sujeita, de modo a entrar no Paraíso senão pelo Sacrifício de Cristo; o mesmo também se deve dizer dos Santos Padres que viveram antes de Cristo. Resposta à Objeção 4: O pecado original é transmitido pela origem, na medida em que pela origem se transmite a natureza humana, e o pecado original, propriamente falando, afeta a natureza. E isto se dá quando o descendente concebido é animado. Donde nada impede que o descendente concebido seja santificado após a animação: pois depois disto permanece no ventre da mãe não para receber a natureza humana, mas para um certo aperfeiçoamento daquilo que já recebeu.

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 1 - Whether the Blessed Virgin was sanctified before her birth from the womb? · séc. XIII

tradução automática

Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1:** Parece que a Bem-aventurada Virgem foi santificada antes da animação. Porque, como dissemos (A[1]), foi concedida mais graça à Virgem Mãe de Deus do que a qualquer santo. Ora, parece que a alguns foi concedido serem santificados antes da animação. Pois está escrito (Jer. 1,5): "Antes que te formasse no ventre de tua mãe, te conheci"; e a alma não é infundida senão depois da formação do corpo. Do mesmo modo, Ambrósio diz de João Batista (Comentário sobre Lucas 1,15): "Ainda não estava nele o espírito de vida, e já possuía o Espírito de graça." Muito mais, portanto, pôde a Bem-aventurada Virgem ser santificada antes da animação. **Objeção 2:** Além disso, como diz Anselmo (Da Conceição da Virgem, XVIII), "convinha que esta Virgem brilhasse com tal pureza que, abaixo de Deus, não se possa imaginar maior"; por isso está escrito (Cânticos 4,7): "Toda formosa és, ó minha amiga, e não há mancha em ti." Mas a pureza da Bem-aventurada Virgem teria sido maior se ela nunca tivesse sido manchada pelo contágio do pecado original. Logo, foi-lhe concedido ser santificada antes que sua carne fosse animada. **Objeção 3:** Além disso, como se disse acima, nenhuma festa se celebra senão de algum santo. Ora, alguns celebram a festa da Conceição da Bem-aventurada Virgem. Portanto, parece que na própria Conceição ela foi santa; e, por conseguinte, que foi santificada antes da animação. **Objeção 4:** Além disso, o Apóstolo diz (Rm 11,16): "Se a raiz é santa, também os ramos." Ora, a raiz dos filhos são seus pais. Portanto, a Bem-aventurada Virgem pôde ser santificada até mesmo em seus pais, antes da animação. **Em contrário,** As coisas do Antigo Testamento eram figuras do Novo, conforme 1 Cor 10,11: "Todas estas coisas lhes sucederam em figura." Ora, a santificação do tabernáculo, do qual está escrito (Sl 45,5): "O Altíssimo santificou o seu tabernáculo", parece significar a santificação da Mãe de Deus, que é chamada "Tabernáculo de Deus", segundo o Sl 18,6: "Pôs o seu tabernáculo no sol." Mas do tabernáculo está escrito (Ex 40,31-32): "Depois de todas as coisas perfeitas, a nuvem cobriu o tabernáculo do testemunho, e a glória do Senhor o encheu." Portanto, também a Bem-aventurada Virgem não foi santificada senão depois que tudo nela foi aperfeiçoado, isto é, corpo e alma. **Respondo que** A santificação da Bem-aventurada Virgem não pode ser entendida como tendo ocorrido antes da animação, por duas razões. Primeiro, porque a santificação de que falamos não é senão a purificação do pecado original; pois a santificação é uma "purificação perfeita", como diz Dionísio (Dos Nomes Divinos, XII). Ora, o pecado não pode ser removido senão pela graça, cujo sujeito é apenas a criatura racional. Portanto, antes da infusão da alma racional, a Bem-aventurada Virgem não foi santificada. Segundo, porque, sendo apenas a criatura racional capaz de pecado, antes da infusão da alma racional a prole concebida não é passível de pecado. E assim, de qualquer modo que a Bem-aventurada Virgem tivesse sido santificada antes da animação, ela nunca poderia ter contraído a mancha do pecado original; e, portanto, não teria necessitado de redenção e salvação, que vem por Cristo, de quem está escrito (Mt 1,21): "Ele salvará o seu povo dos seus pecados." Mas isso é inconveniente, pois implica que Cristo não é o "Salvador de todos os homens", como é chamado (1Tm 4,10). Fica, portanto, que a Bem-aventurada Virgem foi santificada depois da animação. **Resposta à Objeção 1:** O Senhor diz que "conheceu" Jeremias antes de ser formado no ventre, por conhecimento, isto é, de predestinação; mas diz que o "santificou", não antes da formação, mas antes de "sair do ventre", etc. Quanto ao que diz Ambrósio, isto é, que em João Batista não havia o espírito de vida quando já havia o Espírito de graça, por espírito de vida não se deve entender a alma vivificante, mas o ar que respiramos. Ou pode-se dizer que nele ainda não havia o espírito de vida, isto é, a alma, quanto às suas operações manifestas e completas. **Resposta à Objeção 2:** Se a alma da Bem-aventurada Virgem nunca tivesse contraído a mancha do pecado original, isso seria em detrimento da dignidade de Cristo, por ser Ele o Salvador universal de todos. Por conseguinte, depois de Cristo, que, como Salvador universal de todos, não necessitou ser salvo, a pureza da Bem-aventurada Virgem ocupa o lugar mais alto. Pois Cristo não contraiu de modo algum o pecado original, mas foi santo na sua própria Conceição, segundo Lc 1,35: "O Santo que de ti nascerá, será chamado Filho de Deus." Mas a Bem-aventurada Virgem, na verdade, contraiu o pecado original, mas foi purificada dele antes de seu nascimento do ventre. Isto é o que se significa em Jó 3,9, onde está escrito da noite do pecado original: "Espere a luz", isto é, Cristo, "e não a veja" — (porque "nenhuma coisa manchada entra nela", como está escrito Sb 7,25) — "nem o raiar da aurora do dia", isto é, da Bem-aventurada Virgem, que em seu nascimento foi imune ao pecado original. **Resposta à Objeção 3:** Embora a Igreja de Roma não celebre a Conceição da Bem-aventurada Virgem, tolera, contudo, o costume de algumas igrejas que celebram essa festa; por isso, não se deve reprová-la inteiramente. Todavia, a celebração dessa festa não nos dá a entender que ela foi santa em sua concepção. Mas, porque não se sabe quando foi santificada, celebra-se a festa de sua Santificação, antes que a festa de sua Conceição, no dia de sua concepção. **Resposta à Objeção 4:** A santificação é dupla. Uma é a de toda a natureza: na medida em que toda a natureza humana é libertada de toda corrupção de pecado e pena. Isso se dará na ressurreição. A outra é a santificação pessoal. Esta não se transmite aos filhos gerados segundo a carne, porque não diz respeito à carne, mas ao espírito. Consequentemente, embora os pais da Bem-aventurada Virgem tivessem sido purificados do pecado original, ela, no entanto, contraiu o pecado original, por ter sido concebida por via da concupiscência carnal e do comércio do homem e da mulher; pois Agostinho diz (Das Núpcias e da Concupiscência, I): "Toda carne nascida do comércio carnal é pecaminosa."

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 2 - Whether the Blessed Virgin was sanctified before animation? · séc. XIII

tradução automática

Santo Thomas Aquinas

**Objecção 1:** Parece que à Bem-aventurada Virgem, depois de Cristo, foi próprio ser santificada no ventre. Porque foi dito (A[4]) que a Bem-aventurada Virgem foi santificada no ventre, para que fosse digna de ser a mãe de Deus. Ora, isto é próprio dela. Logo, só ela foi santificada no ventre. **Objecção 2:** Além disso, alguns homens parecem ter estado mais estreitamente ligados a Cristo do que Jeremias e João Batista, que se diz terem sido santificados no ventre. Pois Cristo é chamado especialmente Filho de Davi e de Abraão, por causa da promessa especialmente feita a eles acerca de Cristo. Também Isaías profetizou de Cristo nos termos mais explícitos. E os apóstolos conviveram com o próprio Cristo. E contudo, não se menciona que estes tenham sido santificados no ventre. Logo, não convinha que nem Jeremias nem João Batista fossem santificados no ventre. **Objecção 3:** Além disso, Jó diz de si mesmo (Jó 31,18): «Desde a minha infância a misericórdia cresceu comigo; e saiu comigo desde o ventre de minha mãe.» Todavia, por esta razão não dizemos que ele foi santificado no ventre. Nem, portanto, somos obrigados a dizer que Jeremias e João Batista foram santificados no ventre. **Em contrário,** está escrito de Jeremias (Jer. 1,5): «Antes que saísses do ventre, te santifiquei.» E de João Batista está escrito (Lc. 1,15): «Será cheio do Espírito Santo, desde o ventre de sua mãe.» **Respondo que:** Agostinho (Ep. ad Dardan.) parece falar duvidosamente acerca da sua (de Jeremias e João Batista) santificação no ventre. Pois o salto de João no ventre «podia», como diz, «significar a grande verdade», a saber, que a mulher era a mãe de Deus, «que devia ser manifestada aos seus maiores, embora ainda desconhecida para o infante. Daí que no Evangelho está escrito, não que o infante no ventre cria, mas que 'saltou'; e os nossos olhos são testemunhas de que não só os infantes saltam, mas também os animais. Ora, isto foi extraordinário porque se deu no ventre. E assim, como outros milagres costumam fazer-se, isto foi feito divinamente no infante; não humanamente pelo infante. Talvez também nesta criança o uso da razão e da vontade foi tão acelerado que, estando ainda no ventre de sua mãe, pôde reconhecer, crer e consentir, ao passo que noutras crianças esperamos estas coisas até que cresçam: também isto considero como resultado miraculoso do poder divino.» Mas uma vez que está expressamente dito (de João) no Evangelho que «será cheio do Espírito Santo, desde o ventre de sua mãe»; e de Jeremias, «Antes que saísses do ventre, te santifiquei»; parece que devemos necessariamente afirmar que foram santificados no ventre, embora, enquanto no ventre, não tivessem o uso da razão (o que é o ponto discutido por Agostinho); assim como as crianças também não gozam do uso do livre arbítrio logo que são santificadas pelo batismo. Nem devemos crer que alguns outros, não mencionados pela Escritura, tenham sido santificados no ventre. Pois tais privilégios de graça, que são concedidos a alguns, fora da lei comum, são ordenados para a salvação de outros, segundo 1 Cor. 12,7: «A manifestação do Espírito é dada a cada um para proveito»; o que não resultaria da santificação de alguém, a menos que fosse dada a conhecer à Igreja. E embora não seja possível atribuir uma razão para os juízos de Deus, por exemplo, por que concede tal graça a um e não a outro, contudo parece haver uma certa conveniência em que ambos tenham sido santificados no ventre, por prefigurarem a santificação que se havia de efetuar por Cristo. Primeiro, quanto à sua Paixão, segundo Hebr. 13,12: «Jesus, para santificar o povo com o seu próprio sangue, padeceu fora da porta»; Paixão que Jeremias predisse abertamente por palavras e por símbolos, e mais claramente prefigurou pelos seus próprios sofrimentos. Segundo, quanto ao seu Batismo (1 Cor. 6,11): «Mas fostes lavados, mas fostes santificados»; para o qual Batismo João preparou os homens pelo seu batismo. **Resposta à Objecção 1:** A Bem-aventurada Virgem, que foi escolhida por Deus para ser sua Mãe, recebeu uma graça de santificação mais plena do que João Batista e Jeremias, que foram escolhidos para prefigurar de modo especial a santificação operada por Cristo. Sinal disto é que foi concedido à Bem-aventurada Virgem dali em diante nunca pecar, nem mortal nem venialmente; enquanto aos outros assim santificados foi concedido dali em diante não pecar mortalmente, pela proteção da graça de Deus. **Resposta à Objecção 2:** Noutros respeitos, estes santos poderiam estar mais estreitamente unidos a Cristo do que Jeremias e João Batista. Mas estes foram estreitissimamente unidos a Ele por prefigurarem claramente a sua santificação, como se explicou acima. **Resposta à Objecção 3:** A misericórdia de que fala Jó não é a virtude infusa; mas uma certa inclinação natural para o ato dessa virtude.

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 6 - Whether after Christ, it was proper to the Blessed Virgin to be sanctified in the womb? · séc. XIII

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