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Jr 17, 5

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Matos Soares

5Isto diz o Senhor: Maldito o homem que confia no homem (e não em Deus), que faz da carne o seu braço, e cujo coração se retira do Senhor.

Matos Soares · domínio público

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Citações internas

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que se pode licitamente esperar no homem. Porque o objeto da esperança é a bem-aventurança eterna. Ora, somos ajudados a obter a bem-aventurança eterna pelo patrocínio dos santos, pois diz Gregório (Dial. i, 8): "A predestinação é promovida pelas orações dos santos." Logo, pode-se esperar no homem. Objeção 2: Ademais, se não é lícito esperar em outro homem, não deveria ser considerado pecado num homem que não se possa esperar nele. Contudo, isto é considerado um vício em alguns, como aparece em Jeremias 9,4: "Guarde-se cada um do seu próximo, e não confie em nenhum irmão seu." Logo, é lícito confiar no homem. Objeção 3: Ademais, a oração é a expressão da esperança, como foi dito acima (A[2], OBJ[2]). Mas é lícito orar a um homem por alguma coisa. Logo, é lícito esperar nele. Em sentido contrário, está escrito (Jeremias 17,5): "Maldito o homem que confia no homem." Respondo que a esperança, como foi dito acima (A[1]; FS, Q[40], A[7]), considera duas coisas: o bem que pretende obter e o auxílio pelo qual esse bem é obtido. Ora, o bem que um homem espera obter tem a natureza de causa final, enquanto o auxílio pelo qual se espera obter esse bem tem o caráter de causa eficiente. Em cada um destes gêneros de causa encontramos uma causa principal e uma causa secundária. Pois o fim principal é o fim último, enquanto o fim secundário é aquele que se ordena ao fim. Do mesmo modo, a causa eficiente principal é o primeiro agente, enquanto a causa eficiente secundária é o agente secundário e instrumental. Ora, a esperança considera a bem-aventurança eterna como seu fim último e o auxílio divino como a causa primeira que conduz à bem-aventurança. Por conseguinte, assim como não é lícito esperar nenhum bem senão a bem-aventurança como fim último, mas apenas como algo ordenado à bem-aventurança final, assim também não é lícito esperar em nenhum homem ou em nenhuma criatura como se fosse a causa primeira do movimento para a bem-aventurança. É lícito, porém, esperar num homem ou numa criatura como agente secundário e instrumental, pelo qual somos ajudados a obter quaisquer bens que se ordenam à bem-aventurança. É deste modo que nos voltamos para os santos e que também pedimos algumas coisas aos homens; e por isso alguns são censurados por não se poder confiar que darão auxílio. Isto basta para as respostas às objeções.

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 4 - Whether a man can lawfully hope in man? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1:** Parece que o amor da caridade se detém em Deus e não se estende ao próximo. Pois, assim como devemos a Deus amor, assim também Lhe devemos temor, conforme Dt 10,12: “E agora, Israel, que é que o Senhor teu Deus pede de ti, senão que temas… e o ames?” Ora, o temor com que tememos o homem, e que se chama temor humano, é distinto do temor com que tememos a Deus, e que é ou servil ou filial, como é evidente pelo que foi dito acima (Q. 10, a. 2). Logo, também o amor com que amamos a Deus é distinto do amor com que amamos o próximo. **Objeção 2:** Ademais, o Filósofo diz (Ética VIII, 8) que “ser amado é ser honrado”. Ora, a honra devida a Deus, que se chama “latria”, é distinta da honra devida à criatura, que se chama “dulia”. Logo, novamente, o amor com que amamos a Deus é distinto daquele com que amamos o próximo. **Objeção 3:** Ademais, a esperança gera a caridade, como diz uma glosa sobre Mt 1,2. Ora, a esperança é tão devida a Deus que é repreensível esperar no homem, conforme Jr 17,5: “Maldito o homem que confia no homem”. Logo, a caridade é tão devida a Deus que não se estende ao próximo. **Em contrário,** está escrito (1 Jo 4,21): “Este mandamento temos de Deus: que quem ama a Deus, ame também a seu irmão”. **Respondo:** Como foi dito acima (Q. 17, a. 6; Q. 19, a. 3; I-II, Q. 54, a. 3), os hábitos não se diferenciam a não ser que seus atos sejam de espécies diferentes. Pois todo ato de uma mesma espécie pertence ao mesmo hábito. Ora, como a espécie do ato se deriva do seu objeto, considerado sob sua razão formal, segue-se necessariamente que é especificamente o mesmo ato o que tende a uma razão do objeto e o que tende ao objeto sob essa razão: assim, é especificamente o mesmo ato visual pelo qual vemos a luz e pelo qual vemos a cor sob a razão de luz. Ora, a razão sob a qual o próximo deve ser amado é Deus, pois o que devemos amar no próximo é que ele esteja em Deus. Por isso é claro que é especificamente o mesmo ato pelo qual amamos a Deus e pelo qual amamos o próximo. Consequentemente, o hábito da caridade não se estende somente ao amor de Deus, mas também ao amor do próximo. **Resposta à objeção 1:** Podemos temer o próximo, assim como amá-lo, de dois modos: primeiro, por causa de algo que lhe é próprio, como quando alguém teme um tirano por sua crueldade, ou o ama por desejo de obter dele alguma coisa. Tal temor humano é distinto do temor de Deus, e o mesmo se diga do amor. Segundo, tememos ou amamos um homem por causa do que ele tem de Deus; como quando tememos o poder secular por exercer o ministério de Deus para o castigo dos malfeitores, e o amamos por sua justiça. Tal temor do homem não é distinto do temor de Deus, assim como também não o é tal amor. **Resposta à objeção 2:** O amor diz respeito ao bem em comum, ao passo que a honra diz respeito ao bem próprio da pessoa honrada, pois se tributa a alguém em reconhecimento de sua própria virtude. Logo, o amor não se diferencia especificamente por causa dos vários graus de bondade em várias pessoas, enquanto é referido a um bem comum a todas; mas a honra se distingue segundo o bem pertencente aos indivíduos. Por isso, amamos todos os nossos próximos com o mesmo amor de caridade, na medida em que são referidos a um bem comum a todos eles, que é Deus; ao passo que tributamos várias honras a várias pessoas, segundo a virtude própria de cada uma, e igualmente a Deus tributamos a honra singular de latria por causa da Sua virtude singular. **Resposta à objeção 3:** É errado esperar no homem como se ele fosse o autor principal da salvação, mas não é errado esperar no homem como quem nos ajuda ministerialmente sob Deus. Do mesmo modo, seria errado se alguém amasse o seu próximo como se ele fosse o seu fim último, mas não se o amasse por amor de Deus; e é isso o que faz a caridade.

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 1 - Whether the love of charity stops at God, or extends to our neighbor? · séc. XIII

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Jr 17, 5 nos Padres da Igreja | Aurea