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Jr 23, 24

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Matos Soares

24Poderá alguém ocultar-se em lugares secretos, sem que eu o veja? - diz o Senhor. Porventura não encho o céu e a terra? - diz o Senhor.

Matos Soares · domínio público

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Citações internas

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que Deus não está em toda parte. Pois estar em toda parte significa estar em todo lugar. Mas estar em todo lugar não pertence a Deus, a Quem não pertence estar em lugar algum; pois «as coisas incorpóreas», como diz Boécio (De Hebdom.), «não estão em um lugar». Logo, Deus não está em toda parte. Objeção 2: Além disso, a relação do tempo para a sucessão é a mesma que a relação do lugar para a permanência. Ora, uma parte indivisível da ação ou do movimento não pode existir em tempos diferentes; logo, nem uma parte indivisível no género das coisas permanentes pode estar em todo lugar. Ora, o ser divino não é sucessivo, mas permanente. Portanto, Deus não está em muitos lugares; e assim não está em toda parte. Objeção 3: Além disso, o que está totalmente em um lugar não está em parte alguma noutro lugar. Mas se Deus está em algum lugar, está todo ali; pois não tem partes. Nenhuma parte d'Ele está, portanto, noutra parte; e assim Deus não está em toda parte. Ao contrário, está escrito: «Encho o céu e a terra.» (Jer. 23,24). Respondo que, sendo o lugar uma coisa, estar em lugar pode ser entendido de dois modos: ou por via de outras coisas — isto é, como se diz que uma coisa está noutra, de qualquer maneira; e assim os acidentes do lugar estão no lugar; ou por via própria do lugar; e assim as coisas situadas estão num lugar. Ora, em ambos estes sentidos, de certa maneira Deus está em todo lugar; e isto é estar em toda parte. Primeiro, porque assim como Ele está em todas as coisas, dando-lhes ser, poder e operação, assim está em todo lugar, dando-lhe existência e poder locativo. Além disso, as coisas situadas estão no lugar, na medida em que enchem o lugar; e Deus enche todo lugar; não, na verdade, como um corpo, pois se diz que um corpo enche o lugar na medida em que exclui a co-presença de outro corpo; ao passo que, por estar Deus em um lugar, os outros não são por isso excluídos dele; na verdade, pelo próprio fato de dar ser às coisas que enchem todo lugar, Ele mesmo enche todo lugar. Resposta à Objeção 1: As coisas incorpóreas estão no lugar não por contacto de quantidade dimensiva, como os corpos, mas por contacto de virtude. Resposta à Objeção 2: O indivisível é duplo. Um é o termo do contínuo; como o ponto nas coisas permanentes, e como o instante na sucessão; e esta espécie de indivisível nas coisas permanentes, porquanto tem sítio determinado, não pode estar em muitas partes do lugar, nem em muitos lugares; igualmente, o indivisível da ação ou do movimento, porquanto tem ordem determinada no movimento ou na ação, não pode estar em muitas partes do tempo. Outra espécie de indivisível está fora de todo o género do contínuo; e deste modo as substâncias incorpóreas, como Deus, o anjo e a alma, são chamadas indivisíveis. Tal espécie de indivisível não pertence ao contínuo como parte dele, mas tocando-o pela sua virtude; portanto, conforme a sua virtude pode estender-se a um ou a muitos, a uma coisa pequena ou a uma grande, assim está em um ou em muitos lugares, e em lugar pequeno ou grande. Resposta à Objeção 3: Um todo é assim chamado com referência às suas partes. Ora, a parte é dupla: a saber, uma parte da essência, como a forma e a matéria são chamadas partes do composto, enquanto o género e a diferença são chamadas partes da espécie. Há também parte da quantidade, na qual qualquer quantidade é dividida. O que, portanto, está todo em algum lugar por totalidade de quantidade, não pode estar fora desse lugar, porque a quantidade de qualquer coisa situada é comensurada à quantidade do lugar; e portanto não há totalidade de quantidade sem totalidade de lugar. Mas a totalidade de essência não é comensurada à totalidade do lugar. Portanto, não é necessário que aquilo que é todo por totalidade de essência em uma coisa não esteja de modo algum fora dela. Isto aparece também nas formas acidentais que têm quantidade acidental; como exemplo, a brancura está toda em cada parte da superfície, se falamos da sua totalidade de essência; porque, segundo a ideia perfeita da sua espécie, encontra-se existir em toda parte da superfície. Mas se a sua totalidade for considerada segundo a quantidade que tem acidentalmente, então não está toda em toda parte da superfície. Por outro lado, as substâncias incorpóreas não têm totalidade nem por si mesmas nem acidentalmente, exceto com referência à ideia perfeita da sua essência. Portanto, assim como a alma está toda em cada parte do corpo, assim Deus está todo em todas as coisas e em cada uma.

Summa Theologiae — First Part · Article. 2 - Whether God is everywhere? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

**Objecção 1:** Parece que a matéria do corpo de Cristo não devia ser tomada de uma mulher. Porque o sexo masculino é mais nobre que o feminino. Ora, era da máxima conveniência que Cristo assumisse o que há de perfeito na natureza humana. Logo, parece que não devia tomar carne de uma mulher, mas antes de um homem, assim como Eva foi formada da costela de um homem. **Objecção 2:** Além disso, quem é concebido de uma mulher fica encerrado no seu ventre. Ora, não convém a Deus, que enche o céu e a terra, como está escrito (Jer. 23,24), ficar encerrado nos estreitos limites do ventre. Logo, parece que não devia ser concebido de uma mulher. **Objecção 3:** Além disso, os que são concebidos de uma mulher contraem uma certa imundície, como está escrito (Job 25,4): «Pode o homem ser justificado diante de Deus? Ou o que nasce de mulher parecer limpo?» Ora, não convinha que houvesse em Cristo qualquer imundície, porque Ele é a Sabedoria de Deus, de quem está escrito (Sab. 7,25) que «nenhuma coisa manchada entra nela». Logo, não parece que devesse tomar carne de uma mulher. **Em contrário,** está escrito (Gál. 4,4): «Deus enviou o Seu Filho, feito de mulher.» **Respondo.** Embora o Filho de Deus pudesse tomar carne de qualquer matéria que quisesse, foi, todavia, da máxima conveniência que a tomasse de uma mulher. Primeiro, porque assim toda a natureza humana foi enobrecida. Donde diz Agostinho (Quest. 83, q. 11): «Convinha que a libertação do homem se manifestasse em ambos os sexos. Portanto, como cumpria que o homem, sendo do sexo mais nobre, assumisse a natureza humana, era conveniente que a libertação do sexo feminino se manifestasse por ser o homem nascido de uma mulher.» Segundo, porque assim se torna evidente a verdade da Encarnação. Por isso Ambrósio diz (Sobre a Encarnação, VI): «Encontrarás em Cristo muitas coisas naturais e sobrenaturais. Segundo a natureza, esteve no ventre», a saber, do corpo de uma mulher; «mas foi sobrenatural que uma virgem concebesse e desse à luz; para que acredites que era Deus, que renovava a natureza; e que era homem, que, segundo a natureza, nascia de um homem.» E Agostinho diz (Carta a Volusiano, CXXXVII): «Se Deus Todo-Poderoso tivesse criado um homem formado de outro modo que não no ventre de uma mãe, e de repente o fizesse aparecer aos olhos... não teria fortalecido uma opinião errônea, e tornado impossível para nós crermos que Ele se tornara verdadeiro homem? E, enquanto faz todas as coisas maravilhosamente, teria Ele tirado aquilo que realizou em misericórdia? Mas, agora, Ele, o mediador entre Deus e os homens, mostrou-Se de tal modo que, unindo ambas as naturezas na unidade de uma só pessoa, deu dignidade às coisas ordinárias pelas extraordinárias, e temperou as extraordinárias pelas ordinárias.» Terceiro, porque desta maneira se cumpre a geração do homem em toda a variedade de modos. Pois o primeiro homem foi feito do «limo da terra», sem concurso de homem ou mulher; Eva foi feita do homem, mas não da mulher; e os outros homens são feitos de homem e mulher. De modo que este quarto modo ficou como que próprio de Cristo: que Ele fosse feito de uma mulher, sem concurso de homem. **Resposta à Objecção 1:** O sexo masculino é mais nobre que o feminino, e por isso Ele assumiu a natureza humana no sexo masculino. Mas, para que o sexo feminino não fosse desprezado, convinha que Ele tomasse carne de uma mulher. Donde diz Agostinho (Sobre o Combate Cristão, XI): «Homens, não vos desprezeis a vós mesmos: o Filho de Deus fez-Se homem; mulheres, não vos desprezeis a vós mesmas: o Filho de Deus nasceu de uma mulher.» **Resposta à Objecção 2:** Agostinho assim responde a Fausto (Contra Fausto, XXIII), que objetava isto: «De modo nenhum», diz ele, «a fé católica, que crê que Cristo Filho de Deus nasceu de uma virgem segundo a carne, supõe que o mesmo Filho de Deus estivesse tão encerrado no ventre de Sua Mãe que deixasse de estar em outro lugar, como se Ele já não continuasse a governar o céu e a terra, e como se Se tivesse retirado do Pai. Mas vós, maniqueus, sendo de uma mente que não admite senão imagens materiais, sois completamente incapazes de compreender estas coisas.» Pois, como ele diz ainda (Carta a Volusiano, CXXXVII), «pertence ao sentido do homem formar conceitos apenas através de corpos tangíveis, nenhum dos quais pode estar inteiro em toda parte, porque necessariamente se difundem por suas inúmeras partes em vários lugares... De modo muito diferente é a natureza da alma da natureza do corpo; quanto mais a natureza de Deus, Criador da alma e do corpo!... Ele pode estar inteiro em toda parte e não ser contido em lugar nenhum. Pode vir sem se mover do lugar onde estava; e ir sem deixar o lugar de onde veio.» **Resposta à Objecção 3:** Na concepção do homem de uma mulher não há imundície, enquanto esta é obra de Deus; donde está escrito (Atos 10,15): «O que Deus purificou, não o chames tu de comum», isto é, imundo. Há, porém, nela uma certa imundície resultante do pecado, enquanto o desejo lascivo acompanha a concepção por união sexual. Mas este não foi o caso de Cristo, como acima se mostrou (Q. 28, A. 1). Mas se houvesse nela alguma imundície, o Verbo de Deus não seria por ela manchado, porque Ele é absolutamente imutável. Donde diz Agostinho (Contra as Cinco Heresias, V): «Diz Deus, o Criador do homem: Que te perturba no Meu Nascimento? Não fui concebido por desejo lascivo. Fiz para Mim uma mãe de quem nascer. Se os raios do sol podem secar a imundície no esgoto e não se mancham, muito mais o Esplendor da luz eterna pode limpar tudo o que ilumina, mas não pode ser manchado.»

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 4 - Whether the matter of Christ's body should have been taken from a woman? · séc. XIII

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