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Jr 32, 18

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Matos Soares

18Usas de misericórdia com milhares, e lanças o castigo da iniquidade dos pais no íntimo de seus filhos, depois deles. Ó Deus grande e poderoso, Senhor dos exércitos é o teu nome.

Matos Soares · domínio público

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Citações internas

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Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1:** Parece que aqueles que veem a essência divina compreendem a Deus. Porque o Apóstolo diz (Fil. 3,12): «Mas prossigo para ver se de alguma sorte posso compreender [Douay: ‘apreender’].» Mas o Apóstolo não corria em vão; pois disse (1 Cor. 9,26): «Eu… assim corro, não como a coisa incerta.» Portanto, ele compreendeu; e do mesmo modo, também os outros, a quem ele convida a fazer o mesmo, dizendo: «Correi de modo que compreendais.» **Objeção 2:** Ademais, Agostinho diz (De Vid. Deum, Ep. cxlvii): «Aquilo é compreendido que é visto como um todo, de modo que nada dele está oculto ao que vê.» Mas se Deus é visto em sua essência, Ele é visto todo, e nada dEle está oculto ao que vê, pois Deus é simples. Logo, quem vê sua essência, o compreende. **Objeção 3:** Ademais, se dissermos que Ele é visto como «todo», mas não «totalmente», pode-se objetar que «totalmente» se refere ou ao modo do que vê, ou ao modo da coisa vista. Mas quem vê a essência de Deus vê-O totalmente, se se considera o modo da coisa vista; porquanto vê-O como Ele é; também, igualmente, vê-O totalmente se se entende o modo do que vê, porquanto o intelecto verá a essência divina com toda a sua força. Portanto, todos que veem a essência de Deus veem-No totalmente; logo, compreendem-No. **Ao contrário,** está escrito: «Ó fortíssimo, grande e poderoso, Senhor dos exércitos é o teu nome. Grande em conselho, e incompreensível em pensamento» (Jer. 32,18s). Logo, Ele não pode ser compreendido. **Respondo que:** É impossível a qualquer intelecto criado compreender a Deus; contudo, «para a mente alcançar a Deus em algum grau é grande beatitude», como diz Agostinho (De Verb. Dim., Serm. xxxvii). Para prova disto, devemos considerar que o que é compreendido é perfeitamente conhecido; e aquilo é perfeitamente conhecido que é conhecido tanto quanto pode ser conhecido. Assim, se algo que é capaz de demonstração científica é tido apenas por uma opinião fundada em prova provável, não é compreendido; como, por exemplo, se alguém sabe por demonstração científica que o triângulo tem três ângulos iguais a dois retos, compreende essa verdade; ao passo que se alguém a aceita como opinião provável porque sábios ou a maioria dos homens a ensinam, não se pode dizer que compreende a própria coisa, porque não atinge aquele modo perfeito de conhecimento do qual ela é intrinsecamente capaz. Mas nenhum intelecto criado pode alcançar aquele modo perfeito do conhecimento do intelecto divino do qual Ele é intrinsecamente capaz. O que aparece assim: Toda coisa é cognoscível segundo a sua atualidade. Mas Deus, cujo ser é infinito, como foi mostrado acima (q. 7), é infinitamente cognoscível. Ora, nenhum intelecto criado pode conhecer a Deus infinitamente. Pois o intelecto criado conhece a essência divina mais ou menos perfeitamente na proporção em que recebe uma luz de glória maior ou menor. Visto, portanto, que a luz de glória criada recebida em qualquer intelecto criado não pode ser infinita, é claramente impossível que qualquer intelecto criado conheça a Deus em grau infinito. Logo, é impossível que compreenda a Deus. **Resposta à Objeção 1:** A «compreensão» é dupla: em um sentido é tomada estrita e propriamente, segundo o que algo é incluído no que compreende; e assim de nenhum modo Deus é compreendido, seja pelo intelecto, seja de qualquer outra maneira; porquanto Ele é infinito e não pode ser incluído em nenhum ser finito; de modo que nenhum ser finito pode contê-Lo infinitamente, no grau de sua própria infinidade. Nesse sentido tomamos agora compreensão. Mas em outro sentido «compreensão» é tomada mais largamente como oposta a «não alcance»; pois aquele que alcança alguém é dito compreendê-lo quando o alcança. E nesse sentido Deus é compreendido pelos bem-aventurados, segundo as palavras: «Tive-o e não o largarei» (Cânt. 3,4); nesse sentido também se devem entender as palavras citadas do Apóstolo acerca da compreensão. E desse modo a «compreensão» é uma das três prerrogativas da alma, correspondendo à esperança, assim como a visão corresponde à fé, e a fruição corresponde à caridade. Pois mesmo entre nós nem tudo o que se vê é tido ou possuído, porquanto as coisas ora aparecem de longe, ora não estão em nosso poder de alcance. Tampouco, de novo, sempre gozamos do que possuímos; ou porque não encontramos prazer nelas, ou porque tais coisas não são o fim último do nosso desejo, de modo a satisfazê-lo e aquietá-lo. Mas os bem-aventurados possuem estas três coisas em Deus; porque veem a Deus, e vendo-O, possuem-No como presente, tendo o poder de vê-Lo sempre; e possuindo-O, gozam-No como o cumprimento último do desejo. **Resposta à Objeção 2:** Deus é chamado incompreensível não porque algo dEle não seja visto; mas porque não é visto tão perfeitamente quanto é capaz de ser visto; assim, quando uma proposição demonstrável é conhecida apenas por razão provável, não se segue que alguma parte dela seja desconhecida, seja o sujeito, o predicado ou a composição; mas que não é conhecida tão perfeitamente quanto é capaz de ser conhecida. Por isso Agostinho, em sua definição de compreensão, diz que o todo é compreendido quando é visto de tal modo que nada dele está oculto ao que vê, ou quando seus limites podem ser completamente percorridos ou traçados; pois os limites de uma coisa são ditos completamente percorridos quando se atinge o fim do conhecimento dela. **Resposta à Objeção 3:** A palavra «totalmente» denota um modo do objeto; não que o objeto todo não caia sob o conhecimento, mas que o modo do objeto não é o modo do que conhece. Portanto, quem vê a essência de Deus vê nEle que Ele existe infinitamente e é infinitamente cognoscível; contudo, esse modo infinito não se estende a ponto de habilitar o conhecedor a conhecer infinitamente; assim, por exemplo, uma pessoa pode ter uma opinião provável de que uma proposição é demonstrável, embora ela mesma não a conheça como demonstrada.

Summa Theologiae — First Part · Article. 7 - Whether those who see the essence of God comprehend Him? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que esses nomes aplicados a Deus são nomes sinônimos. Pois nomes sinônimos são os que significam exatamente a mesma coisa. Ora, esses nomes aplicados a Deus significam inteiramente a mesma coisa em Deus; porque a bondade de Deus é a sua essência, e do mesmo modo é a sua sabedoria. Logo, esses nomes são inteiramente sinônimos. Objeção 2: Além disso, se se disser que esses nomes significam uma mesma coisa na realidade, mas diferem na ideia, pode-se objetar que uma ideia à qual não corresponde nenhuma realidade é uma noção vã. Portanto, se essas ideias são muitas e a coisa é uma, parece também que todas essas ideias são noções vãs. Objeção 3: Além disso, uma coisa que é uma na realidade e na ideia é mais una do que aquela que é una na realidade e múltipla na ideia. Ora, Deus é sumamente uno. Logo, parece que Ele não é uno na realidade e múltiplo na ideia; e assim os nomes aplicados a Deus não significam ideias diferentes; e, por conseguinte, são sinônimos. Em contrário, todos os sinônimos unidos entre si são redundantes, como quando dizemos «vestidura vestimenta». Portanto, se todos os nomes aplicados a Deus são sinônimos, não podemos dizer propriamente «Deus bom» ou algo semelhante; e, no entanto, está escrito: «Ó potentíssimo, grande e poderoso, o Senhor dos exércitos é o teu nome» (Jer 32,18). Respondo que esses nomes ditos de Deus não são sinônimos. Isso seria fácil de entender se disséssemos que esses nomes são usados para remover ou para exprimir a relação de causa para com as criaturas; pois assim seguir-se-ia que há ideias diferentes quanto às diversas coisas negadas de Deus, ou quanto aos diversos efeitos conotados. Mas, mesmo segundo o que foi dito acima (A.2), que esses nomes significam a substância divina, embora de modo imperfeito, também fica claro pelo que foi dito (AA. 1 e 2) que eles têm diversos significados. Pois a ideia significada pelo nome é a concepção no intelecto da coisa significada pelo nome. Ora, o nosso intelecto, uma vez que conhece Deus a partir das criaturas, para entender Deus forma concepções proporcionais às perfeições que fluem de Deus para as criaturas, perfeições essas que pré-existem em Deus una e simplesmente, ao passo que nas criaturas são recebidas e divididas e multiplicadas. Assim como, portanto, às diferentes perfeições das criaturas corresponde um princípio simples, representado pelas diferentes perfeições das criaturas de modo vários e múltiplo, assim também às várias e multiplicadas concepções do nosso intelecto corresponde um princípio totalmente simples, segundo essas concepções imperfeitamente entendido. Por conseguinte, embora os nomes aplicados a Deus signifiquem uma coisa, contudo, porque a significam sob muitos e diferentes aspectos, não são sinônimos. Assim aparece a solução da primeira objeção, pois os termos sinônimos significam uma coisa sob um só aspecto; porque as palavras que significam aspectos diferentes de uma coisa não significam primária e absolutamente uma coisa; pois o termo só significa a coisa por meio da concepção intelectual, como foi dito acima. Resposta à objeção 2: Os muitos aspectos desses nomes não são vazios e vãos, pois corresponde a todos eles uma simples realidade, por eles representada de modo múltiplo e imperfeito. Resposta à objeção 3: A perfeita unidade de Deus exige que aquilo que é múltiplo e dividido nos outros exista nEle simples e unitamente. Assim acontece que Ele é uno na realidade, e contudo múltiplo na ideia, porque o nosso intelecto O apreende de modo múltiplo, assim como as coisas O representam.

Summa Theologiae — First Part · Article. 4 - Whether names applied to God are synonymous? · séc. XIII

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Jr 32, 18 nos Padres da Igreja | Aurea