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Jr 9, 23

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Matos Soares

23Isto diz o Senhor: Não se glorie o sábio no seu saber, nem se glorie o forte na sua força, nem se glorie o rico nas suas riquezas.

Matos Soares · domínio público

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Santo Thomas Aquinas

**Objecção 1:** Parece que a felicidade do homem consiste na consideração das ciências especulativas. Porque diz o Filósofo (Ética, i, 13) que «a felicidade é uma operação segundo a virtude perfeita». E, ao distinguir as virtudes, não enumera mais do que três virtudes especulativas — «conhecimento», «sabedoria» e «entendimento» —, as quais todas pertencem à consideração das ciências especulativas. Logo, a felicidade final do homem consiste na consideração das ciências especulativas. **Objecção 2:** Além disso, aquilo que todos desejam por si mesmo parece ser a felicidade final do homem. Ora, tal é a consideração das ciências especulativas; porque, como se afirma na Metafísica (i, 1), «todos os homens desejam naturalmente saber»; e, um pouco mais adiante (2), diz-se que as ciências especulativas são procuradas por si mesmas. Portanto, a felicidade consiste na consideração das ciências especulativas. **Objecção 3:** Além disso, a felicidade é a perfeição final do homem. Ora, toda coisa é perfeita na medida em que é reduzida da potência ao ato. Mas o intelecto humano é reduzido ao ato pela consideração das ciências especulativas. Logo, parece que na consideração destas ciências consiste a felicidade final do homem. **Em contrário,** está escrito (Jeremias 9, 23): «Não se glorie o sábio na sua sabedoria»; e isto se diz a respeito das ciências especulativas. Portanto, a felicidade final do homem não consiste na consideração destas. **Respondo** que, como foi dito acima (A[2], ad 4), a felicidade do homem é dupla: uma perfeita, outra imperfeita. E por felicidade perfeita devemos entender aquela que atinge a verdadeira noção de felicidade; e por felicidade imperfeita, aquela que não a atinge, mas participa de alguma semelhança particular de felicidade. Assim, a prudência perfeita está no homem, em quem existe a noção das coisas a serem feitas; enquanto a prudência imperfeita está em certos animais irracionais, que possuem certos instintos particulares relativos a obras semelhantes às obras da prudência. Por conseguinte, a felicidade perfeita não pode consistir essencialmente na consideração das ciências especulativas. Para provar isto, devemos observar que a consideração de uma ciência especulativa não se estende além do âmbito dos princípios dessa ciência, pois toda a ciência está virtualmente contida em seus princípios. Ora, os primeiros princípios das ciências especulativas são recebidos através dos sentidos, como o Filósofo afirma claramente no início da Metafísica (i, 1) e no final dos Segundos Analíticos (ii, 15). Por onde, toda a consideração das ciências especulativas não pode ir além do que pode levar o conhecimento dos sensíveis. Ora, a felicidade final do homem, que é a sua perfeição final, não pode consistir no conhecimento dos sensíveis. Pois uma coisa não é aperfeiçoada por algo inferior, a não ser na medida em que o inferior participa de algo superior. Ora, é evidente que a forma de uma pedra ou de qualquer sensível é inferior ao homem. Consequentemente, o intelecto não é aperfeiçoado pela forma de uma pedra enquanto tal, mas na medida em que participa de uma certa semelhança daquilo que está acima do intelecto humano, a saber, a luz inteligível, ou algo do género. Ora, o que é por outro é reduzido àquilo que é por si. Portanto, a perfeição final do homem deve ser necessariamente através do conhecimento de algo acima do intelecto humano. Mas já se mostrou (I Parte, Q[88], A[2]) que o homem não pode adquirir, através dos sensíveis, o conhecimento das substâncias separadas, que estão acima do intelecto humano. Consequentemente, segue-se que a felicidade do homem não pode consistir na consideração das ciências especulativas. No entanto, assim como nas formas sensíveis há uma participação das substâncias superiores, também a consideração das ciências especulativas é uma certa participação da verdadeira e perfeita felicidade. **Resposta à Objecção 1:** No seu livro sobre a Ética, o Filósofo trata da felicidade imperfeita, tal como pode ser alcançada nesta vida, como foi dito acima (A[2], ad 4). **Resposta à Objecção 2:** Não só a felicidade perfeita é naturalmente desejada, mas também qualquer semelhança ou participação dela. **Resposta à Objecção 3:** O nosso intelecto é reduzido ao ato, de certo modo, pela consideração das ciências especulativas, mas não ao seu ato final e perfeito.

Summa Theologiae — First Part of the Second Part · Article. 6 - Whether happiness consists in the consideration of speculative sciences? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que a sabedoria pode existir sem graça e com pecado mortal. Porque os santos se gloriam principalmente naquelas coisas que são incompatíveis com o pecado mortal, conforme 2 Cor 1,12: «A nossa glória é esta: o testemunho da nossa consciência.» Ora, não se deve gloriar alguém na sua sabedoria, conforme Jer 9,23: «Não se glorie o sábio na sua sabedoria.» Portanto, a sabedoria pode existir sem graça e com pecado mortal. Objeção 2: Além disso, sabedoria denota conhecimento das coisas divinas, como foi dito acima (A[1]). Ora, quem está em pecado mortal pode ter conhecimento da verdade divina, conforme Rom 1,18: «Homens que detêm a verdade de Deus em injustiça.» Portanto, a sabedoria é compatível com o pecado mortal. Objeção 3: Além disso, Agostinho diz (De Trin. xv, 18), falando da caridade: «Nada supera este dom de Deus; é ele só que separa os filhos do reino eterno dos filhos da perdição eterna.» Mas a sabedoria é distinta da caridade. Logo, ela não divide os filhos do reino dos filhos da perdição. Portanto, é compatível com o pecado mortal. Ao contrário, está escrito (Sb 1,4): «A sabedoria não entrará na alma maliciosa, nem habitará no corpo sujeito a pecados.» Respondo: A sabedoria que é um dom do Espírito Santo, como foi dito acima (A[1]), nos capacita a julgar retamente das coisas divinas, ou das outras coisas segundo as regras divinas, por uma certa comaturalidade ou união com as coisas divinas, que é efeito da caridade, como foi dito acima (A[2]; Q[23], A[5]). Portanto, a sabedoria de que falamos pressupõe a caridade. Ora, a caridade é incompatível com o pecado mortal, como foi demonstrado acima (Q[24], A[12]). Donde se segue que a sabedoria de que falamos não pode existir juntamente com o pecado mortal. Resposta à Objeção 1: Estas palavras devem ser entendidas como referindo-se à sabedoria mundana, ou à sabedoria nas coisas divinas adquirida por razões humanas. Em tal sabedoria não se gloriam os santos, conforme Prov 30,2: «A sabedoria dos homens não está comigo»; mas eles se gloriam na sabedoria divina, conforme 1 Cor 1,30: «O qual, por Deus, nos foi feito sabedoria.» Resposta à Objeção 2: Este argumento considera, não a sabedoria de que falamos, mas aquela que é adquirida pelo estudo e investigação da razão, e é compatível com o pecado mortal. Resposta à Objeção 3: Embora a sabedoria seja distinta da caridade, ela a pressupõe, e por essa mesma razão divide os filhos da perdição dos filhos do reino.

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 4 - Whether wisdom can be without grace, and with mortal sin? · séc. XIII

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