Referência

Jó 21, 14

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Matos Soares

14Estes são os que disseram a Deus: Retira-te de nós, pois não queremos saber nada dos teus caminhos.

Matos Soares · domínio público

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Citações internas

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Trechos em que este versículo aparece citado dentro de outro argumento patrístico.

Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1:** Parece que a ignorância não causa involuntariedade. Pois "o ato involuntário merece perdão", como diz Damasceno (De Fide Orth. ii, 24). Ora, algumas vezes o que se faz por ignorância não merece perdão, segundo 1 Cor 14,38: "Se alguém ignora, será ignorado". Logo, a ignorância não causa involuntariedade. **Objeção 2:** Ademais, todo pecado implica ignorância, conforme Prov 14,22: "Erram os que obram o mal". Se, portanto, a ignorância causa involuntariedade, seguir-se-ia que todo pecado é involuntário; o que se opõe ao dito de Agostinho, de que "todo pecado é voluntário" (De Vera Relig. xiv). **Objeção 3:** Além disso, "a involuntariedade não se dá sem tristeza", como diz Damasceno (De Fide Orth. ii, 24). Ora, algumas coisas são feitas por ignorância, mas sem tristeza: por exemplo, um homem pode matar um inimigo, a quem deseja matar, pensando na ocasião que mata um cervo. Logo, a ignorância não causa involuntariedade. **Ao contrário,** Damasceno (De Fide Orth. ii, 24) e o Filósofo (Ética iii, 1) dizem que "o que se faz por ignorância é involuntário". **Respondo que:** Se a ignorância causa involuntariedade, é enquanto priva do conhecimento, o qual é uma condição necessária da voluntariedade, como acima se declarou (Art. 1). Mas nem toda ignorância priva desse conhecimento. Por conseguinte, devemos notar que a ignorância tem uma tríplice relação com o ato da vontade: de um modo, "concomitantemente"; de outro, "consequentemente"; de um terceiro modo, "antecedentemente". "Concomitantemente", quando há ignorância do que se faz, mas de modo que, ainda que fosse conhecido, seria feito. Pois então a ignorância não induz a querer que isto seja feito, mas acontece que uma coisa é ao mesmo tempo feita e não conhecida: assim no exemplo dado (Objeção 3), um homem desejava matar seu inimigo, mas o matou por ignorância, pensando matar um cervo. E esta espécie de ignorância, como afirma o Filósofo (Ética iii, 1), não causa involuntariedade, visto que não é causa de algo que repugne à vontade; mas causa "não-voluntariedade", pois o que é desconhecido não pode ser atualmente querido. A ignorância é "consequente" ao ato da vontade, enquanto a própria ignorância é voluntária; e isto ocorre de dois modos, conforme os dois modos de voluntariedade acima mencionados (Art. 3). Primeiro, porque o ato da vontade incide sobre a ignorância: como quando um homem quer não saber, para ter desculpa do pecado, ou para não ser retraído do pecado; segundo Jó 21,14: "Não desejamos o conhecimento dos teus caminhos". E isto se chama "ignorância afetada". Segundo, diz-se que a ignorância é voluntária quando versa sobre o que se pode e deve saber; pois neste sentido "não agir" e "não querer" dizem-se voluntários, como acima se afirmou (Art. 3). E esta espécie de ignorância ocorre, ou quando alguém não considera atualmente o que pode e deve considerar; chama-se "ignorância da escolha má", e nasce de alguma paixão ou hábito; ou quando alguém não se dá ao trabalho de adquirir o conhecimento que deveria ter; neste sentido, a ignorância dos princípios gerais do direito, que se devem conhecer, é voluntária, como devida à negligência. Portanto, se de qualquer destes modos a ignorância é voluntária, não pode causar involuntariedade simplesmente. Contudo, causa involuntariedade em certo sentido, enquanto precede o movimento da vontade para o ato, movimento que não existiria se houvesse conhecimento. A ignorância é "antecedente" ao ato da vontade quando não é voluntária, e todavia é a causa de o homem querer o que de outro modo não quereria. Assim, um homem pode ignorar alguma circunstância de seu ato, que não estava obrigado a conhecer, resultando que ele faz o que não faria se conhecesse tal circunstância; por exemplo, um homem, após tomar a devida precaução, pode não saber que alguém vem pela estrada, de modo que dispara uma flecha e mata um transeunte. Tal ignorância causa involuntariedade simplesmente. Disto se pode colher a solução das objeções. Pois a primeira objeção trata da ignorância do que um homem está obrigado a conhecer. A segunda, da ignorância da escolha, que é voluntária em certo grau, como acima se disse. A terceira, da ignorância que é concomitante ao ato da vontade.

Summa Theologiae — First Part of the Second Part · Article. 8 - Whether ignorance causes involuntariness? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1:** Parece que o homem não pode odiar a verdade. Pois bom, verdadeiro e ser são conversíveis. Ora, o homem não pode odiar o bem. Logo, nem pode odiar a verdade. **Objeção 2:** Além disso, "Todos os homens têm natural desejo de conhecer", como se diz no princípio da Metafísica (I, 1). Ora, o conhecimento é somente da verdade. Portanto, a verdade é naturalmente desejada e amada. Mas aquilo que está na coisa naturalmente, está sempre nela. Logo, nenhum homem pode odiar a verdade. **Objeção 3:** Além disso, o Filósofo diz (Retórica, II, 4) que "os homens amam os que são retos". Ora, não pode haver outro motivo para isso senão a verdade. Logo, o homem ama naturalmente a verdade. Portanto, não pode odiá-la. **Ao contrário,** diz o Apóstolo (Gálatas 4, 16): "Tornei-me eu vosso inimigo, porque vos digo a verdade?" **Respondo que** o bem, o verdadeiro e o ser são realmente o mesmo, mas diferem quanto à consideração da razão. Pois o bem é considerado sob a razão de algo desejável, ao passo que o ser e o verdadeiro não são assim considerados: porque o bem é "o que todas as coisas buscam". Por onde, o bem, como tal, não pode ser objeto de ódio, nem em geral nem em particular. O ser e a verdade em geral não podem ser objeto de ódio: porque a desavença é causa de ódio, e a concordância é causa de amor; ora, o ser e a verdade são comuns a todas as coisas. Mas nada impede que algum ser particular ou alguma verdade particular seja objeto de ódio, enquanto considerada como nociva e repugnante; pois a nocividade e a repugnância não são incompatíveis com a noção de ser e de verdade, como o são com a noção de bem. Ora, pode acontecer de três modos que alguma verdade particular seja repugnante ou nociva ao bem que amamos. Primeiro, segundo a verdade está nas coisas como em sua causa e origem. E assim, às vezes, o homem odeia uma verdade particular, quando deseja que o que é verdadeiro não o fosse. Segundo, segundo a verdade está no conhecimento do homem, a qual o impede de alcançar o objeto amado: tal é o caso daqueles que não querem conhecer a verdade da fé, para pecar livremente; a respeito dos quais se diz (Jó 21, 14): "Não desejamos o conhecimento dos teus caminhos." Terceiro, uma verdade particular é odiada como repugnante, enquanto está no intelecto de outro homem: como, por exemplo, quando um homem deseja permanecer oculto no seu pecado, odeia que alguém saiba a verdade acerca do seu pecado. A este respeito, diz Agostinho (Confissões, X, 23) que os homens "amam a verdade quando ela ilumina, odeiam-na quando ela repreende". Isto basta para a Resposta à Primeira Objeção. **Resposta à Segunda Objeção:** O conhecimento da verdade é amável em si mesmo: por isso Agostinho diz que os homens a amam quando ela ilumina. Mas, acidentalmente, o conhecimento da verdade pode tornar-se odioso, enquanto impede alguém de realizar o seu desejo. **Resposta à Terceira Objeção:** A razão pela qual amamos os que são retos é que eles manifestam a verdade, e o conhecimento da verdade, considerado em si mesmo, é algo desejável.

Summa Theologiae — First Part of the Second Part · Article. 5 - Whether a man can hate the truth? · séc. XIII

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