Referência

Jó 31, 18

Veja onde esta passagem aparece no corpus patrístico disponível.

Trechos nesta página

2

Comentários diretos

0

Autores distintos

1

Matos Soares

18Com efeito, desde a minha infância cresceu comigo a comiseração, e do ventre de minha mãe saiu comigo.

Matos Soares · domínio público

Levar para o chatEntre na conta para conversar com os Padres a partir deste versículo.
Dossiês doutrinaisQuando um versículo abre um tema maior, o próximo passo é seguir por um dossiê temático.

Comentário direto

0

Trechos em que os Padres comentam diretamente esta passagem ou o seu contexto imediato.

Nenhum comentário direto traduzido para este versículo. A Catena Aurea comenta diretamente os quatro Evangelhos; em outros livros, procure principalmente em citações internas.

Citações internas

2

Trechos em que este versículo aparece citado dentro de outro argumento patrístico.

Santo Thomas Aquinas

**Objecção 1:** Parece que à Bem-aventurada Virgem, depois de Cristo, foi próprio ser santificada no ventre. Porque foi dito (A[4]) que a Bem-aventurada Virgem foi santificada no ventre, para que fosse digna de ser a mãe de Deus. Ora, isto é próprio dela. Logo, só ela foi santificada no ventre. **Objecção 2:** Além disso, alguns homens parecem ter estado mais estreitamente ligados a Cristo do que Jeremias e João Batista, que se diz terem sido santificados no ventre. Pois Cristo é chamado especialmente Filho de Davi e de Abraão, por causa da promessa especialmente feita a eles acerca de Cristo. Também Isaías profetizou de Cristo nos termos mais explícitos. E os apóstolos conviveram com o próprio Cristo. E contudo, não se menciona que estes tenham sido santificados no ventre. Logo, não convinha que nem Jeremias nem João Batista fossem santificados no ventre. **Objecção 3:** Além disso, Jó diz de si mesmo (Jó 31,18): «Desde a minha infância a misericórdia cresceu comigo; e saiu comigo desde o ventre de minha mãe.» Todavia, por esta razão não dizemos que ele foi santificado no ventre. Nem, portanto, somos obrigados a dizer que Jeremias e João Batista foram santificados no ventre. **Em contrário,** está escrito de Jeremias (Jer. 1,5): «Antes que saísses do ventre, te santifiquei.» E de João Batista está escrito (Lc. 1,15): «Será cheio do Espírito Santo, desde o ventre de sua mãe.» **Respondo que:** Agostinho (Ep. ad Dardan.) parece falar duvidosamente acerca da sua (de Jeremias e João Batista) santificação no ventre. Pois o salto de João no ventre «podia», como diz, «significar a grande verdade», a saber, que a mulher era a mãe de Deus, «que devia ser manifestada aos seus maiores, embora ainda desconhecida para o infante. Daí que no Evangelho está escrito, não que o infante no ventre cria, mas que 'saltou'; e os nossos olhos são testemunhas de que não só os infantes saltam, mas também os animais. Ora, isto foi extraordinário porque se deu no ventre. E assim, como outros milagres costumam fazer-se, isto foi feito divinamente no infante; não humanamente pelo infante. Talvez também nesta criança o uso da razão e da vontade foi tão acelerado que, estando ainda no ventre de sua mãe, pôde reconhecer, crer e consentir, ao passo que noutras crianças esperamos estas coisas até que cresçam: também isto considero como resultado miraculoso do poder divino.» Mas uma vez que está expressamente dito (de João) no Evangelho que «será cheio do Espírito Santo, desde o ventre de sua mãe»; e de Jeremias, «Antes que saísses do ventre, te santifiquei»; parece que devemos necessariamente afirmar que foram santificados no ventre, embora, enquanto no ventre, não tivessem o uso da razão (o que é o ponto discutido por Agostinho); assim como as crianças também não gozam do uso do livre arbítrio logo que são santificadas pelo batismo. Nem devemos crer que alguns outros, não mencionados pela Escritura, tenham sido santificados no ventre. Pois tais privilégios de graça, que são concedidos a alguns, fora da lei comum, são ordenados para a salvação de outros, segundo 1 Cor. 12,7: «A manifestação do Espírito é dada a cada um para proveito»; o que não resultaria da santificação de alguém, a menos que fosse dada a conhecer à Igreja. E embora não seja possível atribuir uma razão para os juízos de Deus, por exemplo, por que concede tal graça a um e não a outro, contudo parece haver uma certa conveniência em que ambos tenham sido santificados no ventre, por prefigurarem a santificação que se havia de efetuar por Cristo. Primeiro, quanto à sua Paixão, segundo Hebr. 13,12: «Jesus, para santificar o povo com o seu próprio sangue, padeceu fora da porta»; Paixão que Jeremias predisse abertamente por palavras e por símbolos, e mais claramente prefigurou pelos seus próprios sofrimentos. Segundo, quanto ao seu Batismo (1 Cor. 6,11): «Mas fostes lavados, mas fostes santificados»; para o qual Batismo João preparou os homens pelo seu batismo. **Resposta à Objecção 1:** A Bem-aventurada Virgem, que foi escolhida por Deus para ser sua Mãe, recebeu uma graça de santificação mais plena do que João Batista e Jeremias, que foram escolhidos para prefigurar de modo especial a santificação operada por Cristo. Sinal disto é que foi concedido à Bem-aventurada Virgem dali em diante nunca pecar, nem mortal nem venialmente; enquanto aos outros assim santificados foi concedido dali em diante não pecar mortalmente, pela proteção da graça de Deus. **Resposta à Objecção 2:** Noutros respeitos, estes santos poderiam estar mais estreitamente unidos a Cristo do que Jeremias e João Batista. Mas estes foram estreitissimamente unidos a Ele por prefigurarem claramente a sua santificação, como se explicou acima. **Resposta à Objecção 3:** A misericórdia de que fala Jó não é a virtude infusa; mas uma certa inclinação natural para o ato dessa virtude.

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 6 - Whether after Christ, it was proper to the Blessed Virgin to be sanctified in the womb? · séc. XIII

tradução automática

Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que a virtude está em nós por natureza. Porque Damasceno diz (De Fide Orth. iii, 14): «As virtudes são naturais a nós e estão igualmente em todos nós.» E Antão diz no seu sermão aos monges: «Se a vontade contradiz a natureza, é perversa; se segue a natureza, é virtuosa.» Além disso, uma glosa sobre Mt 4,23, «Jesus andava percorrendo», etc., diz: «Ensinava-lhes as virtudes naturais, i.e., a castidade, a justiça, a humildade, que o homem possui naturalmente.» Objeção 2: Ademais, o bem virtuoso consiste na conformidade com a razão, como claramente se mostrou acima (Q[55], A[4], ad 2). Mas o que está de acordo com a razão é natural ao homem, pois a razão é parte da natureza humana. Logo, a virtude está no homem por natureza. Objeção 3: Ademais, o que está em nós desde o nascimento diz-se natural a nós. Ora, as virtudes estão em alguns desde o nascimento, pois está escrito (Jó 31,18): «Desde a minha infância a misericórdia cresceu comigo; e saiu comigo do ventre de minha mãe.» Logo, a virtude está no homem por natureza. Em contrário, o que está no homem por natureza é comum a todos os homens, e não é removido pelo pecado, pois mesmo nos demônios permanecem dons naturais, como afirma Dionísio (Div. Nom. iv). Mas a virtude não está em todos os homens; e é expulsa pelo pecado. Logo, não está no homem por natureza. Respondo que: Quanto às formas corpóreas, alguns sustentaram que elas são inteiramente de dentro, como, por exemplo, aqueles que defendiam a teoria das «formas latentes» [*Anaxágoras; cf. I Parte, Q[45], A[8]; Q[65], A[4]]. Outros afirmavam que as formas são inteiramente de fora, como, por exemplo, os que pensavam que as formas corpóreas se originavam de alguma causa separada. Outros, porém, consideraram que elas são em parte de dentro, na medida em que pré-existem potencialmente na matéria; e em parte de fora, na medida em que são atualizadas pelo agente. Do mesmo modo, quanto às ciências e virtudes, alguns sustentaram que são inteiramente de dentro, de modo que todas as virtudes e ciências pré-existiriam naturalmente na alma, mas que os obstáculos à ciência e à virtude, devidos ao peso do corpo sobre a alma, são removidos pelo estudo e pela prática, assim como o ferro é polido e se torna brilhante. Esta era a opinião dos Platônicos. Outros disseram que são inteiramente de fora, provindo do influxo do intelecto agente, como sustentou Avicena. Outros disseram que as ciências e virtudes estão em nós por natureza, enquanto somos aptos para elas, mas não na sua perfeição: este é o ensinamento do Filósofo (Ética a Nicômacos, II, 1), e é mais próximo da verdade. Para tornar isto claro, deve-se observar que algo se diz natural ao homem de dois modos: um conforme a sua natureza específica, outro conforme a sua natureza individual. E, visto que cada coisa recebe a sua espécie da sua forma, e a sua individuação da matéria, e, ainda, que a forma do homem é a sua alma racional, e a sua matéria é o seu corpo, tudo o que lhe pertence em razão da sua alma racional é natural a ele em razão da sua natureza específica; e tudo o que lhe pertence em razão do temperamento particular do seu corpo é natural a ele em razão da sua natureza individual. Pois tudo o que é natural ao homem em razão do seu corpo, considerado como parte da sua espécie, deve ser referido, de certo modo, à alma, na medida em que este corpo particular é adaptado a esta alma particular. De ambos os modos, a virtude é natural ao homem incoativamente. Isto é assim quanto à natureza específica, na medida em que na razão do homem se encontram infundidos pela natureza certos princípios naturalmente conhecidos, tanto do conhecimento como da ação, que são os germes das virtudes intelectuais e morais, e na medida em que há na vontade um apetite natural para o bem conforme à razão. Isto é assim também quanto à natureza individual, na medida em que, por causa de uma disposição no corpo, alguns são dispostos, bem ou mal, para certas virtudes: porque, a saber, certas potências sensitivas são atos de certas partes do corpo, segundo a disposição das quais estas potências são ajudadas ou dificultadas no exercício dos seus atos e, em consequência, também as potências racionais, às quais as referidas potências sensitivas auxiliam. Deste modo, um homem tem aptidão natural para a ciência, outro para a fortaleza, outro para a temperança: e destes modos, tanto as virtudes intelectuais como as morais estão em nós por via de aptidão natural, incoativamente, mas não perfeitamente, pois a natureza é determinada a um, enquanto a perfeição destas virtudes não depende de um modo particular de ação, mas de vários modos, em relação às diversas matérias que constituem o âmbito da ação da virtude, e segundo várias circunstâncias. É, portanto, evidente que todas as virtudes estão em nós por natureza, segundo aptidão e incoação, mas não segundo perfeição, exceto as virtudes teológicas, que são inteiramente de fora. Isto basta para as respostas às objeções. Pois as duas primeiras argumentam acerca dos germes da virtude, que estão em nós por natureza, enquanto somos seres racionais. A terceira objeção deve ser entendida no sentido de que, devido à disposição natural que o corpo tem desde o nascimento, um tem aptidão para a piedade, outro para viver temperantemente, outro para alguma outra virtude.

Summa Theologiae — First Part of the Second Part · Article. 1 - Whether virtue is in us by nature? · séc. XIII

tradução automática