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Jó 35, 6

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Matos Soares

6Se pecares, que dano farás tu a Deus? Se as tuas iniquidades se multiplicarem, que prejuízo lhe causarás?

Matos Soares · domínio público

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Citações internas

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que as ações humanas, boas ou más, não são meritórias ou demeritórias aos olhos de Deus. Porque, como foi dito acima (A[3]), mérito e demérito implicam relação com a retribuição do bem ou do mal feito a outrem. Ora, a ação de um homem, boa ou má, não faz bem nem mal a Deus; porque está escrito (Job 35,6-7): "Se tu pecas, que lhe farás? E se tu fizeres justiça, que lhe darás?" Portanto, uma ação humana, boa ou má, não é meritória ou demeritória aos olhos de Deus. Objeção 2: Além disso, um instrumento não adquire mérito ou demérito aos olhos de quem o usa; porque toda a ação do instrumento pertence a quem o usa. Ora, quando o homem age, ele é o instrumento do poder divino, que é a causa principal da sua ação; por isso está escrito (Is 10,15): "Porventura gloriar-se-á o machado contra o que corta com ele? Ou se engrandecerá a serra contra o que a move?" onde o homem, enquanto age, é evidentemente comparado a um instrumento. Logo, o homem não merece nem desmerece nada aos olhos de Deus por suas boas ou más obras. Objeção 3: Além disso, uma ação humana adquire mérito ou demérito por ser ordenada para outrem. Ora, nem todas as ações humanas são ordenadas para Deus. Portanto, nem toda ação boa ou má adquire mérito ou demérito aos olhos de Deus. Em contrário, está escrito (Ecl 12,14): "Deus porá a juízo toda obra, até tudo que está escondido, quer seja bom, quer seja mau." Ora, o juízo implica retribuição, com respeito à qual falamos de mérito e demérito. Logo, toda ação humana, boa e má, adquire mérito ou demérito aos olhos de Deus. Respondo: Uma ação humana, como foi dito acima (A[3]), adquire mérito ou demérito por ser ordenada para outrem, quer por causa de si mesmo, quer por causa da comunidade; e de ambos os modos, nossas ações, boas e más, adquirem mérito ou demérito aos olhos de Deus. Por parte do próprio Deus, enquanto Ele é o fim último do homem; e é nosso dever referir todas as nossas ações ao fim último, como foi dito acima (Q[19], A[10]). Consequentemente, quem pratica uma ação má, não referível a Deus, não dá a Deus a honra que Lhe é devida como nosso fim último. Por parte de toda a comunidade do universo, porque em toda comunidade, aquele que a governa cuida, antes de tudo, do bem comum; por isso cabe-lhe atribuir retribuição por aquilo que é feito bem ou mal na comunidade. Ora, Deus é o governador e regente de todo o universo, como foi dito na Primeira Parte (Q[103], A[5]); e especialmente das criaturas racionais. Por conseguinte, é evidente que as ações humanas adquirem mérito ou demérito em referência a Ele; de outro modo seguir-se-ia que as ações humanas são de nenhuma conta para Deus. Resposta à objeção 1: Deus em Si mesmo nada ganha nem perde com a ação do homem; mas o homem, por sua parte, toma algo de Deus ou oferece algo a Ele, quando observa ou não observa a ordem instituída por Deus. Resposta à objeção 2: Deus move o homem como instrumento de tal modo que, ao mesmo tempo, ele se move a si mesmo pelo seu livre-arbítrio, como foi explicado acima (Q[9], A[6], ad 3). Consequentemente, pela sua ação, ele adquire mérito ou demérito aos olhos de Deus. Resposta à objeção 3: O homem não está ordenado para a comunidade política segundo tudo o que ele é e tem; e por isso não se segue que toda ação sua adquira mérito ou demérito em relação à comunidade política. Mas tudo o que o homem é, pode e tem deve ser referido a Deus; e portanto toda ação do homem, seja boa ou má, adquire mérito ou demérito aos olhos de Deus, quanto à própria ação.

Summa Theologiae — First Part of the Second Part · Article. 4 - Whether a human action is meritorious or demeritorious before God, according as it is good or evil? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que o motivo da ira nem sempre é algo feito contra aquele que se ira. Porque o homem, pecando, nada pode fazer contra Deus; pois está escrito (Jó 35,6): «Se as tuas iniquidades se multiplicarem, que farás contra Ele?» Contudo, diz-se que Deus Se ira com o homem por causa do pecado, segundo o Salmo 105,40: «O Senhor foi extremamente irado contra o Seu povo.» Logo, nem sempre é por causa de algo feito contra ele que um homem se ira. Objeção 2: Além disso, a ira é um desejo de vingança. Mas pode-se desejar vingança por coisas feitas contra outros. Portanto, nem sempre nos iramos por causa de algo feito contra nós. Objeção 3: Além disso, como diz o Filósofo (Retórica II, 2), o homem se ira especialmente com aqueles «que desprezam aquilo por que ele tem grande interesse; assim, os que estudam filosofia se iram com os que desprezam a filosofia», e assim por diante. Mas o desprezo pela filosofia não prejudica o filósofo. Logo, nem sempre é um dano feito a nós que nos faz irar. Objeção 4: Além disso, aquele que se cala quando outro o insulta, provoca-o a maior ira, como observa Crisóstomo (Hom. XXII sobre a Epístola aos Romanos). Mas, ao calar-se, não faz mal ao outro. Logo, o homem nem sempre é provocado à ira por algo feito contra ele. Ao contrário, diz o Filósofo (Retórica II, 4) que «a ira surge sempre de algo feito a nós; ao passo que o ódio pode surgir sem que nada nos seja feito, pois odiamos um homem simplesmente porque o julgamos tal.» Respondo que, como foi dito acima (Q[46], A[6]), a ira é o desejo de prejudicar a outrem para fim de justa vingança. Ora, a menos que tenha sido feita alguma injúria, não há questão de vingança; nem qualquer injúria provoca à vingança, mas somente aquela que é feita à pessoa que busca a vingança; pois assim como tudo naturalmente busca o seu próprio bem, assim naturalmente repele o seu próprio mal. Mas a injúria feita por alguém não afeta um homem a menos que de algum modo seja algo feito contra ele. Consequentemente, o motivo da ira de um homem é sempre algo feito contra ele. Resposta à Objeção 1: Falamos de ira em Deus, não como paixão da alma, mas como juízo de justiça, enquanto Ele quer tirar vingança do pecado. Porque o pecador, pecando, não pode fazer a Deus nenhum dano real; mas, no que lhe concerne, obra contra Deus de dois modos. Primeiro, enquanto despreza a Deus nos Seus mandamentos. Segundo, enquanto prejudica a si mesmo ou a outrem; injúria essa que recai sobre Deus, na medida em que a pessoa injuriada é objeto da providência e proteção de Deus. Resposta à Objeção 2: Se nos iramos com os que prejudicam a outros, e buscamos vingar-nos deles, é porque os que são injuriados pertencem de algum modo a nós: seja por algum parentesco ou amizade, ou ao menos pela natureza que temos em comum. Resposta à Objeção 3: Quando temos grande interesse por uma coisa, consideramo-la como nosso próprio bem; de modo que, se alguém a despreza, parece que nós mesmos somos desprezados e injuriados. Resposta à Objeção 4: O silêncio provoca o insultador à ira quando ele pensa que é por desprezo, como se a sua ira fosse menosprezada; e o menosprezo é uma ação.

Summa Theologiae — First Part of the Second Part · Article. 1 - Whether the motive of anger is always something done against the one who is angry? · séc. XIII

tradução automática

Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1:** Parece que um pecado não se agrava por causar maior dano. Porque o dano causado é um efeito consequente ao ato pecaminoso. Ora, o efeito de um ato não acrescenta à sua bondade ou malícia, como se disse acima (Q. 20, A. 5). Logo, um pecado não se agrava por causar maior dano. **Objeção 2:** Ademais, o dano é infligido pelos pecados contra o próximo. Porque ninguém deseja prejudicar a si mesmo; e ninguém pode prejudicar a Deus, segundo Jó 35,6.8: "Se as tuas iniqüidades se multiplicarem, que farás contra Ele? ... A tua malícia pode fazer mal a um homem semelhante a ti." Se, portanto, os pecados se agravassem por causar maior dano, seguir-se-ia que os pecados contra o próximo são mais graves do que os pecados contra Deus ou contra si mesmo. **Objeção 3:** Ademais, maior dano se inflige a um homem privando-o da vida da graça do que tirando-lhe a vida natural; porque a vida da graça é melhor do que a vida da natureza, a tal ponto que o homem deve desprezar a sua vida natural para não perder a vida da graça. Ora, falando absolutamente, um homem que induz uma mulher à fornicação priva-a da vida da graça, levando-a ao pecado mortal. Se, portanto, um pecado fosse mais grave por causar um dano maior, seguir-se-ia que a fornicação, absolutamente falando, é pecado mais grave do que o homicídio, o que é evidentemente falso. Logo, um pecado não é mais grave por causar maior dano. **Em contrário,** diz Agostinho (De Lib. Arb. III, 14): "Visto que o vício é contrário à natureza, um vício é tanto mais grave quanto mais diminui a integridade da natureza." Ora, a diminuição da integridade da natureza é um dano. Portanto, um pecado é tanto mais grave quanto maior dano causa. **Respondo que:** O dano pode ter tríplice relação com o pecado. Porque, às vezes, o dano resultante do pecado é previsto e intencionado, como quando alguém faz algo com o intuito de prejudicar outrem, por exemplo, um assassino ou um ladrão. Neste caso, a quantidade do dano agrava o pecado diretamente, porque então o dano é o objeto direto do pecado. Às vezes, o dano é previsto, mas não intencionado; por exemplo, quando um homem atravessa um campo por atalho, resultado que ele sabidamente danifica as plantações, embora sua intenção não seja causar esse dano, mas cometer fornicação. Neste caso, também a quantidade do dano causado agrava o pecado; indiretamente, porém, na medida em que, devido à sua vontade estar fortemente inclinada ao pecado, o homem não se abstém de causar a si mesmo ou a outrem um dano que, simplesmente, não desejaria. Às vezes, contudo, o dano não é nem previsto nem intencionado; e então, se esse dano está conectado com o pecado acidentalmente, não agrava o pecado diretamente; mas, por negligência em considerar o dano que poderia advir, o homem é considerado punível pelos maus resultados de sua ação, se ela for ilícita. Se, por outro lado, o dano segue diretamente do ato pecaminoso, embora não seja nem previsto nem intencionado, agrava o pecado diretamente, porque tudo o que é diretamente consequente a um pecado pertence, de certo modo, à própria espécie desse pecado: por exemplo, se um homem é um fornicador notório, resulta que muitos se escandalizam; e, embora tal não fosse sua intenção, nem talvez por ele previsto, contudo agrava diretamente o seu pecado. Mas isto não parece aplicar-se ao dano penal, que o próprio pecador incorre. Tal dano, se acidentalmente conectado com o ato pecaminoso, e se nem previsto nem intencionado, não agrava o pecado, nem corresponde à gravidade do pecado: por exemplo, se um homem, ao correr para matar, escorrega e machuca o pé. Se, por outro lado, esse dano é diretamente consequente ao ato pecaminoso, embora talvez não seja nem previsto nem intencionado, então um dano maior não torna o pecado maior, mas, ao contrário, um pecado mais grave exige a inflição de um dano maior. Assim, um infiel que nada ouviu acerca das penas do inferno sofreria maior pena no inferno por um pecado de homicídio do que por um pecado de furto; mas seu pecado não se agrava por ele não intencionar nem prever isso, como aconteceria no caso de um fiel, que, ao que parece, peca mais gravemente no próprio fato de desprezar uma pena maior para satisfazer o seu desejo de pecar; mas a gravidade desse dano é causada pela só gravidade do pecado. **Resposta à objeção 1:** Como já dissemos (Q. 20, A. 5), ao tratar da bondade e malícia das ações externas, o resultado de uma ação, se previsto e intencionado, acrescenta à bondade e malícia de um ato. **Resposta à objeção 2:** Embora o dano causado agrave o pecado, não se segue que só isso torne um pecado mais grave; de fato, é a inordenação que por si mesma agrava o pecado. Por onde, o próprio dano que sobrevém agrava o pecado somente na medida em que torna o ato mais inordenado. Daí não se seguir que, supondo que o dano seja infligido principalmente pelos pecados contra o próximo, tais pecados sejam os mais graves, visto que uma inordenação muito maior se encontra naquilo que o homem comete contra Deus, e em alguns que comete contra si mesmo. Além disso, poderíamos dizer que, embora nenhum homem possa fazer dano algum a Deus na Sua substância, pode contudo esforçar-se para fazê-lo em coisas que Lhe dizem respeito, por exemplo, destruindo a fé, ultrajando coisas santas, que são pecados gravíssimos. Outrossim, um homem às vezes, consciente e livremente, inflige dano a si mesmo, como no caso de suicídio, embora isso se refira finalmente a algum bem aparente, por exemplo, livrar-se de alguma ansiedade. **Resposta à objeção 3:** Este argumento não convence, por duas razões: primeira, porque o homicida intenciona diretamente causar dano ao próximo; ao passo que o fornicador que solicita a mulher intenciona não o dano, mas o prazer; segunda, porque o homicídio é a causa direta e suficiente da morte corporal; enquanto nenhum homem pode, por si mesmo, ser causa suficiente da morte espiritual de outrem, porque ninguém morre espiritualmente senão pecando por sua própria vontade.

Summa Theologiae — First Part of the Second Part · Article. 8 - Whether sin is aggravated by reason of its causing more harm? · séc. XIII

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