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Jó 4, 18

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Matos Soares

18Ainda os mesmos que o servem, não são estáveis, e (até) nos seus anjos encontrou defeito.

Matos Soares · domínio público

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que a natureza humana não é mais capaz de ser assumida pelo Filho de Deus do que qualquer outra natureza. Porquanto Agostinho diz (Epístola a Volusiano cxxxvii): «Nas obras realizadas milagrosamente, toda a razão da obra é o poder do obrador». Ora, o poder de Deus que obrou a Encarnação, que é obra milagrosíssima, não é limitado a uma só natureza, pois o poder de Deus é infinito. Logo, a natureza humana não é mais capaz de ser assumida do que qualquer outra criatura. Objeção 2: Ademais, a semelhança é o fundamento da conveniência da Encarnação da Pessoa divina, como se disse acima (Q. 3, A. 8). Ora, assim como nas criaturas racionais encontramos a semelhança de imagem, nas criaturas irracionais encontramos a imagem de vestígio. Portanto, a criatura irracional era tão capaz de assunção quanto a natureza humana. Objeção 3: Ademais, na natureza angélica encontramos uma semelhança mais perfeita que na natureza humana, como diz Gregório (Homília sobre as cem ovelhas; xxxiv nos Evangelhos), onde introduz Ezequiel 28,12: «Tu eras o selo da semelhança». E o pecado se encontra nos anjos, como também no homem, segundo Jó 4,18: «E nos seus anjos achou maldade». Logo, a natureza angélica era tão capaz de assunção quanto a natureza do homem. Objeção 4: Ademais, sendo que a máxima perfeição pertence a Deus, quanto mais uma coisa é semelhante a Deus, tanto mais perfeita é. Ora, todo o universo é mais perfeito que as suas partes, entre as quais está a natureza humana. Portanto, todo o universo é mais capaz de ser assumido do que a natureza humana. Em contrário, está dito (Provérbios 8,31) pela boca da Sabedoria gerada: «Os meus deleites eram estar com os filhos dos homens»; e daí parece haver alguma conveniência na união do Filho de Deus com a natureza humana. Respondo que: Uma coisa se diz assumível como capaz de ser assumida por uma Pessoa divina, e esta capacidade não se pode tomar com referência à potência passiva natural, que não se estende ao que transcende a ordem natural, como transcende a união pessoal de uma criatura com Deus. Por conseguinte, segue-se que uma coisa se diz assumível segundo alguma aptidão para tal união. Ora, esta aptidão na natureza humana pode ser tomada de duas coisas, a saber: segundo a sua dignidade, e segundo a sua necessidade. Segundo a sua dignidade, porque a natureza humana, como racional e intelectual, foi feita para atingir de algum modo o Verbo por sua operação, isto é, conhecendo-O e amando-O. Segundo a sua necessidade — porque necessitava de restauração, tendo caído sob o pecado original. Ora, estas duas coisas pertencem apenas à natureza humana. Pois na criatura irracional falta a aptidão de dignidade, e na natureza angélica falta a mencionada aptidão de necessidade. Donde se segue que só a natureza humana foi assumível. Resposta à Objeção 1: As criaturas se dizem «tais» com referência às suas causas próprias, não com referência ao que lhes pertence por suas causas primeiras e universais; assim chamamos uma doença incurável, não porque não possa ser curada por Deus, mas porque não pode ser curada pelos princípios próprios do sujeito. Portanto, uma criatura se diz não assumível, não como se tirássemos algo ao poder de Deus, mas para mostrar a condição da criatura, que não tem capacidade para isto. Resposta à Objeção 2: A semelhança de imagem se encontra na natureza humana, enquanto é capaz de Deus, isto é, atingindo-O por sua própria operação de conhecimento e amor. Mas a semelhança de vestígio diz respeito apenas a uma representação por impressão divina, existente na criatura, e não implica que a criatura irracional, na qual tal semelhança se encontra, possa atingir a Deus por sua própria operação apenas. Pois o que não alcança o menor, não tem aptidão para o maior; como um corpo que não é apto para ser aperfeiçoado por uma alma sensitiva, muito menos o é para uma alma intelectiva. Ora, muito maior e mais perfeita é a união com Deus no ser pessoal do que a união por operação. E daí a criatura irracional, que fica aquém da união com Deus por operação, não tem aptidão para ser unida a Ele no ser pessoal. Resposta à Objeção 3: Alguns dizem que os anjos não são assumíveis, pois são perfeitos na sua personalidade desde o princípio da sua criação, enquanto não estão sujeitos à geração e corrupção; portanto, não podem ser assumidos à unidade de uma Pessoa divina, a menos que a sua personalidade seja destruída, o que não convém à incorruptibilidade da sua natureza nem à bondade do que assume, a quem não pertence corromper qualquer perfeição na criatura assumida. Mas isto não parece anular totalmente a aptidão da natureza angélica para ser assumida. Pois Deus, produzindo uma nova natureza angélica, poderia uni-la a Si na unidade de Pessoa, e deste modo nada do preexistente seria corrompido nela. Mas, como se disse acima, falta a aptidão de necessidade, porque, embora a natureza angélica em alguns seja sujeito de pecado, o seu pecado é irremediável, como se afirmou acima (I Parte, Q. 64, A. 2). Resposta à Objeção 4: A perfeição do universo não é a perfeição de uma só pessoa ou suposito, mas de algo que é uno por posição ou ordem, cujas muitas partes não são capazes de assunção, como se disse acima. Donde se segue que só a natureza humana é capaz de ser assumida.

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 1 - Whether human nature was more assumable by the Son of God than any other nature? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1:** Parece que o pecado contra o Espírito Santo pode ser perdoado. Pois Agostinho diz (De Verb. Dom. Serm. lxxi): «Não devemos desesperar de homem algum, enquanto a paciência do Senhor o trouxer à penitência.» Ora, se algum pecado não pudesse ser perdoado, seria possível desesperar de alguns pecadores. Logo, o pecado contra o Espírito Santo pode ser perdoado. **Objeção 2:** Ademais, nenhum pecado é perdoado senão mediante a cura da alma por Deus. Mas «nenhuma doença é incurável para um médico omnipotente», como diz uma glosa sobre o Sl 102,3: «Que sara todas as tuas enfermidades.» Logo, o pecado contra o Espírito Santo pode ser perdoado. **Objeção 3:** Ademais, o livre-arbítrio é indiferente ao bem e ao mal. Ora, enquanto o homem é viandante, pode cair de qualquer virtude, pois até um anjo caiu do céu; por isso está escrito (Jó 4,18-19): «Nos seus anjos achou maldade; quanto mais os que habitam em casas de barro?» Logo, de igual modo, o homem pode retornar de qualquer pecado ao estado de justiça. Portanto, o pecado contra o Espírito Santo pode ser perdoado. **Pelo contrário,** está escrito (Mt 12,32): «Quem falar contra o Espírito Santo, não lhe será perdoado, nem neste mundo, nem no vindouro»; e Agostinho diz (De Serm. Dom. in Monte i, 22) que «tão grande é a queda deste pecado que não se pode sujeitar à humilhação de pedir perdão.» **Respondo que,** conforme as várias interpretações do pecado contra o Espírito Santo, de vários modos se pode dizer que não pode ser perdoado. Pois, se pelo pecado contra o Espírito Santo entendemos a impenitência final, diz-se imperdoável porque de nenhum modo é perdoado: pois o pecado mortal em que o homem persevera até a morte não será perdoado na vida vindoura, visto que não foi remido pela penitência nesta vida. Segundo as outras duas interpretações, diz-se imperdoável não como se de nenhum modo seja perdoado, mas porque, considerado em si mesmo, merece não ser perdoado; e isto de dois modos. Primeiro, quanto à pena: pois aquele que peca por ignorância ou fraqueza merece menor pena, ao passo que aquele que peca por certa malícia não pode oferecer escusa alguma para alívio de sua pena. Do mesmo modo, os que blasfemaram contra o Filho do Homem antes que a sua Divindade fosse revelada podiam ter alguma escusa, por causa da fraqueza da carne que nele percebiam, e por isso mereciam menor pena; enquanto os que blasfemaram contra a própria Divindade, atribuindo ao diabo as obras do Espírito Santo, não tiveram escusa para diminuição da sua pena. Por isso, segundo o comentário de Crisóstomo (Hom. xlii in Matth.), diz-se que os judeus não foram perdoados deste pecado, nem neste mundo nem no vindouro, porque foram punidos por ele tanto na vida presente, pelos romanos, como na vida futura, nas penas do inferno. Assim também Atanásio aduz o exemplo de seus pais, que primeiro contenderam com Moisés por causa da falta de água e pão; e o Senhor suportou isso com paciência, porque deviam ser escusados pela fraqueza da carne; mas depois pecaram mais gravemente quando, atribuindo a um ídolo os benefícios concedidos por Deus, que os tirara do Egito, blasfemaram, por assim dizer, contra o Espírito Santo, dizendo (Êx 32,4): «Estes são os teus deuses, ó Israel, que te tiraram da terra do Egito.» Por isso, o Senhor lhes infligiu castigo temporal, pois «naquele dia morreram cerca de vinte e três mil homens» (Êx 32,28), e ameaçou-os com castigo na vida vindoura, dizendo (Êx 32,34): «Eu, no dia da vingança, visitarei este seu pecado.» Segundo, isto pode ser entendido quanto à culpa: assim, diz-se que uma doença é incurável quanto à natureza da doença, que remove aquilo que poderia ser meio de cura, como quando tira a força da natureza ou causa aversão ao alimento e ao remédio, embora Deus possa curar tal doença. Assim também o pecado contra o Espírito Santo se diz imperdoável por sua natureza, na medida em que remove aquelas coisas que são meios para o perdão dos pecados. Isso, contudo, não fecha o caminho do perdão e da cura a um Deus omnipotente e misericordioso, que, às vezes, por assim dizer miraculosamente, restaura a saúde espiritual a tais homens. **Resposta à Objeção 1:** Não devemos desesperar de homem algum nesta vida, considerando a omnipotência e a misericórdia de Deus. Mas, se considerarmos as circunstâncias do pecado, alguns são chamados (Ef 2,2) «filhos da desconfiança». **Resposta à Objeção 2:** Este argumento considera a questão pelo lado da omnipotência de Deus, não pelo das circunstâncias do pecado. **Resposta à Objeção 3:** Nesta vida, com efeito, o livre-arbítrio permanece sempre sujeito à mutabilidade; contudo, às vezes rejeita aquilo pelo que, quanto a si, pode ser convertido ao bem. Por isso, considerado em si mesmo, este pecado é imperdoável, embora Deus o possa perdoar.

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 3 - Whether the sin against the Holy Ghost can be forgiven? · séc. XIII

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Jó 4, 18 nos Padres da Igreja | Aurea