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Jó 41, 24

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Matos Soares

24Não há poder sobre a terra que se compare, pois foi feito para não ler medo de nada.

Matos Soares · domínio público

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Citações internas

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que não há tristeza nos demônios. Pois, como a tristeza e a alegria são contrárias, não podem estar juntas no mesmo sujeito. Mas há alegria nos demônios: pois Agostinho, escrevendo contra os maniqueus (De Gen. Contra Manich. ii, 17), diz: «O diabo tem poder sobre aqueles que desprezam os mandamentos de Deus, e ele se alegra com este poder sinistro.» Logo, não há tristeza nos demônios. Objeção 2: Além disso, a tristeza é causa do temor, pois aquelas coisas causam temor quando futuras, que causam tristeza quando presentes. Mas não há temor nos demônios, segundo Jó 41,24: «Que foi feito para não temer a ninguém.» Portanto, não há pesar nos demônios. Objeção 3: Além disso, é uma coisa boa entristecer-se pelo mal. Mas os demônios não podem fazer nenhuma boa ação. Logo, não podem entristecer-se, pelo menos pelo mal do pecado; o que se aplica ao verme da consciência. Ao contrário, o pecado do demônio é maior que o pecado do homem. Mas o homem é castigado com tristeza por causa do prazer tomado no pecado, segundo Apocalipse 18,7: «Quanto ela se glorificou e viveu em delícias, tanto lhe dai tormento e tristeza.» Consequentemente, muito mais é o diabo castigado com o pesar da tristeza, porque ele especialmente se glorificou. Respondo que o temor, a tristeza, a alegria e coisas semelhantes, enquanto paixões, não podem existir nos demônios; pois assim são próprias do apetite sensitivo, que é uma potência em um órgão corpóreo. Contudo, enquanto denotam atos simples da vontade, podem estar nos demônios. E deve-se dizer que há tristeza neles; porque a tristeza, designando um ato simples da vontade, nada mais é do que a resistência da vontade ao que é ou ao que não é. Ora, é evidente que os demônios desejariam que muitas coisas que são não fossem, e que outras que não são fossem: pois, por inveja, desejariam que outros, que são salvos, fossem condenados. Consequentemente, deve-se dizer que a tristeza existe neles; e especialmente porque é da própria noção de castigo que ele seja repugnante à vontade. Além disso, eles são privados da felicidade, que desejam naturalmente; e a sua vontade perversa é refreada em muitos aspectos. Resposta à primeira objeção: A alegria e a tristeza acerca da mesma coisa são contrárias, mas não acerca de coisas diferentes. Portanto, nada impede que um homem se entristeça por uma coisa e se alegre por outra; especialmente enquanto a tristeza e a alegria implicam atos simples da vontade; porque, não apenas em coisas diferentes, mas até numa mesma coisa, pode haver algo que queremos e algo que não queremos. Resposta à segunda objeção: Assim como há tristeza nos demônios pelo mal presente, também há temor do mal futuro. Ora, quando se diz: «Foi feito para não temer a ninguém», isto deve ser entendido do temor de Deus que refreia do pecado. Pois está escrito em outro lugar que «os demônios creem e estremecem» (Tiago 2,19). Resposta à terceira objeção: Entristecer-se pelo mal do pecado por causa do pecado testemunha a bondade da vontade, à qual o mal do pecado se opõe. Mas entristecer-se pelo mal do castigo, pelo mal do pecado por causa do castigo, testemunha a bondade da natureza, à qual o mal do castigo se opõe. Por isso Agostinho diz (De Civ. Dei xix, 13) que «a tristeza pelo bem perdido pelo castigo é testemunha de uma boa natureza.» Consequentemente, como o demônio tem uma vontade perversa e obstinada, ele não se entristece pelo mal do pecado.

Summa Theologiae — First Part · Article. 3 - Whether there is sorrow in the demons? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1:** Parece que o diabo pode induzir o homem a pecar por necessidade. Porque o maior pode compelir o menor. Ora, diz-se do diabo (Jó 41,24): "Não há poder sobre a terra que se lhe compare." Logo, pode ele compelir o homem a pecar, enquanto este habita na terra. **Objeção 2:** Ademais, a razão do homem não pode ser movida senão em relação às coisas que são oferecidas externamente aos sentidos ou representadas à imaginação; porque "todo o nosso conhecimento nasce dos sentidos, e não podemos entender sem um fantasma" (De Anima, III, texto 30.39). Ora, o diabo pode mover a imaginação do homem, como foi dito acima (A[2]); e também os sentidos externos, pois Agostinho diz (Qq. lxxxiii, q. 12) que "este mal", do qual, a saber, o diabo é a causa, "se estende gradualmente por todas as vias de acesso aos sentidos, adapta-se às formas, mistura-se com as cores, mescla-se aos sons, condimenta todos os sabores." Portanto, pode inclinar a razão do homem a pecar por necessidade. **Objeção 3:** Ademais, Agostinho diz (De Civ. Dei, XIX, 4) que "há algum pecado quando a carne milita contra o espírito." Ora, o diabo pode causar a concupiscência da carne, assim como as outras paixões, do modo explicado acima (A[2]). Logo, pode induzir o homem a pecar por necessidade. **Em contrário,** está escrito (1 Ped. 5,8): "O vosso adversário, o diabo, como leão que ruge, anda ao redor, buscando a quem devorar." Ora, seria inútil admoestar assim, se fosse verdade que o homem estivesse sob a necessidade de sucumbir ao diabo. Logo, não pode ele induzir o homem a pecar por necessidade. Ademais, está igualmente escrito (Tg. 4,7): "Sujeitai-vos, pois, a Deus; mas resisti ao diabo, e ele fugirá de vós." O que não seria dito nem reta nem verdadeiramente, se o diabo pudesse compelir-nos de qualquer modo a pecar; porque então nem seria possível resistir-lhe, nem ele fugiria daqueles que lhe resistem. Logo, não compele a pecar. **Respondo que:** O diabo, por seu próprio poder, a menos que seja refreado por Deus, pode compelir alguém a praticar um ato que, em seu gênero, é pecado; mas não pode causar a necessidade de pecar. Isto é evidente pelo fato de que o homem não resiste ao que o move a pecar senão por sua razão; e o uso da razão, o diabo é capaz de impedir completamente, movendo a imaginação e o apetite sensitivo, como ocorre com um possesso. Mas, então, estando a razão assim acorrentada, o que quer que o homem faça, não lhe é imputado como pecado. Se, porém, a razão não está inteiramente acorrentada, então, enquanto livre, pode resistir ao pecado, como foi dito acima (Q[77], A[7]). Consequentemente, é evidente que o diabo não pode de modo algum compelir o homem a pecar. **Resposta à Objeção 1:** Nem todo poder maior que o homem pode mover a vontade do homem; só Deus pode fazê-lo, como foi dito acima (Q[9], A[6]). **Resposta à Objeção 2:** O que é apreendido pelos sentidos ou pela imaginação não move a vontade necessariamente, enquanto o homem tem o uso da razão; nem tal apreensão acorrenta sempre a razão. **Resposta à Objeção 3:** A milícia da carne contra o espírito, quando a razão realmente lhe resiste, não é pecado, mas é matéria para o exercício da virtude. Que a razão não resista, não está no poder do diabo; por onde, não pode ele causar a necessidade de pecar.

Summa Theologiae — First Part of the Second Part · Article. 3 - Whether the devil can induce man to sin of necessity? · séc. XIII

tradução automática

Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1:** Parece que a intrepidez não é pecado. Pois o que se conta para louvor do justo não é pecado. Ora, está escrito em louvor do justo (Prov. 28,1): «O justo, confiado como um leão, estará sem temor.» Logo, não é pecado estar sem temor. **Objeção 2:** Além disso, nada é tão temível como a morte, segundo o Filósofo (Ética, iii, 6). Contudo, não se deve temer nem mesmo a morte, conforme Mat. 10,28: «Não temais os que matam o corpo», etc., nem coisa alguma que o homem possa infligir, segundo Is. 51,12: «Quem és tu, para que temas o homem mortal?» Logo, não é pecado ser intrépido. **Objeção 3:** Demais, o temor nasce do amor, como foi dito acima (Q. 125, a. 2). Ora, pertence à perfeição da virtude não amar coisa alguma terrena, pois segundo Agostinho (De Civ. Dei, XIV), «o amor de Deus até ao desprezo de si mesmo faz-nos cidadãos da cidade celeste». Portanto, aparentemente não é pecado não temer nada terreno. **Em sentido contrário,** diz-se do juiz iníquo (Lc. 18,2) que «não temia a Deus, nem respeitava os homens». **Respondo que:** Visto que o temor nasce do amor, devemos, ao que parece, julgar do mesmo modo o amor e o temor. Ora, aqui se trata daquele temor pelo qual se receiam os males temporais, e que resulta do amor dos bens temporais. E todo homem tem por natureza o amor da sua própria vida e de tudo o que a ela se ordena; e amá-los na devida medida, isto é, não pondo neles o seu fim, mas usando-os em ordem ao último fim. Portanto, é contra a inclinação natural, e por conseguinte pecado, faltar em amá-los na devida medida. Contudo, nunca se cai totalmente desse amor, pois o que é natural não pode perder-se de todo; pelo que o Apóstolo diz (Ef. 5,29): «Ninguém jamais aborreceu a sua própria carne.» Por isso, mesmo os que se matam a si mesmos fazem-no por amor da própria carne, que desejam libertar da angústia presente. Por conseguinte, pode acontecer que um homem tema a morte e outros males temporais menos do que deve, pela razão de os amar menos do que deve [*Isto é, os bens contrários. Esperar-se-ia 'se' em vez de 'ea'. Então se leria: pela razão de se amar a si mesmo menos do que deve.] Mas que não tema nenhuma destas coisas não pode resultar de uma total falta de amor, mas apenas do facto de pensar ser impossível ser afligido pelos males contrários aos bens que ama. Isto às vezes é resultado da soberba da alma, que presume de si e despreza os outros, segundo o que diz Jó 41,24-25: «Ele [Vulg.: 'quem'] foi feito para não temer ninguém; ele contempla toda a altura»; e, às vezes, acontece por defeito da razão; assim o Filósofo (Ética, iii, 7) diz que os «Celtas, por falta de inteligência, nada temem». [*«Um homem mereceria ser chamado insano e insensato se não houvesse nada que temesse, nem mesmo um terramoto nem uma tempestade no mar, como se diz que sucede com os Celtas.»] É, portanto, evidente que a intrepidez é um vício, quer resulte de falta de amor, de soberba da alma, ou de obtusidade de entendimento; contudo, esta última é escusada de pecado se for invencível. **Resposta à Objeção 1:** O justo é louvado por estar sem temor que o retire do bem; não por ser totalmente intrépido, pois está escrito (Ecle. 1,28): «Aquele que está sem temor não pode ser justificado.» **Resposta à Objeção 2:** A morte e tudo o mais que pode ser infligido pelo homem mortal não devem ser temidos a ponto de nos fazerem abandonar a justiça; mas devem ser temidos como obstáculo ao homem nos atos de virtude, quer quanto a si mesmo, quer quanto ao progresso que possa causar nos outros. Por isso está escrito (Prov. 14,16): «O sábio teme e aparta-se do mal.» **Resposta à Objeção 3:** Os bens temporais devem ser desprezados enquanto nos impedem de amar e servir a Deus; e pela mesma razão não devem ser temidos; por isso está escrito (Ecle. 34,16): «Aquele que teme ao Senhor nada tremerá.» Mas os bens temporais não devem ser desprezados enquanto nos ajudam instrumentalmente a alcançar aquelas coisas que pertencem ao temor e amor de Deus.

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 1 - Whether fearlessness is a sin? · séc. XIII

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