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Jó 41, 25

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Matos Soares

25Olha sobranceiramente tudo o que é elevado, ele é o rei dos mais altivos animais.

Matos Soares · domínio público

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Citações internas

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que o diabo não é a cabeça dos ímpios. Pois pertence à cabeça difundir o sentido e o movimento nos membros, como diz uma glosa sobre Efés. 1,22: «E o constituiu cabeça», etc. Mas o diabo não tem poder de espalhar o mal do pecado, que procede da vontade do pecador. Logo, o diabo não pode ser chamado cabeça dos ímpios. Objeção 2: Além disso, por todo pecado o homem se torna mau. Mas nem todo pecado vem do diabo; e isto é claro quanto aos demônios, que não pecaram por persuasão de outrem; assim também nem todo pecado do homem procede do diabo, pois se diz (De Eccles. Dogm. lxxxii): «Nem todos os nossos maus pensamentos são sempre suscitados pela sugestão do diabo; mas às vezes brotam do movimento de nossa vontade.» Portanto, o diabo não é cabeça de todos os ímpios. Objeção 3: Além disso, uma cabeça é colocada sobre um corpo. Mas toda a multidão dos ímpios não parece ter nada em que esteja unida, pois o mal é contrário ao mal e provém de diversos defeitos, como diz Dionísio (Div. Nom. iv). Logo, o diabo não pode ser chamado cabeça de todos os ímpios. Pelo contrário, uma glosa [*S. Gregório, Moral. xiv] sobre Jó 18,17: «Pereça a sua memória da terra», diz: «Isto se diz de todo ímpio, mas de modo a ser referido à cabeça», isto é, o diabo. Respondo que, como se disse acima (A[6]), a cabeça não só influi interiormente nos membros, mas também os governa exteriormente, dirigindo suas ações a um fim. Por isso pode-se dizer que alguém é cabeça de uma multidão, ou quanto a ambos, isto é, pela influência interior e pelo governo exterior, e assim Cristo é a Cabeça da Igreja, como foi dito (A[6]); ou quanto ao governo exterior, e assim todo príncipe ou prelado é cabeça da multidão a ele sujeita. E desta maneira o diabo é cabeça de todos os ímpios. Pois, como está escrito (Jó 41,25): «Ele é rei sobre todos os filhos da soberba.» Ora, pertence ao governante conduzir aqueles que governa ao seu fim. Mas o fim do diabo é a aversão da criatura racional de Deus; desde o princípio ele se esforçou por levar o homem a desobedecer ao preceito divino. Mas a aversão de Deus tem natureza de fim, na medida em que é buscada sob a aparência de liberdade, segundo Jer. 2,20: «Desde outrora quebraste o meu jugo, rompeste as minhas cadeias e disseste: Não servirei.» Portanto, na medida em que alguns são levados a este fim pelo pecado, caem sob o domínio e governo do diabo, e por isso ele é chamado sua cabeça. Resposta à Objeção 1: Embora o diabo não influa interiormente na mente racional, contudo a engana para o mal pela persuasão. Resposta à Objeção 2: Um governante nem sempre sugere aos seus súditos que obedeçam à sua vontade; mas propõe a todos o sinal da sua vontade, em consequência do qual uns são incitados por induzimento, e outros por seu próprio livre-arbítrio, como é claro no chefe de um exército, cujo estandarte todos os soldados seguem, embora ninguém os persuada. Portanto, do mesmo modo, o primeiro pecado do diabo, que «peca desde o princípio» (1 João 3,8), é proposto a todos para ser seguido, e uns o imitam por sugestão dele, e outros por vontade própria, sem sugestão alguma. E assim o diabo é cabeça de todos os ímpios, na medida em que o imitam, segundo Sab. 2,24-25: «Pela inveja do diabo entrou a morte no mundo. E os que são da sua parte o seguem.» Resposta à Objeção 3: Todos os pecados concordam na aversão de Deus, embora difiram pela conversão a diferentes bens mutáveis.

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 7 - Whether the devil is the head of all the wicked? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que a sabedoria não deve ser contada entre os dons do Espírito Santo. Pois os dons são mais perfeitos que as virtudes, como se afirmou acima (I-II, Q. 68, A. 8). Ora, a virtude é dirigida somente ao bem, razão pela qual Agostinho diz (De Livre Arbítrio, II, 19) que "ninguém faz mau uso das virtudes". Muito mais, portanto, os dons do Espírito Santo são dirigidos somente ao bem. Mas a sabedoria também se dirige ao mal, pois está escrito (Tiago 3,15) que certa sabedoria é "terrena, animal, diabólica". Logo, a sabedoria não deve ser contada entre os dons do Espírito Santo. Objeção 2: Ademais, segundo Agostinho (De Trindade, XII, 14), "a sabedoria é o conhecimento das coisas divinas". Ora, o conhecimento das coisas divinas que o homem pode adquirir por suas dotações naturais pertence à sabedoria que é uma virtude intelectual, enquanto o conhecimento sobrenatural das coisas divinas pertence à fé, que é uma virtude teologal, como se explicou acima (Q. 4, A. 5; I-II, Q. 62, A. 3). Portanto, a sabedoria deve ser chamada virtude, e não dom. Objeção 3: Ademais, está escrito (Jó 28,28): "Eis que o temor do Senhor é a sabedoria, e apartar-se do mal é a inteligência". E nesta passagem, segundo a versão da Septuaginta que Agostinho segue (De Trindade, XII, 14; XIV, 1), lemos: "Eis que a piedade é a sabedoria". Ora, tanto o temor quanto a piedade são dons do Espírito Santo. Logo, a sabedoria não deve ser contada entre os dons do Espírito Santo como se fosse distinta dos outros. Em contrário, está escrito (Isaías 11,2): "Repousará sobre Ele o Espírito do Senhor; o espírito de sabedoria e de inteligência". Respondo: Segundo o Filósofo (Metafísica, I, 2), cabe à sabedoria considerar a causa mais elevada. Por meio dessa causa podemos formar um juízo certíssimo sobre as outras causas, e segundo ela todas as coisas devem ser ordenadas. Ora, a causa mais elevada pode ser entendida de dois modos: ou de modo absoluto, ou em algum gênero particular. Consequentemente, aquele que conhece a causa mais elevada em algum gênero particular e, por meio dela, é capaz de julgar e ordenar todas as coisas que pertencem àquele gênero, é dito sábio naquele gênero, por exemplo, na medicina ou na arquitetura, conforme 1 Coríntios 3,10: "Como sábio arquiteto, lancei o fundamento". Por outro lado, aquele que conhece a causa que é simplesmente a mais elevada, que é Deus, é dito sábio de modo absoluto, porque é capaz de julgar e ordenar todas as coisas segundo as regras divinas. Ora, o homem obtém esse juízo pelo Espírito Santo, conforme 1 Coríntios 2,15: "O homem espiritual julga todas as coisas", porque, como se diz no mesmo capítulo (1 Coríntios 2,10), "o Espírito perscruta todas as coisas, até mesmo as profundezas de Deus". Portanto, é evidente que a sabedoria é um dom do Espírito Santo. Resposta à Objeção 1: Uma coisa é dita boa em dois sentidos: primeiro, no sentido de que é verdadeiramente boa e simplesmente perfeita; segundo, por uma certa semelhança, sendo perfeita na malícia; assim falamos de um bom ou perfeito ladrão, como observa o Filósofo (Metafísica, V, text. 21). E assim como, com relação às coisas verdadeiramente boas, encontramos uma causa altíssima, a saber, o sumo bem que é o fim último, pelo conhecimento do qual o homem é dito verdadeiramente sábio, assim também nas coisas más encontra-se algo ao qual todas as outras devem ser referidas como a um fim último, pelo conhecimento do qual o homem é dito sábio para fazer o mal, conforme Jeremias 4,22: "São sábios para fazer o mal, mas para fazer o bem não têm conhecimento". Ora, quem se afasta do seu fim devido necessariamente fixa algum fim indevido, pois todo agente age por um fim. Portanto, se ele fixa seu fim nas coisas exteriores terrenas, sua "sabedoria" é chamada "terrena"; se nos bens do corpo, é chamada "sabedoria animal"; se em alguma excelência, é chamada "sabedoria diabólica" porque imita o orgulho do demônio, sobre quem está escrito (Jó 41,25): "Ele é rei sobre todos os filhos do orgulho". Resposta à Objeção 2: A sabedoria que é chamada dom do Espírito Santo difere daquela que é uma virtude intelectual adquirida, pois esta é alcançada pelo esforço humano, ao passo que aquela "desce do alto" (Tiago 3,15). De modo semelhante, difere da fé, pois a fé adere à verdade divina em si mesma, enquanto ao dom da sabedoria cabe julgar segundo a verdade divina. Por isso, o dom da sabedoria pressupõe a fé, porque "o homem julga bem aquilo que conhece" (Ética a Nicômaco, I, 3). Resposta à Objeção 3: Assim como a piedade, que pertence ao culto de Deus, é uma manifestação da fé, na medida em que fazemos profissão de fé adorando a Deus, assim também a piedade manifesta a sabedoria. Por essa razão, a piedade é declarada sabedoria, e também o temor, pela mesma razão, porque se um homem teme e adora a Deus, isso mostra que ele tem um reto juízo acerca das coisas divinas.

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 1 - Whether wisdom should be reckoned among the gifts of the Holy Ghost? · séc. XIII

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